
  
Nota da traduo: Esta fic est sendo traduzida sem a devida    
autorizao do autor. Contatos foram feitos, mas o email que consta  
nesta fic no foi respondido. Mas, mesmo assim, vou traduzir a fic.  
A histria pertence ao autor, e todo crdito deve ser dado a ele  
por isso. Eu estou apenas traduzindo.   
Edna Barros (ednabarros@uol.com.br)     
Para outras tradues, visite: www.wfics.hpg.com.br  

 
Translation's notes: This fic is being translated without the due    
the author's authorization. Contacts were made, but the email that consists  
in this fic it wasn't answered. But, even so, I will translate the fic.  
The history belongs to the author, and every credit should be given to him  
therefore. I am just translating.   
Edna Barros (ednabarros@uol.com.br)     
For other translations, visit: www.wfics.hpg.com.br 

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De: mabtng <mabtng@mindspring.com>
LAST ONE STANDING

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"LAST ONE STANDING" BY MABTNG

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PARTE 1: 11 DE JUNHO A 4 DE JULHO

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

"Tudo isso  o comeo das dores..." 
                      Mateus 24.8

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PRLOGO

Em algum lugar na Califrnia
14 de junho

"Droga! Droga! Droga!" era tudo que o homem no traje de 
conteno poderia proferir enquanto ele corria ao telefone 
especial.

No havia nenhum dial neste telefone. No era necessrio. 
Pois este telefone s tinha uma razo para existir... uma 
razo que todos esperavam que nunca aconteceria. Ele apanhou 
o receptor e a outra extremidade comeou a tocar imediatamente. 
Foi respondido no segundo toque.

"Projeto Azul saiu fora dos limites", o homem no traje falou, 
tentando controlar o prprio pnico.

"Eu entendo", o homem na outra ponta respondeu, frio. "E que 
medidas esto sendo tomadas?"

"O mensageiro alcanou... e acabou de comear em Arnette, 
Texas... mas, como esperavamos, no ser cem por cento efetivo."

"Muito bem. Obrigado pela informao", a voz tranqila declarou 
logo antes de encerrar a linha para sempre.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * *
"E ele falou para dois amigos, e assim por diante... e assim 
foi...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * *


Centro de Deteno de Houston
Houston, Texas
15 de junho (tera-feira)

Para um dia luminoso e alegre, estava completamente desagradvel 
dentro do salo de entrada da priso de Houston.

Sargento Walter Philkey observou, empoleirado do seu tamborete, 
atrs da fachada de vidro a prova de bala da 'escrivaninha' 
dianteira, a linha de pessoas impacientes. O tamborete balanou 
de leve, de um lado para outro, graas a uma nica perna 
ligeiramente mais curta e ao enfado do usurio. Mas, como 
Sgt. Philkey sempre dizia ao pessoal novo nomeado ao seu 
setor, "Eles me pagam o mesmo... se eu falo com uma pessoa 
uma hora ou duas." A vida poderia ser pior.

Assim, Sgt. Walter Philkey, com excesso de peso e corado de 
muitos anos de entrelaar os ps ao redor de um tamborete e 
molhar rosquinha de gelia enquanto espera pela ocasio da 
sua aposentadoria, levou o tempo dele enquanto respondia 
perguntas e distribua formulrios s jovens senhoras com 
crianas nos quadris, que queriam vir e visitar os papais 
na priso.

Entretanto, um realce ao seu dia sombrio chegou. Um detetive, 
obviamente da costa Leste, entrou na porta e brilhou o 
distintivo... dizendo que ele estava ali para providenciar 
o progresso de um prisioneiro para extradio.

Foi um prazer absoluto e poder ligeiramente vaidoso do Sgt. 
Philkey ao conduzir o detetive  cabea da longa linha, 
desfrutando alguns resmungos de desgosto de algumas pessoas 
mais maldosas, estpidas, e mal-humoradas paradas na linha.

E ele se divertiu ao notar as botas de vaqueiro nos ps de 
Mitchell. Botas que, indubitavelmente, ainda tinham solas 
lisas e nenhum uso nos saltos devido a apoiar nos topos 
das escrivaninhas.

Por que era que estes habitantes do Leste sempre usavam as 
suas botas de vaqueiro negligenciadas quando eles visitavam 
o Texas?

Ele olhou mais uma vez para as botas. Nope. Julgando pela 
maneira que Mitchell estava caminhando, como os dedos dos 
ps estavam comprimidos e as panturrilhas estavam anormalmente 
esticadas, como ele tivesse um cabo de vassoura empurrada 
no traseiro, elas no eram negligenciadas. Elas eram novas 
em folha. Devia ter comprado no aeroporto. Provavelmente 
voc ainda poderia ler o selo do tamanho dentro. Ele quis 
saber se o Detetive do 'Leste' at mesmo tirou a etiqueta 
de preos.

Enquanto ele empurrava o boto de liberao, para a porta 
de segurana, para deixar o 'Detetive do Leste' entrar nos 
intestinos sagrados da priso, um dos amigos de Philkey, 
da Patrulha Rodoviria Estadual, passou pela porta da frente.

Philkey fez sinal ao Guarda Rodovirio Joe Bob Brentwood 
e acenou para ele unir o detetive pela porta de segurana. 
Brentwood acenou com a cabea e acenou de volta. E 
prontamente espirrou to forte, que Philkey achou que ele 
estourou uma clula ou duas do crebro.

"Jee-sus, Joe Bob! Tentando fazer sua cabea explodir ou 
algo assim?" Philkey exclamou enquanto os dois homens 
caminhavam pela porta de segurana, e pela entrada, para 
a frente da rea de trabalho.

Joe Bob agarrou um trapo j fortemente usado e flcido de 
muco do bolso e esfregou o nariz vermelho esfolado, e 
inflamado.

"Nah. Deve ser uma alergia ou algo... s me afetou esta 
tarde. Eu certamente espero que no seja nada daquela droga 
de gripe de vero. Resfriados de vero so os piores. E eu 
fui e esqueci a minha agenda 007 quando eu estava aqui 
ontem. Pensei melhor em vir pegar. Tem todos os meus casos 
registrados durante as ltimas duas semanas."

Philkey acenou com a cabea a sua concordncia. "Bem, v 
pegar voc mesmo um pouco de caf. No est muito ruim. 
Connors fez. No aquela embrocao de barro, 
que Burke sempre faz."

Joe Bob foi  panela, metendo o trapo abusado de volta no 
bolso.

Philkey virou quando ele percebeu que tinha esquecido do 
Det. do "Leste".

"Ento, o que posso fazer por voc?" ele perguntou, sendo 
claro ao esticar o seu sotaque para uma medida extra.

"Eu sou o Detetive Mitchell, Arlington, Virgnia P.D. Estou 
aqui para fazer a papelada da extradio de um Ramn Smith. 
Eles disseram que voc teria tudo que ns precisamos aqui."

"Oh sim... chegue aqui mesmo. Apenas espero pelos documentos 
que voc devia me mostrar."

Mitchell abriu a pasta de papis na mo e tirou vrios 
formulrios, tudo preenchido em trs vias, claro.

Philkey pegou os formulrios e comeou pela sua lista de 
conferncia da extradio. Alguns momentos depois, ele 
acenou com a cabea. Por uma vez, um detetive tinha todos 
os documentos necessrios. Definitivamente, pela primeira 
vez.

"Parece que voc est pronto, Detetive. Quando  seu vo 
pra casa?"

"Amanh de manh... 7 da manh."

"Certo... Agora, espere aqui durante um segundo... Eu s 
quero conferir nosso horrio de transporte..."

Sgt. Philkey virou para ler, com ateno, os vrios cartes 
grampeados na escrivaninha atrs dele. Tinha que haver pelo 
menos dez, todos eles retesados para segurar as pilhas 
grossas de documentos, na maior parte ignoradas, que tinham 
sido empurrados nas 'bocas' deles.

Mitchell se inclinou sobre o balco. Como sempre, outro caso 
de pressa e espera. E nada era pior que ter que esperar ao 
redor de uma priso, pouco conhecida, por algum prisioneiro 
estpido. Bem, talvez toda a formalidade burocrtica e 
papelada fosse pior. De qualquer modo, ele quis acertar 
tudo assim ele poderia voltar amanh e apanhar o sujeito, 
voltar ao aeroporto e seguir para a Capital da Nao e a 
sua prpria espreguiadeira particular e controle remoto.

Philkey interrompeu a sua fantasia de contemplao do Mundo 
Vasto de Competio da Federao.

"Boas notcias, Det. Mitchell. Voc est com sorte", Philkey 
continuou. "O carro de transporte tem uma encomenda amanh 
de manh no aeroporto... assim eles prosseguiro e levaro 
Smith todo o caminho para o porto do aeroporto para... te 
dar um pouco mais de tempo para desfrutar as belas vises 
e 'pilhrias' do centro da cidade de Houston..."

Mitchell suspirou em alvio. Talvez esta extradio no 
seria to ruim, afinal de contas. A pior parte destas 
viagens 'empresariais' era sempre apanhar o prisioneiro e ir 
para o aeroporto. Uma vez voc que estavesse no avio as coisas 
eram bem fceis - embora voc tivesse que desalgemar seu 
prisioneiro no avio devido aos regulamentos da FAA. Assim 
ia ser ruim salvar o traseiro do sujeito se o avio casse. 
Sim. Claro. Apenas aqueles dispositivos de flutuao num 
evento de uma 'aterrissagem na gua'. Gosto dessa semntica 
da linha area.

Yup. A hospitalidade de Houston era admirada.

Agora, ele poderia perambular por a na cidade, no carro alugado... 
Voltar e relaxar um pouco antes de ter que estar 
alerta, de novo, com um prisioneiro na sua custdia. Mais, 
ele poderia aproveitar algum tempo para deixar os ps 
doloridos descansarem um pouco. Ele no tinha nenhuma 
idia o que tinha o possudo para comprar essas malditas 
botas de vaqueiro no aeroporto de Houston.

"Ei, isso  um bom negcio", Mitchell comentou enquanto 
sorria pela primeira vez naquele dia. "Que mais eu preciso 
fazer? Assinar alguns documentos ou algo?"

"Yup. S me d seu Johnny Reb aqui e aqui", Philkey disse 
enquanto empurrava os formulrios, pelo balco, para ele. 
"Ento eles recebero algum sinal seu no aeroporto. E  isso."

Mitchell assinou os formulrios e os devolveu a Philkey 
justamente quando Joe Bob escolheu espirrar mais uma vez. 
Mitchell fez careta em condolncia.

"Espero que voc esteja sentindo melhor, a, Guarda Rodovirio..." Mitchell exclamou e retrocedeu ao Sgt. Philkey. "E obrigado 
por toda sua ajuda. Acho que irei comprar algum caf da manh, 
ento."

"Sem problema, Detetive. Estou contente em ajudar. Eu abrirei
a porta daqui... e voc poderia tentar o Diner da Helen... 
 aqui pertinho. Faz o melhor caf da manh na cidade. Muita 
gordura... os ovos s deslizaro do prato pela garganta."

A porta de segurana zumbiu e Mitchell se dirigiu de volta 
no salo de entrada, olhando adiante para um grande pedao de toucinho, ovos com toneladas de molho quente, e guisado 
dourado.

Ele no tinha nenhum modo de saber que depois desse dia, um 
Guarda Rodovirio, Joe Bob Brentwood, seria apanhado por 
homens em trajes de conteno e desaparendo misteriosamente 
numa quarentena para morrer.

Pois o Guarda Rodovirio Joe Bob Brentwood tinha sido o 
marco zero logo aps um certo 'fugitivo', de um edifcio 
de 'pesquisa' de segurana de alto nvel, bater o carro e 
morrer na boa Arnette, Texas, cortesia do que seria conhecido 
logo como a Super Gripe.Assim, Detetive Mitchell, realmente, no tinha nenhum modo 
de saber que um terceiro passageiro tinha agora se unido a 
ele na sua viagem de volta para D.C.

O bom Capito Tripps, tambm conhecido como 'Canudo no 
Gargalo', tinha sido entregue, na mo, pelo Guarda Rodovirio 
Joe Bob Brentwood na custdia de um cansado Detetive da 
Polcia de Arlington. Nem precisou de algema nenhuma.

E Sargento Walter Philkey voltou ao seu trabalho, no sabendo 
que sua aposentadoria 'forada' estaria com ele antes do fim 
da semana. Ningum o acharia enquanto ele sentava, mortinho 
da Silva, sufocado pela prpria lngua inchada. Vestido na 
camiseta branca, amarelada de suor, sentado diante da 
televiso a cabo, que tinha sido provido em cortesia do 
montador local, que tinha muitas infraes de estacionamento.

E ningum at mesmo se preocuparia.

Apenas no era a semana do Sgt. Philkey.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Um Escritrio Escuro na Cidade de Nova Iorque
16 de junho
1100 horas

"Assim quanto tempo ns temos?"

"Devemos estar em nossa posio designada dentro de vinte e 
quatro horas. Depois disso, ser muito tarde. Eles sabero 
o que vai acontecer."

"E tudo est pronto para ns?"

"Sim. No dever haver nenhuma dificuldade imprevista. 
Agora, o avio para Nevada est esperando. Eu sugiro a 
todos vocs que peguem o helicptero e cheguem no aeroporto 
agora."

"E sobre voc?"

"Eu tenho uma ponta solta que precisa ser enrolado. Eu os 
unirei brevemente, de forma que possamos continuar nosso 
trabalho."

Os outros homens desocuparam a sala depressa, agarrando 
pastas vitais e pequenos pertences antes de rumarem ao 
telhado e o helicptero esperando.

O ltimo homem se levantou diante da janela, desfrutando 
a ltima tragada do cigarro. Era dito que essa ltima 
tragada continha o pior dos carcingenos. Ele sorriu e 
deixou a fumaa lentamente espiralar dos lbios e nariz, 
criando um halo de enegrecido cinza sobre a cabea.

Certo, as coisas estavam acontecendo muito  frente e paralela 
ao plano deles - e eles no tinham calculado os 
resultados no pblico nesta fase. Ou seria desastroso ou 
vitorioso; mas, neste momento, no havia absolutamente nada 
que eles poderiam fazer para parar isto. S acompanhar o ritmo. E estar l para arrancar os controles depois da queda 
livre.

Mas, havia algo que ele poderia fazer para assegurar o seu 
prprio resultado.

Ele esperou por mais alguns segundos pela janela. Ele poderia 
ouvir o ganido dos rotores da mquina acima enquanto preparava 
para decolar. Ele pisou para trs da janela e se sentou na 
cadeira de couro frio, atrs da slida mesa de mogno. As mos 
velhas, enrugadas, acariciaram os braos lisos. Realmente era 
uma vergonha que ele teria que deixar isto para trs.

Um segundo depois houve um flash ofuscante de luz e o edifcio 
estremeceu com o choque de uma exploso alta.

O homem calmamente abriu a elegante caixa de cigarro, que 
pousava s alm do mata-borro verde escuro da mesa, e removeu 
a prxima vtima enrolada. Ele sorriu enquanto colocava no 
canto da boca. Ento, com um estalido rpido de seu pulso, 
ele riscou um fsforo e ergueu a vara ardente nas mos para 
acender o seu hbito.

Ele saboreou o pequeno som de crepitao do papel e tabaco 
acendendo enquanto suavemente inalava, alimentando a chama 
encorajando seu propsito.

Sim. Era agora o seu jogo. Dele e somente dele.

Fim da parte 1
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *


LAST ONE STANDING
***********************
CAPTULO DOIS

* * * * * *

" um bonito dia neste bairro
Um dia bonito para um vizinho
Voc seria o meu?
Voc poderia ser o meu?
- Fred Rogers

rea de Desmanche da Polcia
S. Arlington Mill Dr.
Arlington, VA
17 de junho (quinta-feira)
1500 horas

Detetive D.J. MacInerny, da Polcia de Arlington, sentava 
em seu Ford Taurus branco. O assento estava reclinado, o 
ar condicionado fixado em pleno funcionamento e os orifcios 
virados adequadamente para criar um efeito de ciclone sobre 
a cabea e axilas. A janela do motorista estava aberto 
ligeiramente, assim ela poderia sacudir a ponta do cigarro 
fora. O ar estava to mido, a fumaa nem mesmo queria subir.

Estava quente como inferno.

<<"Mais quente que o ar do traseiro do velho Saddam">>

Se no fosse pelo fato do ar condicionado no edifcio 
comercial, que disfarava como sede, ser completamente 
inopervel, teria sido um dia que at mesmo ela preferia 
passar em lugar fechado. E isso dizia muito. Para "Mac", 
como os colegas de trabalho a chamava, definitivamente 
tinha uma vocao para as ruas.

Isso era por que ela e muitos outros amavam trabalhar em 
roubo de carros. Ela conseguia o melhor de ambos os mundos. 
A liberdade de trabalhar os prprios casos como detetive 
e a chance para livrar-se daquele uniforme quente, confinado 
e, s vezes ainda assim, ela colocava 'mos  obra na rua'. 
Viajando a noite em carros esporte confiscados, procurando 
os caras ruins... dirigindo rpido, pulando, arma na mo... 
prendendo ladres de carro antes que eles soubessem o que 
lhes ocorreu.

Oficiais de batida gostavam de trabalhar com o Esquadro de 
Autos porque os detetives ainda sabiam sobre o que acontecia 
na rua.

Ao mesmo tempo, o lado inquisitivo dela estava satisfeito 
pelo trabalho de detetive que ela freqentemente tinha que 
fazer. Estabelecendo padres, usando informantes... rastejando 
ao redor de veculos desmontados procurando por informaes 
e pistas... era desafiante. E, normalmente, as coisas que 
ela descobria eram alm de roubo de carro. Era raro que Mac 
prendesse um ladro de carro sem achar uma arma e/ou drogas 
na posse dele.As investigaes se expandiam freqentemente 
para incluir assassinato, trfico de droga, e assalto  mo armada.

Criminosos recentes do sculo vinte eram homens e mulheres 
de 'vida nova'. Eles preferiam no se especializar em uma 
rea; mas pelo contrrio, eles desfrutavam ampliar-se para 
trabalhar superficialmente em todos os tipos de felonias e 
contravenes. O Exemplo do Crime de Whitman.

<<"A vida  como uma caixa de chocolates...">>

Mas estas caixas s continham aqueles torvelhinhos cobertos 
de chocolates, parecendo bem enganosos, que voc tinha que 
cuspir fora depois de perceber que eles estavam cheios com 
'torrone misterioso' ou alguma porcaria de castanha. Muito 
ruim que algum normalmente se feria durante o processo de 
degustao.

E era uma pena que os caras ruins no davam uma de delator 
do grupo, de modo que as polcias separassem as agncias de 
seus detetives em especialidades. Ento, freqentemente, 
era o trabalho de Mac para examinar a caixa de chocolates, 
enganando e fatiando em alguns at que ela achava uns 
cheios com a sua especialidade.


O que a conduziu  razo dela estar sentada nesta rea 
mida de desmanche, no exasperante suadouro da tarde. 
Ontem, nas pequeninas horas da manh, oficiais da Meia-noite 
tinham recuperado os restos parcialmente desgastados de uma 
Toyota 4xRunner ao longo da S. Four Mile Run Drive. Nenhuma 
apreenso tinha sido feita, mas o oficial da recuperao 
tinha lhe feito uma visita ao trmino do seu turno por 
causa das circunstncias estranhas envolvidas.

O carro tinha sido aparentemente roubado. A janela do 
motorista tinha sido forada e a ignio foi 'perfurada'. 
Mas, todas as placas de identificao tinham sido 
removidas. As etiquetas se foram, a placa do Nmero de 
Identificao do Veculo (VIN) foi rasgado de seu lugar 
na barra dianteira, os adesivos removidos da porta do 
motorista, e todos os documentos tinham sido eliminados 
do interior. O selo do VIN, na barreira  prova de fogo, 
tinha sido lixado totalmente, fazendo impossvel de ler.

Algum fez um grande trabalho para impedir o carro de ser 
corretamente identificado.

E o veculo tinha sido obviamente usado como um 'ariete'. 
A extremidade dianteira foi muito bem amassado.

Geralmente, "Mac" teria corrido at a rea de desmanche 
assim que ela pudesse; mas o seu carto de dana da 
quarta-feira logo estaria cheio. Ela tinha chegado s 
05:30 para passar pela pilha de relatrios novos, 
lendo cada um e designando ao membro apropriado da sua 
unidade, ainda mastigando no seu caf matutino e o bolinho 
redondo de farelo de trigo, que era suposto mantinha 
as coisas 'regulares'. s vezes.

Depois da segunda xcara de caf legtimo, que ela agarrou 
durante o segundo intervalo de cigarro do 'O Moinho', 
descendo a ruela, desde que o caf na Diviso de Investigaes 
Criminal no promoveu regularidade, ela comeou o crculo 
dirio de telefonemas a vtimas de vrios roubos de carro. 
Certo, ainda era cedo, mas normalmente era o nico 
horrio que ela poderia peg-los. E,os primeiros na lista para 
'chamar': os gnios que deixaram as portas destrancadas e 
as chaves nas ignies e sem poder entender por que o carro 
deles foi roubado.

Quando chegou por volta das 09:30, ela agarrou a pilha 
de pastas de papis arquivados escrito 'Tribunal' e foi ao Palcio 
da Justia pela praa. Com alguma sorte, todo mundo apenas 
se declararia culpado e ela estaria fora antes do meio-dia. 
Ento ela poderia descer e dar uma olhada naquela Toyota.

Mas, antes que ela pudesse chegar a sada, ela foi atocaiada 
por um dos membros do seu esquadro.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Detetive Josh Mitchell tinha cambaleado pelo salo de entrada 
do Bureau de Investigaes, suspeito algemado na mo. Enquanto 
"Mitch" estava, obviamente, satisfeito por estar em casa com 
o prisioneiro, ele tambm estava com olhos lacrimejantes e 
transbordando com um completo resfriado ofegante, irritante. 
Ele virou a cabea quando espirrou ruidosamente.

"Ei, Mac! Voc pode me ajudar com este sujeito?" Ele acenou 
para uma das suspeitas salas de 'entrevista', at mesmo 
enquanto o nariz gotejava.

"Claro", Mac respondeu. No era como se ela estivesse, de fato, 
esperando sentar na sala de testemunha abarrotado do tribunal 
enquanto os advogados de defesa e o Promotor da Comunidade 
discutiam em cima de argumentos. A sala tambm era maldita 
de quente e todo mundo sempre estava em um humor ruim.

Ela tinha examinado o suspeito quando ela pegou o brao 
dele. Ramn "Smith" era uma real captura. Eles tinham 
imposto, pelo menos, dez autorizaes para a apreenso 
dele por vrios meses, mas ele tinha fugido da rea. Ento, 
a polcia em Houston, Texas, tinha os notificado que eles 
tinham prendido Smith. O Promotor da Comunidade de Arlington 
tinha concordado em extraditar Smith por causa do nmero 
e natureza sria das acusaes. Assim, Mitch tinha ido a 
Houston apanhar o pequeno maante. Viagem grtis e mesadas 
de refeio generosas para Mitch, com s algumas horas de 
trabalho, como uma 'escolta'.

Infelizmente, pareceu como se Mitch estivesse doente e 
miservel na maior parte da viagem.

Mac levou Smith para a sala de entrevista, abriu a algema da 
mo direita, ento o re-algemou no gancho na pesada mesa. 
Quando ela virou para deixar a sala, ela teve que sorrir 
quando Smith comeou a espirrar. Foi bem feito ao bastardo 
depois de escapar para o Texas, para evitar a polcia. 
Ela esperou que ele sufocasse no prprio muco. Mas, s 
depois que eles conseguissem fechar cerca de quarenta casos 
abertos com as confisses e impresses digitais dele.

Yup. Seria um timo dia para as Estatsticas de Roubo de 
Carros. Merecedor de pelo menos dois drinques ao trmino do 
dia.

Ela caminhou da sala e colidiu com Mitch. Pobre sujeito, 
parecia terrvel... todo o caminho at as pontas da bota 
de vaqueiro. Ela teve pena por ele. Ele realmente era um 
sujeito bom para trabalhar. Engraado, seguro, sem desejo 
para estar em qualquer lugar exceto Auto... que significava 
que ele era prudente e digno de confiana. No precisava 
de nenhum Kevlar para prevenir as costas das facadas.

"Voc chegou com tudo sob controle aqui, Mitch?" ela perguntou.

"Sim, ns somos bons no que fazemos. Eu s odeio este resfriado. 
No posso imaginar onde eu peguei. Ron est estacionando o 
carro, ento ele estar aqui para ajudar com a entrevista 
e o procedimento", Mitch fungou.

Mac tinha se dirigido a porta do tribunal.

Infelizmente, o 'suspeito alegado' em um dos casos dela 
estava sendo um completo idiota e exigindo um julgamento com 
jri. Acabou contra-explodindo nele... o juiz lanou o livro 
nele. A pechincha do argumento que o Promotor tinha oferecido, 
mais cedo no dia, seria um pedao do bolo. Mas, pelo menos, 
Mac tinha sentido um pouco melhor sobre o fato que ela no 
chegar em casa at s 1900 horas.

Ela, imediatamente, entrou na cama, exausta, no sabendo por 
que no mundo que os msculos e juntas tinham comeado a doer 
tanto.

Ela poderia ter sorrido se ela tivesse sabido que o pobre 
Ramn Smith sufocaria a morte, na prpria mistura pessoal 
de muco e catarro, antes da semana ter terminado. Nenhuma 
grande perda.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Assim, quinta-feira tinha chegado... um excelente dia, 
novo em folha... e, depois da rotina matutina habitual, 
finalmente era hora para a Det. "Mac" entrar em ao.

<<"Mulher Maravilha!...">>

E no era nenhum grande sacrifcio, porque a idia de fazer 
ponto na estao, pelo resto do dia, com um grupo de detetives 
em corpos suados, roupas pegajosas, no era topo na lista 
dela de coisas a fazer, antes que ela comprasse a fazenda. 
O combo aromtico, j entrosado, de policial e ladres, caf 
velho, exploso nuclear sobrevivente de creme da leiteria, 
spray de barata ineficaz, e arquivos empoeirados eram at 
mesmo muito para o seu nariz de fumante dessensibilizado.

Com uma palavra rpida para o sargento, ela foi  porta.

"Apenas tenha certeza em deixar seu rdio perto, Mac. Mitch 
ligou doente hoje, assim ns somos poucos..." O comentrio 
do Sargento foi interrompido quando ele soltou um espirro.

"Deus te abenoe... e OK. Sem problema... s me d um grito 
se voc precisar de mim." Mac agarrou uma caixa de leno de 
papel da mesa, que mantinha o ndice do Haines e lanou a ele.

"Vejo voc depois, Mac... e obrigado. E agarre um Copo 
Grande ou algo assim...  mais quente que..." ele estava 
a ponto de oferecer uma interessante metfora que envolvia 
vrias partes de uma prostituta, entretanto se lembrou tudo 
do treinamento do EEOC, que ele tinha sido forado a assistir.

Mac sorriu. Ela sabia o que ele quis dizer.

"No se preocupe, Sarge. Eu j planejei a batida 7-11."

Ela ento, imediatamente, agarrou as chaves do Taurus, a ela 
designado, e se dirigiu-se a porta.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Uma vez na rea de desmanche, ela vestiu o conjunto do macaco 
que ela mantinha no porta-malas para o trabalho 'sujo'. Ela 
tinha vasculhado o carro para identificar informaes e descobriu 
vazio. Normalmente, ela poderia conseguir bastante informaes 
de outras coisas no carro. Alguns fabricantes de veculos de 
alto-roubo estavam estampando agora, por toda parte, o VIN 
nas vrias partes do carro, mas este modelo particular no 
era marcado.

Ela teria que reconstruir o VIN. Seria relativamente fcil 
de construir os primeiros nove caracteres. Eles eram um cdigo 
criado pelo pas de origem e caractersticas especficas do 
veculo como cilindros do motor, estilo de corpo, modelo, 
ano de fabricao e sistema de restrio instalado. A parte 
difcil seria os ltimos oito dgitos. Esses eram os nmeros "consecutivos" individuais, nicos, para o carro. Para esses, 
ela teria que trabalhar nos nmeros lixados abaixo da barreira 
 prova de fogo do VIN.

<<"Ns podemos reconstrui-lo...">>

Ela voltou as suas ferramentas escondidas no porta-malas 
e agarrou alguns pedaos de lixa e uma garrafa pequena de 
lquido. Ento ela ps-se a trabalhar.

Era trabalho sujo, cotovelo cheio de graxa. Ela lixaria o 
metal vigorosamente sobre o VIN com texturas variadas de 
lixa. Ento, ela poliria o metal com um pano liso. Depois, 
ela sacou a garrafa pequena. Cuidadosamente, ela aplicou o 
cido pelo metal.

Depois de vrios ciclos deste trabalho, vingou. Usando uma 
lanterna para proporcionar luz oblqua, ela pde entender 
aqueles ltimos oito dgitos misteriosos.

<<"Venha pra Mame"!>>

Ela tinha o seu VIN.

Ela agarrou o celular e chamou o ECC para correr o VIN por 
NCIC e VCIN, que eram o equivalente do NCIC da Virgnia. 
Momentos depois, ela teve as suspeitas confirmadas. O 
carro realmente foi informado como roubado. Porm, o que 
ela no tinha esperado era a nota acrescentada ao relatrio 
do NCIC. O carro era procurado pelo FBI, como sendo usado 
numa suspeita de seqestro em Maryland. As instrues pediam 
para uma Agente "Scully" ser notificado imediatamente em 
sua recuperao e o carro seria mantido para a inspeo 
pessoal dela.

<<"Assim, Lah-di-dah...">>

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Ento agora, s 1500 horas, Detetive D.J. MacInerny estava 
sentada em seu Taurus, motor ligado, ar condicionado a toda, 
suada e quase vazio copo grande de Coca-cola ao seu lado, 
esperando a 'federal', Agente Scully, chegar.

Ela jogou a dcima bitoca de cigarro para fora da janela, 
enquanto encarava o pacote de 'Merit Ultimas' que tinha 
sido um tipo de concesso. Ao invs de escolher o Merit 
mais forte, ela decidiu ir cortando aos poucos, at fumar 
o 'Ultima' extra light.

Isso foi h trs anos... e uns dois mil pacotes... atrs.

Ela saiu de seus devaneios e apertou os botes do rdio. 
Ela j estava cansada de escutar as '40 mais'. E esta 
nova msica ento, "Baby, Voc pode pegar seu homem..." 
era quase o bastante para faz-la comer a prpria arma. 
Era quase to ruim quanto a msica country que Mitch 
sempre tinha que escutar nas rondas de vigilncia.

A msica continuou, e no havia nada melhor nas 40 outras 
estaes. Q107 parecia ter apenas cinco canes diferentes 
a cada dia... todas as sempre mais modernas. Definitivamente 
j era hora de algum rock clssico... talvez ela teria 
sorte, e escutasse algumas notcias de Steely Dan.

Steely Dan era um grupo de garotos que cantavam bem... 
sobre as prprias relaes... lugares que assombraram Mac 
quando ela era mais jovem, em seus dias selvagens, quando 
ela tinha algumas sementes ainda para semear.

E um pouco de Mary Chapin Carpenter seria bom, tambm. Claro, 
ela cantava country, mas ela era da cidade, e Mac se lembrou 
de andar at o poro, na escola secundria, e fugindo para 
DC, quando a idade para beber ainda era de 18 anos, para 
v-la cantando.

Quando ela tentou encontrar outra msica, um frio passou 
por ela.

"Oh, droga" ela murmurou enquanto seu nariz se preparava 
para soltar um enorme espirro.

<<"No adianta segurar, camarada. Isso vai explodir!">>

Era como uma granada de meleca saindo para dentro do carro.

Ela olhou para a exploso de gotas verdes no pra-brisa 
dela. "Cruzes! Ainda bem que mais ningum usa este carro" 
ela pensou em voz alta, procurando uma toalha de papel 
debaixo do banco, usando isso para se limpar.

"Mas que hora para ficar resfriada" ela murmurou, enojada.

Ela iria ter que conseguir um pouco de equina... equinase... 
equi... o que quer que seja que sua irm mais nova, que 
morava no Sul da Califrnia, estava sempre dizendo para 
ela ter perto dela.

Ela tinha acabado de assoar o nariz e olhado a superfcie 
da toalha de papel para ver que coisa nojenta tinha sado 
da cabea dela quando viu o Crown Vic entrar na estrada 
de pedra. Se ela estivesse perto, podia jurar que ouviu 
o carro gritando "Federais!"

Mac colocou o banco na posio normal, dobrou e colocou 
a toalha de papel no bolso, e engrenou o carro. De jeito 
nenhum ela iria ficar no calor, podendo ficar dentro do 
ar condicionado.

Ela foi para o carro azul, cruzando o porto e os carros 
pararam, motorista para motorista, os lados quase se tocando.

"Voc  a Agente Scully?" Mac perguntou, enquanto olhava 
para a agente federal ruiva.

"Sim... e voc ..."

"Detetive MacInerny... mas me chame de Mac. Vou levar seu 
carro at a prxima fila... se voc quiser me seguir... 
eu vou manter meu ar condicionado ligado..."

"Sem problema" a agente respondeu.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

A Agente Especial Dana Scully, do FBI, no gostava muito de 
trabalhar no calor tambm, e ela sabia que "Mac" j deveria 
ter suado muito hoje.

Ela seguiu Mac pelo estacionamento cheio de carros parados 
e veculos abandonados. Elas passaram por vrias carcaas 
destrudas pelo fogo. Scully sorriu, maliciosa. Investigar 
estes carros destrudos era muito parecido com as autopsias 
que ela executava nas vtimas humanas.

Voc tinha que ir metodicamente por cada parte do corpo, se 
concentrando no exterior, indo descobrir os segredos no interior. 
Tudo para descobrir a verdade sobre o que tinha acontecido 
com esta 'vtima', que no podia falar por si mesmo.

E voc tinha que estar totalmente obcecado pelo seu trabalho, 
enquanto o fazia... ou voc perderia algo importante.

Scully olhou para a Det. Mac enquanto parava seu Taurus no 
estacionamento. Yup. A julgar pelas manchas de graxa nas 
mangas e que ainda tinha no rosto, a detetive de Arlington 
definitivamente era muito obcecada sobre o trabalho dela. 
E ela provavelmente tinha uma fixao oral... a maioria 
dos policiais tinha.

Scully quis saber quanto tempo iria levar para Mac colocar 
alguma coisa na boca dela.

Levou aproximadamente 3 segundos antes que Mac colocasse 
outro 'Merit Ultima' na boca.

Scully parou o carro dela atrs do de Mac, e saiu. A saudao 
do ar quente e pegajoso no foi bem-vinda. "Quem teve a 
brilhante idia de construir DC numa rea pantanosa no 
era um gnio" ela pensou, ingnua, enquanto puxava a camisa 
suada de cima do peito.

Antes de ir para Mac, e para o carro que ela estava olhando, 
Scully abriu a mala do carro dela, e tirou um pequeno 
isopor de dentro. Estava na hora de algumas aes drsticas... 
nunca doa recorrer a algum tipo barato de suborno para 
ganhar um novo aliado.

Scully colocou o isopor sobre o cap do carro dela, e abriu.

"Ento, Mac... o que voc quer beber?" Scully indagou.

Mac elevou a sobrancelha mais ainda enquanto o respeito 
pela federal subia mais um ponto. Ela foi para o isopor, 
e olhou dentro.

Scully tinha trazido uma variedade de bebidas s para este 
propsito. Ela conhecia muito bem a hostilidade potencial 
entre os policiais locais e os federais... e ela sabia que 
esta detetive em particular tinha ficado no sol quente o 
dia todo, s esperando pelo traseiro federal de Scully 
aparecer ali.

E j que Scully sabia como este caso soaria ridculo para 
a policial local, ela achou que seria bom massagear algumas 
mos antes de revelar os detalhes mais srdidos do caso.

"Ah, as glrias de trabalhar num departamento chamado 
"Arquivos X", ela suspirou pra si mesma.

"Sirva-se" Scully ofereceu.

Mac sorriu. "Obrigado, Agente Scully... s o que o mdico 
mandou... e isso vai encaixar muito bem at que seja hora 
da Miller" ela respondeu enquanto pegava uma lata de 
Coca-cola, coberta de gelo. "Como voc sabia que a minha 
bebida tinha acabado de secar?"

Scully encolheu os ombros. "Chame de intuio... e experincia. 
Agora,  este o carro em questo?" Scully perguntou, apontando 
para a Toyota 4xRunner parada.

"Essa mesmo" Mac demorou ao falar. " ela mesmo." ela acenou 
com a cabea enquanto abria a lata de coca-cola com um 
exagerado 'swish'.

Scully comeou a fazer outra pergunta mas foi parada quando 
Mac deu um enorme espirro.

"Deus te abenoe!" Scully exclamou.

Mac a dispensou enquanto pegava a toalha de papel do bolso.

"No  nada. A coca-cola deve ter feito cosquinha... agora, 
voc vai me contar qual o interesse nesse beb aqui?"

Scully rodou os olhos mentalmente. Isso no ia ser divertido.

E Det. MacInerny teria concordado se ela soubesse que ia 
passar um de seus ltimos dias num estacionamento, espirrando 
em cima de uma Toyota.

Para Det. Mac os planos para o fim de semana estavam a ponto 
de ser permanentemente adiados. Ao invs de velejar pelo 
Rio Potomac com seus amigos do Esquadro Tac... ela iria 
deitar na cama dela, cercada por lenos Kleenex... os olhos 
negros, abertos e cegos, encarando o teto.

Se ela soubesse que terminaria assim, ela poderia voltar 
para os Merits mais fortes.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

EU-395 de Arlington para D.C.
16:00 horas

Uma hora depois, Scully estava no telefone com seu parceiro, 
o Agente Fox Mulder.

"No estou brincando, Mulder. Isto no  um Arquivo X.  
bvio que  uma fraude de seguro. Leon Di Capo provavelmente 
estava bbado e bateu o carro dele em alguma coisa. Ele 
disse a histria de rapto para fingir que era acidente... 
ento ele provavelmente jogou essa alguma coisa fora, pois 
sabia que iria ser investigado."

"E sobre a ignio perfurada, Scully..." Mulder lamentou 
na resposta.

"Mulder... quando a detetive de Arlington e eu olhamos, 
mostrava ser uma fraca tentativa para comear a ignio... 
nem mesmo era o bastante para fazer ligao direta. Ns 
tentamos. Alm disso, eu no acho que a tecnologia aliengena 
est to carente assim a ponto de tentar perfurar a ignio 
de uma Toyota 4xRunner para fazer ligao direta, Mulder... 
ser que eles no tinham outras coisas em mente?"

Scully podia ver seu parceiro enquanto ele suspirava, 
derrotado, no telefone.

"Mas, Scully... talvez eles quisessem a Toyota para poderem 
andar em outros lugares... eu ouvi dizer que 
tem algumas estradas bem ruins Reticulnea..."

Scully rodou os olhos.

"Mas ns ainda no estamos procurando pela possibilidade de 
fenmeno espectral.. eles poderiam no ter a tecnologia..." 
ele tentou continuar, s querendo provoc-la.

"Estou desligando agora, Mulder. Te vejo mais tarde..." ela 
tirou o telefone de debaixo do queixo, e desligou o aparelho, 
jogando-o no banco do carona.

Enquanto ela continuava pela 14a. Street Bridge para D.C., 
ela gemeu ao pensar que ainda era quinta-feira.


Fim da parte 2
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
 
"...eles comeram, e beberam, e se casaram com suas esposa, 
at que o dia em que No entrou na arca, e veio o dilvio, 
e os destruiu a todos. Como nos tempos de L; eles comiam, 
bebiam, compravam, vendiam, plantavam, colhiam; mas no mesmo 
dia em que L saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do cu, 
e os destruiu a todos..."
                             Lucas 17.26-30.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *


LAST ONE STANDING
******************
CAPTULO TRS
****************************

WASHINGTON, D.C.,
Sede de FBI
19 de junho (sexta-feira)
12:00 horas

O espirro de Scully encheu a sala. Ela pegou a caixa de lenos da
mesa dela, e pegou um, apertando contra o nariz.

"Sade" Mulder murmurou. Era incrvel que tal exploso
pudesse ter vindo de uma... er.... pequena... 'pessoa com a altura
desafiada.'

Scully acenou com a cabea, mostrando seu agradecimento.

Mulder se apoiou contra a cadeira mais uma vez, e olhou para o
relgio. Scully parou de tocar o nariz e olhou para seu parceiro.

"O que foi, Mulder? Voc vai para algum lugar?"

Ele apoiou adiante, os lbios cheios franzidos e os olhos 
esverdeados to inocentemente abertos.

"Bem, na verdade... eu vou sair mais cedo hoje, e ir para 
Grenwich para ver minha me e passar o fim de semana... e eu
achei melhor sair antes da hora do rush."

Scully elevou as sobrancelhas, surpresa. Mesmo que Mulder e a me
dele estivessem se dando bem recentemente, eles ainda no tinham
um hbito regular de se visitarem. Mulder viu o olhar na face
dela e continuou explicando.

"Minha me est mudando algumas coisas do testamento, e coisas
do advogado, e ela precisa que eu esteja l para assinar alguns
papis..."

Scully no tinha pedido para ele explicar... e depois de tudo, 
ela queria encoraja-lo a ter mais um 'tempo' com a famlia.

"Claro, Mulder... tenha uma boa viagem. Te vejo na segunda-feira."

"Mas,  claro que eu no tenho que ir... eu posso ficar por aqui
se voc acha..."

"Mulder...v em frente. Acho que seria bom para voc passar algum
tempo com a sua me." Mulder quase sempre se sentia como um peixe
fora d'gua em relaes pessoais, situaes sensveis, e obviamente
estava procurando uma desculpa para ficar... e ela no ia ajuda-lo.

"Voc tem certeza, Scully? Se voc acha que pode precisar que eu
te ajude em alguma coisa, eu posso ir para l outra hora..."

"Vamos ver... nossa, aqui tem o relatrio do carro recuperado em
Arlington,... relatrios financeiros da nossa ltima
viagem... e trs outros relatrios de casos para terminar. Mas, 
sabendo como voc  alrgico a papelada... acho que vou dar
um jeito aqui." Scully respondeu enquanto pegava outro leno,
tocando de leve no nariz.

"Voc me feriu." foi a resposta dramtica de Mulder, mos apertadas
contra o corao 'perfurado' dele, mas isso foi completamente esquecido
quando Scully espirrou mais uma vez.

"Sade! Voc tem certeza que est se sentindo bem, Scully?"
a voz dele estava agora cheia de preocupao por sua parceira.

Scully pigarreou e esfregou os olhos irritados. Ela olhou, e
suspirou.

" uma alergia, Mulder, e no uma razo para voc ficar em D.C.
V logo! Aproveite a visita na sua me... aproveite a brisa do
mar e fique longe de toda aquela umidade terrvel. Na verdade,
fique alguns dias, se voc quiser... no se apresse em correr
de volta para esta baguna. Alm disso, com aquele caso de rapto
em Maryland esclarecido..."

"Certo, ok. Eu sei quando no me querem. Mas, porque voc no
faz o mesmo, e sai mais cedo hoje... tome alguma coisa contra
estes espirros..." Mulder sugeriu enquanto pegava o terno
e foi para a porta.

Scully acenou com a cabea. "Eu posso fazer isso. Na verdade, 
eu posso ir visitar  minha me amanh... ela me pediu para
passar um tempo com ela neste fim de semana. Eu vou terminar
este relatrio e ento irei para casa, e entrar no meu pijama..."

Mulder balanou as sobrancelhas dele  referncia sugestiva dela
e sorriu.

"E agora voc me deu uma adorvel imagem para eu ficar pensando
enquanto estou fora..." Scully bufou como resposta. "Bom fim de
semana, Scully... e diga oi para sua me por mim... estarei de
volta na segunda feira... mas voc sabe onde me localizar
se aparecer qualquer coisa..." ele mostrou o celular para ela,
para ilustrar suas palavras.

"Sim, eu sei. V embora logo" ela acenou com a mo. "...mas no
pare por causa de baratas ou alinhamento dos planetas, ok?"

Mulder pegou a maaneta da porta, mas quando ele a abriu, ele se
virou mais uma vez.

"Scully... por favor me prometa que voc vai cuidar desse resfriado...
deixe sua me te mimar um pouco. Quando voc no est aqui este lugar
fica to... bem, eu odiaria ter que refazer os arquivos de novo enquanto
voc estiver doente e fora... eu no acho que os lpis iriam agentar
outra viagem ao teto..."

Scully estava a ponto de responder, mas mordeu a lngua. Ela sabia
o que seu parceiro estavam tentando dizer de verdade. Afinal de contas,
depois de tudo que eles passaram juntos... a batalha dela com o
cncer... o escritrio queimado...

Ambos estavam agora saudveis e no novo escritrio deles. De 
volta ao poro, onde pertenciam. Trabalhando juntos de novo.
Voltando ao nvel familiar de trabalho... que ainda parecia envolver
muitos contatos fsicos no respondidos. Ela amoleceu o corao 
quando se lembrou de todos os lpis que estavam presos ao teto
nas ltimas 'frias' dela. Ele nunca admitiria isso completamente...
mas ele sentia falta dela. 

"Eu prometo, Mulder. Mas dirija com cuidado, certo?"

"Temos um acordo..." ele saiu pela porta. "E eu ligo para voc
hoje  noite" ele falou, e fechou a porta atrs de si.

Scully se apoiou na cadeira. Ela sabia que ele no se esqueceria
do ritual deles. Desde o retorno deles da provao nos campos
frios da Antrtica, eles tinham um regra de ligao entre si todas
as noites.

As conversas nunca eram nada... mas tinham muito significado.
Uma maneira secreta e segura para cada um deles tocarem o outro
sem ter que expressar de fato as coisas mais profundas que queriam
estourar para fora. As chamadas 'pequenas vlvulas de liberao de
presso'.

E agora mesmo, por muitas razes, essas eram as nicas liberaes
que qualquer um dos dois estava preparados para negociar. E ambos
pareciam confortveis com isso... por enquanto. Tempo. Eles s
precisavam de tempo para descansar e repor as energias fsicas
e mentais, antes de poderem considerar o que tinha acontecido no
corredor de Mulder. O que tinha quase acontecido...

Seus pensamentos foram suspensos por outro espirro, e ento
pelo telefone. O toque nico significava ligao interna... vinda
de outra extenso no Bureau. Seria seguro responder... pois ela
no estava no humor para lidar com estranhos hoje. O escritrio j
estava muito quieto, e um peso estava se instalando no trax dela.

"Agente Scully," ela falou, firme, todos os rastros de alergia e
melancolia escondidos enquanto ela voltava ao trabalho.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

* "Um resfriado de Minneapolis est podre..." *

Pelo Rio Potomac, o Departamento Policial de Arlington
Detetive Bureau estava em desordem. A metade dos detetives, 
incluindo Josh Mitchell e D.J. MacInerny, tinham ligado, avisando
que estavam doentes. E os que tinham vindo trabalhar estavam
horrveis, jogando meleca, lenos de papel e aquela misteriosa
bebida laranja - TheraFlu.

Capito Peter Holliman s esperava que esta epidemia de gripe 
de vero passasse por ali depressa. E com este pensamento, ele
pegou o leno da prpria caixa.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Residncia de Dana Scully
19 de junho
23:05 horas

Scully ficou sentada no sof listrado dela. A enorme colher de
sopa em sua mo direita estava fazendo um admirvel contraste com
o balde de sorvete de chocolate recheado com hortel e chocolate que ela 
segurava na mo esquerda.

A televiso tocava ao fundo. As ultimas noticias eram deprimentes,
como sempre. Guerras, rumores de guerra... homicdios, acidentes de
carro... animais para adoo.

As coisas de sempre. 

Scully colocou a colher na boca, e deixou o gelo frio deslizar por
sua garganta. Ela estava ficando muito incomodada com a coceira
na garganta, constante, que estava bem no fundo... onde voc
no podia alcanar... e aquele spray que entorpece a garganta
no ajudou em nada. Ento, ela recorreu ao melhor remdio de garganta
conhecido pelas mulheres... sorvete Haagen Daaz.

Ela s queria que Mulder ligasse, assim ela poderia ir pra cama,
e dormir, se curando da alergia ou resfriado que a estava
atacando - o que quer que fosse. Ela no queria aparecer doente
na casa da me dela no dia seguinte.

* "Hi, Me. H quanto tempo no te vejo... Agora, eu estou doente,
ento, por favor, cuide de mim o tempo todo em que eu estiver aqui,
assim eu posso me recuperar para voltar ao meu apartamento, e... sim.
Sopa de galinha feita em casa seria... maravilhoso, com Saltines,
por favor." *

No.  No era esta a rota que ela queria tomar. Scully suspirou enquanto
pegava outra colherada de seu 'remdio'. Pelo menos ela no estava
com febre.

Ao mesmo tempo em que ela fechou a boca ao redor da colher, o
telefone tocou. Ela deixou a colher na boca, e atendeu.

"Huh...l," ela estalou o ao da colher no telefone.

"Scully? Voc est na Estrada Rochosa de novo?"

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia da Sra. Mulder
Greenwich, Connecticut,
23:30 horas

Mulder desligou o telefone, divertido. Ele adorava pegar sua
parceira desprevenida... ou, neste caso, quando a boca dela
estava cheia de coisas que ela nunca admitiria que tinha em
sua dieta.

Ultimamente, ela estava se abrindo para ele como uma complicada
pea de origami. E ele estava desfrutando cada parte do processo
de revelao. Enquanto a maioria dos homens seriam tentado
a simplesmente rasgar o papel, esticando para ver o padro secreto
das dobraduras... ele sabia que a pacincia dele lhe daria 
muitas recompensas.

E definitivamente esta era a rota mais segura. Nos ltimos seis
anos, ambos passaram o tempo sendo batidos, machucados por
foras externas... eles s precisavam de um pouco de tempo
para que cada um pudesse achar sua prpria base de novo. Ento,
eles poderiam continuar o caminho. Esperanosamente, juntos.

A conversa de hoje no durou muito tempo. Pelo menos no pelos
padres de Mulder. E do tom saudoso na voz de Scully, nem nos
padres dela tambm.

Ele falou sobre a viagem para a casa da me dele... sobre o
engarrafamento na Beltway, que o deixou impaciente por
quase uns quarenta e cinco minutos.

Ela perguntou pela me dele.  Ele disse que ela parecia estar
tima. Melhor do que h muito tempo atrs. Ele podia ouvir
o sorriso de Scully pela linha telefnica. E ele disse que sua
me tinha mandado um oi.

Mulder sabia que sua me gostava de Scully desde que a mulher
mais jovem tinha aparecido no funeral do pai dele. Scully 
tinha lhe dado a esperana que seu filho estava vivo.
O afeto cresceu quando a sra. Mulder tinha sentido a presena
de Scully no hospital, depois que ela teve um ataque do corao...
Mulder nunca tinha contado isso para Scully, que embora sua
me parecesse indiferente e letrgica na cama do hospital, ela
sabia que Scully estava l. E ela tinha levado muito conforto 
nisso.

Eles falaram sobre mes... sobre os planos de Scully ir para
a casa da me dela no fim de semana. E Mulder implorou para que
Scully guardasse algumas amostras dos biscoitos de chocolates que
Margaret Scully faziam, e os levasse para o escritrio.

Ele carranqueou na hora em que Scully tossiu no telefone. Mulder
ficou preocupado quando ela virou a cabea para espirrar... 
vrias vezes.

Ela o tinha assegurado de que ela estava bem... pelo menos
por fora.

E ele tinha feito ela prometer desligar, e ir direto pra cama.
Ela suspirou, e concordou, relutante.

Ento ele prometeu ligar pra me dela na noite seguinte.

Eles desligaram.

Mas, enquanto era muito bom falar com Mulder... ela queria no
ter soado to congestionada e rouca.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Residncia de Margaret Scully
ANNAPOLIS, MD,
Sbado - 20 de junho
10:00 horas

"Ladro!" Scully avisou enquanto entrava pela porta da frente
da casa de sua me.

Ela saiu da cozinha, sorrindo para sua filha, secando as mos
num pano de prato. "Acho que tenho que ter mais cuidado
para quem eu dou as chaves da casa..." Margaret Scully
respondeu enquanto andava para a filha, dando-lhe um rpido
beijo no rosto. Ela franziu a sobrancelha. A face de Scully
estava um pouco quente.

"Voc est se sentindo bem, Dana? Voc parece um pouco corada..."

Scully a afastou. "No  nada. S um pouco de resfriado ou algo
assim. S preciso relaxar, e beber um ch de ervas, e vou ficar
bem..." ela tentou convence-la.

"Bem... deixe-me pegar um pouco de ch para voc, ento...
Ah! Acho que tenho uma coisa de que voc v gostar..."

Curiosa, Scully colocou a bolsa de roupa no sof, e se arrastou 
atrs de sua me. Levou toda sua energia para levantar, fazer
a mala e dirigir para c. A ida at a cozinha no era bem vinda.
Mas ela foi, obediente.

Um sorriso enorme e ligeiramente diablico se engessou na face
dela quando ela viu aquilo no balco da cozinha.

Trs tabuleiros de biscoito de chocolate... e, o premio... a tigela
da mistura, que ainda tinha a massa crua do biscoito. E a massa
tinha o nome dela. Incrvel como aquela viso fez a doente ficar
bem melhor.

Margaret abriu uma gaveta, tirando uma colher de sopa, grande.
Ela deu para Scully, com um sorriso indulgente.

"Pela primeira vez, no tem nenhum irmo, sobrinhos ou sobrinhas
para interferir. Desfrute, criana."

Scully agarrou a tigela, se estatelou na mesa da cozinha e cavou
dentro da tigela. Ela adorava manhs como esta... quando ela
era o alvo completo e exclusivo de sua me. Ela sabia o segredo
de toda mulher de trinta e quatro anos: voc nunca podia
dispensar a necessidade por ser mimada pela sua me... ou
ser mimada, simplesmente. Pois sua me era a nica pessoa no
planeta que ainda a colocaria antes de todo mundo.

E desde a morte do pai dela, o lao entre as duas ficou mais forte.
Seus irmos tinham suas prprias famlias.
Famlias que vinham primeiro... algo que ela compreendia e entendia.
Mas, isso significava que ela e sua me tinham ficado mais
dependentes uma da outra.  Para todas as pequenas coisas
que precisavam ser compartilhadas por algum. Algum interessado
no que voc fez durante o dia... a nica coisa errada de hoje
era o frio que ela estava sentindo.

Ela olhou sobre a comida dela, para ver Margaret colocando 
a chaleira no fogo, e deslizar os tabuleiros no forno. Yeap.
De uma coisa no podia se duvidar... Mulder ia ser um homem
muito feliz quando voltasse para D.C. Talvez ela tivesse
pena dele e deixaria uma caixa de biscoitos ao apartamento dele
ao invs de levar ao escritrio, e faze-lo esperar. Ela
poderia ver o sorriso bobo dele ao descobrir isso. Sim. Ela
iria fazer isso.

"Me, voc notou que se voc continuar a fazer isso, Mulder vai
vir morar com voc.... certo?"

"Bem, querida.  Voc sabe que eu poderia simplesmente
dar a receita para voc.. isso poderia fazer a mudana mais agradvel..."
Maggie respondeu.

A mandbula de Scully caiu ao cho. Sua me nunca caoou dela com
os homens. E ela nunca insinuou nada em relao ao interesse
dela por Mulder.

"Me-ee!" Scully advertiu.

Maggie simplesmente sorriu enquanto ia para a geladeira pegar
a caixa de leite. Ela colocou a caixa sobre a mesa. //Acho
que devo ter tocado num assunto delicado... talvez eu precise
comear a fazer mais isso... s para ter um pouco mais de diverso//
ela pensou.

"Onde est Fox neste fim de semana?" ela perguntou enquanto ia
para a chaleira, que fervia. Ela pegou dois saquinhos de ch da
estante e os colocou em duas canecas, colocando gua quente logo
depois.

"Ele est visitando a me dele por alguns dias..." Scully resmungou
ao redor de um bocado de massa de biscoito. "Eles tinham algumas
coisas de famlia para resolver..."

Maggie levou a caneca para a mesa e se sentou.

"Ento... o que vamos fazer hoje? Vamos fazer compras ou ficar
em casa?"

Scully empurrou a tigela agora vazia para a frente, apoiou os
cotovelos na mesa, e colocou o queixo nas mos.

"No tenho certeza se me sinto bem para ir me aventurar no
shopping hoje... que tal bancarmos as  preguiosas hoje?"

Maggie estava preocupada agora. Ela apoiou adiante, e colocou
a mo na testa de Scully, e sentiu suas bochechas. 

"Querida, voc est com um pouco de febre. Por que voc no
deita um pouco no sof? Eu levo seu ch, e ento poderemos
fazer nada durante algum tempo... eu at te deixo usar meu
colcho de massagem..."

"Me, esta  a melhor oferta que eu tenho h tempos." 
Scully murmurou. De repente, ela estava muito cansada. Tinha
que ser o esforo para comer a massa de biscoito.

Ela ficou de p e foi para a sala de estar, tirando os sapatos
com os ps, e os colocando debaixo da mesa perto do sof.
Ela deitou no sof, mas antes colocou o massageador, 
e puxou a manta que estava pendurada ali, e se cobriu. Scully
deixou o massageador trabalhar em suas costas doloridas, e msculos
tensos do ombro.

Enquanto ela comeava a dormir, ela correu a lngua pelos dentes,
provando as sobras da massa de biscoito. Ela suspirou, 
feliz, quando sentiu sua me apertando a manta ao redor dela.

Esta era uma maneira muito boa para ficar doente.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Residncia de Sra. Mulder
Sbado - 20 de junho
23:00 horas

Mulder no estava contente.  No que ele se importou em falar com Maggie
Scully.  H pouco  que ela no era o Scully que ele tinha esperado para falar durante todo o dia.

Scully estava dormindo quando ele ligou. Sra. Scully disse
que ela estava doente o dia todo...parecendo que era gripe.
Mas ela tinha melhorado  noite... e a febre tinha cedido.
Maggie a mandou para a cama s 10 da noite.

Mulder no tinha escondido muito bem a decepo dele ... e
a sra. Scully tinha sido ligeiramente... divertida com isso.

Ela tinha indagado sobre a me dele.  Ele tinha lhe falado que tudo
estava bem.

Ento ele pediu para ela contar para Scully que ele no estaria
de volta at tera ou quarta-feira. Ele chegou tarde na sexta, em
Connecticut, graas ao transito, e isso queria dizer que eles
no podiam assinar os documentos no advogado. Esperanosamente
eles poderiam assinar tudo na segunda, e ento ele voltaria, seno,
com certeza, ele s poderia voltar na quarta-feira.

Sra. Scully prometeu dar o recado. Ela disse para ele aproveitar
o tempo com sua me... e lhe desejou uma boa viagem de volta pra
casa.

Ento ela desligou.

E agora, Mulder se sentia miservel.  No que ele quisesse que a sra. 
Scully acordasse a filha s para conversarem bobagens, mas ele...

Ele sabia que no dormiria bem hoje  noite.
 
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
 
Toque ao redor das rosas
Um bolso cheio de poses
Cinzas, cinzas,
Todos ns Camos

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Residencia  de Margaret Scully
Domingo - 21 de junho
06:30 horas

Dana Scully despertou ao som de tosses abafadas. S que desta
vez no era ela quem estava tossindo. 

Quando ela ficou completamente alerta, ela percebeu que estava
vindo do quarto de sua me. Ela esperou por alguns momento,
mas saiu da cama quando notou que a tosse no parava. Na verdade,
parecia ficar pior.

Ela saiu do quarto, e andou para o quarto de sua me. Scully
carranqueou quando conseguiu ouvir claramente. As tosses eram
molhadas e... tinha aquele barulho fundo que acompanham a
tosse, como pneumonia ou tuberculose.

"Me?" ela chamou e bateu na porta. Quando no teve resposta
imediata, Scully abriu a porta e entrou.

O sol estava lustrando, brilhante, pela janela do quarto,
seus fortes raios caindo pela cama.

Scully gelou.

E ento ela voou para o cho, ao lado de sua me.

Margaret Scully estava deitada de costas, enroscada nos lenis,
tentando desesperadamente achar um repouso para a febre que a 
estava enfraquecendo. O cabelo escuro estava colado, suado, contra
o couro cabeludo, e pescoo.

A face inchada estava num tom azul enquanto ela tentava parar
a tosse e respirar de maneira decente. Scully percebeu logo que
ela estava sufocando no prprio muco dela.

Ela agarrou a me pelos ombros, e a sentou, deslizando atrs dela
para apoiar seu corpo debilitado. Ela passou o antebrao esquerdo
pelo peito da me, e usou a mo direita para bater nas costas
dela, enquanto Margaret emitia tosses estranguladas.

Depois de alguns tapas fortes. Margaret deu uma enorme tosse,
e expeliu uma grande quantidade de muco amarelo-esverdeado na
frente da camisola dela... e no brao da filha.

A Margaret se sentou reta e levantou em um suspiro gigantesco de
ar bem-vindo.

A mo direita de Scully deixou de bater e comeou a esfregar
crculos pequenos de conforto pelo ombros e costas da me dela.  Embora era discutvel sobre exatamente para quem conforto
a esfrega de costas era planejada.

Os suspiros de Margaret, procurando ar, devolveram um pouco de
cor ao rosto dela. Depois de alguns minutos, ela passou os dedos
sobre as mos de Scully. Ela queria ganhar um pouco de controle
de volta... e ao olhar para a prpria camisola, e a confuso no brao
da filha... ela estava mais do que um pouco envergonhada por isso.

"Tal me, tal filha" passou pela cabea de Scully.

"Tudo bem se voc ficar sozinha um segundo, me? Vou pegar umas
toalhas midas... ok?"

Margaret acenou com a cabea, enquanto tentava achar voz para
falar. "Sim... eu vou... ficar bem..." ela raspou, colocando a
mo sobre o peito.

Scully se levantou, rpida, e correu para o banheiro no corredor.
Ela agarrou uma xcara da Dixie's, floral, pintada  mo, e encheu
com gua da torneira. Ento, ela abriu o armrio de remdios e
procurou. Estava tudo organizado. Quando se  me e av, voc tem
todos os remdios conhecidos dentro de casa. Ela pegou a garrafa
de expectorante Robitussin e correu de volta para o quarto, tendo
o cuidado para no derramar a gua.

* * * * * * * * * * * * * * * * *
10:00 horas

Scully se sentou no sof, controle remoto da televiso na mo.
Ela encarou, desatenta, enquanto a CNN falava sobre a nova gripe
do vero.

Ela pegou o ch, e tomou um pequeno gole. A garganta dela estava
muito melhor. Ela s esperava que sua me se recuperasse to
depressa quanto ela.

At que ela tentou convencer a me para ir ao hospital, ou pelo
menos no mdico dela, mas Maggie tinha recusado, com veemncia.
Ela no queria incomodar o mdico dela no dia de sua folga. "Alm
disso" ela tinha dito. "Minha filha  mdica."

Scully cedeu  vontade teimosa da me. Maggie a fez tirar o velho
nebulizador, e agora estava tossindo, ainda soltando, esperanosamente,
algum do muco preso dentro do peito dela.

O Acetominofem pareceu ajudar a reduzir a febre e dores. E Maggie
tinha dito que ela s precisava dormir um pouco... e ela ficaria
bem.

Scully tinha colocado ela na cama. Lhe dando um sino para
tocar se ela precisasse de qualquer coisa... e Maggie tinha dormido
na hora, sem saber que sua filha a verificava a cada quinze minutos.

E sem saber que Scully tinha se jurado que ela iria algemar a
me e leva-la para o hospital se a temperatura dela subisse para
mais de quarenta graus de novo.

* * * * * * * * * * * * * * * * *
Residncia da Sra. Mulder
Domingo - 21 de junho
2300 horas


Mulder encarou o telefone.  A conversa dele com Scully
tinha sido dolorosamente curta.  Scully parecia cansada e 
ligeiramente doente.

Ela contou sobre a doena da me dela. Sobre a recusa da me
dela de ir para o mdico. Ele tinha feito um comentrio
inteligente parecido com algo sobre 'tal me, tal filha', e
ela deu uma risada indiferente. At que ele ouviu a tosse de 
Margaret Scully ao fundo.

Ele falou que ia demorar para voltar para D.C. Ela entendeu. No
era problema.

Ento Scully tinha dito que precisava desligar. Mulder
disse que entendia... e fez ela prometer que ia ligar pra ele
pela manh, assim que ela chegasse ao escritrio, e o informasse
sobre como as coisas iam... e que ele manteria o celular dele
ligado ao lado da cama, caso ela precisasse dele durante a noite.

Ela prometeu que ligaria. E ento, ela desligou.

Mulder carranqueou. Ele nunca soube que a sra. Scully alguma
vez ficou doente. Ele sempre achou que ela era... perfeita demais
para ser derrubada por uma simples gripe.

E agora ele se sentia um pouco culpado sobre a conversa com 
Scully mais cedo, sobre o biscoito de chocolate. Ele sinceramente
esperava que Margaret no se esforasse na cozinha amanh s para
fazer o doce favorito dele. Mulder sabia que esta era uma
caracterstica inata de Margaret Scully... fazer algo assim abnegado,
s para deixa-lo feliz.

Seus pensamentos foram interrompidos por um sbito e opressivo
desejo para espirrar. Ele tinha conseguido cobrir a boca e nariz
bem a tempo com as duas mos,  quando estourou.

Mulder xingou. O espirro tinha sado bem do fundo do peito. E 
produziu uma coceira desagradvel na garganta.

Maldio. S o que eu preciso. Ele saiu da cama, e do quarto,
descendo a escada, indo para a cozinha. Ele colocou a chaleira
com gua no fogo, e esperou ferver.

Talvez um pouco de ch de ervas ajudaria.

Fim da parte 3
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *


LAST ONE STANDING

**********************************
CAPTULO QUATRO

* * * * * * * * * * * * * * * * * * 
Havia uma jovem senhora do Nger
Que sorriu quando montou no Tigre.
Eles voltaram do passeio
com a senhora do lado de dentro
E o sorriso na face do Tigre.
- Autor Desconhecido
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Segunda-feira - 22 de junho
0630 horas

Margaret Scully estava se sentindo muito melhor. E at mesmo 
Scully concordou que ela parecia melhor. Ela ainda estava um 
pouco fraca e as costelas estavam doloridas de tanto tossir... 
mas ela estava se sentindo gente de novo.

Ento, Dana Scully se preparou para ir trabalhar. Depois de 
tomar banho e se vestir, ela pegou a bolsa de noite dela, e 
foi para a cozinha, para tomar um rpido caf da manh.

Sua me j estava sentada  mesa da cozinha, molhando um 
saquinho de ch na caneca com gua quente. Ela ainda parecia 
fraca, com crculos escuros debaixo dos olhos, mas seus olhos 
estavam alertas pela primeira vez em vinte e quatro horas.

Scully andou at ela, e a beijou na bochecha.

"Por que isso?" Margaret exclamou, surpresa.

Scully deu de ombros. "Eu s estou contente por voc estar 
se sentindo melhor, me. Admito que voc me deixou preocupada 
ontem..."

"Eu estou bem, querida. Acho que ns s tivemos uma dessas 
coisas que se pega por vinte e quatro horas... apesar disso, 
eu tenho que dizer que prefiro no passar por aquilo de novo." 
ela tomou pequenos goles do ch... mas por alguma razo, no 
estava to gostoso esta manh.

Scully acenou com a cabea, enquanto enchia a prpria caneca 
com gua quente. Ela notou que sua me j tinha descascado 
uma laranja e separado um cereal para ela.

"Vamos esperar tudo melhorar... e podemos ento tentar esta 
coisa de me e filha na semana de que vem... e fazer isso 
da maneira certa." Scully falou, quase como se estivesse se 
desculpando. Ela estava desapontada que o tempo delas juntas 
neste fim de semana foi arruinado.

Margaret sorriu e se inclinou para tirar um pouco de cabelo 
do rosto da filha. "Eu gostaria disso, Dana. Eu s no consigo 
mais te ver com tanta freqncia... e Fox poderia vir nos 
acompanhar no jantar de sexta. Eu no o vejo h muito tempo..."

"Eu vou perguntar a ele... tenho certeza de que ele adoraria 
comer do seu rosbife especial..." Scully aventurou.

"Sugesto entendida, querida" Margaret sorriu. "S no se 
esquea daquela caixa de biscoitos quando voc sair... Deus 
sabe que eu no posso com-los todos." ela ficou de p e 
colocou a caneca meio cheia sobre a pia.

"Deixa comigo. Obrigada, me... por mim e por Mulder." 
Scully respondeu, tentando evitar o spray de suco de laranja 
que espirrou diretamente em seu olho. Por um momento, ela 
desejou estar usando os culos de proteo dela... os que 
ela usava quando fazia uma autpsia. Ento, ela iria dissecar 
a laranja.

Margaret ficou atrs de Dana, e colocou uma mo sobre o cabelo 
dela, alisando isso numa caricia que s mes sabem como fazer. 
"Eu vou subir e tomar um longo e gostoso banho agora... voc 
vai ficar bem?"

"Claro, me. Eu tenho que sair em uns dois minutos mesmo. Por 
favor, v em frente e tome seu banho... e me ligue se voc 
precisar de qualquer coisa. Mas eu j estou pensando em vir 
aqui depois do trabalho..."

"Voc no precisa fazer isso, Dana..."

"Me. Deixa comigo. Alm disso... estou sendo um pouco egosta 
tambm. Eu vi aquela lasanha no congelador... e est gritando 
meu nome desde ontem."

Margaret riu. Sempre existia alguma coisa que assegurava a 
visita das crianas dela: a infame cozinha de Maggie Scully.

Ela se abaixou, e beijou a cabea de Scully, se virando para 
partir.

"Te vejo  noite ento, querida."

"At a noite, me."

* * * * * * * * * * * * * *

A disposio de Scully aumentou um pouco enquanto ela ia para 
o trabalho. Por alguma razo, o trnsito estava maravilhoso. 
O que era incomum, especialmente durante uma manh de segunda-feira.

A este passo, ela chegaria no trabalho em tempo recorde. Ela 
s podia esperar que mais tarde o trnsito estivesse assim 
tambm.

* * * * * * * * * * * * * *

Enquanto Scully dirigia na Rota 50, ela nunca notou um Volvo 
cinza estacionado numa das faixas.

Se ela tivesse, ela teria reparado em Walter X. Beauchamp. 
O X era para Xavier. E ele sempre tinha odiado o seu nome do 
meio. Embora a esposa, muffin Eleanor Richfield Beauchamp, a 
amada de Sigma Chi, achasse que era perfeito para um advogado 
de Lei de Patentes. E parecia realmente legal no seu diploma 
da Escola de Direito Marshall Wythe  Faculdade De William e 
Mary.

Mas, Walter Xavier tinha outras coisas na sua mente hoje. No 
momento, ele estava cado no assento do passageiro dianteiro, 
a cabea pendurada pra fora da porta enquanto vomitava uma 
porcaria verde e amarela, do nariz e boca.

"O que muffin diria sobre isto?  verde e dourado... as 
cores da nossa escola!" Mas ele no achou que compartilharia 
o comentrio da cor na prxima reunio da Sociedade de 
Bacharis. Ele bufou enquanto apanhava uma toalha de papel 
suja do assoalho e usava para esfregar o nariz e boca limpos. "Generosidade. O mais rpido apanhador!" ele quis saber se 
"Rosie", alguma vez, teria pressentido este uso para o produto 
dela.

Walter Xavier poderia ter ponderado esta pergunta mais tempo, 
mas naquele momento, um chumao particularmente grande de 
viscoso muco, do tamanho de uma bola de beisebol, decidiu 
forar seu caminho do trax... passando para a boca, e pela 
garganta. O problema era que a garganta estava quase fechada 
de inchada.

Assim, Walter Xavier Beauchamp ficou roxo enquanto pendia 
pra fora do seu Volvo... o que ele e muffin tinham comprado 
quando comearam a tentar conceber um Walter Xavier Jr. O 
pescoo inchou, o rosto se expandiu e fez careta ao virar 
preto de sangue, os dedos arranhando ao pescoo.

Walter Xavier morreu enquanto muffin, de p na sala de 
estar, queria saber, entre os espirros altos, por que o 
marido esqueceu da pasta dele. Mas ela no teria que cogitar 
saber por muito tempo. Ningum a acharia, permanentemente 
equilibrada no sof da sala de estar, com a pasta na mo.

E o Sr. Nigel Hammond nunca conseguiria aquele papel de 
patente arquivado para proteger o design da sua nova e 
revolucionria inveno: o 'Encosto de Hammond com controle 
remoto de TV/cerveja/cartucheira de cigarro/cuspideira/e 
grelha BBQ embutido'.

Nenhuma grande perda.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia da Sra. Mulder
Greenwich, Connecticut
0800 horas

Fox Mulder se sentia pssimo. E no importava o que fizesse, 
ou ele estava muito quente, ou muito frio. Se ele usasse o 
cobertor, estava quente demais... quando ele tirava o cobertor, 
ele ficava com frio rapidamente. Era assim que Scully estava 
se sentindo no outro dia?

Ele gemeu. Talvez ele s se sentisse pior por estar dormindo 
na antiga cama dele, na casa de sua me. E no importava o 
quanto voc tentava ser adulto... quando voc voltava para o 
telhado dos pais, voc voltava para todos os comportamentos 
de anos atrs.

Uma batida quieta na porta dele o tirou de seus pensamentos.

"Fox?" a me dele chamou do corredor.

"Pode entrar, me" ele respondeu. A garganta estava to... 
apertada. Parecia que ele tinha engolido um melo.

Teena Mulder entrou no quarto, carregando uma bandeja de caf 
da manh. Mulder notou que ela estava usando os chinelos que 
ele deu pra ela em seu ltimo aniversrio. Por alguma razo, 
isso o deixou muito feliz. Como se ele tivesse de fato lhe 
dado algo... til que a deixava confortvel.

"Eu trouxe algumas coisas que poderiam faz-lo se sentir 
melhor. Voc acha que consegue comer uma torrada, e beber 
um pouco de suco?" ela colocou a bandeja no criado mudo, 
levando a mo na testa dele, para sentir sua temperatura. 
"Voc ainda est com febre" ela disse, preocupada, a 
sobrancelha um pouco franzida.

Mulder se empurrou com os cotovelos, e arrumou os travesseiros, 
para poder se sentar.

"Estou passando mal, me... mas acho que posso tentar o 
suco. Comida, acho que no d..." a frase dele foi cortada 
por fortes e molhadas tosses.

Sra. Mulder o bateu de leve nas costas, e esperou a tosse 
terminar. Ela pegou o suco e ofereceu para seu filho quando 
as tosses diminuram.

Alguns momentos depois, Mulder conseguiu pegar o copo dela 
e tentar tomar um gole. Ele estava grato por ela ter escolhido 
suco de ma ao invs de laranja. O cido da laranja poderia 
ter acabado de ferrar sua garganta dolorida. Ele deixou o 
doce suco passar por sua garganta, enquanto ele engolia 
dolorosamente.

Finalmente o copo esvaziou, e ele deu para a me, um sorriso 
tmido no rosto. "Obrigado, me. Desculpe ter ficado doente e 
te dar trabalho."

Ela cutucou o ombro dele ligeiramente. "No seja tolo, Fox. 
Eu no consigo cuidar de mais ningum... eu sinto muito por 
voc estar doente, mas  muito bom cuidar de algum" ela 
admitiu.

Mulder sorriu. Ele no tinha visto este lado da me h muitos 
anos. "Eu s espero que voc no pegue esta doena de mim."

"Tolice. Agora... voc quer alguma coisa? Quer tentar comer 
uma torrada?"

"No, me. Obrigado. O suco estava bom... eu s queria mais 
gua, e um Tylenol, pra ver se ajuda."

"Ento fique quietinho a" Sra. Mulder o impediu de ficar 
de p. "Eu pego sua gua e o remdio pra voc... e ento, 
mocinho, voc vai deitar e dormir um pouco..."

"Mas e sobre nossa reunio..." Mulder tentou protestar.

"J liguei para o escritrio deles e deixei uma mensagem, 
dizendo que iramos pra l amanh ou quarta-feira. Ento, 
relaxe. S deixe uma velha mulher cuidar do seu filho 
durante um dia."

Mulder se deitou de novo, resignado ao seu destino... um 
destino no to ruim assim. Mas ento, ele se lembrou de 
uma coisa.

"Me? Dana Scully deve me ligar depois... me acorde quando 
ela ligar?"

Sra. Mulder sorriu. "Tudo bem, Fox. Mas s se voc dormir um 
pouco. Ns precisamos baixar esta febre... eu volto logo com 
aquela gua." ela saiu do quarto, e foi para o corredor.

Mulder se sentou contra a cabeceira. Ele estava sendo mimado 
pela me, e Scully deveria ligar daqui a pouco. Talvez ficar 
doente no era de todo ruim.

Mas o pior era que ele no sabia que dentro de duas horas 
sua temperatura subiria rapidamente... e que ele perderia 
uma ligao muito importante de sua parceira.

Este apenas no era o dia do agente Fox Mulder.

* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Sede do FBI
Washington, D.C.
Segunda-feira - 22 de junho
0915 horas

Scully estava do lado de fora do escritrio do Diretor 
Assistente Skinner... na antecmara. Aqui era onde a maioria 
dos agentes e outros convidados passavam o tempo endireitando 
gravatas e ternos, alisando o cabelo... tudo para mascarar 
o nervosismo e se preparar para um encontro com seu lder 
intimidador.

Mas, que se danem as posies, Skinner conhecia muito bem 
Mulder e Scully. E ele lhes mostrava o respeito, e estendia 
um pouco mais de compreenso por causa disso. E ento, os 
nervos de Scully no estavam mais to puxados, mas ela ainda 
esperava poder desculpar a ausncia de Mulder. E embora a 
me parecesse estar melhor, e dissesse que estava bem, ela 
s queria arrumar um jeito de sair do trabalho mais cedo, e 
voltar para Annapolis, s por precauo.

Ela olhou enquanto Kimberly, secretria de Skinner, desligava 
o telefone. Os olhos e nariz dela estavam vermelhos... e 
havia uma caixa de lenos perto dela. Quanto mais ela pensava 
nisso, mais parecia que ela tinha ouvido todo mundo cheirando 
ao redor, e muitos espirros nos corredores do Bureau, a 
caminho do escritrio de Skinner...

"Voc pode entrar agora, Agente Scully..."

Scully acenou com a cabea, e foi para a porta. Ela bateu 
duas vezes, entrando e fechando a porta atrs dela.

Skinner ficou de p e mostrou a cadeira na frente da mesa 
dele.

"Agente Scully, por favor, sente-se..." ele deu uma olhada 
esperanosa. "Onde est o agente Mulder?"

Scully comeou a explicao. "Senhor, agente Mulder ainda 
est em Connecticut... ele tinha um importante assunto de 
famlia para resolver..."

"Ah", Skinner franziu a sobrancelha. Este no era um bom 
momento para a ausncia de Mulder.

Scully soltou o espirro que ela tinha tentado conter.

"Desculpe" ela disse enquanto apertava um Kleenex contra o 
nariz. "Eu posso entrar em contato com ele, e retransmitir 
qualquer informao que for preciso..."

"Voc poderia ter que fazer isso, agente Scully... mas, por 
enquanto, no tenho certeza do que voc deveria lhe dizer..."

"Senhor?"

"Um pouco de informao cruzou minha escrivaninha... no 
 muita coisa... mas eu achei que vocs dois pudessem 
desenterrar mais alguns fatos..."

"Se voc me disser o que voc tem a, senhor, eu vou trabalhar 
imediatamente nisso..."

Skinner se sentou atrs da mesa, e abriu uma pasta de papis 
parda. No comeo, ele s ia dar a pasta para Scully... no 
discutir nada em caso deles estarem sendo escutados... mas, 
ele percebeu que se sua intuio estivesse certa sobre o 
que estava acontecendo... 'eles' tinham um peixe maior para 
fritar agora.

Ele apoiou adiante e deu a pasta de papis para Scully.

"Isso acabou de chegar  minha ateno... uma solicitao 
de busca para um homem, militar, chamado Campion.. ele 
aparentemente sumiu de sua base desde 11 ou 12 de junho..."

"Senhor, eu no entendo por que ns deveramos estar 
envolvidos neste simples AWOL?"

"Foi isso que pensei no comeo tambm... mas leia. Tambm 
tem referncias codificadas sobre cruzar a procura com a 
CIA, o CDC e tambm a USAMRIID... e eu conferi no teletipo 
da ORI e isso tudo comeou em Nevada... esta coisa  grande. 
H referncias a "conteno"... mesmo assim, eles no listam 
nenhum crime srio que tenha sido cometido por este homem... 
e eles no do explicaes claras sobre o motivo pela qual 
ele deva ser contido."

Scully arregalou os olhos. Este no podia ser outro caso 
envolvendo o leo negro, o mesmo que Mulder fora exposto, 
podia? Ou outro caso envolvendo abelhas?

Skinner poderia ler os pensamentos dela enquanto ela estudava 
as informaes.

"No tenho certeza de nada, Agente Scully. Eu s pensei que 
voc poderia querer fazer alguma investigao agora... neste 
momento, no h uma discusso de quem deveria controlar este 
assunto, mas eu acho que isso possa ser algo diferente do 
nosso primeiro palpite. No posso imaginar nenhum dos nossos 
velhos amigos nos mandando um teletipo assim. Como voc e eu 
bem sabemos, eles tm suas prprias foras para negociar com 
este tipo de problema..."

Scully acenou com a cabea lentamente. De repente, a garganta 
dela ficou grossa. O que estava acontecendo aqui? Por que o 
CDC e o USAMRIID estavam envolvidos? O estmago dela comeou 
a virar. Cem faces doente vieram  sua mente... a detetive de 
Arlington espirrando sem parar... pessoas no mercado esvaziando 
as prateleiras de remdios para gripe... Kimberly... Mulder... 
a me dela... ela nunca viu a me dela ficar to doente...

Ela pulou de repente da cadeira em que estava. "Com licena, 
senhor... eu vou investigar isso..."

Skinner nem mesmo teve chance para dar o olhar 'tome cuidado, 
Mulder e Scully'. Ele suspirou. Sua cabea estava comeando 
a doer muito. Ele deslizou o polegar e o indicador debaixo 
dos culos, e esfregou o nariz dolorido.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Escritrio dos Arquivos X
1000 horas

Scully empurrou a porta do escritrio e foi direto para a 
escrivaninha dela. Ela precisava chamar Mulder imediatamente. 
Ela pegou o telefone e discou o nmero para a casa da me 
dele.

Tocou pelo menos seis vezes antes da Sra. Mulder atender.

"Al?"

"Sra. Mulder? Aqui  Dana Scully. Mul... Fox est?"

"Eu sinto muito, querida" Sra. Mulder respondeu. "Ele pegou 
algum tipo de gripe e est na cama, dormindo."

Scully tentou no se apavorar... ela sabia o que deveria ser 
isso... mas ficou paranica de novo - parania no era uma 
coisa ruim. "Quais so os sintomas dele?"

"Ele est com uma tosse muito forte ... e a garganta est 
um pouco inchada, a temperatura dele passou dos 40, e est 
subindo ainda mais. Estou aguardando para o que Tylenol que 
eu dei pra ele faa a febre baixar."

Scully prendeu o flego. Ela e a me tiveram os mesmos 
sintomas. E ambas melhoraram, certo? "Sra. Mulder, parece 
que ele est tendo a mesma gripe que eu tive... e que vai 
melhorar depois do primeiro dia... mas, se no melhorar... 
por favor, me ligue."

"Esperemos que seja a mesma coisa. Eu sei que ele vai ficar 
desapontado por no ter atendido sua chamada, Srta. Scully."

Scully teve que sorrir. " Dana... voc tem meu nmero, 
certo? Assim voc pode me ligar se houver alguma mudana." 
a preocupao dela era bvia.

"Sim, est aqui mesmo, na minha agenda. Prometo que eu ligo, 
Dana."

"Obrigada, Sra. Mulder. Vou tentar ligar para vocs hoje  
noite..."

Scully desligou o telefone com uma carranca no rosto. Ela 
precisava falar com Mulder. Ele saberia instintivamente a 
quem chamar... como proceder com a informao que Skinner 
tinha dado pra ela. Ela suspirou, e se sentou atrs da mesa, 
a cabea nas mos. Ela ainda no se sentia cem por cento. 
Ainda estava com uma dor de cabea palpitante... batendo 
atrs dos olhos. Era difcil pensar direito.

Entretanto, ela teve uma idia. Agarrando o telefone, ela 
discou. A chamada foi atendida depois do segundo toque.

"Langly, desligue o gravador" ela instruiu, com firmeza.

Quinze minutos depois, Scully estava indo para a porta, na 
direo do escritrio dos Pistoleiros... fazendo a parania 
de Mulder parecer moderada. Mas eles tinham ajudado os agentes 
a resolverem casos, e descobrirem conspiraes... e ela tinha 
que admitir - Scully tinha um carinho todo especial por eles. 
Langly, Byers e Frohike tinham sido mais do que ansiosos para 
ajudar Mulder a encontrar uma cura para o cncer dela, h um 
ano atrs.

Quando ela chegou na porta, o telefone interrompeu sua fuga. 
Ela se debateu por um momento se deveria atender ou no. 
Finalmente, decidindo que poderia ser os Pistoleiros, ela 
voltou para a mesa, e atendeu, antes de pegar o recado de 
voz dela.

"Scully."

No comeo, no havia resposta.

"Agente Scully" ela tentou mais uma vez.

Ento uma voz fraca rachou pela linha telefnica...

"Dana... querida?"

O estmago de Scully caiu at o cho. "Me? O que foi? O 
que est acontecendo?"

A voz de sua me foi interrompida por duras e profundas 
tosses. "No estou me sentindo muito bem... voc acha que 
podia..."

Scully no precisou que ela terminasse. "Estou a caminho, 
me. No tente se mover... eu estarei a o mais rpido que 
puder, ok?"

"Ok..." a voz de Margaret Scully sumiu.

"Me!" Scully gritou, alarmada.

No havia resposta. Scully no esperou. Ela correu pra fora 
do escritrio, e foi para a garagem. Ela agarrou o celular 
dela e ligou para o escritrio de Skinner.

E ficou surpresa quando o prprio Skinner atendeu.

"Senhor? Aqui  a Agente Scully... eu preciso de um pouco 
de ajuda... eu esperava que Kimberly pudesse..."

"Kimberly foi pra casa, ela est doente, Agente Scully. Do 
que  que voc precisa?" Skinner podia ouvir o pnico na 
voz de Scully.

"Senhor...  minha me. Ela est na casa dela... e est muito 
doente. Preciso chamar o Corpo de Bombeiros de Annapolis, e
mandar uma ambulncia para a casa dela... eu j estou a caminho... mas estou com medo de que va demorar muito..."

"Eu ligo pra voc agora mesmo, Agente Scully... s me d 
o endereo."

Scully parou de repente. Deus. Ela no podia pensar direito... 
ela nem podia se lembrar do endereo da prpria me. Droga. 
Claro que ela podia se lembrar do lugar onde a famlia 
dela morou nos primeiros vinte anos da vida dela... ela 
s no podia se lembrar do mais importante... droga!

Skinner parou os pensamentos dela.

"Agente Scully... preocupe-se apenas em chegar l inteira. 
Eu pego seu arquivo no computador... e vejo o endereo l. 
Desligue agora, e eu te ligo daqui a pouco."

Scully suspirou, aliviada. "Obrigada, senhor... obrigada." 
ela desligou, e pulou pra dentro do carro. Os pneus gritaram 
ruidosamente quando ela saiu da garagem para as ruas de 
Washington.

* * * * * * * * * * * * * * * * *

Matilda Van Owen amaldioou quando ela mal conseguiu evitar 
de ser atropelada. O maldito carro tinha, literalmente, 
voado pra fora da maldita garagem. Malditos motoristas de 
Washington! Ela agitou o punho ao motorista. Era uma dessas 
malditas Mulheres Profissionais de Washington... umas que 
sempre tinham esses cortes de cabelo severos, ternos azuis 
e pastas de couro.

Elas sempre a fizeram querer vomitar. Elas no sabiam nada 
sobre a vida real. Vida que voc vive dia a dia... pelo 
fundilho de suas calas. Matilda alcanou e comprimiu 
algumas mechas de cabelo, cinza e gorduroso, debaixo do 
frouxo chapu tricotado. No. Droga. Elas no sabiam nada.

E elas nunca tiveram que lidar com estes malditos resfriados, 
como esse que a atingiu ontem  noite. Ela se inclinou e 
tossiu, despejando uma grande bola de muco verde, que ela 
cuspiu sobre a rua maldita... acrescentando  mistura de 
lixo e fluidos suspeitos correndo pelo meio-fio.

Maldio. Este resfriado ia ser a morte dela.

E foi. s seis da tarde aquela noite, ela deitaria na sua 
cama de papelo e nunca se levantaria novamente.

Nenhuma grande perda.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Em algum lugar em Maryland
Eastbound Route 50
1030 horas

"Droga!" Diretor Assistente Walter Skinner xingou de novo 
quando ele deu a volta em outro veculo lento na estrada. 
Ele sabia que devia estar a uns dez minutos atrs de Scully... 
e tinha certeza de que ela deveria estar dirigindo mais sem 
cuidado do que ele.

Ele tinha esperado peg-la na estrada, mas ele foi obrigado 
a reduzir por motoristas lentos, e por um inmero irregular 
de carros que pareciam terem sido abandonados nas laterais 
da rodovia.

Skinner ficou preocupado quando viu vrios caminhes da 
Guarda Nacional nos limites entre D.C. e Maryland. Algo 
estava acontecendo, e no era nada bom.

E ele tinha uma suspeita do que poderia ser. E era essa 
a razo por ele estar dirigindo para a casa de Margaret 
Scully.

Ele tentou ligar para o Corpo de Bombeiros de Annapolis. 
Precisou tentar umas dez vezes antes de conseguir... estava 
dando sempre sinal de ocupado.

Mas quando ele conseguiu, uma gravao cansada o informou 
de que todos os atendentes estavam ocupados em outras 
chamadas. Walter Skinner sabia que isso era conversa fiada. 
Graas a todas as reunies de servios vitais em Washington 
a que compareceu, ele conhecia as polticas de emergncia 
em todas as jurisdies locais... e que esta gravao era 
contra todo protocolo.

Ele persistiu, tentando ligar do prprio celular, enquanto 
tinha corrido para o Ford Corola, carro poderoso. Ele 
continuava obtendo o sinal de ocupado, ou a gravao.

Quando ele saiu da garagem, indo para a sada 50, ele se 
debateu em ligar ou no para Scully, mas decidiu esperar 
at que ela estivesse mais perto  casa da me. Pelo menos 
ela no ia enfiar o carro numa rvore antes de chegar l. 
Enquanto isso, ele continuou ligando para Annapolis.

Ele nunca conseguiu.

Fim da parte 4
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LAST ONE STANDING
by Matbng
Traduo: Edna Barros e Mrcia Murata
Reviso: Rose
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CAPTULO CINCO

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Virando e virando no crculo que se alarga
O falco no pode ouvir o seu dono;
Coisas se quebram;
O centro no pode segurar;
Mera anarquia  soltada no mundo,
A mar de sangue- est solta, e em todos lugares
A cerimnia da inocncia  submergida.

- William Butler Yeats "A Segunda Vinda"

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia de Margaret Scully
Annapolis, Maryland
Segunda-feira - 22 de junho
1115 horas

Se algum estivesse na rua para escutar, eles teriam ouvido 
o motor de um carro rugindo, e o som da caixa de cmbio 
sendo rasgada enquanto Dana Scully corria a mil pela ltima 
esquina, na direo da casa da me dela.

Mas todo mundo estava dentro de suas prprias quatro paredes.

* * * * * * *

Incluindo o Sr. James Freeman, o abelhudo do bairro e a 
runa geral da existncia de todo mundo.

O homem que cortava as suas cercas vivas regularmente, 
de modo que ele veria tanto nas janelas do vizinho sem 
esticar muito o pescoo.

O homem que molhava o gramado regularmente, pois assim 
ele vigiaria todas as crianas do bairro, que indubitavelmente 
cresceriam para se tornarem assassinos seriais.

O homem que reclamou regularmente em toda reunio da associao 
cvica, porque algum tinha deixado o gramado crescer uma 
meia polegada em muito tempo.

Mas, hoje, o Sr. Freeman apenas no se sentia bem. Ele 
deitou no sof, na sua camiseta branca e o boxers xadrez 
marrom, com uma lata de Ensure do lado. Ele encarou a pilha 
de revistas porns infantis, que tinha removido do seu 
esconderijo secreto.

Ele morreu no dia seguinte, uma massa enlodada de muco, 
pus e urina por uma pilha de sujeira.

Nenhuma grande perda.
* * * * * * *

Scully parou na frente da casa, estacionando de qualquer 
maneira, saltando do carro, e deixando a porta do motorista 
aberta, enquanto corria para a porta da frente.

Se o Sr. Freeman estivesse assistindo, ele teria chamado 
a polcia e exigindo que o 'mal-estacionador' fosse preso 
ali mesmo.

A porta da frente foi destrancada e ela estourou pela entrada.

"Me??! Me? Onde voc est?" Scully gritou freneticamente 
enquanto passava pela casa, conferindo cada extenso telefnica, 
indo na direo do quarto da me. E ela parou na entrada, 
que estava aberta.

Margaret Scully estava amassada no cho, ao lado do criado 
mudo, o telefone puxado sobre o tapete ao lado dela. Scully 
gelou. Ela chegou tarde demais? Ela ficou mais assustada 
ainda.

Ento o trax da me subiu quando ela respirou. Scully 
soltou a prpria respirao, e correu para o lado dela.

"Me? voc pode me ouvir? Eu estou aqui... eu estou aqui" 
ela chamou suavemente enquanto acariciava o rosto da me. 
Margaret estava queimando com febre.

Isto no estava acontecendo.

Ento Scully ouviu um barulho escada abaixo. Era a 
ambulncia? Por que ela no tinha ouvido a sirene?

"Agente Scully!"

Scully reconheceu a voz de bartono. Era Walter Skinner.

"Aqui em cima, senhor... eu preciso de ajuda!" ela chamou 
e escutou enquanto ele corria os degraus... de dois em dois.

"Aqui... dentro do quarto, senhor!"

E ento, Skinner estava ao lado dela, ajudando-a a erguer 
sua me sobre a cama.

"Onde est a ambulncia? e o que voc est fazendo aqui?" 
ela exigiu.

"Scully", ele dobrou a cabea, frustrado. "No consegui 
falar com ningum. Ningum estava respondendo no centro 
de emergncia."

"O que?"

"Nas poucas vezes em que no recebi o sinal de ocupado, 
tudo que eu conseguia era uma gravao. Achei melhor vir 
e te ajudar no que eu puder..."

Scully acenou com a cabea de leve, enquanto pensava na 
informao de Skinner.

"Eu tenho que levar minha me para o hospital.." ela 
simplesmente declarou.

"Ento vamos... ns vamos no meu carro" Skinner respondeu. 
Ento, antes que Scully pudesse se mover, ele pegou Margaret 
nos braos. "Vamos."

E eles correram para fora da casa.

E Scully nunca notou que o chefe dela estava corado pela 
febre... e que a prpria respirao dele comeou a doer 
dentro do peito largo.

* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia da Sra. Mulder
1115 horas

Mulder fechou o celular dele. Ele teve que fazer vrias 
tentativas, mas finalmente ele conseguiu falar com a central  
de comunicaes do Bureau. E ele teve sorte o bastante para 
falar com algum que ele conhecia, uma mulher jovem e muito 
til, de nome Holly.

Holly tinha lhe contado que dzias de agentes, e outros 
funcionrios, tinham ligado, dizendo que estavam doentes. 
O Bureau estava com quase ningum de funcionrios... e os 
que estavam no trabalho estavam todos doentes tambm. At 
mesmo ela tinha uma dor horrvel na garganta.

Quando ele perguntou sobre Scully, ela parou. Ento, ela 
contou o que tinha ouvido.

Que o diretor Assistente Walter Skinner voou para fora 
do prdio gritando que ia na direo de Annapolis para 
ajudar a Agente Scully... e ele tinha pego dois agentes pelo 
pescoo, ordenando que eles conseguissem uma ambulncia 
para uma casa em Annapolis.

O corao de Mulder rachou.

"Scully."

Se a me dele tivesse acordado ele quando ela tinha ligado 
mais cedo... mas at mesmo ele sabia que ele estava batido 
com a febre. Mulder s tinha ficado coerente nos ltimos 
quinze minutos. Finalmente o Tylenol e muitos outros lquidos 
que a me tinha forado nele o ajudaram a vencer esta gripe.

Deus. Ele precisava se levantar e encontrar sua parceira. 
Mas seu corpo no ajudava.

Ele teve que se conformar em esmurrar o dial de velocidade 
novamente.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Washington, D.C.
Sede do FBI
Central de Comunicaes

Holly carranqueou quando a linha desconectou. Ela odiava 
entregar notcias ruins. Especialmente para o Agente Mulder. 
Sobre a Agente Scully. Ela considerava os dois amigos. Eles 
a tinham ajudado e a defenderam alguns anos antes, quando 
ela tinha sido vitimada por um psicopata. Ela esperava que 
Dana estivesse bem. Ela sabia que o Agente Mulder, mesmo 
doente, se preocuparia com ela.

Ela alcanou pela sua caneca de caf, esperando que o fluido 
morno ajudasse a acalmar a prpria garganta dolorida. Ela 
engoliu... com dificuldade. Se ela no sentisse melhor antes 
do meio-dia, ela iria para casa.

E foi isso o que Holly fez. Ela foi para casa, para o seu 
apartamento em Fairlington, com os dois gatos e se enrolou 
debaixo de um cobertor tricotado pela me em Iowa... e, 
vinte e quatro horas depois... ela morreu.

E embora uma janela estivesse aberta e eles pudessem ter 
escapado, os dois gatos leais permaneceram ao lado dela.
* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Em algum lugar em Annapolis
1135 horas

Walter Skinner prendeu o flego enquanto desviava de outro 
veiculo abandonado. O nmero de carros inativos estava 
aumentando enquanto o dia corria.

Ele tentou no olhar no banco de trs, onde Dana Scully 
estava sentada com sua me. Margaret Scully estava meio 
deitada, e Scully estava empoleirada na beirada do banco, 
aos ps da me dela.

Ele tentou no notar como o pescoo da mulher estava inchado. 
Como as contuses tinham rastejado pelos lados do pescoo, 
debaixo da mandbula, descendo cada vez mais pelo corpo 
dela.

Ele tentou no ouvir o apelo silencioso de Scully enquanto 
a me ofegava, tentando respirar pela boca.

Ele tentou no cheirar a aura de destruio que enchia o 
carro e o ar do lado de fora.

E ele tentou no deixar Scully ver que ele sabia que estavam 
lutando por uma causa perdida. E, enquanto ele esfregava 
o prprio rosto com um leno, ele tambm suspeitava que seria 
atingido pelo que estava vindo.

Deus. Onde Mulder estava? Ele estava morrendo tambm? 
De jeito nenhum. Mulder tinha desafiado a morte vrias vezes. 
Ele deveria estar aqui, com Scully.

* * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia da Sra. Mulder

Mulder continuou esmurrando o dial de velocidade no celular 
dele, tentando ligar para Scully ou Skinner.

E ele continuava recebendo a mesma mensagem: "Ns sentimos 
muito, mas todos os circuitos esto ocupados. Por favor, 
tente mais tarde..."

* * * * * * * * * * * * * * * *

Hospital Comunitrio de Annapolis
1140 horas

Walter Skinner tinha tentado manobrar o carro pelo mar de 
pessoas na calada da entrada de emergncia. Era impossvel. 
Haviam centenas de pessoas, sentadas, deitadas, feridas, 
cobrindo de lixo as caladas, o asfalto, e os gramados.

Um homem pressionava uma bandagem intil contra o brao 
sangrento de seu filho...

Duas mulheres estavam juntas debaixo de uma manta... 
transpirando... o rosto delas verdes com a gripe.

Uma me e um pai tentavam segurar suas trs crianas, todas 
tossindo, os olhos turvos e vermelhos.

Um homem deitado no asfalto, o fmur saindo pela cala... 
foi o que ele conseguiu por no suportar pintar a casa, e 
usar a escada de mo corretamente. Seus amigos o deixaram 
l fugindo em terror quando viram as multides de pessoas 
agonizantes.

E haviam centenas de outras que foram obviamente derrubadas 
pela gripe.

Por que nada disso estava no noticirio? Ningum disse nada 
no rdio... no havia nada na televiso esta manh.

Skinner parou o carro to perto do meio-fio quanto conseguiu, 
e estacionou. Ele deixou o motor ligado, enquanto abria a 
porta e saa. Ele se abaixou para falar com Scully.

"Espere aqui... deixe-me ver se consigo alguma ajuda." 
ele comeou.

Scully tinha finalmente erguido o olhar da me dela, e 
estava vendo com cautela a cena.

"Mantenha as portas fechadas e o motor ligado... eu no 
estou gostando nada disso. Voc est com a sua arma, certo?"

Scully arregalou os olhos quando entendeu. As coisas aqui 
iam ficar feias logo. Haviam muitas pessoas... de jeito 
nenhum eles poderiam conseguir tratamento. Ela acenou com 
a cabea.

"Olhe... eu vou mostrar meu distintivo, e ver se conseguimos 
alguma ajuda... mas esteja pronta para qualquer coisa. 
Eles j tm guardas armados na entrada..."

Skinner fechou a porta. Ele andou lentamente pela multido, 
para a porta. Por alguma razo, a multido que empurrava e 
reclamava reconheceu um ar de autoridade e poder que 
cercavam o homem, lhe permitindo passar.

Os guardas o olharam, nervosos, quando ele se aproximou. 
Eles destravaram as armas e pistolas.

Skinner tirou o distintivo e o mostrou para os guardas 
checarem.

"F.B.I... eu sou o Diretor Assistente Walter Skinner. O que 
est acontecendo aqui?" ele exigiu, se arriscando muito 
contra os tipos de homens que respondiam a uma autoridade... 
eles tinham uma cadeia de comando.

Eles no relaxaram a posio deles, mas um guarda falou.

"Senhor, ns temos ordens de fechar toda entrada para esta 
unidade. Este hospital foi colocado debaixo de quarentena."

"Ordens de que autoridade?"

"Ns recebemos nossas instrues do administrador do Hospital. 
Pelo que sei, ele recebeu ordens de outro lugar."

"Olhe, homens. Tenho uma agente doente no meu carro" ele 
tentou argumentar, deslizando convenientemente sobre o 
detalhe tcnico de que Margaret Scully era apenas relacionada 
com uma agente. "Por favor, deixe-me lev-la para dentro, 
para conseguir ajuda."

O guarda negou com a cabea, embora para o crdito dele, 
ele parecia sentir muito mesmo.

"Eu sinto muito, senhor. Isso  impossvel. Ns no podemos 
deixar ningum passar..."

"Mas ela est doente, droga!" a voz de Skinner comeou a subir.

O guarda abaixou a prpria voz, e se aproximou dele, esperando 
que mais ningum pudesse ouvir... no seria bom comear um 
ataque de pnico.

"Olhe, senhor. Mesmo se o deixssemos entrar... no tem 
ningum l para ajud-la. Quase todos os profissionais 
da sade esto infectados com... o que quer que seja isso. 
E s para completar a informao... =ningum= saiu deste 
hospital em mais de seis horas. Mas eu notei uma mudana 
na cor da fumaa vinda do forno... se  que voc me entende. 
Se eu pudesse, eu iria embora... mas a maioria de ns aqui 
tem esposas e maridos l dentro... e eu acho que vamos 
ficar aqui at que acontea tudo que tem que acontecer."

Skinner engoliu o caroo na garganta. Ele acenou com a 
cabea, tenso. "Boa sorte, ento" ele sussurrou, e voltou 
ao carro.

"Boa sorte para todos ns" o guarda respondeu.

Scully estava assistindo enquanto Skinner se aproximava 
dos guardas, mas a ateno dela foi desviada quando sua 
me comeou a resmungar alguma coisa.

"Bill? Voc achou as camisas que eu passei?" Margaret 
vagueou.

Scully agarrou a mo dela com firmeza, tentando trazer sua 
me de volta  conscincia.

"Me? Sou eu... Dana. Me? Voc precisa acordar..." ela 
implorou, a voz rouca de medo.

"Dana?"

Scully suspirou com alvio.

"Sim, Me. Eu estou aqui..."

"Voc e Missy podem terminar de colocar a mesa?... seu 
pai vem pra casa hoje  noite..."

Scully abaixou a cabea contra o prprio peito. Ela rezou 
para Deus. Ela implorou para que ele poupasse sua me... 
ela nunca queria ter imaginado este momento... ela no 
estava preparada para ver a me dela morrer. Droga! Ela 
no devia passar por isso durante os prximos vinte anos... 
depois que Maggie estivesse velha, e com o cabelo 
completamente cinza.

Mas, antes que ela pudesse terminar seus lamentos, o celular 
dela veio  vida.

Ela agarrou o telefone do bolso.

"Mulder?!"

A voz do outro lado hesitou por um momento. "No, Agente 
Scully. Aqui  Byers" ele virou a cabea do telefone para 
tossir. "Ns estamos tentando te localizar para lhe dar a 
informao que voc nos pediu para procurar..."

Scully esfregou a testa. Agora no era hora... mas ela 
precisava saber o que eles tinham achado... e ela precisava 
que eles achassem Mulder."

"O que , Byers?"

"Bem... eu poderia dizer que encontramos algumas ligaes 
para voc..." ele suspirou. "Mas no so boas notcias..."

"Diga-me algo que eu no sei" Scully respondeu enquanto 
olhava para baixo, para sua me.

"Mas ns no podemos discutir isto no telefone... ns 
podemos nos encontrar?"

Scully tremeu a cabea. "No... eu no posso. Minha me 
est doente... estou tentando lev-la para um hospital..." 
ela parou enquanto pensava. Voc pode deixar isso em algum 
lugar? Digamos, na 'Bola Oito'?" ela falou no cdigo 
pr-combinado deles. A 'Bola Oito' correspondia a um 
suporte de casacos no apartamento de Mulder, que tinha 
bolas de bilhar como enfeites. Os Pistoleiros saberiam 
que deveriam colocar a informao deles no armrio de 
Mulder.

"Est tudo bem" Byers respondeu. "E eu sinto muito sobre 
sua me... espere um minuto..."

Scully esperou enquanto Byers tinha uma conversa amortecida 
com Frohike e Langly.

"Agente Scully... tanto quanto podemos saber, o nico hospital 
que est aceitando pacientes  o George Washington University. 
Se voc puder entrar em D.C., claro..."

"Como assim, se eu puder entrar em D.C.?"

"Eles esto fechando as pontes e estradas. Virginia est 
completamente fechada, dentro e fora. Voc pode ainda deixar 
D.C. e entrar em Maryland... mas eles no te deixam voltar... 
apesar de que eles poderiam permitir um agente do FBI, com 
os distintivos, entrarem..."

Scully digeriu a informao depressa. A cabea dela revisou. 
Isso estava indo rpido demais. Como as coisas foram do normal 
para o inferno to depressa assim?

"Obrigada, Byers... e mais uma coisa..."

"Qualquer coisa, Agente Scully..."

"Voc pode tentar falar com Mulder por mim? Ele est na casa 
da me dele... e ele estava doente..."

"Ns faremos isto, Agente Scully... s cuide de sua me..." 
Byers espirrou antes que Scully pudesse lhe agradecer. Ela 
esperou um momento.

"Obrigada, rapazes... e boa sorte" ela desligou, no sabendo 
por que ela tinha feito o comentrio... mas ela teve a fria 
sensao de que poderia demorar um pouco at ela ver os 
trs novamente.

Se os visse.

* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia da Sra. Mulder

Mulder gritou em frustrao. Ele finalmente tinha conseguido 
linha no celular dele... s para saber que o celular de 
Scully estava ocupado.

Ele queria poder sair de casa, e andar alguns metros... 
s para desabafar a frustrao que sentia, para sua me 
no escutar.

Mas o corpo dele ainda no o deixava ficar de p. Ele caiu 
contra os travesseiros, e fechou os olhos com fora... 
tentando achar uma imagem de Scully... uma onde ela estava 
completamente bem, e em segurana.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Rota 50
Divisa Washington, D.C. / Maryland
Sobre o Rio Anacostia
1600 horas

Sargento Tom Caldwell encarou o pavimento que marcava o 
seu posto. Este era um trabalho sujo para um grupo doente 
do Exrcito. E foi muito estranho bloquear uma ponte 
principal no Distrito. Algo definitivamente aconteceu no 
FUBAR.

Ele tossiu e cuspiu o chumao da substncia pegajosa, que 
deixou um gosto miservel na boca.

Um dos seus homens gritou. Havia outro furgo de notcias 
se dirigindo na direo deles.

Ele olhou para ver o furgo se aproximando, as pequenas 
parablicas aparecendo do telhado. Maldio. Ele estava 
cansado destes pequenos reprteres estpidos, que o 
importunavam simplesmente porque ele estava fazendo o seu 
trabalho.

Claro, ajudava que ele e os seus meninos tinham recebido 
ordens para usar qualquer e todos os meios necessrios 
para par-los. Isso significava que ele era o juiz e jri.

Ele sorriu. A raiva que esteve construindo no estmago tinha 
alcanado a cabea uma hora atrs. Ele, de fato, poderia 
ouvir as vozes lhe dizendo exatamente o que fazer ao prximo 
mandachuva da mdia que cruzasse o seu caminho e no lhe 
mostrasse o devido respeito. Sim senhor, realmente faa! 
"Dez ao vivo!" e toda aquela baboseira. Ele e os seus 
meninos estavam prontos.

O furgo parou uns meros dez ps do bloqueio. Um pequeno 
refugo de homem saltou do banco do motorista. O cmera-man 
estava sentado no banco do passageiro dianteiro... a cmera 
j fazendo mira na unidade.

Quem diabos eles pensavam que eram? Comprometendo a segurana 
nacional assim?

Je-sus! Os olhos rolaram e ele virou aos homens e simplesmente 
acenou com a cabea. Um sorriso grande engessou no rosto.

Em sincronia perfeita, que teria feito General Patton bastante 
orgulhoso, os homens elevaram os rifles e abriram fogo.

Eugene P. Smythe, reprter novato para o Canal 7 de notcias, 
que s foi promovido a novato esta manh porque todos os 
reprteres regulares estavam doentes, estava muito atento 
da primeira bala que passou pelo seu estmago... cortando 
seus intestinos e parando ao redor dos rins.

Quando ele sonhou com a grande tacada na escola secundria 
e faculdade, ele nunca tinha pressentido isto. Nem mesmo 
quando ele se pintou como um renomado correspondente mundial 
de guerra. Claro, ele no tinha se pintado trabalhando na 
sala de correspondncias de um Canal 7 qualquer... mas 
isso tinha acontecido, no tinha?

O segundo tiro acertou um micro-segundo depois... ou talvez 
foi simultneo com o terceiro, quarto, quinto e sexto tiros. 
De qualquer modo, no importou. Pois a bala depois do Tiro 
Nmero Dois, imediata e muito explosivamente, removeu o lado 
direito do crebro dele.

Deus. Simplesmente no era o dia de Eugene P. E ele nunca, 
nem mesmo, conseguiu ir ao ar.

* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Sgt. Caldwell sorriu, satisfeito, enquanto seus homens 
limpavam a baguna - isso significava jogar os corpos do 
reprter e do cmera-man sobre a ponte, e no Rio Anacostia.

Eles tinham acabado de colocar o furgo em posio para 
apoiar o bloqueio quando o Sgt. Caldwell avistou suas 
prximas vitimas.

Um Corola azul escuro Vic... e ao que parecia, tinha duas 
pessoas dentro.

Ele sorriu enquanto seu dedo comeava a se contrair sobre 
o gatilho.

* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Skinner reduziu a velocidade quando se aproximou do bloqueio. 
Alguma coisa estava estranha. Talvez fosse o furgo de 
notcias ao lado da estrada... era isso. Se havia um 
furgo de notcias, onde estavam os reprteres e as cmeras?

Ele encostou, e parou a umas cinqenta jardas do bloqueio. 
E mais uma vez, ele deixou o motor ligado.

Scully poderia ver a preocupao dele. "Qual o problema?"

Skinner continuou olhando  frente. "Agente Scully, eu 
quero que voc venha pra trs do volante, e fique pronta 
para dirigir o carro... tem alguma coisa errada aqui..."

Scully no hesitou agir. Ela reconheceu o tom na voz dele, 
e confiou nele.

Ela sentou-se no banco do motorista, e ele olhou para ela, 
finalmente.

"No tenho certeza do que vai acontecer... talvez nada. 
Talvez eles nos deixem passar com as nossas credenciais. 
Espero que sim... mas, por via das dvidas, esteja pronta 
para tirar seu traseiro daqui no minuto em que eu te fizer 
um sinal..."

"Mas e quanto a voc, senhor?" Ela protestou.

"Se as coisas ficarem ruins..." ele pausou. "Seu dever  
levar voc e sua me para um local seguro... alm disso, 
tenho a sensao de que vou estar na mesma condio dela..." 
ele acenou para Maggie. "...em algumas horas. S espere 
pelo meu sinal, e no hesite em fazer o que voc tem que 
fazer..."

Pela primeira vez, Scully notou a palidez de Skinner... o 
suor da febre na sobrancelha dele... a respirao.... Uma 
tristeza envolveu o peito dela, uma dor... que foi para a 
garganta. Ele ia se sacrificar por ela, e pela sua me.

Ela agarrou a mo dele. Palavras pareciam inadequadas enquanto 
ela olhava diretamente para os olhos dele. Ela esperava 
que ele pudesse sentir a gratido, a amizade, o agradecimento... 
e a f que ela tinha por ele. Ela pde se lembrar de cada 
vez que ele veio de lugar nenhum, s para apoi-la, e a 
Mulder... todas s vezes em que ele arriscou tudo por eles.

"Eu sei, Agente Scully... Dana. Eu sinto o mesmo. Mas, 
espero que meu radar esteja errado, e que tudo termine 
bem. Mas, se no acabar... tenha certeza de encontrar seu 
parceiro, e chutar o traseiro dele mais uma vez por mim" 
ele sorriu enquanto apertava a mo dela.

Ento, antes que ela pudesse reagir, ele estava saindo, 
caminhando para o bloqueio.

* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Sgt. Tom Caldwell olhou para o homem que ousava se aproximar. 
E o que era aquilo que o homem estava tirando do bolso dele?

Mas, infelizmente para Skinner, antes que ele pudesse exibir 
o distintivo, se identificando... Sgt. Caldwell pegou um 
brilho do metal na cintura de Skinner. Era uma arma! Este 
homem era um traidor! Ele ia engan-los, e matar a todos!

"Arma!" Caldwell gritou... ao mesmo tempo que Skinner gritou 
"FBI!"

Os homens no esperaram por outra palavra e eles abriram fogo.

* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Scully s pde assistir, horrorizada, enquanto o corpo de 
Skinner saltava com o impacto de cada tiro. Ele deixou o 
distintivo cair no cho, e as costas dele bateram contra 
a grande e com um ltimo tiro no ombro, ele estava caindo 
por cima da grade, de lado, para as guas l embaixo.

No havia nada que ela pudesse fazer pelo homem a quem ela 
chamou de amigo. O homem que tinha salvo a vida dela... e 
a de Mulder... em mais de uma ocasio.

A nica coisa que ela poderia fazer era seguir as ltimas 
instrues que ele lhe deu. Ela engrenou o carro, virou o 
volante todo para a esquerda, e foi direto. Fumaa preta 
saiu do asfalto quando os pneus cantaram, deixando uma 
marca no cho.

Ela podia ouvir os sons dos tiros enquanto os soldados 
apontavam para ela. Uma bala cantou alm da janela aberta 
dela, e Scully abaixou instintivamente no banco, aliviada 
que sua me j estava deitada.

Ela aventurou um olhar no espelho retrovisor, rezando para 
no ter uma frota de veculos do exrcito em sua perseguio. 
E Deus atendeu seu pedido.

Os soldados tinham ordens de no abandonarem seus postos. 
Eles mantiveram o bloqueio, contente que qualquer ameaa 
que ela pudesse representar estava indo embora.

Mas ela ficou horrorizada ao ver que ningum tinha nem mesmo 
tentado tirar o corpo de Skinner do rio.

Com lgrimas ameaando ceg-la, ela sabia que s tinha uma 
nica opo.

Ela voltou para a casa de sua me.

* * * * * * * * * * * * * * * * * *

Sgt. Caldwell inspecionou o local de onde sua mais recente 
vtima tinha derrubado algo. E alguns dos homens dele o 
acompanharam.

Este foi o engano dele.

Porque todos eles viram o distintivo federal que ficou jogado 
no cho. Eles tinham matado um agente federal! Um irmo!

Um motim surgiu e o julgamento foi realizado depressa.

O corpo do Sgt. Caldwell foi jogado sobre a grade, no longe 
de onde o homem do FBI tinha cado.

Nenhuma grande perda.

Fim da parte 5
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LAST ONE STANDING
BY MABTNG
Traduo: Edna Barros & Mrcia Murata
Reviso: Rose S.
* * * * * * * * * * * * * * * *
CAPTULO SEIS
* * * * * * * * * * * * * * * *

Eu lhe falo, por aquela noite estaro dois numa 
cama: um ser levado, o outro, deixado. Duas mulheres 
esto moendo o trigo juntas; uma ser levada, outra deixada."
                           Lucas 17.34-36

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia da Sra. Mulder
Tera-feira - 23 de junho
11:00 horas

Os espirros comearam s cinco da manh. As tosse vieram 
logo em seguida. E ento, a febre atacou.

Mulder andou do lado da cama da me dele... para o banheiro.. 
para a cozinha. Ele trouxe panos frios e passou sobre a 
sobrancelha dela... ele trouxe copos de gua para ela, e 
plulas mdias e pequenas... e ele trouxe caldo de galinha 
e apoiou a cabea dela enquanto alimentava-a com pequenas 
colheradas com o lquido quente.

Ela ficou muito mais doente do que ele. Ele quase se sentia 
normal desde ontem  noite. Quase como se nunca tivesse ficado 
doente.

Mulder encorajou sua me para dormir o quanto pudesse. Ele 
s a incomodou para ela tomar Tylenol. Ento ele esperou 
at ela acordar sozinha, para dar sopa pra ela... mant-la 
hidratada com fluidos.

E ele ficou vigiando-a enquanto ela dormia.. checando a febre 
dela... cobrindo o corpo quando ela tinha frio... tirando 
quando ela estava com calor. Esfregando o rosto e nariz dela 
com pano limpo e fresco... lavando o muco dos lbios e nariz... 
e das mos. Massageando os ps dela quando ela tinha cimbras.

A nica outra coisa que ele podia fazer era... esperar.

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Qwik-EE Mercado da esquina
Greenwich, Connecticut
14:00 horas

Mulder andou pelos corredores quase vazios para cima e para 
baixo. At mesmo o Spam tinha sido limpo das estantes. S 
haviam trs ou quatro outros compradores. E todos pareciam 
horrveis. Fungando ranho, e tossindo. Mortos vivos.

Eles murmuraram rumores de quem eram os corpos dos doentes 
que eles viram... ou que no conseguiram ver... falando sobre 
linhas de telefone e sinais de televiso que no funcionavam 
mais.

Mulder estremeceu. Ele agarrou vrios pacotes de macarro 
Ramen... ele podia fazer um caldo e mergulhar o macarro... 
ele pegou vrias latas de suco de laranja congelado, um saco 
de po de hambrguer... j que no haviam mais baguetes... e 
um pacote de bolachas Ritz... qualquer coisa fica gostosa 
quando comida junto com Ritz... qualquer coisa, exceto tudo 
que estas pessoas estavam tossindo,  claro. Ele pegou vrias 
outras coisas.

Ele levou a cesta para o caixa, e deixou o balconista doente 
fazer a conta.

"So $32.14, senhor" o balconista cheirou.

Mulder entregou o dinheiro, pegou o troco... e voltou correndo 
para sua me.

As ruas de Greenwich estavam assustadoras. Ainda havia algumas 
pessoas andando por a. Algumas caminhavam como zumbis... 
delirando com febre. Algumas estavam perdidas dentro de suas 
mentes... elas tinham perdido suas famlias. E outras tinham 
dio nos olhos quando olhavam pra ele. Por que *s ele* parecia 
estar to bem?

Ele quis gritar de volta... dizer pra eles que ele esteve 
doente... e que a me dele estava doente...

Mas, ao invs... ele comeou a correr pelas ruas, e entrou 
pela porta da casa de sua me.

E se trancou. Longe do mundo externo, que estava vindo abaixo.

Mas a barreira que havia, era apenas uma polegada de madeira.

* * * * * * * * * * * * * * * * *

16:00 horas

Mulder quase caiu fora da cadeira quando o celular dele comeou 
a tocar. Ele mergulhou dentro da jaqueta que estava sobre as 
costas do sof, e cavou o telefone do bolso.

"Scully??" Ele respondeu esperanosamente.

"Mulder??" a voz masculina, e excitada, exclamou. "Cara! 
Ns pensamos que voc tinha se rendido..."

"Frohike?  voc?" Mulder tentou no mostrar a decepo. 
Mesmo que no fosse Scully... talvez eles tivessem notcias 
dela. Enquanto isso, Frohike ainda estava falando...

"...voc nem imagina o que tivemos que fazer para conseguirmos... 
todas as linhas telefnicas esto fora do ar... ns estvamos 
conversando usando um satlite a zilhes de quilmetros daqui... 
no temos certeza de quanto tempo podemos segurar a ligao..."

"Frohike", Mulder o silenciou. "Voc sabe de alguma coisa 
sobre Scully? Onde ela est?"

A resposta de Mulder foi silncio... ento Frohike tossiu. 
Uma longa e dura sesso de tosses.

"Frohike?"

Alguns segundos depois, ele poderia ouvir o telefone sendo 
passado para outra pessoa.

"Mulder..."

"Byers. O que est acontecendo?"

"Desculpe. Ns todos pegamos a gripe... pelo menos  o nome 
que esto dando na televiso... a maioria das linhas telefnicas 
esto fora de servio por alguma razo desconhecida, e s 
poucas pessoas ainda esto bem o suficiente para fazer com 
que a tecnologia permanea on-line. Achamos que o governo 
est bloqueando as comunicaes..."

"O que est acontecendo??? E onde est Scully? Voc falou 
com ela?"

"Ns falamos com a agente Scully ontem... e perdemos contato... 
ou o celular dela est desligado, ou a bateria est mor... 
descarregada" ele corrigiu a palavra. 'Morta' no era uma 
boa palavra para usar nestes dias.

"Como ela est? Onde ela est?"

"S conseguimos falar com ela por um momento. Ela nos pediu 
para investigarmos um pouco de informao que ela tinha 
recebido... informao possivelmente relacionada com esta 
'epidemia'... achamos algumas coisas... mas no podemos 
nos arriscar por telefone... ela nos pediu para deixarmos 
a informao no nosso lugar favorito..."

Mulder acenou com a cabea silenciosamente... ele sabia onde 
era o local.

"Mas... como ela est?" Mulder insistiu.

"Ela parecia... cansada e um pouco doente. Mulder... a me 
dela estava... ela estava muito doente, e AD Skinner estava 
tentando levar a Sra. Scully para um hospital. No parecia 
nada bom, e receio que..."

"Droga" Mulder murmurou. "Eu deveria estar a..."

Byers interrompeu. "Mulder. Isso est afetando todo mundo. 
Todos ns trs aqui temos essa coisa. E as pessoas no esto 
se recuperando... elas esto morrendo em todos os lugares. 
Do que podemos contar, foi mais rpido na Costa Oriental e 
Ocidental... mas o Meio Oeste tambm foi atingido...  s 
uma questo de tempo antes do mundo todo ser infectado. 
Existem relatrios da Europa, frica... e Amrica do Sul. 
Esta  uma epidemia mundial. Uma pequena porcentagem da 
populao... menos que um por cento... aparentam ser imune. 
Mas pode ser que eles apenas estejam tendo uma reao 
atrasada. No podemos saber. S sabemos que no existe um 
lugar seguro."

Mulder estremeceu quando ouviu a me dele tossindo no quarto. 
Ningum estava salvo... esta coisa era fatal.

"Mas, Mulder... do que achamos para Scully... tudo que posso 
dizer  que voc talvez possa ser imune... voc vai entender 
melhor quando ver o que conseguimos achar..."

"E sobre Scully? Ela  imune?"

"...no sabemos... talvez... talvez. Ns s no sabemos. Eu 
sinto muito, Mulder..."

Mulder fechou os olhos. Isto era demais para agentar.

"Eu preciso voltar l..." Mulder declarou entre dentes.

"No  uma boa idia fazer isso agora."

"Por que? O que est acontecendo?"

"Cidades... estados... capitais... todo mundo est colocando 
obstculos, barreiras nas estradas. E esto atirando nas pessoas 
que tentam entrar. D.C. est completamente fechada desde ontem."

Deus. Scully.

"Quando conversamos com a agente Scully, ela ainda estavam 
em Annapolis... pensamos que ela ia tentar entrar em D.C... 
levar a me dela para o Hospital G.W... mas no temos certeza. 
Duvido que tenham permitido que ela passasse de Maryland. 
As chances so de que ela ainda est em Annapolis..."

"Obrigado, Byers. Agradea o pessoal por mim..."

"Pode deixar, Mulder" uma longa pausa. "Esta , provavelmente, 
a ltima vez que vamos nos falar, Mulder... todos estamos 
doentes... e  s uma questo de tempo antes da eletricidade 
ser cortada, junto com os outros servios... ns s queremos 
lhe desejar boa sorte..."

"Obrigado" Mulder sufocou. Estes homens estranhos e excntricos 
tinham sido verdadeiros amigos. Eles tinham ajudado a ele e a 
Scully quando ningum mais os escutaria. Eles ajudaram a salvar 
a vida de Scully.

"Por favor, rapazes... se vocs encontrarem qualquer coisa 
que possam te ajudar... usem isso..."

"Pode deixar Mulder" Byers forou o tom alegre na voz.

E a linha morreu.

Fox Mulder se sentiu muito sozinho.

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Existem muitas sombras no perigo de aventuras, e ventos 
fortes, e s de vez em quando  que aparece na face dos 
fatos uma violenta inteno sinistra --- isso  indefinido, 
algo que fora isso na mente e no corao do homem, que 
estes acidentes ou frias elementares esto vindo com 
propsito de malcia, com fora alm do controle, com 
uma crueldade desenfreada que pretende rasgar fora dele 
sua esperana e temor, a dor da fadiga, e o desejo para 
descansar; pretende esmagar, destruir, aniquilar tudo que 
ele viu, conheceu, amou, desfrutou ou odiou; tudo que  
inestimvel e necessrio - o sol, as lembranas, o futuro; 
que pretende varrer o precioso mundo totalmente longe de 
sua viso atravs do ato simples e apavorante de tomar sua vida."

- Joseph Conrad "God Jim "

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Residncia da Sra. Mulder
Greenwich, Connecticut
Quarta-feira - 24 de junho
09:00 horas

Mulder sentou-se na cadeira ao lado do leito de sua me 
doente. Ele puxou as cortinas, deixando o quarto no escuro... 
a luz machucava os olhos de sua me. Ele ficou sentado, no 
escuro, escutando em silncio a vida dela desaparecendo.

Ele tinha uma beno. Quando ela estava raramente acordada, 
nesses tempos preciosos estava lcida e atenta tambm.

E nesses momentos, eles conversaram. Talvez pela primeira vez 
em toda vida adulta de Mulder.

* *

"Fox?"

"Sim, Me?"

"Voc sabe que te amo... que sempre te amei, no sabe? Que 
seu pai te amava..."

"Sim, me, eu sei disso... algumas vezes eu no acreditava... 
mas eu sei disso agora. E  isso que conta."

"Sim, querido."

* *

"Fox?"

"Sim, Me?"

"Voc acha que um dia voc vai se casar com aquela mocinha?"

"Que mocinha, me?"

"'Que mocinha...' No seja bobo, Fox. Sua Dana Scully."

"Por que voc est perguntando isso, me? Voc acha que eu 
deveria pedi-la em casamento?"

"Sim, eu acho. Eu gosto dela, Fox."

"Eu tambm, me."

* *

"Fox?"

"Sim, Me?"

"No desperdice seu tempo... voc deveria falar com ela 
logo."

* *

"Fox?"

"Sim, Me?"

"Voc est assustado?"

"Estou sim, me. Estou."

"No fique, meu bem. Eu no estou com medo. Segure minha mo, 
sim?"

"Sim, me. J estou segurando."

"Eu sempre estarei com voc, Fox. E seu pai tambm... e sua 
irm. Ns te amamos. Lembre-se disso... lembre-se das coisas 
boas... esquea o resto. Terminou. Est feito."

"Vou tentar, me."

"Voc viveu no passado por muito tempo. Voc  igualzinho seu 
pai neste assunto. Nunca entendi nenhum de vocs dois. Aprenda 
com o passado, Fox... mas viva o presente... e para o futuro."

"Acho que voc tem razo, me."

"Acho que Dana concordaria com isso... voc no acha?"

"Sim, Me."

* *

"Me?"

"Sim, Fox?"

"Eu te amo."

"Sim, Fox. Eu sempre soube disso."

* *

E ao meio-dia do dia 24 de junho, a Sra. Teena Mulder faleceu.


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Nossa, vov... que dentes grandes voc tem!

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Residncia de Mel Hampton
Greenwich, Connecticut
Quinta-feira - 25 de junho
09:00 horas

Fox Mulder estava sentado no estranho sof, com o controle 
remoto na mo.

O bom e velho Mel Hampton sempre foi viciado em eletrnica. 
Mulder podia se lembrar dos comentrios de sua me sobre 
quando Mel teve a primeira antena para satlite instalada 
na casa dele. Parecia incrvel. O bom e velho Mel.

Os Hamptons deviam estar na casa deles no Maine. Eles tinham 
casas em todos os lugares. O homem tinha feito uma fortuna 
por ter inventado aquelas tampinhas de garrafa  prova de 
crianas. O que somente as crianas conseguiam abrir.

Ele achava que Mel no se importaria se ele ficasse ali, no 
quarto deles, vendo os milhares de canais de televiso.

Mulder tinha enterrado sua me nos fundos da casa. Debaixo 
de uma rvore frondosa.

Levou a tarde toda para fazer isso.

E agora, ele s precisava sair daquela casa. Longe das 
lembranas, recentes e passadas.

Ento, quando ele se lembrou da enorme antena via satlite 
de Mel Hampton... ele pegou a chave extra que a me dele 
tinha escondido numa mesa da cozinha e foi para o vizinho.

No havia muita coisa pra se ver. Nada que interessasse. 
Muito "I Love Lucy" e "Hava 5-0", reprises. Nenhum evento 
esportivo. ESPN estava mostrando velhos jogos do Super Bowls. 
Ele continuou procurando.

Finalmente ele parou o que parecia ser uma transmisso 
local de notcias. O logotipo na tela dizia 'WBZ-TELEVISION'. 
Parecia ser uma estao de Boston.

O ncora, Bob Palmer, estava falando  toa... no realmente 
dando notcias. Mas, de repente, Palmer parou e gritou, 
"Ok, j chega" e a prxima coisa que Mulder viu foi Palmer 
segurando uma arma na mo.

O que se seguiu foi chocante. Palmer contou para os espectadores 
que as tropas do exrcito tinham entrado e censurado as 
notcias por dias. Eles mantinham total controle sobre a 
estao. Eles tinham destrudo gravaes... e os foraram 
a ler a as notcias deles... ameaando-os com execuo, 
caso no obedecessem.

Dentro de minutos, Palmer estava mostrando um videotape. 
Mostrava pessoas doentes e agonizando nos limites dos 
hospitais. Mostrou mdicos e enfermeiras cansados, dizendo 
que no haviam nada que pudessem fazer por estas pessoas 
doentes. Haviam cargas e cargas de corpos mortos sendo 
esvaziados no Porto, por caminhes.

E os soldados armados estavam em todos lugares. E eles no 
hesitavam em atirar primeiro, se esquecendo de fazer as 
perguntas depois.

Mulder empalideceu. Byers tinha razo. A frgil sociedade 
deles tinha esmigalhado em meros dias.

O mundo se transformou numa selva, onde cachorro comia 
cachorro.

E Scully estava l fora... em algum lugar. Provavelmente 
s.

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Centro da cidade de Greenwich, Connecticut
25 de junho

Timmy Hoffman nunca tinha sido um super vencedor. Na 
realidade, ele nem mesmo foi um vencedor.

Se voc tivesse perguntado para a sua falecida me se ele 
alguma vez tinha feito qualquer coisa para qualquer um ou 
qualquer outra coisa nos seus dezenove anos completos, 
teria sido difcil dar uma resposta positiva.

Bem. Houve aquela vez quando ele tinha cinco anos. Ele 
achou um beb pssaro cado de seu ninho, embalou nas mos 
e trouxe para casa.

Ele mostrou para Vern, o seu irmo mais velho. Vern deu 
uma olhada no animal chorando e riu.

"Seu bobo! Agora ele vai morrer sem dvida. A me dele nunca 
o levar de volta. Voc  um assassino de pssaros, cara de 
fuinha!"

Timmy piscou as lgrimas para trs. Ele no pretendia matar 
o beb pssaro. Ele queria provar que o seu irmo estava 
errado e abiscoitou a criatura faminta, pois assim poderia 
lev-lo de volta ao ninho dele, mas Vern interveio.
Vern agarrou o pssaro asperamente. "O que voc quer, cara 
de fuinha? Voc quer este pssaro morto?" Ele riu. "Aqui. 
Pegue!"

Vern girou ao redor e lanou o pssaro com toda a sua fora. 
Fez um 'splat' horrvel quando bateu a parede da cozinha e 
deslizou ao cho.

Timmy correu da casa em horror e vergonha.

E ele nunca chorou outra vez. Nem mesmo quando Vern perdeu 
a cabea tentando saltar de um trem em movimento, seis anos 
depois. 

Ele ainda se lembrava daquele 'splat'.

Agora, Timmy era um menino grande. Fsico definido, na linha 
dos zagueiros... se ele tivesse sido capaz de controlar o 
temperamento o suficiente para jogar um esporte organizado, 
e inteligente bastante para se lembrar de quaisquer dos 
jogos do time.

O resto da famlia de Timmy j estava morta. O pai tinha 
morrido anos atrs, mas a me e as duas irms morreram 
esta manh. Deixando Timmy por sua prpria conta.

E sua prpria conta inclua pilhar toda casa com que se deparava, 
o que lhe forneceu mais armas do que ele poderia carregar.

Ele achou dois amigos na cidade. E enquanto Timmy no estava 
doente de modo algum, os seus camaradas, Wayne Hydell e Norris 
Johns, estavam. Mas eles ainda estavam em condies para ter 
alguma diverso. Maldio. Se eles fossem morrer, eles iam 
ter algumas altas horas primeiro.

Eles estavam armados ate os dentes quando se encontraram com a 
prxima casa.

A caixa postal no exterior tinha um nome.

Mulder.

Fim da parte 6
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LAST ONE STANDING
Traduo: Edna Barros & Mrcia Murata
Reviso: Rose S. 
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CAPTULO SETE
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O homem, diz o Grande Inquisidor, deseja "no somente viver, 
mas ter algo para viver". Porm, este "objeto estvel" de 
uma outra vida dirigida deveria, de acordo com os ensinamentos 
de Cristo, ser escolhida pelo livre arbtrio do homem, atento 
do bem e do mal, e sempre capaz de escolher entre eles. Tal 
escolha causa "agonia espiritual"; e ento, "homens preferem 
a paz, e at mesmo morte, do que ter a liberdade de escolha 
no conhecimento do bem e do mal."

                - Fyodor Dostoevsky "The Grand Inquisitor"

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Residncia de Mel Hampton
25 de junho
17:00 horas

Fox Mulder tinha conseguido dormir uma soneca nervosa quando 
ouviu um barulho. O som distante de vidro quebrado. Ento, 
vozes. Vozes de bbados.

Quieto, ele ficou de p, e foi para a janela que dava para a 
casa de sua me. Ele ficou de p, escondido pelas cortinas, 
e olhou pra fora.

O que ele viu fez ele passar mal.

Trs bbados desgraados estavam arrombando a casa da me 
dele. Eles tiveram a audcia de quebrar a janela da frente 
e rastejarem pra dentro... sem se importarem se algum os 
visse. Claro que no havia muita gente para notar...

Ele correu para a porta dos fundos dos Hampton, indo para 
trs da casa. Quando ele chegou na cerca baixa que dividia 
o terreno de Hampton da casa da me dele, ele pegou a Sig 
Sauer da cintura. Estes filhos da p**a iam aprender uma 
lio que nunca esqueceriam.

Dando um rpido salto, ele deslizou por sobre a cerca, e para 
trs de alguns arbustos. Ele podia ouvir os homens andando 
pela casa, batendo as mesas, virando tudo.

Chega. J chega. Agora, ele s precisava que eles estivessem 
dentro do mesmo cmodo ao mesmo tempo...

Ele se aproximou da janela da sala de estar e olhou de lado. 
Dois estavam na sala... o outro na cozinha. Mas que diabos? 
Ele estava fazendo o jantar?

Ele puxou a chave do bolso, e abriu a porta dos fundos. Com 
cuidado, e muito silencioso, Mulder tirou a chave da fechadura. 
Pronto. A porta estava aberta. Ele s tinha que esperar pela 
chance dele...

Ento, Timmy Hoffman entrou na sala de estar. Ele estava 
segurando cervejas para seus amigos.

Eles estavam rindo enquanto vasculhavam pelos pertences de 
Teena Mulder.

"Mas que merda. Eu esperava achar algumas mulheres aqui... 
se vocs sabem o que eu quero dizer" Hydell agarrou o saco 
dele para ilustrar suas fantasias de estupro. "Eu queria 
saber onde esto as piranhas desta foto" ele apontou para 
o quadro de Teena e Samantha Mulder.

"Ns vamos achar uma de verdade... e se divertir bastante." 
Hoffman o acalmou.

O estmago de Mulder virou e ele deixou sair um rugido.

Ele se jogou pela porta, e estava na entrada da sala de 
estar num piscar de olhos.

"Parados! Nem mesmo respirem, seus desgraados!"

Todos os trs homens largaram suas cervejas, que caram no 
cho.

O prximo minuto parecia acontecer em cmara lenta.

Wayne Hydell, que aterrorizava o bairro desde os trs anos, 
ergueu a espingarda para atirar. Norris Johns, o Mikey do 
trio, caiu de joelhos. E Timmy Hoffman tentou puxar sua 
0.357 Magnum do cinto.

Wayne Hydell foi atingido primeiro. A bala passou direto 
pelo antebrao direito, deixando os msculos inteis. Ele 
uivou de surpresa e dor. E ele caiu sobre cima de Johns... 
que ganiu ao ser coberto por sangue.

Hoffman estava to ocupado distrado pelo spray vermelho 
de Hydell que ele nunca notou Mulder voando pela sala at 
que sentiu o cano da Sig contra a testa... bem no meio dos 
olhos. Mulder agarrou a .357 dele e jogou longe no corredor.

Hoffman arregalou os olhos de medo, e sentiu lquido quente 
descer pela perna. O homem diante dele estava louco.

Mulder o furou com os olhos. "V em frente... alegre meu 
dia" Mulder rosnou.

"Olhe, Senhor... a gente no queria estragar nada... a 
gente no achava que algum morava aqui... a gente ia..." 
ele mentiu.

Mulder comeou a acariciar o gatilho. E ao mesmo tempo em 
que Hoffman pensou que ia perder o pouco de crebro que 
possua, Mulder afastou a arma.

Hoffman tinha acabado de suspirar com alvio quando Mulder 
o socou com fora no intestino.

"Saiam da minha casa, seus malditos!" Mulder rugiu.

Hoffman, ainda dobrado, correu porta afora sem esperar 
segundo convite. Ele continuou correndo at que estava 
completamente fora de Greenwich. E ento, ele correu um 
pouco mais. Ele nunca olharia por cima do ombro, com medo 
de ver Mulder atrs dele.

Ele nunca se esqueceria do olhar nos olhos daquele homem. 
E nunca se esqueceria da humilhao pblica que sofreu... 
mijando na cala na frente de Johns e Hydell.

A raiva dele iria durar muito tempo.

Johns puxou Hydell do cho e arrastou seu cmplice para a 
porta. Johns estava se sentindo muito mal para lidar com 
doidos como o dono desta casa.

Mulder os seguiu para a entrada e observou enquanto eles 
fugiam. Satisfeito que no voltariam, ele bateu a porta, e 
trancou. Ele olhou pela janela quebrada, e ento foi para 
o poro, para pegar um bom pedao de madeira.

Dez minutos depois, a janela estava completamente fechada. 
Ele verificou o resto da casa, e pregou as outras janelas 
tambm.

Ele foi verificar a baguna que os assaltantes tinham feito. 
As mesas estavam de ponta cabea, havia sangue no cho... 
e vidro quebrado.

E ento ele viu algo que fez seu corao parar... e cair. 
A foto de sua me e pai... num dia feliz. Um onde uma jovem 
Teena Mulder olhava para cima, adorando seu novo marido.

Hoffman tinha jogado o quadro para fora da mesa. E agora a 
moldura e vidro estavam quebrados... rasgando a foto.

Mulder sentou-se no cho, pegando a armao quebrada, sentindo 
toda adrenalina e raiva sumindo. Ele colocou as mos no rosto 
e chorou.

Ele chorou por tudo que tinha perdido... e porque ele no 
tinha idia do que ele era agora... e o que faria.

Deus. Ele queria Scully.

* * * * * * * * * * * * * * * * *

Wayne Hydell e Norris Johns mancaram em direo ao centro 
da cidade deserta e arrombaram uma farmcia. Hydell estava 
chorando como um beb enquanto tentava enfaixar o brao. 

Ele no deixou Johns verter qualquer anti-sptico na ferida. 
Doeria muito. O seu erro.

Dentro de uma hora, Johns estava to cansado do resmungo e 
gemido de Hydell, que ele simplesmente se levantou e o deixou.

Johns voltou para a sua velha casa, onde ele morreu no dia 
seguinte, a garganta fechada, inchada. Muito ruim que ele 
morreu na varanda da parte de trs... ao ar livre. Exposto 
a todos os animais, de estimao e selvagens, famintos da 
cidade. Ele sempre foi um cara grande, carnudo.

Hydell no sabia na ocasio, mas o seu caso da 'gripe' 
realmente tinha sido s isso. O resfriado comum. Assim, 
ele no morreu imediatamente. Muito ruim para ele. At 
que as suas fungadas tivessem diminudo, o brao inchou 
ao tamanho de um enorme tubo. Teias de aranha inflamadas, 
em preto e verde, riscaram a pele. E cheirou realmente 
ruim. A febre escalou at que rivalizou Las Vegas em 
agosto. O crebro cozinhou dentro do crnio volumoso.

E, no dia 28 de junho, ele finalmente morreu, choramingando 
no cho da farmcia entre o Tampax e Depends.

* * * * * * * * * * * * * * * * *

Em algum lugar
26 de junho
23:30 horas

O homem idoso se mexeu e virou no sono. Ele no precisava 
mais de muitas horas de sono... um dos supostos benefcios 
de ser geritrico. Necessitavam apenas de cerca de cinco 
horas.

Mas, hoje  noite, nos sonhos, a velha senhora no o 
deixaria sozinho.

Ela continuou cantando aquela mesma velha cano...

"Subam a montanha, crianas..

Subam aqui para ficar;

Se eu jamais v-los de novo,
Encontro vocs no Dia do Julgamento."

Ele caminhou na estrada rural, seguindo a voz, at que 
chegou a uma calada, marcada por uma caixa postal e por 
pedregulhos.

Ele virou no caminho sulcado e fitou enquanto a casa entrava 
 vista por trs das rvores, que circulavam a frente. Os 
donos deviam ter plantado as rvores muitos anos atrs. 
Sem dvida, pois por conta prpria eles no se enraizaram. 
Nestas partes... e como ele sabia que estava no Nebraska?... 
tudo que a natureza proporcionava eram plancies de grama, 
milho e trigo... Quando voc via rvores, voc sabia que 
havia uma casa perto... pois pessoas os plantaram l por 
uma razo.

Os cantos pararam e ele olhou. Uma mulher, mais velha que 
Matusalm, estava sentada numa cadeira de balano na varanda 
da frente. Os olhos dela perfuraram diretamente para o 
corao dele.

"Bem. No fique em p a, menino!" Ela chamou, acenando pra 
ele at ela.

Ele caminhou e pegou as mos speras dela nas suas prprias. 
As mos dela eram duras e fortes... de anos e anos de trabalho 
rigoroso.

"Precisamos falar depressa, criana."

Ele riu.

"E o que est formigando em sua garganta? Voc est rindo 
de uma mulher velha?"

"Eu sinto muito", e ele estava genuinamente. Ele no quis 
ofend-la. " s que... faz muito tempo desde que qualquer 
um me chamou de 'criana'."

Ela riu... um rufar rouco da barriga. "Bem... pra mim isso 
 o que voc ... Eu tenho crianas mais velhas que voc..." 
e ento ela ficou sria. "E somos *todos* filhos de Deus... 
se voc acredita nisso ou no... no importa. O que importa 
 por que voc est aqui agora..."

"Por que *eu* estou aqui? E quem  voc?"

"Eu sou apenas uma mulher velha fazendo a vontade de Deus... 
Eu no finjo saber as respostas Dele... Eu fao o que Ele 
me diz... e Ele me falou algo sobre voc..."

O homem a encarou em dvida e levantou a cabea de lado. 
Era s um sonho, certo? Ele poderia seguir com isto por 
agora...

"Voc *acha* que isto  um sonho, criana... mas  e no . 
Voc entender depois. Por agora, voc s precisa saber isto. 
Voc *acha* que  um sapato velho... que seu uso acabou... 
Mas Deus tem outros planos para voc, criana. Ele tem mais 
uma misso... e Ele precisa que voc esteja pronto."

"O que  esta 'misso'?" Ele perguntou... agora intrigado, 
se duvidando ainda um pouco.

A mulher anci sorriu e comeou a balanar a cadeira... de 
um lado para outro... "Voc saber quando chegar, criana. 
Voc saber quando chegar..." Ela parou de repente e apoiou 
adiante, a respirao caindo pela face dele. "E est vindo 
logo."

Ela apontou para a estrada e ele poderia avistar a forma 
de uma mulher jovem. Ela caminhava com confiana, o cabelo 
ruivo esvoaando no vento sobre o rosto.

A mulher sorriu e acenou  mulher velha.

"Est tudo bem, criana", a mulher velha convocou. "Voc 
sabe o que fazer... voc sabe o que fazer..."

A varanda recuou, o milho enfraqueceu... e o homem idoso 
despertou.

Ele no podia se lembrar do sonho e explicar esta sensao 
sbita de urgncia que ele sentia. Ele afofou o travesseiro 
debaixo da cabea e rolou sobre o lado direito.

Maldio. Ele teria que ser mais cuidado ao comer coisas 
picantes to perto da hora de deitar-se.
* * * * * * * * * * * * * * * * *

26 de junho
23:21 horas

Mulder estava andando por uma rodovia infinita. A paisagem 
era plana e verde, at onde o olho pudesse ver.

Ele podia ouvir as folhas dos milharais sussurrando enquanto 
ele passava, seus talos indo junto com o vento.

E podia sentir a brisa de vero na pele... e nas suas roupas.

Mas, ao invs da paz que ele sabia que deveria sentir... 
ele estava inseguro. Nervoso. Medo borbulhava sobre sua 
garganta.

O vento comeou a soprar mais forte. O cu escureceu, e 
comeou a trovejar.

Ele olhou para uma colina no horizonte.

Um homem estava l, de p. Um homem escuro, parecendo 
oriental. Os braos estavam altos, e as mos estavam se 
movendo... como se estivesse acenando.

Ele virou o olhar para Mulder, que ofegou. Os olhos do 
homem ardiam, vermelhos.

Mulder virou e correu. O homem riu, a voz enchendo o cu.

"Voc pode correr, Foxy... mas no vai conseguir se esconder!"

Mulder correu mais rpido, tropeando num talo de milho que 
de repente tinha rastejado para a estrada. Ele gritou e 
empurrou a planta de lado...

S para se ver no jardim dos fundos da casa da me dele... 
ao lado da sepultura dela.

Mas algo no estava certo. A terra se movia. Ele ficou 
olhando, mas incapaz de tirar os olhos do local.

Ele podia ouvir a voz da me dele o chamando... "Fox? Por 
que voc foi embora e me colocou aqui? Enquanto eu ainda 
estava viva...?" Mas a voz no era a voz dela ... mas no 
tinha alma. S escurido e frio.

Ele tremeu.

Ento uma mo branca como cal saiu pela terra... e apontou 
diretamente para ele.

"Por que, Fox? Por que?"

* * * * * * * * * * * * * * * *

Mulder gritou e se sentou no sof. Suor descia pelas costas, 
e pela sobrancelha. Era s um sonho.

Ele esfregou o rosto com as mos. Foi um pesadelo e tanto, 
isso sim... um que ele nunca teve antes.

Ele ficou de p e foi para a cozinha. Ele estava desesperado 
para acender as luzes, mas sabia que no seria prudente. 
Ele precisava ficar quieto mais um dia ou dois... s para 
ter certeza de que aqueles trs sacanas no voltassem, 
querendo acertar as contas.

Ele abriu a geladeira e pegou uma garrafa de gua. Ele abriu 
a tampa e tomou um gole longo, e fresco.

Ele tinha decido ficar na casa dos Hampton por alguns dias. 
Assim, ele poderia manter um olho na casa da me dele... e 
ele no queria ficar l, na verdade.

E contava muito que Mel Hampton era meio exagerado em questo 
de segurana. Uma vez, quando ele veio visitar sua me, Mel 
o levou pra casa e mostrou, orgulhoso, todos os dispositivos 
de alta tecnologia que ele tinha instalado para proteger 
todos os dispositivos eletrnicos que tinha. Ele queria 
impressionar o agente do FBI.

E conseguiu.

Mulder queria ter ele mesmo portas de ao para seu apartamento.

Assim, ele passou o dia 26 de junho bem escondido dentro 
da verso de Hampton do Fort Knox. Ele passou a manh 
escolhendo vdeos do enorme acervo que Mel tinha, tentando 
encontrar um filme para ver... mas depois de ler os ttulos, 
ele viu que era deprimente demais. Lembrava muito do que 
ele no ia mais encontrar no mundo l fora.

Ento, ao invs, ele escolheu dois documentrios de natureza... 
"...algo sobre barata e outro sobre cachorros das pradarias 
americanas."

Ele demorou o tempo que quis para preparar seu almoo... 
depois fazendo um sanduche de saladas de ovos... qualquer 
coisa para matar o tempo. Alm disso, ele no achava que 
poderia comer ovos por muito tempo...

Mulder passou a tarde tentando pensar em como voltaria para 
Washington... ou para Annapolis. Deviam haver mais como os 
trs imbecis l fora... mas o prximo ataque deles deveria 
ser mais inteligente. Eles poderiam apenas se esconder e 
esperar... e ento acert-lo.

Ento, havia o problema de *como* chegar l. Um carro devia 
estar fora de questo. S de olhar as ruas em Greenwich, 
ele sabia que as interestaduais e as federais estariam 
cobertas de veculos abandonados.

Ele teria que encontrar outra maneira, pois ele no poderia... 
no falharia em sua busca.

Ele passaria mais um dia aqui... e ento tiraria a cabea 
da areia, e comearia a explorar o mundo.

Mas agora, ele ficou de p, no escuro, com uma jarra de 
gua no quadril, sabendo que no voltaria a dormir. Ele 
voltou para a sala, e pegou mais alguns vdeos sobre a 
natureza... e sabia que iria aprender mais sobre os bichos. 
E quem no iria gostar de fazer isso?

Ele manteve o volume baixo e viu, sem ver de verdade, a 
tela brilhando.

* * * * * * * * * * * * * *

Centro da cidade de Greenwich, Connecticut
28 de junho
11:00 horas

Mulder caminhou cautelosamente pela cidade deserta. Ele 
ficou com a arma na mo... s para estar preparado para 
qualquer coisa. Mas ele no precisava se preocupar com 
isso. No havia mais ningum. Os trs idiotas deviam ter 
morrido da gripe ou foram para pastos mais verdes e fceis.

A eletricidade tinha acabado finalmente s 5:52 desta 
manh, pelo menos era o que o relgio da cozinha dizia. 
Ele perdeu o momento... roncando no sof dos Hampton.

Isso fez a deciso dele para se aventurar no mundo externo 
mais fcil.

Ele no tinha visto muitos corpos mortos. S um homem 
dentro de um carro, e uma mulher... na entrada de sua 
casa. A maioria dos moradores tiveram a decncia de 
ficarem dentro de suas casas antes de morrerem. E Mulder 
estava grato por isso.

E a brisa marinha constante nestas ruas significava que o 
cheiro no seria to ruim... contanto que voc estivesse 
a favor do vento.

Tudo estava estranhamente silencioso. O tipo de silncio 
que devia ter existido antes do homem andar sobre a terra. 
S o som do mar e o sussurro do vento na grama e nas 
rvores eram escutados.

Ele quase saiu de dentro da pele quando ouviu uma porta 
batendo. Levou alguns momentos, e algumas respiraes 
profundas antes dele perceber que era simplesmente uma 
porta de tela aberta, batendo por causa da brisa do mar. 
Ele foi para a casinha e trincou a porta. Problema 
resolvido. Futuros ataques de corao evitados.

Ele continuou seu passeio... indo para as docas. Pelo 
menos, ele iria desfrutar a viso. Mulder sempre foi um 
solitrio... ele gostava de passar o tempo sozinho... 
mas isso foi antes de seus dias pr-Scully. Ele tinha 
se acostumado a falar com algum... para compartilhar 
suas idias... ele gostava de aborrec-la de vez em 
quando. Ele gostava de ter algum por perto para notar 
quando ele fosse embora.

Seus pensamentos eram uma mistura de esperana e medo 
quando ele ouviu um barulho feito pelo homem vindo do 
porto.

O inconfundvel zumbido de um motor.

* * * * * * * * * * * * * * * * *

fim de Last 07

LAST ONE STANDING
BY MABTNG
Traduo Edna Barros e Mrcia Murata
Reviso: Rose
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CAPTULO OITO
* * * * * * * * * * * * * * * * *

"Ns contamos a ns mesmos histrias sobre vida... ns 
procuramos pelo sermo do suicdio, pela lio moral ou 
social dentro de um assassinato. Ns interpretamos o que 
vemos, selecionamos o mais vivel entre as mltiplas 
escolhas. Ns vivemos completamente, em especial se somos 
os escritores, pela imposio de linhas narrativas em imagens 
discrepantes, pelas 'idias' com o que aprendemos a congelar 
o fantasma inconstante que  nossa experincia atual."

                      - Joan Didion The White Album

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Greenwich, Connecticut
28 de junho
1100 horas

Mulder correu na direo do barulho do motor... at estar 
nas docas, e quase a ponto de cair bem dentro da gua.

Ele parou, e pensou logicamente, e se abaixou depressa 
atrs de vrios engradados grandes que estavam ao lado de 
um dos prdios do cais.

Mas como voc  estpido, Mulder! Voc nem mesmo sabe quem 
est l fora... voc poderia levar um tiro na cara antes 
mesmo de dizer as palavras, "Ol, vizinho!"

O barulho do motor aumentou enquanto o barco parecia estar 
se aproximando das docas. Mulder espiou de onde estava 
quando o barco se aproximou da viso.

Era apenas um tipo de barco de pesca... aquele onde voc 
e um amigo saem com uma caixa de isopor, e fingem pescar, 
enquanto vocs bebem cerveja no lago... tentando manter a 
isca no anzol.

Mulder checou o ocupante do barco, que tinha desligado o 
motor e tentava manobrar para o lado da doca.

Um homem. Um homem muito velho. Um homem to velho que, 
se voc o visse no meio de uma chuva, voc podia jurar 
que o viu dentro de uma caixa de fil de peixe no freezer 
do armazm do bairro.

Mulder piscou os olhos uma vez, duas... yup. Ele era 
igualzinho ao "O Pescador de Gorton". E todo mundo sabia 
que podia confiar no "O Pescador de Gorton".

Entretanto, o smbolo do Gorton nunca andaria num barco como 
aquele, e nunca seria to desajeitado. Isso quebrou a imagem 
do homem do fil de peixe que era to apreciado. O homem 
velho se ajeitou depressa... mas no numa manobra muito 
esperta para um barco daquele tamanho. O barco balanou 
de um lado pro outro... e balanou mais ainda... mandando 
o 'capito' para as profundidades do mar salgado.

"Gorton" soltou um grito indignado quando mergulhou na gua 
com a graa de uma carpa morta.

Mulder estava correndo pela doca num instante. Ele agarrou 
uma vara longa e estendeu para o nadador no muito gracioso.

"Aqui" ele gritou entre os esguichos de gua. "Agarre a vara."

O homem velho ficou aturdido ao ver outro ser humano respirando, 
mas se recuperou logo quando a gua salgada o fez segurar o 
'salva-vidas'.

Mulder guiou o homem para a escada de madeira da doca. Ele 
ofereceu uma mo quando o homem comeou a subir os degraus.

Finalmente, o homem velho estava de p diante dele, gua 
salgada pingando de seu enorme nariz. Um nariz que era at 
mesmo maior do que o de Mulder.

"Obrigado, filho", ele falou quando cuspiu gua da boca. 
Ele ofereceu a mo para Mulder, que o cumprimentou.

"Estou contente por estar aqui..."

"E eu tambm" o homem velho riu. Ento, a risada ficou mais 
fraca quando ele viu o homem mais jovem, tentando decidir 
se ele era uma ameaa ou um amigo. Ele pareceu decidir que 
tinha um novo aliado, e seus olhos apertados se abriram mais 
uma vez.

"Meu nome  Ezekiel Polk... mas meus amigos me chamam de 
Zeke... e j que estou meio sem amigos estes dias... acho 
que voc  um deles."

Mulder sorriu. "Pode me chamar de Mulder... prazer em 
conhec-lo, Zeke."

"Igualmente, Mulder. E agora, Mulder... se voc me der uma 
mo no meu barco... voc pode me acompanhar em minhas 
atividades matutinas..."

Mulder elevou as sobrancelhas, curioso, mas decidiu ir junto. 
Usando vrios postes nas docas, eles engancharam o barco, e 
o levaram para a doca. Mulder desceu pela escada de mo de 
madeira, e amarrou o barco.

Foi ento que descobriu o que Zeke estava querendo dizer. 
Ele tinha duas panelas de caranguejo... e estavam muito 
bonitos para serem cozidos no vapor... Ele pegou as panelas, 
e os colocou sobre a doca. Ento ele subiu de volta na escada.

"E agora, Mulder... digamos que vamos levar estes bebs para 
o restaurante ali do lado, para fazermos um almoo... ento 
poderemos nos conhecer de maneira correta."

Mulder acenou com a cabea. Seu estmago j estava rosnando.

Cada um agarrou uma panela, e foram na direo do restaurante.

* * * * * * * * * * * * * * *

O Embornal Enferrujado
13:00 horas

"Ento... voc  realmente um agente do FBI? Srio?" Zeke 
falou entre as marteladas dele no caranguejo soltando vapor. 
Eles usaram a grelha do restaurante para cozinhar a vapor. 
Zeke mergulhou de cabea nesse negcio de caranguejo. Pedaos 
do animal e manteiga derretida decoravam o babador de lagosta 
que ele tinha amarrado em volta do pescoo. Mulder estava 
quase igual.

"Sem brincadeira. Eu moro em D.C., mas estava em Greenwich 
para ver minha m..." Mulder parou.

Zeke derrubou o martelo, e pegou o brao de Mulder. "Est 
tudo bem, filho. Hoje  noite, ns podemos lembrar e chorar. 
Mas s hoje  noite. Depois disso, voc tem que ir adiante. 
Pensar para onde voc vai. O que vai fazer. Ficaremos loucos 
se no agirmos assim. Devem haver outros sobreviventes 
desta... coisa, o que quer que tenha sido."

Mulder olhou pra ele. Era um alvio ter algum para falar 
sobre tudo isso. Ele estava com medo de ter esperana de 
achar... mas agora, ele tinha um aliado. Zeke podia contar 
pra ele se ele estava louco em acreditar que Scully estava 
viva... e ele precisava saber se estava insano.

"Tem um lugar onde eu preciso ir, Zeke. Assim que eu puder..."

Zeke encarou os olhos do jovem rapaz... estudando a linguagem 
do corpo. Ele no era difcil de se ler.

"Quem  ela, Mulder?"

Mulder piscou duas vezes. Como Zeke sabia? "Por que voc 
pergunta isso?"

"H? Voc acha que eu nasci ontem, Mulder? Eu conheo esse 
olhar. Voc est separado de algum que voc ama. Alm disso, 
voc no est usando um anel de casamento... e se voc fosse 
casado, sua esposa provavelmente estaria com voc na visita 
a sua me..."

Mulder sorriu e olhou para baixo, para o copo de cerveja. 
"Voc daria um agente do FBI e tanto, Zeke."

"Tenho certeza que sim. Agora... quem  ela, Mulder?"

"O nome dela  Dana Scully."

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Uma hora depois, Zeke e Mulder eram curvados sobre mapas 
nuticos.

"D pra fazer isso, meu amigo" Zeke falou, batendo nas costas 
de Mulder. "Com o pouco de navegao que tive ontem, podemos 
ir para Annapolis. E vai ser, com certeza, bem mais seguro 
do que tentar ir por terra. Tenho certeza de que as rodovias 
esto entupidas com carros abandonados... para no mencionar 
as poucas pessoas loucas que esto correndo por a com armas. 
Yup, ns podemos fazer isso, e estaremos l em alguns dias."

"Estou dentro se voc est, Zeke..."

"Podemos juntar provises hoje, e enchermos o tanque... e 
amanh de manh, ns poderemos ir, se voc quiser."

"Quando mais cedo melhor" Mulder observou. Agora que ele 
tinha um plano vivel, ele estava muito ansioso para comear 
a viagem. Mas ele sabia que tinha uma ou duas coisas para 
fazer em Greenwich antes. Seus deveres como filho.

Ele cuidaria disso assim que tivessem acabado com os 
planejamentos de viagem.

"Por que voc no me mostra o barco que voc tanto fala, 
Zeke?"

Zeke soltou um sorriso gigantesco. "Claro! Voc no vai 
acreditar no meu beb!"

Os homens ficaram de p, e comearam a limpar a mesa... 
quando comearam a rir. Um pequeno prazer que tinham agora... 
eles com certeza no precisavam lavar a loua! Eles deixaram 
seus pratos na mesa, e saram contra o sol.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

As Docas
Cais #59
14:30 horas

"Aqui est ela!" Zeke exclamou, orgulhoso.

Mulder soltou um assobio. Zeke no estava brincando. Ele 
sabia que haviam muitos barcos ricos na rea... mas este 
iate era deslumbrante. Deve ter valido pelo menos um milho 
e meio de dlares. Ele leu o nome dela, "A Sirene do Mar". 
Yup. Combinava direitinho.

"Tem sessenta e cinco ps de comprimento, e viaja a uma 
velocidade de vinte e dois ns... mas ela vai at vinte 
e sete." Zeke vagueou enquanto andava ao lado do barco, 
mostrando os melhores detalhes. "Tem quatro camarotes... 
cozinha de luxo... e um bar muito bem servido... uma sala de entretenimento muito bonita... dois chuveiros e uma banheira... 
armrios laqueados e decorados... Sim senhor... ela  tudo 
que sonhei, e muito mais."

Mulder olhou para Zeke. O velho homem estava posudo, o peito 
pra fora. Tudo que ele precisava era de um cachimbo, e um 
chapu de capito.

" uma beleza, Zeke... mas, um... voc sabe pilotar ela?"

Zeke parecia espantado. "No seja bobo, meu garoto! No 
deixe este infeliz incidente no cais te enganar... s porque 
as pernas de um homem de setenta e cinco anos no agem como 
agiam antes. Eu cresci na gua... nasci em Norfolk. E asseguro 
que esta  uma senhora que eu posso guiar."

"Ento... permisso para ir a bordo, capito, senhor?" Mulder 
deu uma falsa saudao.

"Permisso concedida" Zeke saudou de volta.

Os dois homens subiram a bordo e comearam a trabalhar, 
fazendo uma lista do que precisariam para a viagem.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

A Sirena do Mar
18:00 horas

Os homens fizeram um trabalho rpido da misso de proviso. 
Ento Mulder deixou Zeke para terminar de reabastecer. Quando 
ele retornasse, eles terminariam de alojar todos os materiais.

Agora, Zeke estava sentado na casa do leme, olhando para o 
pequeno porto. Enquanto Mulder no disse muito sobre onde 
ele ia, Zeke sabia muito bem que o jovem tinha ido cuidar 
do 'negcio familiar' dele. Ele suspirou.

Fazia muito tempo desde que Zeke teve qualquer famlia com 
quem se preocupar. A esposa, Marie, tinha morrido vinte anos 
atrs... e eles nunca tiveram qualquer criana. Eles sempre 
estavam muito ocupados, viajando... muito ocupados com os 
seus trabalhos. Houve tempos que ele lamentou a omisso. Mas, 
agora, vendo como as coisas tinham terminado, ele no sentia 
muito.

Ele decidiu deixar Mulder manter os segredos dele. Se o antigo 
agente do FBI quisesse compartilhar ele iria... no prprio 
tempo dele.

Alm disso, Zeke tinha os seus prprios segredos para reter. 
Ele no contou para Mulder exatamente por que *ele* estava 
na costa quando a epidemia ocorreu, pois Zeke vivia em Clinton, 
Nova Iorque... uma pequena cidade alm dos limites de Utica.

Dois meses atrs, o mdico de Zeke lhe deu as notcias 
ruins. Ele tinha cncer pancretico. Ele tinha, no mximo, 
seis meses para viver. No havia nada que eles pudessem 
fazer por ele a no ser prolongar a vida dele por algumas 
semanas, cortesia de um grupo de tratamentos soando srdidos. 
Zeke recusou. Inferno. Ele tinha setenta e cinco anos. Ele 
no tinha nenhuma razo para lutar contra a natureza. Sem 
famlia para ser perturbado.

Ao invs, ele liquidou a maioria dos seus pertences e se 
dirigiu  costa. Ele estava determinado a comprar um veleiro 
pequeno ou iate e gastar o resto do tempo no mar, indo onde 
quer que o vento ou os humores acontecessem de soprar.

Quando a epidemia ocorreu e ele nem mesmo teve, tanto quanto, 
um resfriado. Ele teve que rir da ironia.

Entretanto, Mulder entrou na vida dele hoje. E, por agora 
pelo menos, ele tinha algum propsito para viver e respirar. 
Ele tinha que ajudar este homem a achar a sua amada. Talvez 
ele chamaria isto a sua ltima tentativa para alcanar algum 
karma bom. O que seja.

Ele se levantou e caminhou para a mni-cozinha, da casa do 
leme, e abriu a geladeira. Este povo rico, com certeza, 
sabia viver. Zeke tirou uma cerveja e se sentou na cadeira 
do piloto. Ele estourou a lata e tomou um gole longo, fresco.

E ele esperou por Mulder retornar pois assim ele poderia 
terminar a sua misso de vida.

* * * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia da Sra. Mulder
18:15 horas

Mulder caminhou pela casa uma ltima vez. No queria esquecer 
nada. Ele fechou todas as portas dos armrios... e teve a 
certeza de verificar se todas as janelas estavam fechadas. 
Ele limpou o quarto da me, e deixou a cama arrumadssima. 
Ela teria gostado disso.

Ele pegou os velhos lbuns de famlia do armrio do corredor, 
e tirou duas, colocando com cuidado elas num dos sete envelopes 
que ele tinha pego numa gaveta da escrivaninha. Ento, ele 
guardou os lbuns, com cuidado tambm.

Ele checou na cozinha, para ter certeza de que tudo estava 
limpo, e em seus devidos lugares.

Ele conferiu o poro para ter certeza de que toda roupa para 
lavar estava fora da lavadora e secadora... que estava tudo 
limpo.

Ento ele voltou at seu antigo quarto. Estava tudo como 
deveria estar. Mulder sentou na cama, encarando as paredes, 
procurando na memria... ouvindo as vozes do passado. Algumas 
delas eram felizes... outras bravas, e tristes. Ele passou 
a mo numa ruga da colcha.

Ficando de p, ele andou at a porta. Com um ltimo olhar 
para seu passado, ele fechou a porta, e desceu os degraus, 
foi pelo corredor... e saiu pela porta dos fundos, tendo 
certeza de fechar a porta.

Ele atravessou o quintal, indo para o pequeno monte que 
permitia uma viso distante das guas ao leste.

Ele se sentou ao lado da terra recentemente virada. Onde ele 
tinha enterrado sua me.

A conversa dele com ela foi calada.

Ento, ele pegou o envelope e ficou de p... limpou a grama 
da cala... e foi embora.

E nunca olhou pra trs.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

A Sirene do Mar
19:30 horas

O sol estava comeando a cair lentamente no oeste quando 
Zeke ouviu a voz bem-vinda.

"Permisso para vir a bordo?"

Zeke abriu uma janela e colocou a cabea do lado de fora, 
vendo Mulder no cais abaixo dele.

"Aye-aye, eu no sei..." a voz de pirata dele precisava ser 
mais treinada... mas o sorriso que Mulder deu pagou cada 
embarao dele.

Zeke notou o envelope que ele estava levando... mas no 
perguntou nada. Ao invs, ele pegou mais duas cervejas da 
geladeira e foi se encontrar com seu companheiro.

Ele ofereceu uma cerveja para Mulder, que aceitou, grato.

"V pegar um pouco de gelo na geladeira... colocada dentro 
do balde da pia... e enfie um desses pacotes de seis cervejas 
l dentro. Ento, me encontre l em cima." Zeke instruiu.

Mulder estava contente em fazer o que lhe foi dito. Ele 
ficou em piloto automtico a noite toda. E, por uma vez, 
ele estava grato em seguir as ordens de outra pessoa. Assim, 
ele no precisava pensar.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Duas horas depois, os dois homens estavam zumbindo, contentes, 
indo adiante. Ambos falaram sobre tudo, e sobre nada.

Zeke contou o que fazia antes.

"Eu era um consultor. Basicamente,  isso que voc faz quando 
estuda economia internacional na faculdade. Voc no produz 
nada. Voc contribui muito pouco para a sociedade. Voc 
senta ao redor dos outros e pensa... ento escreve documentos 
e fala palavras curtas que ningum sabe de verdade o que 
significa... e voc usa muito terno e gravata... e vai para 
muitos coquetis. De vez em quando, voc  chamado para dar 
uma entrevista na CNN."

Zeke estava mais interessado em ouvir falar sobre o trabalho 
de Mulder no Bureau... apesar dele ficar um pouco cptico 
sobre alguns dos casos que Mulder descreveu. Mas ele adorou 
ouvir sobre as baratas de Miller Grove.

E tudo isso o deixou mais curioso ainda sobre esta mulher, 
Dana Scully. Finalmente, o segundo pacote de seis cervejas 
Coors deu para ele coragem para perguntar.

"Ento, Mulder, meu garoto. Voc me contou das suas faanhas 
e aventuras com sua parceira. Mas agora, eu quero saber de 
verdade sobre essa Dana... como ela ? Ela  bonita ou o 
que?" Zeke sorriu.

A lngua de Mulder estava solta o suficiente para contar 
tudo. Mas primeiro, ele precisava de outro gole de cerveja.

"Ou o que" ele respondeu.

Zeke arregalou os olhos. "E...?"

"Ns fomos parceiros por sete anos..."

"E h quanto tempo vocs esto juntos?" Zeke inseriu.

Mulder negou com a cabea. "No... nunca foi assim... no 
que eu no tenha pensado sobre isso... mas nunca era a hora 
certa..." o rosto de Mulder ficou escuro. Talvez ele nunca 
tivesse a chance para...

Zeke intercedeu depressa. "Mulder! Ns vamos encontr-la... 
e eu quero saber o que esperar deste encontro!"

"Ento espere o inesperado", Mulder sorriu. "Ela  incrvel. 
No existe ningum como ela. Ela  baixinha... mas no diga 
a ela que eu te disse isso... um metro e sessenta... e ela 
tem o cabelo mais lindo e incrvel... ele meio que enrola 
ao redor do rosto dela... emoldurando tudo."

"Eu j falei que ela  brilhante?"

Zeke acenou com a cabea. Mulder tinha dito isso vrias 
vezes... mas no tinha percebido.

"Yup. Ela . Ela  uma mdica. Patologista. Ela  quem poderia 
entender o que aconteceu com todo mundo nesta semana... e 
ela faria isso num piscar de olhos..." a voz dele sumiu, 
enquanto ele achava um pouco de fora para continuar.

Ele sorriu. "Ela nunca vai admitir isso, mas  ela que est 
sempre... me levando. E o pai dela era um capito da Marinha. 
Acho que foi ele que a ensinou... mas ela conhece algumas 
msicas realmente obscenas. S descobri isso depois que 
estvamos encalhados, acredite ou no, na Antrtica."

Zeke sorriu e tremeu a cabea. Mulder tinha umas histrias 
incrveis.

"Ela disse que ficaramos aquecidos... ela me ensinou uma. 
Acho que funcionou. Ns fomos resgatados... gelados, mas 
inteiros."

"Ela parece ser bem especial, Mulder."

"Ela  minha melhor amiga", ele respondeu.

Mulder levou a mo para o balde, e agarrou outra cerveja.

"E  por isso que eu sinto muito, me arrependo demais, por 
no ter falado com ela... o que eu sentia... e sinto muito..."

Zeke se apoiou na cadeira, o queixo cado.

"Meu Deus, homem! Com tantos diplomas, voc pode ser to 
estpido assim? Voc acha que so palavras que contam?" Zeke 
tremeu a cabea, em descrena.

"Me casei com minha Marie por mais de trinta anos. E sabe 
o que mais? E durante todo aquele tempo... acho que posso 
contar o nmero de vezes que nos falamos "eu amo voc", 
isso nos dedos das mos e ps. Voc pode dizer as palavras 
para qualquer um... palavras no querem dizer nada. O que 
conta  o que est aqui..." ele bateu a mo sobre o corao 
de Mulder.

"E da se voc no  do tipo que fala com as pessoas? Voc 
acha que eu e Marie nos amamos menos s porque no tnhamos 
a necessidade para anunciar, regularmente, este fato?" ele 
tremeu a cabea. "Marie era minha outra metade. Se existe 
algo como 'companheiros de alma' ns ramos esse tipo de 
casal. Minha vida deixou de ser real quando ela foi embora..."

"E de todas as coisas que voc me contou... do que ela fez 
por voc.... as vezes em que ela te seguiu, quando qualquer 
pessoa com um pingo de bom senso teria ficado quieto... e 
as coisas que voc fez para salv-la...? Voc acha que 
pessoas normais fazem isso? Voc no sai muito, no ?"

"Mulder. Deixa eu te fazer uma pergunta." Mulder olhou para 
Zeke.

"Pense em tudo que voc me contou... quando voc somar todos 
os fatos, de cabo a rabo... Dana te ama?"

Mulder ficou calado por um momento. Parecia quase presuno 
responder a esta pergunta... mas depois de tudo, eram os 
sentimentos de Scully... mas ele precisava contar a verdade 
para Zeke.

"Sim", a voz dele rachou. "Sim, ela me ama... ela me ama..."

Zeke o parou. "E, meu adorvel garoto,... se voc sabe disso, 
voc no acha que Dana, sendo a mulher brilhante e incrvel 
que ela , saberia que voc a amava tambm?"

Quando ele pensava da maneira como Zeke colocava isso... 
Mulder teve que concordar. Yup. Ele tinha sido um cego imbecil 
este tempo todo.

"Ento, por que, meu garoto, voc teima em ficar se batendo 
sobre algo que voc no contou a ela?"

Mulder elevou a cabea, triste.

"Porque eu poderia saber que ela no... que ela poderia..."

"Mulder, eu quero que voc me escute. No sei como eu sei 
disso, ou o por que de eu saber disso. Eu s sei que sei. 
Dana Scully no est morta. Voc vai encontr-la. Garanto 
isso pessoalmente. Acho que este  meu trabalho."

Mulder ficou encarando o velho homem. Ele queria acreditar. 
Queria de verdade. E quando ele olhou nos olhos de Zeke, 
era difcil resistir. Ele parecia to sincero.

Zeke observou seu novo amigo. Ele no fazia idia do por que 
ele falou isso. Mas algo dentro da cabea dele e seu instinto 
dizia que isto era verdade. Ele s no podia saber quem foi 
que disse isso pra ele.

Foi s um sonho mesmo?

Ele bateu Mulder nas costas. "Olhe, meu amigo... ligeiramente 
bbado. Desa e v pra cama. Vou limpar isso aqui. Precisamos 
sair amanh cedo..."

Mulder ficou de p e comeou a descer com cuidado a escada 
de mo. Ele parou e olhou pra Zeke.

"Obrigado, Zeke... por tudo."

" para isso que estou aqui, Mulder.  para isso que estou 
aqui."

E Zeke estava absolutamente certo.

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fim de Last 08


LAST ONE STANDING
by MATBNG
Traduo Edna Barros e Mrcia Murata
Reviso: Rose
* * * * * * * * * * * * * * *
CAPTULO NOVE
* * * * * * * * * * * * * * *

Cabeas de peixe, cabeas de peixe... cabeas de peixe 
rolando...

* * * * * * * * * * * * * * *

29 de junho
0530 horas

O mar estava dolorosamente tranqilo. E o estmago de Mulder 
esperava que ficasse assim enquanto desfazia as amarras e o 
motor fazia seu trabalho.

Eles planejaram a rota ontem. De Greenwich, eles iriam para 
o sul de Long Island, para o leste, rio abaixo, indo para a 
Hudson Bay, no Atlntico. E de l, eles iriam para a baa de 
Delaware para o Chesapeake e o Canal de Delaware onde eles 
cortariam caminho pela Baa de Chesapeake. De l, eles poderiam 
navegar livremente para Annapolis.

Para Scully.

Depois que Mulder terminou seus deveres no deck, ele subiu 
para a cabine do piloto, para falar com Zeke. Ele sentou no 
banco acolchoado que estava no lado a estibordo e apoiou 
os ps pra cima, enquanto olhava para fora, pelas janelas 
ligeiramente tingidas.

Ele poderia ter ficado do lado de fora, no deck, mas ele no 
queria ficar sozinho... apesar de no estar muito afim de 
conversar tambm.

Zeke parecia sentir isto. Durante a prxima hora, os homens 
s trocaram algumas palavras superficiais.

Mulder continuou encarando o litoral. Ele observou enquanto 
eles circulavam ao redor do Ponto de Greenwich... uma coisa 
que ele fez dzias de vezes. Mas, desta vez, era a ltima. 
Sem passagem de volta. E, desta vez, ele deixou para trs 
toda sua bagagem.

Zeke finalmente falou.

"Voc sabe... nem sei se  a poca certa do ano... mas acho 
que seria agradvel irmos um pouco mais mar adentro, e 
podemos at encontrar uma dessas baleias que nadam por aqui... 
eu gostaria de pensar que minhas amigonas no foram afetadas 
por esta coisa."

Mulder acenou com a cabea.

* * *

Enquanto a manh passava, a grande massa de terra que era 
conhecida como Long Island comeou a aparecer no horizonte. 
Logo eles estariam entre ela e o continente.

"A Ilha que antigamente era conhecia como Long..." Mulder 
meditou. Ora. Eles poderiam renomear todo o continente e 
no haveria nenhum grande protesto, ele imaginou.

" isso a" Zeke falou, do poleiro dele de capito. "Eu 
acho que poderia beber um pouco de caf... voc pode dar 
um jeito?"

"Claro, 'capi'" Mulder ficou de p e foi para dentro da 
cabine. Alguns minutos depois, o 'Sr. Cafeteiro' estava 
colocando caf dentro da garrafa.

Mulder pegou uma caneca alta do armrio e encheu com o 
liquido vaporoso. "Voc quer puro, Zeke?"

"Tanto faz. Pode colocar leite... sem acar." Zeke respondeu.

A mo de Mulder gelou. Era assim que Scully bebia o caf 
dela. Um calafrio correu sua espinha. Zeke devia ter notado 
isso, pois ele se virou.

"Qual o problema, filho? Eu disse alguma coisa errada?"

"Est tudo bem, Zeke...  que isso me fez lembrar de uma 
pessoa..." Mulder pegou o leite da geladeira e colocou um 
pouco na caneca. Ele guardou o leite, e mexeu os lquidos 
dentro da caneca.

Ele deu para Zeke, e o homem velho pegou a caneca, agradecido.

Ele queria saber sobre a sombra que tinha cado sobre a face 
de Mulder, mas decidiu que haviam outras coisas para discutir 
neste momento.

"Logo estaremos no East River... acho melhor ter certeza de 
que tudo est bem amarrado. Acho que devemos passar por l 
to rpido quanto pudermos..."

Mulder olhou para ele, confuso.

"Pense nisto", Zeke continuou. "Tinha muita gente em Nova 
Iorque. E a maioria est provavelmente morta, o que, com 
um dia quente como o de hoje, significa que o cheiro no 
vai estar muito agradvel. E segundo: ainda tem gente que 
sobrou, e no sabemos o que esperar deles. Talvez eles sejam 
legais... e talvez no. E no podemos nos arriscar e tentar 
descobrir se todo mundo que sobrou ainda obedece as boas 
maneiras que as mames ensinaram, se voc entende o que eu 
quero dizer."

Mulder correu a mo pelo cabelo. Ele no podia acreditar que 
ele no tinha pensado nisso. E este barco era como se fosse 
o Santo Graal para qualquer um na margem... e ainda tinha 
o fato de que qualquer um, nos dias de hoje, podia pegar 
qualquer meio de transporte que eles quisessem. Mas ainda 
havia aquele ditado: Voc sempre quer o que o outro cara 
tem. Humanos eram muito estranhos.

Eles teriam que estar em guarda... e armas na mo.

* * * * * * * *

Throgs Point, Nova Iorque

Era metade da manh quando eles alcanaram o ponto sem-retorno. 
Eles fizeram a curva da ponte de Throgs Neck e foram para o 
corao da cidade de Nova Iorque.

Logo eles estavam passando debaixo da ponte de Bronx Whitestone. 
Os restos do Bronx apareceram  direita. Zeke e Mulder podiam 
ver a fumaa preta subindo, vinda de fogos que teriam sido 
abandonados para queimar at se extinguirem... se a cidade 
no tivesse sido arrasada primeiro.

Zeke cutucou Mulder e apontou para frente.

"A Ilha de Riker", ele murmurou. Mulder quase no o escutava 
com o barulho do motor.

Quando eles chegaram mais perto da ilha, Mulder pensou numa 
coisa horrvel. E a idia afundou em seu estmago. Ele quis 
saber sobre todos os prisioneiros que estavam na Ilha Riker. 
Todos os guardas tinham simplesmente morrido, deixando os 
prisioneiros apodrecerem em suas celas? E se alguns destes 
ocupantes fossem imunes  peste? Eles estariam l, agora, 
gritando, roucos, morrendo de fome, cheirando os cadveres 
apodrecendo?

Deus. Ele quis que o iate fosse mais rpido, e os levasse 
deste lugar.

Eles circularam a ilha e Mulder olhou para ver o aeroporto 
de La Guardia rapidamente. Avies estavam quietos nas pistas 
e nos hangares. Ele quis saber quantos avies tinham se 
chocado na ltima semana, quando a equipe de bordo sucumbiu 
 doena. Ele olhou depressa pro outro lado.

O cheiro dos fogos estava forte aqui, e ambos os homens 
cobriram os narizes. No era aquela fumaa agradvel que 
voc tem quando faz uma fogueira num acampamento. Era o 
fedor de plsticos queimando, substncias qumicas, madeira, 
e carne humana, podre.

Eles s podiam rezar para que o vento mudasse de direo.

* * *

Em algum lugar

Ronald Seymour e Serge Moloski estavam sentados no barco, 
armas na mo. Eles iam pescar, como dizem por a. Seymour 
olhou a ponte que assomou sobre eles. O camarada deles, 
Traynor Simms, permanecia em guarda do vo. Ele os sinalizaria 
quando um 'suspeito' aparecesse, pois assim eles poderiam 
largar a 'rede'.

Seymour acariciou a sua MP-5. Ele e os amigos tiveram um 
dia adorvel ontem em Jersey, algo que nunca teria acontecido 
antes... eles conseguiram obter um pequeno arsenal muito 
bacana. Na realidade, no momento, ele imaginou que estavam 
melhor armados que qualquer um no bom exrcito maldito dos 
Estados Unidos.

Eles passaram a tarde e noite tendo exerccios de tiro ao 
alvo, no centro da cidade. Tiveram bastante xito. Um sonho 
molhado que se tornou realidade. Sentados no alto de um 
pequeno edifcio de 'Sex Shoppe', perto da Times Square, 
golpeando qualquer coisa que movia. Com a populao grande 
em Nova Iorque antes da gripe, tinha havido um nmero decente 
de sobreviventes. 'Valeu' era a palavra chave. Ele e os 
amigos tinham cuidado disso.

Era como atirar em peixe num barril.

Pela contagem de Seymour, que era marcado no cinto agora, 
ele abateu pelo menos cinco enquanto Moloski e Simms tinham 
ensacado quatro cada. Yup. Um dia bom pra caar. Muito ruim 
que eles no poderiam reche-los e ornament-los na parede 
em cima da lareira. Isso seria legal.

Ele poderia se lembrar dos trofus do seu papai. Tinha 
havido um alce, entretanto, que sempre o assustou. Os olhos 
do alce pareciam to... algo. E os olhos o seguiam onde 
quer que ele fosse na sala. Era horripilante.

Mas no to horripilante quanto Simms, agora que ele pensou 
nisto. Simms era um estranho. Ele e Moloski tinham achado 
o doido do lado de fora do Tnel Lincoln. Simms estava 
tagarelando e rindo como um idiota. Eles atirariam nele e 
o tirariam da sua misria, mas precisavam de uma terceira 
pessoa para alguns dos seus planos principais, assim eles 
o tinham poupado. Por agora. At que a utilidade dele se 
acabasse. Ento ele receberia uma bala rpida na cachola. 
Provavelmente rpida.

Ento eles sairiam da cidade por algum tempo. Realmente 
estava comeando a cheirar. Todos esses corpos inchados 
que ele viu nos metrs... alguns ao redor do Central Park. 
E ningum para fazer a limpeza. Ele iria pra outro lugar 
por algum tempo, talvez para o interior, talvez o sul com 
os pssaros durante o inverno. Ele poderia se decidir depois.

Por agora, ele manuseou a arma como se fosse uma prostitua 
calejada e esperou. Eles iam ter alguma diverso.

* * *

East River
Sirene do Mar

Mulder estava no deck quando a Ilha Ward entrou em sua 
viso, e a entrada para o East River. Eles passaram pelo 
lado do bairro do Queens. Enquanto cruzavam a ponte 
Triborough, Manhattan apareceu.

E era aqui onde a via fluvial se estreitava. A Ilha 
Roosevelt estava no caminho deles, que tiveram que decidir 
em qual lado passar. Mulder apontou para o oeste. O lado 
de Manhattan. Zeke acenou com a cabea, da cabine do piloto, 
e foi para o oeste.

Mulder estava fitando, boca aberta, para a cidade ainda 
magnfica... agora sem os homens que a tinham construdo. 
Ele no podia tirar os olhos dela. Era como assistir um 
carro bater numa parede em alta velocidade... matando 
todo mundo que estava dentro, numa horrvel e sangrenta 
frao de segundo.

Ele comeou a sentir claustrofobia quando as terras os 
rodearam. Suor gotejava pela sobrancelha e seus dedos se 
contraram ao redor da espingarda em suas mos. Ele no 
tinha que ver os corpos para saber quantos mortos cercavam 
o pequeno barco.

Homens sobre os volantes dos txis. Mulheres com roupes 
na Park Avenue, os bobs nas cabeas, e rostos cheios de 
creme. Crianas deitadas em seus lenis de Guerra nas 
Estrelas... que nunca usariam a Fora novamente. Mendigos... 
mortos, com os ps do lado de fora de suas caixas de 
papelo. E todo prdio alto era uma enorme cripta na 
vertical.

Nope. Ele no tinha que v-los. A imaginao j estava 
preenchendo as imagens no vistas o suficiente.

Ento, Mulder ficou assustado quando ele viu um homem muito 
vivo correndo pela Ponte de Queensboro. Quando eles chegaram 
mais perto, ele podia ver o homem mais claramente. O cabelo 
estava pra cima, em ngulos estranhos... e a roupa estava 
rasgada. E ele estava pulando... apontando para cima e para 
baixo. Para eles.

"Zeke... liga os motores... ou tudo que voc precisar fazer 
para que o barco corra! Ns temos companhia!" ele apontou 
pra ponte.

Zeke abriu as mquinas e o barco parecia saltar dentro da 
gua.

Mulder vigiou os contornos da costa com cuidado. Ento ele 
os viu.

Dois homens, armado com rifles, estavam num pequeno barco... 
indo na direo deles. Eles iam tentar cort-los.

Zeke poderia v-los tambm. Se estes caras tinham intenes 
amigveis, eles no estavam mostrando isso. Ele s podia 
pensar numa coisa: tinham que usar o tamanho do barco 
deles para sua prpria vantagem.

Zeke virou o leme para fixar um curso de coliso com o 
barco menor. Mesmo se no acertassem em cheio, eles 
poderiam afund-los com as ondas que deixariam quando o 
barco passasse.

Quando o barco virou, Mulder percebeu o que Zeke estava 
fazendo. Ele sabia que no poderiam atirar direto. O 
melhor que podiam fazer era ficar quietos, e deixar o 
barco ser a ofensiva e defesa deles. Agora ele entendeu 
o motivo do ancio escolher um iate to grande.

Mas, antes que Zeke pudesse agir, os homens abriram fogo.

Mulder se atrasou para mergulhar no deck. Uma bala cortou 
seu brao esquerdo... no muito fundo para causar uma 
ferida mortal... mas o suficiente para picar como inferno.

* * *

"Yeah! Eu peguei um!" Moloski gritou.

"Cale a boca", Seymour se ops... um pouco ciumento. "Fique 
com sua mo naquele volante e nos leve mais perto", ele 
gritou enquanto elevava o prprio rifle.
* * *

Zeke viu Mulder se abaixando, e ficou mais furioso do que 
nunca. Primeiro ele pensou que a 'manobra de esteira' seria 
o bastante para estes ladres, mas agora... Agora ele 
pretendia bater este iate no traseiro deles.

Ele olhou pra fora, para ver se Mulder estava bem. O rapaz 
estava de joelhos, segurando o brao. Quando ele viu Zeke, 
ele acenou. Ele ia ficar bem.

Mas Zeke ainda estava irritadssimo. Esses caras iam receber 
o que mereciam. Alm disso, se eles escapassem daqui... 
eles matariam outras pessoas, sem dvida nenhuma. E quem 
poderia dizer quantas mais eles mataram?

Ele fixou a direo do iate.

* * * *

Se Seymour e Moloski tivessem algum crebro eles teriam 
entendido o que Zeke pretendia fazer com eles. Mas, Seymour 
ainda estava to chateado que Moloski tinha atingido e que 
ele no... ele no estava usando coisa alguma do crebro.

Quando o enorme iate os abordou, o pensamento ocorreu a 
Moloski. Mas, at l, foi muito tarde. Ele tentou fazer 
uma curva fechada a esquerda...

O lado do iate cortou o lado de estibordo do barco menor, 
enviando os dois homens na gua.

Moloski afundou como uma pedra. Nunca teve uma nica lio 
de natao. Muito ruim, pois estava muito tarde para colocar 
aquele colete salva-vidas de 'maricas'. Ele tentou prender 
o flego enquanto afundava mais e mais nas profundidades 
escuras do East River. Os olhos incharam e o peito estava 
em chamas. Finalmente, ele tomou flego... e a gua imunda 
encheu os pulmes. Ele vomitou e enjoou por alguns momentos. 
Ento, ele uniu o resto dos corpos deitados ao fundo, com 
os seus sapatos de cimento.

Por outro lado, Seymour poderia nadar. Mas no rpido 
bastante. O barco deles no tinha emborcado. Simplesmente 
os jogou pra fora e continuou sua viagem. E aquela viagem 
aconteceu de ser um grande crculo. Tipo como uma daquelas 
coisas de bumerangue australianas, que sempre sabia voltar 
ao seu dono.

E voltou. Seymour virou justamente quando o motor bateu a 
cabea dele, cortando muito nitidamente.

E Traynor Simms, vendo os amigos precisarem de ajuda, decidiu 
pular da Ponte de Queensboro, e na gua abaixo. Ele *podia* 
ter sobrevivido o salto... talvez... se ele no tivesse 
pousado nos pilares de concreto pela gua.

Nenhuma grande perda.

* * *

Zeke tinha um sorriso severo quando ele reduziu a velocidade 
do iate. Ele estava contente por ter feito o que precisava 
ser feito... mas ainda ficava um pouco doente por ter tomado 
a vida de outro ser humano... especialmente quando haviam 
to poucos deles ultimamente.

Eles passaram pelas Naes Unidas, e pela ponte de Williamsburg. 
O World Trade Center e o Empire State Building estavam 
aparecendo ao oeste.

Eles estavam quase seguros.

Alguns minutos depois, eles tinham virado uma curva, e 
cruzavam debaixo da ponte de Manhattan. A ponte do Brooklyn 
estava bem  frente.

"Ei, ancio. Eu tenho uma ponte, e posso vender pra voc... 
bem baratinho." Mulder falou enquanto entrava na cabine do 
piloto.

Zeke saltou ao barulho e sorriu. "Ei. Ns podemos dividir 
a maldita coisa entre ns" ele olhou para o sangue no brao 
de Mulder. "Como est isso a?"

Mulder encolheu os ombros. "J tive piores... vou sobreviver."

Zeke carranqueou. "Isso poderia ser verdade na semana passada... 
quando voc poderia ir para o hospital, e fazer eles limparem 
a ferida, te darem uma injeo de ttano e antibiticos... 
mas, deixe-me entrar na Baa de Hudson, e vamos parar para 
que eu possa cuidar disso."

Mulder engoliu em seco. Zeke estava certo. Outra razo para 
eles encontrarem Scully... sua mdica pessoal. Com as 
tendncias dele para se machucar... ele precisaria dela... 
logo.

Eles passaram pela Ilha do Governador e pararam a meio 
caminho entre ela e a Ilha da Liberdade.

A Esttua da Liberdade olhava sria para eles, enquanto 
Zeke limpava e fazia curativo no brao de Mulder.

"Por favor, filho. Fala que voc tomou uma injeo contra 
ttano desde a Guerra Fria..."

"No se preocupe, Zeke. Essa  uma coisa que eu sei que 
estou em dia."

"Ainda bem.  que seria bem infeliz voc sobreviver a tudo 
isso, e morrer de uma doena to comum."

"Sim, seria." Mulder respondeu. "Bem, por que no nos 
sentamos, e respiramos um pouco?" ele viu que Zeke estava 
um pouco plido das atuais aventuras.

"Voc quer uma Coca-cola ou algo assim?  coisa original..." 
Mulder ofereceu.

"Yeah, filho. Acho que seria bom. Talvez devamos almoar 
enquanto estamos parados."

Mulder acenou com a cabea. "Eu arrumo tudo. Voc fica 
aqui, quietinho." ele comeou a descer os degraus. "Oh... 
e Zeke... voc agiu bem. Aquilo que voc fez foi um 
movimento bem esperto."

Zeke deu um sorriso fraco. "V logo fazer nosso almoo... 
eu vou ficar aqui fora, de olho nas coisas."

Ele olhou para a Esttua da Liberdade.

"Ento... anci. Podemos no ser pobres... mas estamos 
cansados. Que tal nos dar uma pequena beno, e nos deixar 
chegar onde precisamos chegar, inteirinhos?" ele baixou a 
cabea, pensando.

As milhares de pessoas que vinham aqui, de outros pases... 
esta foi a primeira coisa que elas viam quando estavam fora 
da ilha de Ellis. Este era o smbolo deles de esperana.

Talvez desse certo para um velho homem, tambm. Ele tentou 
algo novo. E fez uma rpida orao para um Deus que ele 
sempre duvidou.

"Por favor, permita que Mulder encontre esta mulher... por 
favor, permita que ela esteja viva e bem... e permita que 
eu termine esta pequena tarefa."

Quando ele olhou, Zeke tinha certeza de que foi o sol 
brilhando no metal... mas parecia como se a mulher com a 
tocha tivesse piscado pra ele.

* * * * * * * * * * * * * * *

21:00 horas

Eles tinham baixado a ncora e decidido passar a noite perto 
da praia numa angra em Great Bay, ao norte de Atlantic City. 
Eles acharam que o local seria seguro, j que tudo que eles 
podiam ver da costa eram rvores e florestas. Nenhum sinal 
de vida.

Exceto pelo enorme e gigantesco corvo... ou era o que 
parecia... que tinha pousado no arco. Eles tentaram vrias 
vezes, e finalmente conseguiram espantar a coisa arrepiante 
pra longe. E a coisa ficou a prxima hora circulando o cu 
sobre eles.

Porcaria de pssaro.

Nenhum deles estava com muita fome depois das experincias 
no dia anterior, mas eles acenderam a grelha de cima. No 
havia sentindo em deixar os bifes descongelados serem 
desperdiados. E eles ficariam podres assim que parassem 
de mover, assim que o gerador parasse, e o congelador tambm. 
E definitivamente demoraria muito para eles terem carne 
limpa de boi novamente.

Zeke quis saber sobre o gado. Ele notou que algumas espcies 
de animais pareciam ter resistido  peste... enquanto outras 
tinham sucumbido, igual ao bom e velho Homo Sapiens. Haviam 
gatos, pssaros e peixes. Mas ele no tinha visto cachorros 
e esquilos. Ele no tinha idia sobre as vacas. E quis saber 
o que aconteceria agora, j que muitas espcies provavelmente 
tinham sido exterminadas da cadeia alimentar.

O East River foi o pior at agora. Eles passaram pelo 
Atlntico, e estavam rodeando a Baa de Delaware. O tempo 
estava claro... exceto pelas recordaes vvidas que eles 
tinham de Nova Iorque.

Ontem  noite, Zeke notou que Mulder estava tendo pesadelos... 
droga, ele estava tendo pesadelos durante o dia, sempre 
que cochilava... mas ele sabia que no podia fazer quase 
nada para o jovem rapaz.

Alm disso, Zeke tinha suas prprias preocupaes. Ele 
sempre foi uma pessoa capaz de recordar detalhes minuciosos 
de seus sonhos. Mas, durante os ltimos dias, ele no podia 
se lembrar de nenhuma imagem entrando em sua soneca. E isso 
era estranho. Mas ele sabia que alguma coisa acontecia 
enquanto dormia. Ele s no podia se lembrar do que era.

Ele olhou pra Mulder, que estava reclinado no sof. Ele 
estava fingindo dormir, mas Zeke sabia a verdade. Ele 
ainda tinha aquelas linhas no rosto dele... linhas que 
eram diferentes quando ele cochilava.

E tentou imaginar que tipo de imagens estavam na cabea 
dele.

* * * * *

O homem escuro ficou de p na entrada, mostrando um sorriso 
inteligente.

"Venha, Fox. Por que voc est perdendo tempo? Larga esse 
perdedor e pega o barco. Eu posso te mostrar coisas muito interessantes... voc no quer as respostas?" ele bateu as 
botas de vaqueiro no cho ladrilhado.

Mulder estava agora em outro lugar... ele reconheceu como 
sendo seu escritrio. S que estavam faltando algumas 
coisas... como a mesa de Scully... e os arquivos dela... 
tudo que era dela no estava mais l. Ele sentiu o peito 
apertado.

"O que voc fez com as coisas de Scully?" ele gritou.

"Puxa, Fox. Estou ferido. Voc me d muito crdito. Eu no 
fiz nada pra ela... mas, falando srio. Acho que existem 
maneiras mais produtivas para voc passar seu tempo... 
voc no acha?"

Mulder agiu. Ele tentou correr alm do Homem.... sair 
para o corredor. Mas o homem o agarrou.

Mulder lutou e tentou tirar as mos do Homem de cima de 
seu brao... mas quando ele olhou, ele percebeu que o 
Homem tinha garras, e no dedos. Garras longas e afiadas 
estavam agarrando sua carne, rasgando e ferindo.

Ele gritou de agonia.

"No gosto quando as pessoas no jogam meus jogos, Fox" 
o Homem brigou, os olhos vermelhos. A respirao dele era... 
fedorenta. E Mulder ficou horrorizado ao ver que ele no 
era homem...

Ele era puro mal.

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Fim de Last 9



* * * * * * * * * * * * * * * * *
CAPTULO DEZ
* * * * * * * * * * * * * * * * *

Indubitavelmente, apesar de seu sofrimento, ele dormiu 
enquanto andava, e agora ele via outra cena - talvez ele 
estava delirando. Ele estava de p no porto de sua casa. 
Tudo parecia estar como ele tinha deixado, tudo brilhante 
e bonito no sol da manh. Ele deve ter viajado a noite 
toda. Quando ele abre o porto, e anda pelo caminho branco 
e largo, ele v roupas femininas na sua frente: A esposa 
dele, parecendo fresca e doce, descendo a varanda para 
encontr-lo. No fim dos degraus, ela espera, com um sorriso 
de alegria inefvel, com uma graa e atitude sem igual. Ah, 
como ela  linda! Ele pula adiante com os braos estendidos. 
E quando ele est perto de abra-la, ele sente um golpe na 
parte de trs do pescoo; uma luz branca, ofuscante, brilha 
em toda parte, parecendo um ataque de um canho - e ento 
tudo fica escuro e silencioso!

Peyton Farquhar estava morto; o corpo dele, com um pescoo 
quebrado, balanado suavemente de um lado para o outro, 
debaixo das madeiras da ponte do riacho da coruja.

- Ambrose Bierce, "Uma Ocorrncia na 'Ponte do Riacho da 
Coruja'"

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Docas de Annapolis, Maryland
1 de julho
13:00 horas

As ondas batiam suaves contra o lado da Sirene do Mar.

Zeke estava sentado no deck, vendo a gua se mover. Mulder 
estava l embaixo, arrumando a bolsa. Uma mochila cheia de 
comida, gua... necessidades.

Ontem, eles tinham conseguido passar pela Baa de Delaware 
e pelo canal para a Baa de Chesapeake. Eles tinham baixado 
ncora ontem  noite numa pequena angra no interior da Baa.

Durante a noite, Zeke tentou ignorar os gemidos e resmungos 
que vinham da cabine do homem mais jovem. Ele concluiu que
Mulder estava to preocupado com a Dana Scully dele que 
pesadelos sobre isso seriam a reao mais bvia.

E mais uma vez, ele no podia se lembrar sobre o que tinha 
sonhado. Mas quando acordou, ele sentiu uma sensao de 
propsito renovado. E um lao renovado com Mulder. Como 
se ele fosse destinado a caminhar ao lado dele... pelo 
menos por enquanto.

Era uma pena que Mulder estava to insistente em ir sozinho 
para Annapolis. Pelo menos ele concordou em deixar Zeke 
esperando por ele no porto. Pois de jeito nenhum Zeke iria 
partir at que soubesse o resultado da procura de Mulder.

Os pensamentos dele foram suspensos quando Mulder voltou 
para o deck. Ele jogou a bolsa sobre o ombro e se mexeu, 
no tendo certeza do que dizer.

Zeke falou, curto e simples.

"Vou esperar at amanh, Mulder... a menos que voc tenha 
mudado de idia e quer que eu v com voc... para olhar o 
seu traseiro."

Mulder tremeu a cabea. "Preciso fazer isso sozinho, Zeke. 
Mas obrigado. No caso de eu no voltar..."

"No precisa falar, filho. Vou estar aqui, esperando. Eu 
quero conhecer esta Dana Scully."

Mulder saiu do barco e caminhou pela doca. No fim, ele se 
virou e acenou para Zeke uma ltima vez... e ento ele 
sumiu.

Zeke fechou os olhos e fez uma orao. Pois ele sabia que 
se Mulder descobrisse que Dana estava morta... Mulder no 
estaria voltando. Ele se sentaria, e deixaria a prpria 
arma conhecer os dentes dele.

* * *

Mulder marchou para a colina acima das docas. Ele j tinha 
vindo aqui vrias vezes com Scully. Seria fcil encontrar 
o caminho para a casa de Margaret Scully.

Mesmo assim, ele ficou nervoso com o silncio das ruas. Em 
todas as vezes em que ele visitou este lugar, ele sempre 
estava cheio de turistas, e de cadetes navais uniformizados.

At os cheiros eram diferentes. Nada de aromas de caranguejos 
fritos no leo... ou caf sendo feito. S o cheiro de frutos 
do mar e corpos humanos apodrecendo.

Ele viu uma loja de bicicleta e foi at l, ficando surpreso 
ao ver a porta destrancada. *Acho que o dono tinha outras 
coisas na cabea com que se preocupar...*

Ele entrou e rapidamente achou uma bicicleta de dez marchas, 
do tamanho dele. Ele pegou uma bomba de ar, e um kit para 
furos, e saiu, tendo o cuidado de fechar a porta atrs dele. 
Afinal de contas, no havia sentido em deixar a porta aberta... 
s porque no havia mais ningum ao redor para se preocupar.

Ele montou na bicicleta e comeou sua viagem.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Residncia de Margaret Scully
14:30 horas

Fox Mulder estava mais do que acostumado com o cheiro da 
morte. Isso at mesmo comeou a surgir da prpria pele dele.

E, em mais de uma ocasio, ele tinha conversado sobre os 
policiais locais sobre os chamados 'cheiros suspeitos'. 
Regra nmero um: se o cheiro chegar onde voc parou seu 
carro, pegue seu jarro de vick-vaporub tamanho industrial, 
pega uns charutos para fazer mais cheiro... e reze para 
que o legista esteja de bom humor, e responda rapidamente 
sua chamada, para que voc possa sair o mais rpido possvel 
da cena do crime, e queimar suas roupas... pois no tem 
jeito de voc tirar o cheiro delas.

E mesmo que voc nunca tenha cheirado isso antes, voc 
reconhece o cheiro que entra por suas narinas.

A morte tem um doce e doloroso aroma... quase no mostrando 
sua maldade subjacente. Do tipo que voc tem quando seu 
vizinho pega um pacote de hambrguer de duas libras do 
churrasco que ele teve que cancelar no fim de semana 
passado, joga na lixeira... e os 'engenheiros do servio 
de sade pblica' no viro at sexta-feira, e ainda  
segunda, no meio de agosto, e a temperatura est acima 
dos trinta e cinco graus.

Depois de menos que um dia, entre suspiros para ar fresco, 
enquanto voc corre para o carro, voc gostaria de saber 
qual o problema com o seu vizinho.

Afinal de contas, carne de hambrguer pode ser congelada.

* * * *

A quietude no bairro de Maggie Scully era o que estava 
deixando Mulder mais nervoso. Antigamente, Mulder tinha 
desfrutado sobre as vibraes familiares que ele sentia 
cada vez que andava pela rua dela... at mesmo se as 
visitas dele para a Sra. Scully no acontecessem debaixo 
das circunstncias mais serenas.

Agora, com a bicicleta apoiada contra uma rvore prxima, 
ele ficou de p, na calada da frente, mexendo os ps, 
enquanto olhava para a rua de um lado para o outro... 
para qualquer lugar, menos para a casa diante dele.

Mulder estava  beira de achar algum tipo de resposta 
para a pergunta que queimava sua mente e corao, mas 
ele no tinha certeza se poderia agentar a verdade que 
estava alm da entrada.

Uma brisa leve veio de um lado da rua, trazendo com ela 
o cheiro de um bairro em decadncia. Sem dvida nenhuma 
todas as casas estavam vigiando os corpos endurecidos de 
seus antigos donos. Ou talvez elas estivessem vazias... 
solitrias, esperando o retorno deles.

Era uma pena que as casas no sabiam que seus donos, que 
tentaram escapar, s conseguiram chegar  estrada 50, onde 
todo mundo morreu dentro de seus carros. O ltimo cemitrio 
de automveis.

O nico sinal de vida era o pular ocasional de um gato em 
sua ronda, correndo pelo gramado, que nunca mais seria 
cortado de novo.

Mulder parou por um momento. Pela primeira vez ele percebeu 
que no tinha visto nenhum cachorro desde que a peste 
chegou... s gatos. Mas era lgico. Ele odiava gatos. Eles 
eram indiferentes, e s mostravam um pouco de afeto quando 
queriam alguma coisa sua. Na verdade, eles lembravam Mulder 
de uma antiga amiga sua: Phoebe Green. 

No. Pensando bem, isso no era justo para a populao felina.

Ele estremeceu, e quis saber como Phoebe tinha passado por 
isso do outro lado do Atlntico. Era quase certo que ele 
nunca saberia a resposta para esta dvida.

Mas agora, uma pergunta estava sendo feita dentro dele. E 
ele tinha que saber a resposta.

* * * * * *

Quando ele deu um passo hesitante para frente, ele fitou a 
frente da casa da me de Scully. Em uma parte muito privada 
e privilegiada de sua mente, esta casa sorridente sempre o 
fazia se lembrar de um conto favorito quando criana: "A 
Pequena Casa".

A capa do livro mostrava uma casinha confortvel, linda, 
numa colina verde, cheia de grama... com nuvens brancas 
e felizes, gordas, e um sol amarelo, brilhante, olhando 
para baixo.

O tempo passou, e a cidade invadiu a pequena casa, que 
s queria ser enchida de carinho. Altos arranhas cus 
bloquearam o toque do sol, e fumaa cobria as janelas 
bem pintadas. Os edifcios modernos pareciam zombar da 
pequena relquia do passado.

Ningum mais morava ali. O tempo passou. A porta caiu de 
lado, as janelas tinham vidros quebrados.

At que um dia, uma famlia achou a casa, e a levou de 
casa, para um lugar onde ela foi mais uma vez amada.

* * *

Quando Mulder encarou a casa da Sra. Scully, a imagem serena 
comeou a sumir. Diante de seus olhos, a pintura comeou 
a rachar e descascar... a madeira gemeu, e as fendas se 
abriram.. e um monte de gafanhotos pretos saram das paredes, 
gotejando ao cho como sangue - e deixando um rastro para 
trs.

O som doloroso da casa gemendo encheu seus ouvidos. Apavorado, 
ele olhou para os dois lados da rua. As casas antes sorridentes 
para ele agora o escarneciam enquanto mais gafanhotos saam 
delas, para o cho, e subindo ao cu, levando morte em suas 
asas.

Enquanto ele cobria a cabea para evitar as criaturas, ele 
foi jogado ao cho por uma exploso muito brilhante.

Ele espiou debaixo dos braos a tempo de ver o impossvel.

Uma solitria e escura figura emergiu do inferno que uma 
vez foi a casa da Sra. Scully. O homem escuro estava olhando 
de soslaio para ele, um sorriso cortando seu rosto de orelha 
a orelha... e suas botas de cowboy faziam barulho na calada.

Mulder arregalou os olhos, horrorizado, enquanto o homem 
se aproximava dele, os braos estendidos... falando com ele.

"Venha ver seu futuro, Fox..." ele assobiou.

"No!" Mulder gritou e enterrou a cabea nos braos.

O calor lambia suas costas e pernas. Mulder se enrolou como 
uma bola, esperando pelo fim...

"No! Scully!" ele chorou.

De repente, o calor sumiu. O som dos gafanhotos desapareceu.

Mulder espiou mais uma vez para ver o que tinha acontecido.

Ele estava sozinho na quietude do bairro. As casas estavam 
como antes.. solitrias, mas inclumes.

Ele encarou a casa da Sra. Scully de novo. Era como ele se 
lembrava.

Mulder passou as mos pelo rosto suado e ficou de p, com 
as pernas trmulas.

* * *

A porta da frente estava fechada, ento Mulder andou ao 
redor da casa, indo para os fundos.

Ele no estava preparado ao que encontrou l.

Uma pequena rea de terra virada, cercada com pedras. E no 
topo do pequeno monte, uma cruz, nitidamente feita com mais 
pedras, e seixos. Uma sepultura.

Mulder foi para ela, automtico, sem perceber que seus ps 
se moviam. Ele se ajoelhou ao lado da sepultura. Era isso 
que a viso queria dizer?

No podia terminar assim, podia?

No havia nome ali. Nenhuma marca. Mas ele no ia conseguir 
cavar a terra para descobrir.

Ao invs, ele cambaleou, ficando de p, e foi pra casa, 
esperando encontrar evidncia do que buscava, l dentro.

A porta dos fundos estava destrancada.

Mulder entrou, hesitante. De alguma maneira, parecia errado 
entrar... sem bater. Era como andar sobre a grama bem 
cuidada de algum, sem permisso.

"Scully?" Ele convocou. Mas ele no esperava resposta, e 
no recebeu nenhuma.

A casa estava limpa como um alfinete. Ele foi de cmodo em 
cmodo, procurando uma pista... qualquer coisa que lhe 
dissesse o que estava na sepultura. A primeira pista dele 
estava na sala de estar.

O lbum de famlia estava na mesa de centro, aberto na 
primeira pgina. Ele se sentou para olhar. Uma foto do 
capito e da Sra. Scully no dia do casamento deles. O 
capito estava de p, em seu uniforme branco e engomado. 
E a Sra. Scully estava simplesmente linda.

Era difcil imaginar Margaret Scully como uma mulher jovem. 
Nesta foto, ela era ainda mais jovem que sua filha agora. 
Mas Mulder podia ver a Scully dele nos olhos dela... e no 
seu sorriso.

Uma tristeza encheu seu corao. Ele sentiu que sabia o 
motivo deste lbum estar aqui. Scully ficou sentada aqui... 
ou no sof?... lamentando pela sua me? E ainda que ele 
sentisse alegria pelo primeiro sinal tangvel de que ela 
estava viva... isso era misturado com tristeza. Margaret 
Scully tinha sido uma mulher maravilhosa.

Mulder ficou de p, e andou pela sala. Ento ele viu um 
pedao de papel sobre a lareira. E reconheceu a letra 
perfeita... e um simples nome: Mulder.

Ele correu para l, e agarrou a carta mesmo enquanto seus 
joelhos ficavam moles debaixo dele.

Ele abriu a carta, com dedos trmulos, e comeou a ler.

* * *

"29 de junho

Mulder -

S posso ter esperana de que voc consiga chegar at aqui, 
e encontre esta carta. Isso quer dizer que voc est bem, e 
inteiro.

Minha me morreu no dia 23 de junho. Deus, o que aconteceu, 
Mulder? Skinner est morto. Ele foi baleado enquanto tentava 
ajudar a mim e a minha me a ir para um hospital. O exrcito, 
ou algum no exrcito, fechou D.C. completamente.

Tentei te localizar por telefone... mas, correndo o risco 
de soar to paranica quanto meu parceiro, acho que algum 
bloqueou os circuitos. No consigo ligar pra ningum... nem 
mesmo para o supermercado a algumas quadras daqui.

Pensei em te esperar aqui... esperar e rezar para que voc 
conseguisse chegar at mim. Estes primeiros dias foram 
loucos, com pessoas correndo pelas ruas, com armas... mas 
agora, no tem mais ningum.

Mulder, preciso saber que no sou a nica que sobrou ou que 
vai continuar... isso  loucura, mesmo sendo a ltima. Tenho 
que admitir... minha arma parece bem convidativa nestes 
ltimos dias.

Mas, eu tenho que acreditar que existem outros sobreviventes. 
E eu preciso acreditar que voc  um deles.

Ento, estou deixando esta carta para voc... s em caso 
de voc chegar aqui. Estou voltando para D.C. Para o meu 
apartamento. Talvez as respostas para tudo isso ainda 
esteja l. Os rapazes iam deixar algumas informaes em 
seu apartamento. Talvez exista algo dentro destes documentos. 
No que respostas vo me fazer sentir melhor. Mas eu preciso 
saber. Acho que voc deixou um pssimo hbito em mim.

Mulder. Tenha cuidado. Eu realmente espero te ver em breve.

Amor, Scully."

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Annapolis Harbor
Sirene do Mar
18:00 horas

Em toda sua vida, Zeke nunca viu uma viso mais acolhedora. 
At mesmo que Mulder estivesse sozinho enquanto corria 
pelas docas, Zeke no podia deixar de ver o sorriso em seu 
rosto, e as lgrimas nos olhos.

"Zeke!" ele gritou. "Ela est viva!" Ele ficou agitando a 
carta no ar, sobre a cabea.

At chegar no iate, e subir a bordo, Mulder estava sem ar 
para dar qualquer detalhe. Ento Zeke fez o que qualquer 
velho curioso faria. Ele agarrou a carta da mo de Mulder, 
e leu tudo.

E o homem velho olhou para Mulder, e sorriu.

"Parece que estamos indo para D.C., meu garoto!"

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
 Fim da Parte 10


* * * * * * * * * * *
CAPTULO ONZE
* * * * * * * * * * *

"Eu no posso respirar 
 agonia
Querer saber onde voc est..."

          - Michelle Tumes - "Please Come back"

* * * * * * * * * * *

Georgetown
Washington, D.C.
2 de julho
19:00 horas

Fox Mulder correu pela colina.

Mais um bloco. S mais.

Ento ele poderia descansar.

Zeke se conformou em apenas manter o homem mais jovem  
vista. "Malditos joelhos velhos. A mente est disposta, 
mas o corpo  fraco. Tenho que conseguir um pouco daquele 
remdio ou algo assim" ele falou em voz alta.

No que houvesse algum por perto para escutar.

Os homens tinham ancorado o barco no Rio Potomac, no fim da 
Avenida Wisconsin... perto daquele restaurante que Mulder 
dizia ter um modelo de trem correndo ao redor por tubos de 
plsticos. Um tipo de Lionel Habbitrail.

A subida at a Rua M foi... rdua e ngreme. Txis, carros 
e caminhes estavam enfileirados nas ruas. Este poderia ser 
um dia normal no trnsito em Georgetown - exceto pelo fato 
de que alguns dos carros estavam ocupados por seus donos 
apodrecendo dentro deles. O resto havia sido abandonado.

Mas no o que tinha uma placa personalizada - "DCLOYER". 
Frederick Anderson Wilcox, III, estava sentado em seu Lexus, 
seus olhos inchados, fechados - mas isso no importava. 
Ele estava mais morto e mais maduro do que um fil mignon 
deixado ao sol durante uma semana. Ele nunca terminaria a 
fuso de milhes de dlares que ele tinha suado para 
concluir. No foi uma grande perda.

E quando eles passaram pelo centro comercial de Georgetown 
Park na esquina da Rua M com a Wisconsin... bem, ambos 
foram forados a cobrir as bocas e narizes com as camisas 
que usavam para poderem respirar um pouco melhor.

Trs andares de compradores e vendedores mortos e vrias 
camadas no subsolo de estacionamento - "desculpe, sem 
tickets para estacionamento hoje" eram agora uma tumba 
para um grupo de Washingtonianos e Yuppies. Nem mesmo o 
aroma da loja de couro que tinha perto podia cortar o fedor.

O relgio do banco Rigg parou s 2h13. Um homem est cado 
do lado de fora do banco 24 horas, a mo agarrando seu 
carto Visa. Um timo jeito de evitar os juros do carto 
de crdito.

As pernas de Mulder estavam tensas e trmulas por causa da 
corrida, e quando ele virou a esquina... ele parou.

Ele olhou para o prdio de Scully. Ele estava vagamente 
atento de Zeke o chamando. A viso dele ficou escura, e 
seus olhos picaram. Ele esfregou o suor da sobrancelha com 
uma mo. O ato quebrou sua imobilidade. Mulder voltou-se 
para seu velho companheiro.

"Por aqui, Zeke...  aqui mesmo!"

Zeke acenou de volta, e ficou olhando enquanto Mulder corria 
para longe da vista. Ento ele parou um momento para poder 
respirar... e fazer uma rpida orao para os cus.

"Deus, eu sei que ns no falamos tanto quanto devamos. 
E  minha culpa, claro. Mas... por favor, no desaponte 
este menino. Por favor, deixe que a moa dele esteja viva. 
Eu posso estar errado, mas acho que foi por isso que voc 
me colocou no meio desta baguna... para encontr-la. Ento, 
pelo menos desta vez, deixe um velho homem estar certo sobre 
seu palpite."

Zeke elevou a cabea e olhou para o cu, os olhos apertados 
contra o pr-do-sol afiado.

"Voc ouviu isso, certo?"

* * *

Residncia de Scully
19:20 horas

"Scully!"

Mulder clamou o nome de sua parceira enquanto corria pela 
entrada do prdio dela. Ele comeou a ficar preocupado 
quando viu a porta da frente aberta. Vidro cobrindo o 
tapete. Os sobreviventes de Georgetown foram implacveis. 
Ele estava agora virando a curva do corredor dela quando 
tropeou de repente.

Ele caiu de lado, sem flego.

Mulder olhou para ver o que tinha feito ele tropear, e 
estremeceu, indo rapidamente para a parede.

Um homem jovem - ou pelo menos o que foi um dia um homem 
jovem - estava drapejado no cho. Um estreo estava cado 
ao lado dele, quebrado em vrios pedaos devido  sua queda 
no cho. Um ladro pego no ato? Provavelmente.

Mulder fitou para onde a metade direita do crebro do homem 
costumava ficar. Tiros de espingarda no era uma conduta 
condizente na Revista das 50 pessoas mais gentis do trimestre. 
Mas, claro, que tipo de ladro inteligente roubaria um 
aparelho de som quando no havia energia em lugar nenhum?

Ele esfregou as costas da mo contra a boca repentinamente 
seca e abafou uma risada horrorizada. *Queria saber se ele 
estava procurando por isso? Ser que ele era esperto? Ou 
cometeu isso para poder morrer*?

Ento, l estava ele. No limiar.

Ele engoliu um gemido. A porta estava entreaberta. Scully 
nunca deixaria a porta dessa maneira. No se dependesse 
dela.

Ele tirou a arma e pensou na aproximao. Lento e furtivo 
ou como Rambo?

Mulder chutou a porta e pulou dentro do apartamento enquanto 
a porta batia contra a parede. Ele se plantou no cho, pronto 
para brigar com qualquer coisa em seu caminho.

"Scully?" ele convocou, mesmo olhando pela sala. No havia 
dvida de que algum esteve aqui. Documentos estavam jogados 
ao redor, um saco de batata frita aberto na mesa do caf. 
Elas eram da marca que Scully escondia sobre a geladeira... 
um segredo culpado de prazer. Ela sempre esquecia que Mulder 
era mais alto que ela... e que podia ver facilmente qualquer 
p ou comida secreta que ela podia tentar esconder na cozinha.

Ele foi para o corredor. O banheiro estava vazio. Ele chutou 
a porta do quarto, que abriu at bater com um *thunk*.

Ela esteve aqui. Recentemente.

Mas algo tinha acontecido.

Um baque alto na sala de estar fez Mulder voltar pra entrada, 
apontando a arma.

"Mulder?" Zeke chamou, humilde, enquanto caminhava direto 
para a linha de fogo.

"Deus, Zeke! Eu quase te dei um tiro!" Mulder caiu pra 
trs, pesado, contra a armao da porta, e fechou os olhos, 
respirando fundo.

Zeke foi at ele e colocou a mo sobre seu ombro. "Ela est 
aqui, filho?"

Mulder negou com a cabea. Ele ficou de p e voltou para o 
quarto. A porta do guarda roupa estava aberta, com vrias 
roupas cadas do cabide, sobre o cho.

Ele se inclinou e comeou a pegar as peas de roupas com 
cuidado, ajeitando as camisas, suteres e tudo mais nos 
cabides acolchoados enquanto ele corria os dedos sobre o 
material. Scully iria querer que as coisas dela estivessem 
arrumadas.

Zeke estudou o quarto e suspirou.

"Ento, ela esteve aqui e estava pegando algumas coisas... 
bem rapidinho, ao que parece."

Mulder acenou com a cabea. A decepo dele tinha tirado 
suas foras. Ele no estava pensando claramente.

Zeke veio e o pegou pelo brao.

"Vamos voltar para a sala de estar e pensar... talvez ela 
tenha te deixado outro bilhete."

Mulder arregalou os olhos. Por que ele no tinha pensando 
nisso? Ele empurrou Zeke pro lado e correu para fora do 
quarto. Ele vasculhou pelos documentos na escrivaninha e 
na mesa de centro. Ele checou na cozinha. Nada. Para onde 
ela tinha ido? E, o mais importante, por que ela foi embora? 
Ela sabia que ele viria aqui para procur-la.

Zeke lhe deu a resposta.

"Mulder?" Zeke chamou do banheiro. "Tem uma coisa aqui que 
voc deveria ver."

Mulder seguiu a voz preocupada do homem velho. Ele parou 
na entrada e fitou enquanto Zeke apontava para a pia.

Enquanto corria pelo apartamento, ele tinha perdido os 
sinais. O rastro. Manchas escuras que pintavam o tapete 
da sala de estar, indo at o banheiro. Manchas vermelhas.

Sangue riscado no branco da pia de porcelana.

"Scully..." Mulder murmurou, rouco.

Zeke tomou o assunto nas prprias mos, e comeou a investigar 
enquanto Mulder encarava o sangue.

"Mulder, olha aqui. Ela devia estar ferida, mas ainda estava 
bem o bastante para se cuidar. Olha s" ele apontou para o 
armrio de remdios. Pequenas impresses digitais arruinavam 
o banheiro. Zeke olhou para a cesta de lixo e viu as sobras 
de bandagens e gaze. O sangue estava seco.

"O que quer que tenha acontecido, ela lidou com tudo isso 
e saiu daqui sozinha. E eu diria que isso aconteceu menos 
de vinte e quatro horas atrs."

Mulder acenou com a cabea.

"Ento, para onde ela iria?"

Mulder finalmente achou voz para falar. "Ela iria para o 
meu apartamento... Alexandria. Tem que ser onde ela est..."

Mulder se virou e foi para a porta, mas Zeke agarrou o 
ombro dele por trs, e girou o agente. Mulder estava bravo 
e impaciente. Ele sabia para onde eles tinham que ir agora 
mesmo.

"Calma, filho. Olha l fora..."

Mulder olhou relutante para fora da janela. O sol estava 
afundando no horizonte, e desapareceria em alguns minutos. 
Escurido j estava comeando a aparecer nas rvores e 
edifcios.

"Ns temos que alcan-la..." Mulder protestou, j sabendo 
o que Zeke iria argumentar.

"No hoje  noite, Mulder. Pense. Vai estar tudo escuro at 
chegarmos ao barco. No temos idia se existem sobreviventes 
por a... e que sejam amigos ou no. E tenho a sensao 
que essa sua Dana poderia tirar nossas cabeas dos nossos 
pescoos se ns a pegarmos no susto,  noite."

Mulder sorriu maliciosamente ao pensamento. Zeke tinha razo. 
Droga.

"Vamos voltar rapidinho pro barco.... e vamos nos afastar 
um pouco da costa, e arrumarmos nosso prprio permetro de 
segurana. E de manh, a primeira coisa que vamos fazer  
encontrar Dana, quando ento ela poder ficar to feliz 
quanto voc vai ficar quando v-la." Zeke balanou as 
sobrancelhas pra Mulder.

Mulder corou ligeiramente  insinuao.

"Vamos ento, camarada..." Zeke concluiu.

Mulder ergueu um dedo, sinalizando para Zeke esperar um 
pouco... e correu de volta pro quarto. Zeke no o seguiu, 
mas escutou os barulhos l dentro... aquilo era uma porta 
de armrio? Alguns momentos depois, Mulder apareceu com 
uma mochila que parecia ter muita coisa dentro.

Zeke lhe deu um olhar interrogativo, mas Mulder no disse 
nada enquanto conduzia o homem velho para fora.

Eles ficaram calados enquanto voltavam para o rio. Zeke no 
queria admitir, mas ele estava preocupado. Mulder no tinha 
visto o banheiro todo.

E Zeke se assegurou de que Mulder no visse a piscina grande 
de sangue dentro da banheira.

E mais uma vez, ele olhou para os cus, pedindo ajuda.

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Fim capitulo 11



* * * * * * * * * * * * * * * * * *
CAPTULO DOZE
* * * * * * * * * * * * * * * * * *

"De noite, busquei em minha cama aquele a quem ama a minha 
alma; busquei-o e no o achei.
Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e 
pelas praas buscarei aquele a quem ama a minha alma; 
busquei-o, e no o achei."

           Cnticos de Salomo 3, 1-2

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

3 de julho
02:30 horas

Fox Mulder andava pelas ruas de Alexandria. Ele no sabia 
como, mas em algum lugar ele pegou o caminho errado. E 
agora estava perdido.

Ele correu uma rua aps a outra, cada uma parecendo ser 
um pouco mais longa e um pouco mais escura que a ltima. 
Se ele conseguisse encontrar o caminho de volta para a 
Rua King... mas ele no podia ver as placas das ruas. Era 
como estar num sonho onde ele estava de novo no segundo 
grau, e sua professora, Sra. Kaiser, que era sempre uma 
bruxa, no importava o sonho, fazia uma pergunta, e ele 
sabia a resposta, mas no podia falar. No importava o 
esforo que fazia, nenhum som sairia da boca. E ela 
comearia a bater o p no cho, e a rgua contra o brao 
fino, pele marcada pela idade. E se ela pedisse para 
levantar a mo, ele nunca conseguia erguer o brao da mesa.

Bem... Parece que Fox-y no sabe a resposta...

Era muito frustrante.

Ele parou e se agachou, descansando as palmas das mos 
nos joelhos, tentando respirar... para poder continuar.

E olhou ao redor. Ele no tinha idia onde estava Zeke. 
O homem velho estava de volta no barco dele? Ou ele estava 
andando por a, neste labirinto de cidade fantasma, que 
uma vez foi palmo de compradores e negociadores?

Ento... ele ouviu. Ou talvez ele sentiu antes, pois sua 
nuca ficou arrepiada.

O grito distinto e zombeteiro de um corvo.

E Mulder sabia que j tinha passado da hora de dormir dos 
pssaros bons.

Ele olhou ao redor, mas no viu mais nada alm de
prdios e apartamentos abandonados, que tinham se tornado 
tmulos para os mortos. Ele tentou no imaginar os olhares 
fixos e pretos dos ocupantes. Ser que os olhos deles o 
seguiria como num retrato? Quem precisava de uma pintura 
gtica quando voc tinha o Sr. e a Sra. P. de Hyrum Tibbett 
sentados na velha casa deles, te observando?

O grito ficou mais insistente, mas Mulder s podia ficar 
de p e escutar o eco. No havia jeito de localizar a 
fonte. E ele estava com uma vontade muito 'afetuosa' de 
acertar o filho da me emplumado com uma pedra.

Ele no teve tempo para se defender do ataque sbito de 
asas contra o lado de sua cabea. Ele gritou em afronta 
quando uma garra arranhou o lado de seu rosto. Droga! A 
ave tinha vindo direto pra ele!

Mulder colocou os braos sobre a cabea para proteger o 
rosto, e fez a nica coisa que podia fazer - correu.

Ele no teve idia de quanto tempo correu, ou mesmo a 
direo em que estava indo, mas logo o cho duro debaixo 
dos ps se transformaram em terra.

A terra era... frtil e escura. O sonho de um fazendeiro. 
E o ar estava com um cheiro diferente. O cheiro de terra. 
Como o Kansas depois de uma chuva de vero. *No. No o 
Kansas. Nebraska... Mas como ele sabia disso?*

Mulder parou e abaixou os braos, hesitante, esperando que 
o corvo atacasse de novo.

Mas aquele ataque nunca veio.

E ao invs do grasnar escarnecedor do pssaro, ele escutou 
um som terno de boas vindas. Algum estava cantando. E 
aquilo era o som de violo, tambm?

Mulder se encontrou numa estrada plana, sozinho. O crepsculo 
da luz era o suficiente para lhe mostrar o caminho entre 
os campos de milho.

Ele seguiu o som da voz - a voz de uma mulher. Ele estava 
tendo cuidado, mas no de medo. Por alguma razo, ele se 
sentia seguro aqui.

Depois de alguns minutos, ele se encontrou num caminho de 
pedras, que levava para uma pequena casa. A cano estava 
alta o suficiente para ele ouvir as palavras...

"Quando o Esprito diz para voc se mover,
 voc tem que se mover, uh, huh.
 Quando o Esprito diz para voc se mover, 
 voc tem que se mover, uh, huh.
 Quando o Esprito diz para voc se mover,
 voc tem que se mover, uh, huh."

A mulher velha estava sentada na varanda da frente, o 
violo no colo. Ela sorriu quando o viu, e parou de cantar, 
os dedos rangendo pelas lamrias enquanto ela colocava o 
violo de lado.

Mulder no sabia o que fazer ou dizer. "Eu sinto muito. 
Eu no queria te fazer parar..."

A mulher riu. Era rouca e funda, marcada por uma vida de 
alegria e aflio. Ela sorriu, pacfica, e fitou 
diretamente nos olhos de Mulder.

"Me disseram para no te chamar de Fox. Ento eu acho que 
isso quer dizer que eu deva te chamar de Mulder."

Mulder abriu a boca, surpreso. "Como voc sabe quem sou eu?"

"*Ele* me contou" ela respondeu, apontando um dedo para o cu.

Mulder arregalou os olhos com um uma expresso que dizia 
Oh, isso explica tuuuudo. "Mas quem  voc?"

A mulher na verdade cacarejou pra ele, divertida. "Todo 
mundo s me chama de Me Abigail - tenho tantas crianas, 
netos, e bisnetos... e alguns tataranetos tambm. S isso."

Mulder sorriu.

"Mas no pense que esta velha mulher aqui  to tola para 
cair no seu charme... eu vi muitos homens to bonitos como 
voc nos meus dias" ela brincou.

Mulder carranqueou de propsito.

Ambos ficaram em silncio por alguns momentos, medindo o 
tamanho do outro. Me Abigail falou primeiro.

"Voc  inteligente. Sem dvida sobre isso. No como o 
velho Fred l na cidade. A vaca veio e o acertou na cabea 
quando ele tentou tirar o novilho que tinha acabado de 
desmamar. Ele nunca mais foi muito inteligente depois daquele 
dia... mas ele era uma doce criana de Deus. Provavelmente 
foi melhor ele morrer da doena e no ter que enfrentar o 
que est vindo para o resto de ns."

"Mas, *voc...* Voc quer saber como e por que voc est 
aqui, no ?"

"A pergunta passou pela minha cabea, sim" Mulder respondeu. 
Ele empurrou as mos nos bolsos da frente da cala jeans, 
como um aluno. Ele se sentia quase culpado por querer uma 
explicao. E ele tinha um pressentimento de que se ele 
tentasse sair da posio, Me Abigail no hesitaria em 
golpe-lo com a bengala dela, ou pux-lo pela orelha.

Mas ela bateu de leve no cho, com a bengala, ao lado dela. 
Era um convite para ele se sentar ao lado dela. Ele obedeceu. 
E se viu  vontade - estranhamente - como se sentar aos ps 
de uma av que ele nunca conheceu.

Ela estendeu a mo com artrite e brincou com o cabelo dele. 
E empurrou a cabea dele ligeiramente quando o soltou.

"Voc precisa cortar esse cabelo! S porque algumas coisas 
aconteceram, isso no quer dizer que voc pode relaxar, e 
deixar de ficar bonito..."

Mulder olhou nos olhos dela, srio.

"O que *est* acontecendo, Me Abigail? Eu sei que isto deve 
ser um sonho... mas porque?"

Ela estreitou os olhos. "Voc o viu. O que tem olhos vermelhos, 
e as mos da besta..."

Mulder acenou com a cabea, assombrado.

"Eu posso responder a sua pergunta, criana. Ele  real... 
to real quanto sua velha Me Abigail aqui diante de voc."

Mulder estremeceu. Ele sabia que Me Abigail estava contando 
a verdade. "Como eu posso parar isso?" ele implorou.

"Fox, criana. Voc escute essa velha mulher" ela tremeu um 
dedo ossudo e apontou para o corao dele.

"Voc no vai poder impedir o mau de te buscar. Eu sei como 
voc tem medo dele... e ele no vai te deixar sozinho. Ele 
invade seus sonhos. No sou eu quem vai par-lo ainda... 
apesar, se Deus permitir, eu faria este trabalho... mas isso 
 para Ele falar, depois. Mas, Ele me contou... que h algo 
que voc pode fazer. Uma fora que voc s vezes se esquece 
que tem..."

A mulher parou e olhou para cima, para o cu, como se tivesse 
sido suspensa para o alto.

"O que ?" Mulder perguntou. Ele piscou para os cus, mas no 
via nada.

Me Abigail acenou com a cabea e virou o olhar para Mulder. 
"Ainda no, Ele diz. Ele vai te contar quando voc terminar 
sua parte."

"O que?" Mulder a encarou. "Como eu posso lutar contra isso? 
Voc me trouxe aqui..."

Me Abigail riu suavemente e tremeu a cabea enquanto comeava 
a balanar a cadeira de balano de novo.

"No fui eu que te trouxe aqui... Foi Ele. Ele quer que 
voc saiba que voc no est sozinho. No importa o que 
voc possa pensar. Ele est de olho em voc, criana. Mas 
as coisas vo ficar bem piores antes que isso termine. Voc 
tem que se preparar, e ajudar aqueles que voc ama. Com a 
vontade de Deus, todos estaremos juntos em algum momento. 
Mas nunca duvide que Ele tem um plano para voc. Existem 
coisas que voc tem que enfrentar... e Ele vai mostrar o 
que voc precisa fazer quando precisar fazer isto..."

Ela parou e observou novamente. "Sim, Deus. Eu contarei a 
ele." ela sorriu pra Mulder. "Mas voc vai estar acompanhado 
enquanto estiver nesta estrada."

"Scully?" Mulder falou, numa esperana dolorosa.

Me Abigail somente sorriu pra ele. Mas seu sorriso pareceu 
enfraquecer e seu olhar moveu direto por ele, para o horizonte 
que estava escurecendo. Ela apertou o xale que estava sobre 
os ombros ossudos.

"Melhor ir agora, filho. Est vindo uma tempestade e eu 
coloquei po no forno pra assar... e logo eu vou te ver 
de novo..."

As nuvens rolaram e formaram espirais contra o cu. Elas 
se chocaram e rugiram ao longe. As longas folhas de milho 
comearam a ondular e dobrar debaixo da sbita ventania.

Mulder virou para a estrada e comeou a correr. Seus ps 
deslizavam sobre as pedras. Suor descia sobre seu rosto. 
Ele no podia ver mais nada alm do cu escuro, mesmo assim, 
ele sabia que estava correndo da face do mal. O mal que 
estava tentando bat-lo no ombro.

Uma rajada de vento uivou pela estrada, e o ergueu no ar, 
o lanando no cho...

* * *

Rio Potomac
Sirene do Mar
05:45 Horas

"Mulder, acorda! Eu estou mandando!"

Mulder se sentou rapidamente, olhos abertos, selvagens. 
Demorou um minuto para ele se lembrar onde estava, e 
reconhecer que quem estava cutucando seu ombro era Zeke, 
tentando acord-lo. Ento ele percebeu que tinha cado da 
cama, e estava agora todo enrolado nos lenis, sobre o 
tapete.

Ele passou uma mo trmula sobre o cabelo, e colocou a mo 
sobre o rosto. Seu sonho tinha sido muito real... e ele se 
lembrava de tudo.

"Que horas so, Zeke?"

"Hora de irmos, filho. O sol est subindo, e ns precisamos 
chegar em Alexandria."

* * *

Quando ele teve certeza de que o jovem estava acordado, 
Zeke se virou e foi para a cabine. A artrite matutina dele 
estava ficando pior. Talvez, quando eles encontrassem essa 
'Dra.' Scully, ela poderia ajud-lo um pouco.

E talvez, s talvez, estes sonhos horrveis parariam. Zeke 
no podia se lembrar do dele, mas Mulder com certeza sim. 
Tudo que Zeke sabia era ter certeza de que essa sensao 
era de estar fazendo a coisa certa ao ajudar Mulder. Mas 
havia uma certa urgncia, resmungando o tempo todo, e que 
aumentou depois que ele encontrou sangue no apartamento de 
Scully.

Ele pegou sua segunda xcara de caf da manh, sabendo que 
Mulder estaria logo atrs dele.

Ele estava certo.

* * *

Apartamento de Fox Mulder
Alexandria, Virgnia
08:00 horas

Mulder estava no limiar da escada do quarto andar.

Quando a lanterna dele encontrou a porta para o corredor, 
ele pensou, distrado, como era engraado que voc nunca 
reparava nos locais em que voc passava todos os dias. A 
mancha de gua de origem duvidosa na parede ao lado do 
corrimo, a rachadura na moldura do elevador, o amarelo 
estranho que descorava o suposto vermelho que deveria ser 
o extintor de incndio ao lado do apartamento do velho Sr. 
Johnson e seus dentes postios que pareciam ter a mesma cor 
amarela.

No. Voc nunca nota nada a menos que algo esteja fora do 
lugar - mas mesmo assim, voc deve estar errado sobre a 
mudana. Se algum repintar o corredor, voc vai achar que 
 a nova iluminao. Se eles mudarem o tapete, voc vai 
achar que  nova pintura.

Agora, com Zeke atrs dele, esperando ele abrir a porta de 
incndio que conduzia para o velho apartamento 42, Mulder 
estava chateado consigo mesmo.

Enquanto a luz fraca do sol entrava pela minscula clarabia, 
ele percebeu que nem podia se lembrar da cor do corredor. Do 
corredor dele. O mundo como ele conhecia tinha acabado, e ele 
j estava esquecendo os pequenos detalhes da prpria vida.

E ele notou que no poderia se lembrar de como ela era.

"Mulder? Por favor, ns podemos sair desta escada?" Zeke 
picou. A voz dele ecoou pelos degraus.

Eles tiveram muita sorte at agora. Primeiro, porque Mulder 
s tinha dado um alto e sonoro "Scully!" antes que Zeke o 
tivesse estrangulado. Tudo que eles precisavam agora era 
que todo maluco sobrevivente aparecesse no local.

Segundo, s o cheiro da morte os cumprimentou quando eles 
entraram no prdio. Nenhum corpo. Ainda. E Zeke com certeza 
queria que as coisas continuassem assim. E mais, ele tinha 
certeza que pularia para o corredor, fora destas escadas, 
em trinta segundos, se o antigo agente do FBI no fizesse 
algo rpido. Estava muito escuro aqui, mesmo com as lanternas. 
Ele j podia imaginar uma mo ossuda, gotejando com carne 
podre, fedendo, esticando-se para poder pegar a bainha da 
cala dele...

"Mulder! Abra a maldita porta!"

Isso funcionou.

Mulder virou a maaneta e abriu a porta. Eles foram 
cumprimentados com um ar morno, velho, mido. Zeke no 
tinha nenhuma vontade de descobrir exatamente quem ou o 
que deixava o ar to mido assim.

Os homens entraram no corredor do quarto andar. Mulder 
dirigiu a luz da lanterna para a direita, Zeke para a 
esquerda. Nenhum cadver estava do lado de fora. Nenhum 
sinal de ladres. Na verdade, no haviam sinais de que 
alguma coisa esteve ali durante vrios dias. Ningum vivo.

Os moradores, que tinham ficado em seus apartamentos durante 
a epidemia estava mostrando sua presena. Marcando seu 
territrio. E por uma vez, Mulder estava contente por nunca 
conhecer nenhum de seus vizinhos muito bem.

O cho protestou, rangendo, enquanto os homens andavam para 
o apartamento de Mulder, que fez uma nota mental para cada 
porta. Passando o nmero 45 ('sem mais som alto s 4 da manh, camarada'). Nmero 44 ('queria saber como aquele enorme 
cachorro que voc escondeu do sindico est agora, hein?') - 
um bufo e cheirada saram de debaixo da porta depois que 
Mulder pensou nisso. Seguido por um baixo e faminto resmungo. 
Zeke olhou para Mulder. Era o primeiro cachorro vivo que 
eles tinham visto. Ou melhor, ouvido.

"Cachorro grande, mau" Mulder respondeu.

"Grande, significa, faminto" Zeke murmurou. Ambos foram para 
a parede oposta do corredor.Mulder puxou a arma dele.

Ento eles passaram pelo nmero 43 ('A velha senhora que 
sempre usava aqueles rolinhos pretos no cabelo dela...').

Ento eles chegaram ao apartamento dele. Mulder tentou abrir 
a porta. Estava fechada. Mulder ficou apavorado, mudo. Onde 
estavam as chaves dele? Ele no tinha pensando em chaves 
nestes ltimos dias. De alguma maneira, quando o mundo se 
acabava ao seu redor, chaves no eram prioridade. Ele bateu 
de leve nos bolsos.

"Qual  o problema? Perdeu suas chaves, filho?" Zeke perguntou, 
quase divertido com a ironia.

Mulder olhou para ele, aborrecido. Sem advertir, ele elevou 
um p, e com um certeiro pontap... Wham! a porta estava 
aberta.

Zeke riu. "Voc faz isso com freqncia, no ?"

Mulder deu de ombros e entrou em sua velha toca.

Uma coisa era certa. Os peixes dele j eram. Mais mortos 
que os bolos de p que j no se escondiam mais debaixo do 
sof. Vtimas secundrias da peste.

Para Zeke, era difcil dizer se os ladres estiveram aqui 
dentro, ou se um ciclone entrou no apartamento de Mulder. 
Documentos e arquivos, assim como revistas, estavam 
espalhadas por todo o local.

Para Mulder, parecia que ningum tinha estado ali desde que 
ele saiu... anos atrs.

Mulder foi logo para o armrio do corredor, enquanto Zeke, 
temendo a doena, tentou no tocar em nada. Mulder abriu a 
porta do armrio e caiu de joelhos. Ele comeou a olhar 
dentro e levantou uma tbua do cho.

"No est aqui", Mulder disse simplesmente.

"O que no est aqui?"

"O pacote que alguns amigos meus... me disseram que estaria 
aqui..."

"Dana poderia ter levado o pacote?" Zeke perguntou, esperanoso.

"Talvez. Mas outra pessoa tambm... algum que eu achava 
estar morto."

Zeke ficou surpreso com a resposta de Mulder. Ele sabia que 
Mulder tinha segredos sobre seu trabalho no FBI, mas ele 
nunca pensou em como o trabalho dele era perigoso.

"Vou olhar no quarto. Talvez ela esteve aqui..." Mulder falou 
enquanto ficava de p e corria, no escuro, para o quarto.

Hesitante, Zeke atravessou a sala para o sof de couro, e 
a escrivaninha. Ele pegou algumas coisas perdidas sobre a 
mesa, tentando aprender um pouco mais sobre seu amigo. Um 
peso para papis na forma de um OVNI, livros de cirurgia 
psquica, e auras... e uma foto de uma mulher com cabelo 
ruivo. Dana Scully! ele percebeu. E sorriu. Mulder tinha 
tentado descrev-la, mas as palavras no faziam jus  mulher. 
Ele estava a ponto de colocar a foto na mesa, e foi rudemente interrompido por uma voz atrs dele.

"Mexa um dedo e voc  um homem morto."

A voz era baixa, quieta, mortalmente sria e definitivamente 
feminina.

"O que voc quiser" Zeke gaguejou. Onde diabos estava Mulder?

"Coloque suas mos sobre a cabea, e vire-se lentamente. Se 
voc respirar errado, diga adeus ao seu crebro, seu filho 
da me" a mulher exigiu.

*Ooookay. Sem problema*, Zeke pensou.

Ele fez como foi falado e virou para ficar de frente a ela.

E, para a consternao da mulher... ele sorriu.

A mulher era pequena. Definitivamente desarrumada. A camisa 
que ela usava, um tipo de camisa de esportes, era grande 
demais para ela, mas ela tinha dobrado um pouco as mangas. 
Ela tentou amarrar o cabelo atrs da orelha, mas as mechas 
no colaboraram. E o cabelo dela - ruivo - no podiam 
esconder a contuso debaixo do olho esquerdo dela, ou o 
corte em seu queixo.

Definitivamente Dana Scully.

Mas o olhar de ao dela e a maneira com que ela segurava 
aquela arma mostrava pra Zeke que ela sabia, e muito bem, 
como usar a arma, e usar bem.

Ele estava pisando em ovos.

Com as mos ainda sobre a cabea, ele coaxou, orando aos 
cus...

"Mulder?"

A mulher arregalou os olhos, e saltou quando passos foram 
ouvidos - vindo na direo deles.

Ento, quando Zeke ficou resignado de que iria levar um 
tiro e morrer naquele sof de couro preto - *pelo menos 
parecia confortvel* debaixo de uma chuva de balas...

Mulder entrou na sala e a viu.

E ela o viu.

"Scully?"

"Mulder?"

O tempo parou para todo mundo, menos para Zeke, que quis 
saber se ainda havia algum no mundo para sussurrar o nome 
dele daquela maneira.

Scully derrubou os ombros de repente, e os braos dela 
ficaram flcidos ao longo do corpo. Seus olhos estavam 
vtreos em descrena e alvio.

Zeke reconheceu os sintomas de choque. E ele quis saber 
se poderia ir para o lado dela, e peg-la se ela comeasse 
a desmaiar e... mas mudou de idia quando percebeu que ela 
ainda segurava a arma. Ele olhou para Mulder, esperanoso 
- tendo certeza de que o agente percebia o que estava 
acontecendo com ela...

Mas Mulder estava no mesmo estado, igualzinho.

E ao mesmo tempo em que Zeke estava pensando no que ia 
fazer quando os dois agentes estivessem cados no cho, 
finalmente, algo no centro da terra se moveu...

E Mulder deu dois passos hesitantes para ela. "Scully?" 
ele sussurrou.

Scully, com os braos ainda inteis, moles, foi para ele, 
que abriu os braos para receb-la...

E ento eles estavam juntos.

* * * * *
Fim captulo 12



* * * * * * * * *
CAPTULO TREZE
* * * * * * * * *

Apartamento de Mulder
Alexandria, VA
3 de Julho
08:20 horas

Uma quinta roda. A nona salsicha com aquele maldito pacote 
com oito pes. Ali tinha uma conspirao! Os restinhos da 
caixa de sucrilhos do Cap' Crunch.

Yeap. Era exatamente assim que Zeke se sentia. Ele encarou 
o casal  sua frente. Nem mesmo um p de cabra poderia 
entrar no meio deles. Zeke s queria se mover furtivamente 
para fora dali e dar um pouco de privacidade para eles. Se 
eles no estivessem bloqueando a nica sada...

Mas l estavam eles. Enquanto Zeke observava, ele no tinha 
muita certeza sobre o que estava segurando eles de p. Os 
braos de Mulder estavam embrulhados com fora ao redor dos 
ombros de Scully. Uma das mos dele se moveu furtivamente 
para o cabelo dela, apertando a cabea dela contra o trax 
dele.

E em algum momento, Scully tinha derrubado a arma dela no 
cho, lerdamente. E agora os joelhos dela tinham ficado 
moles, e Mulder era seu nico e exclusivo apoio. Ao que 
parecia, Mulder no tinha notado isso.

Zeke percebeu que tinha que agir. Ele esticou a mo com 
cuidado, e suavemente bateu no ombro de Mulder.

"Mulder..." Zeke falou, baixo.

A resposta de Mulder foi uma combinao de movimento dos 
ombros, e um pequeno grunhido.

"Mulder" a voz de Zeke era mais firme, mais forte. Seus 
dedos apertaram o ombro do agente.

"Mulder!"

O alarme na voz de Zeke finalmente chamou a ateno do 
homem mais jovem.

"Scully?" Mulder tentou se afastar para ver o rosto dela, 
mas ela tinha se tornado um peso morto contra ele.

"Vamos coloc-la no sof" Zeke ordenou, tirando os obstculos 
da frente, como a mesa de centro. Ele pegou a arma dela, e 
colocou na cintura.

Mulder acenou com a cabea, e com um rpido movimento, ele 
pegou sua parceira nos braos.

Enquanto Mulder deitava Scully com cuidado, Zeke comeou 
a procurar almofadas. "Precisamos elevar os ps dela..." 
Zeke falou com um ar de autoridade mdica que ele no 
estava sentindo nem um pouco.

Mulder apontou para o quarto, e Zeke saiu como um tiro. 
Alguns momentos depois, ele voltou com dois travesseiros. 
Mulder estava ocupado tirando o cabelo do rosto de Scully. 
Seus dedos demoraram sobre os cortes e contuses que 
haviam na bochecha e no queixo dela.

Zeke hesitou. Por alguma razo, ele no sentia que tinha 
o direito de tocar na mulher. Mas Mulder sentiu sua 
presena e assumiu. Ele deslizou um brao debaixo das 
pernas dela, e as ergueu, enquanto Zeke colocava os 
travesseiros debaixo dela.

Com isso feito, Zeke ainda precisava fazer alguma coisa.

"Voc tem alguma garrafa de gua aqui, Mulder?" Zeke 
perguntou, esperanoso.

"Na cozinha - debaixo da pia..."

Zeke saiu, feliz em ter algo para fazer.

* * * * * * * *

Scully comeou a se mexer. Os olhos dela tremularam, mas 
no abriram.

"Scully?" Mulder incitou.

Com os olhos ainda fechados, ela elevou a mo direita, e 
colocou-a sobre o antebrao dele.

"Eu estou bem, Mulder", ela murmurou.

Em face a tal comentrio absurdo, Mulder fez a nica coisa 
bvia que poderia fazer. Ele riu. Era uma liberao de 
alvio e alegria ouvir a voz dela de novo.

" bom te ver tambm, Scully" ele sorriu enquanto pegava 
a mo dela com a dele.

Desta vez, Scully abriu os olhos e olhou o ambiente - 
finalmente atenta de onde estava.

"O que aconteceu?" Mulder perguntou - a pergunta muito mais 
ampla do que apenas querer saber sobre o desmaio dela.

"Deve ser pouco acar no sangue... eu no como nada desde 
ontem de manh. Eu s preciso descansar por um minuto."

Ela piscou algumas vezes, e ento tentou se sentar. Mulder 
deslizou um brao atrs das costas dela para ajudar, mas a 
outra nunca soltou a mo dela. Ele a observava com ateno, 
mas ela parecia estar bem.

"Ns vamos pegar alguma coisa pra voc comer" ele falou 
enquanto se ajoelhava  sua frente.

"Ns?"

Mulder estava a ponto de responder quando Zeke voltou para 
a sala. 

" seguro entrar agora?" ele perguntou enquanto entrava, 
suas mos para cima, em rendio - e uma garrafa de gua 
numa delas.

"Scully, esse  Zeke. Zeke - Dana Scully."

Zeke avanou e, depois de abrir a garrafa, oferecendo isto a 
ela. Ento ele olhou para Mulder, pronto para provoc-lo.

"Caramba, Mulder. Eu sei que voc disse que ela era bonita, 
mas voc poderia ter pelo menos alertado este velho para 
preparar o corao dele!"

Mulder estava um pouco agitado demais, e Scully quase 
sufocou na gua enquanto Zeke se sentava na cadeira em 
frente ao sof.

Mulder soltou a mo de Scully depressa, e ficou de p. 
Mantendo o olhar deliberadamente longe de Zeke, ele foi 
para a sua mochila e pegou uma barra energtica do bolso 
lateral. Ele voltou para Scully, e deu para ela.

"Obrigada" ela resmungou. Inconscientemente, ela se mexeu 
um pouco para dar espao para Mulder se sentar. E mesmo 
que o semblante divertido de Zeke ainda fizesse as orelhas 
dele queimar, Mulder se sentou ao lado dela, a perna dele 
descansando contra a dela - precisando daquela conexo com 
ela.

"Voc est se sentindo bem, Srta. Scully?" Zeke perguntou.

Scully acenou com a cabea enquanto mastigava. "Sim, obrigada. 
E  Dana."

Ela olhou para o homem mais velho com cuidado. Ele tinha... 
a pele curtida pelo sol e vento. Ele parecia um capito do 
mar. Ela gostou dos olhos dele - gentis, mas com certeza 
brincalhes.

Mas ela ficou intrigada pela palidez na pele dele. Ela podia 
ver mesmo debaixo do bronzeado. Ela teria dito algo, mas 
Mulder - mestre na arte de mudar de assunto - a interrompeu.

"Voc est com o pacote que os rapazes mandaram pra c?" 
ele picou, esperanoso. Ele estava tentando colocar a 
conversa em cho neutro, o que era bvio.

Ela suspirou e olhou para ele. Scully no queria falar sobre 
o pacote ainda.

"Sim, Mulder. Est perto da porta", ela inclinou a cabea 
para a entrada.

Mulder ficou em p na mesma hora, e foi pegar o bendito pacote. 
Enquanto isso, Zeke observou Scully. Ele viu a rigidez nas 
costas dela, o cansao nos olhos. E ele notou a facilidade 
com que ela tinha mudado o tpico sobre o mal estar dela, e 
seus machucados. Ento, ele se lembrou de que Mulder no 
tinha visto toda a evidncia que foi deixada no apartamento 
de Scully. Todo aquele sangue.

Ele ficou de p, e foi atrs de Mulder. Enquanto o agente 
pegava o pacote, Zeke colocou uma mo no antebrao dele. 
Ele falou numa voz baixa.

"Mulder, eu sei o quanto voc quer ver o que tem a. Posso 
ver o quanto isso  importante pra voc... mas ela..." ele 
gesticulou para Scully. "Dana precisa descansar um pouco. 
Deveramos cuidar dos ferimentos dela. Alm disso, eu me 
sentiria muito mais seguro de volta no barco. Ns podemos 
olhar para o pacote l mesmo... ok? No acho que algumas 
horas vo fazer tanta diferena assim..."

Mulder olhou de Zeke para Scully. Ele viu as linhas no rosto 
dela. As linhas que tinham desaparecido convenientemente 
de sua viso no minuto em que ele pensou no pacote. Seus 
ombros caram. Zeke tinha razo, como sempre.

Mulder voltou para Scully, e se ajoelhou na frente dela.

"Olhe, Scully... se voc estiver legal, acho que devemos 
sair daqui. Zeke tem um barco..."

"Um barco?" ela interrompeu, erguendo a sobrancelha em 
dvida. Desde quando Mulder conseguia agentar o mar?

Mulder sorriu maliciosamente de volta.

"Na verdade, Dana" Zeke repicou... ele no podia resistir. 
"Tem quatro camarotes... cozinha de luxo... e um bar muito 
bem servido... dois chuveiros e uma sute, uma cabine 
mestre... que tem uma coisa que eu acho que voc vai gostar. 
Uma banheira maravilhosa, funda, de luxo." Zeke lhe deu um 
sorriso mau.

Scully virou para Mulder, muito sria. Ela bateu no ombro 
dele de leve. "Mulder, foram seis anos muito bons... mas 
acho que vou com ele."

Mulder fez mmica de um rpido *ha,ha.* "Acho que ele no 
vai conseguir te controlar, Scully. Alm disso... ele j me 
deu a cabine mestre. Mas estou disposto a lutar com voc 
por ela, Scully..." Mulder balanou as sobrancelhas dele.

Zeke suspirou dramaticamente. "Acho que ele vai ter que vir 
tambm."

Scully sorriu para Mulder, e passou a mo no cabelo dele 
arrepiando os fios. "Yeah, Zeke. Acho que no seria seguro 
para mim deix-lo sair da minha viso agora que eu o tenho 
de volta..."

Ela deixou as palavras sumirem. Scully no pretendia dizer 
tanta coisa em voz alta. Mas Mulder no apertou ela.

"Acha que consegue andar?" ento, num tom de voz srio, que 
a pegou de surpresa, ele somou. "Eu posso te carregar, se 
voc quiser..."

Scully olhou pelo ombro de Mulder para Zeke, que estava 
apoiando na entrada, com um olhar de diverso no rosto. 
Ela voltou a olhar para Mulder.

"Acho que consigo andar sim. A gua e a barra energtica 
era o que eu precisava..."

"Tudo bem. Mas antes me deixe ir pro quarto e pegar umas 
coisas."

Mulder ficou de p e saiu para o quarto. Scully e Zeke podiam 
ouvi-lo mexendo nas gavetas e armrio. Dois minutos depois, 
Mulder estava de volta ao lado de Scully.

Ele lhe ofereceu uma mo. Ela aceitou e ficou de p lentamente, 
sentindo a fora do brao dele - uma fora que no a deixaria 
cair. Ela ainda estava um pouco tonta, mas sabia o que tinha 
causado isso - e no era simplesmente pouco acar no sangue.

Mas Mulder no precisava saber disso agora mesmo. Alm disso, 
talvez ela estivesse errada sobre o seu autodiagnstico.

Mulder a agarrou como se fosse celofane no CD enquanto ela 
dava alguns passos. Quando ele estava certo de que ela no 
cairia de cara no tapete, ele lhe deu um pouco mais de espao 
para respirar.

O trio foi para a porta.

* * * * * * * *

Sirene do Mar
15:00 horas

Scully ficou sentada no deck principal, olhando para as 
docas abandonadas. Ela estava se sentindo muito melhor. 
Ela e Mulder estavam juntos novamente, Zeke tinha lhe 
preparado a primeira comida decente que ela tinha comido 
em anos, e o chuveiro e xampu ajudaram a limpar vrios dias de sujeira e horror. E ela estava de olho num longo banho na banheira antes de ir para a cama naquela noite.

Ela e Mulder concordaram em olhar e discutir o pacote dos 
pistoleiros - mais como bomba relgio - ela pensou, depois 
do jantar. Enquanto isso, Mulder tinha sado do barco h 
umas duas horas, dizendo que ele precisava pegar algumas 
coisas, e resolver alguns negcios.

Ela e Zeke discutiram com ele, dizendo que era muito perigoso 
para ele ir sozinho, e Mulder os dispensou. Scully no estava 
em forma para ficar andando pela cidade e ele queria que Zeke 
ficasse vigiando o barco.

No fim, Mulder ganhou, claro.

E era por isso que eles estavam ali, agora, ela escutando 
o fluxo do rio, enquanto suas ondas criadas pelo vento 
lambiam os lados do barco.

Ela fechou os olhos, tentando se lembrar como era um dia 
normal em Alexandria - o som de compradores sobre as caladas, 
motores, freios, o 'aham' de algum pigarreando...

No. Espera. Aquele "aham" era de algum aqui, e agora.

Zeke estava sobre ela, a face mostrada em silhueta pela 
sombra do sol  distncia. Um pequeno isopor oscilava em 
sua mo.

Ele gesticulou para a cadeira ao lado dela. "Este lugar 
est guardado, senhorita?"

"O barco  seu" Scully respondeu com um pequeno sorriso.

Zeke puxou a cadeira mais perto para Scully, tendo o cuidado 
para no ficar de frente ao sol da tarde. Ele colocou o 
isopor ao lado dele, no cho.

"Parece que voc est se sentindo bem - menos plida" Zeke 
aventurou.

"E estou. Aquele chuveiro, e sua comida eram o que eu 
precisava." Scully respondeu. Mesmo que ela quisesse confiar 
em Zeke... tanto quanto ela queria ter algum em quem confiar... 
ela ainda mantinha a guarda. Anos de prtica sem defeito.

Zeke acenou com a cabea, em silncio. Ele se inclinou e 
abriu o isopor, pegando duas garrafas. Ele ofereceu uma 
para Scully. gua gotejava pelo vidro, sobre o rtulo. Ela 
podia ver que era algum tipo de bebida de alta-protena, 
um suco, super-nutriente.

"Acho que ns dois sabemos que voc precisa disso..." Zeke 
explicou.

Ela pegou a garrafa, mas fitou os olhos dele. De alguma 
maneira, ele sabia. Mas quanto? Ela no podia olhar pra 
ele, e olhou para a garrafa, lendo os ingredientes. Yep. 
O que o mdico tinha ordenado. Era at mesmo um dos sabores 
preferidos dela. Morango-laranja-banana. Ela tirou a tampa, 
e tomou um gole.

Zeke levou o silncio dela como um sinal para continuar 
falando. Ela queria ser persuadida para uma confisso. E 
ele no iria voltar.

"Perdoe-me a intruso, Dana, mas eu sei que voc ainda no 
contou para Mulder... e eu acho que voc no planeja contar 
pra ele os detalhes do que aconteceu l no seu apartamento."

Ela tomou outro gole e encarou as docas.

"Mulder no viu todo o sangue, mas eu sim. Eu no quis que 
ele visse aquilo."

Aquela lembrana. Ela tinha que dizer alguma coisa. Tentar 
explicar.

" complicado, Zeke. E eu acho que voc no conhece toda a 
histria..."

"Da maneira como eu vejo, ns  que escolhemos fazer as 
coisas complicadas. Ns tambm podemos escolher fazer as 
coisas simples. No contar pra ele vai fazer isso - o que 
quer que seja - ir embora?"

Ela hesitou por um momento antes de tremer a cabea. Claro 
que o silncio dela no faria isso ir embora. Mas dizer isso 
para Mulder... revelando tudo, vai ajudar?

Zeke no esperou pela resposta verbal dela.

"Achei que no. Dana. Olhe pra mim."

Scully se virou. O olhar dele, o rosto - ele era to sincero.

"Tudo que vocs tm agora  um ao outro. O mundo que ns 
conhecemos foi embora. Fale com ele. Eu sei que voc confia 
nele. Posso ver isso como vejo o dia. E eu acho que ele 
merece saber a verdade."

Scully vacilou ao uso da palavra. Bateu perto do osso. Zeke 
fingiu no notar.

"Alm disso, Dana. Voc  uma pssima mentirosa, e seu rosto 
no fica mais bonito. No quando vale a sua sade."

Zeke tinha feito tudo que podia sobre o assunto e ele reconheceu 
isso.

Ele pegou a mo dela, e se ajeitou na cadeira.

Em silncio.

* * * * * * * *

Eles se sentaram durante uns quinze minutos antes que Zeke 
falasse de novo.

"No sei quanto tempo temos antes que Mulder volte, ento 
eu gostaria... eu preciso falar sobre isso com voc agora. 
No podemos ficar aqui em Alexandria para sempre. Ento, 
eu estou velejando para fora daqui amanh. Sozinho."

"O que voc quer dizer com 'sozinho'?" Ela perguntou.

"Dana, no posso nem explicar para mim mesmo, ento eu duvido 
que v fazer sentido para voc. Eu s sei que eu fiz o que 
tinha que fazer. Ajudei Mulder a te encontrar. Mas agora, 
vocs dois tm uma estrada diferente para viajarem juntos. 
Vocs precisam ir para... algum lugar para as plancies... 
como..."

"Nebraska?"

"Yeah. Acho que  isso... como voc sabia?" Zeke ficou 
chocado no comeo. Mas logo ele se lembrou dos sonhos de 
Mulder. Ela recebeu essas mesmas imagens? Imagens que ele 
no conseguia se lembrar direito?

"Eu tenho tido sonhos..." Scully resmungou. Ela ficou 
quieta por alguns momentos, tentando entender as cenas 
confusas que passavam por sua mente de novo - mas ela se 
lembrou das palavras de Zeke.

"Mas voc ainda no respondeu minha pergunta. Por que voc 
est indo embora?"

"Eu no disse nada para Mulder. Para ser honesto, eu no 
achava que ficaria to preso a ele. Ele  meio spooky. 
Entra na sua pele. E agora, no consigo achar uma maneira 
de falar com ele. Melhor deixar ele pensar que isso  minha 
escolha..." ele riu. "Acho que voc e eu no somos to 
diferentes, afinal de contas, hein? Coitado do Mulder."

Scully sorriu maliciosamente, erguendo a sobrancelha esquerda 
automaticamente.

"Eu sei. Estou falando bobagens. Mas o tempo passa, mesmo 
para mim... veja bem, antes disso tudo acontecer, eu j 
tinha recebido minha sentena. Cncer Pancretico."

Scully empalideceu, mas tentou manter a compostura. Pobre 
Zeke no podia imaginar o boto que ele tinha acabado de 
apertar.

Ela pigarreou antes de falar. "Eu notei que tinha alguma 
coisa errada. Eu s no sabia como perguntar. Quanto tempo?"

"Talvez mais dois ou trs meses..."

"Voc tem dores?"

"Um pouco. Mas no  to ruim assim."

"Podemos pegar um pouco de Demerol pra voc... alguma coisa 
para a dor. Voc no vai precisar de receita..." ela ofereceu.

"J tenho remdios, Dana. E eu achei que poderia usar um 
pouco mais quando o tempo vier..."

Scully tremeu a cabea. Ele era realmente muito sincero. 
Ela foi daquele jeito quando ela...?

"Zeke. Voc no deveria estar s. Fique conosco..." ela 
urgiu.

Desta vez ele foi firme. "No. No  assim que deveria 
terminar..."

"Eu no ligo, droga!" Scully contraps.

"Sim. Voc liga. Voc teve os sonhos."

Scully no quis escutar.

Zeke insistiu. "Bem e o mal. Cu e Inferno.  isso que 
estamos enfrentando agora. Recebemos sugestes. Orientaes. 
Mulder teve os sonhos tambm, Dana. E sabe, como voc, que 
vocs precisam ir para Nebraska... e eu sei o que eu tenho 
que fazer. Sei com tudo que h em mim que eu no estarei 
naquela estrada com vocs dois... com meus dois queridos 
amigos."

Ele sentou na cadeira, com um suspiro.

Scully no sabia o que dizer. O que poderia dizer? Ela 
podia sentir que Zeke estava certo... ela sentia isso. 
Eles no tinham escolha.

Zeke trouxe a cadeira dele at tocar na dela. Ele passou 
um brao pelos ombros dela.

"No se preocupe comigo, moa. Eu vou ficar bem. Se eu 
morrer amanh, vai ficar tudo bem. Eu vivi uma vida completa. 
E eu trouxe Mulder aqui para voc - mais ou menos inteiro. 
Eu s estou pronto para fechar minha cortina. E eu sempre 
quis partir com o navio no pr-do-sol."

Scully colocou a cabea no ombro dele.

"Mas" ele brincou. "Se eu fosse alguns anos mais jovem, 
Mulder e eu estaramos duelando na doca pela sua mo, 
minha querida."

Ela sorriu suavemente e suspirou. "Eu sei que voc vai fazer 
o que tiver que fazer, Zeke. Mas eu poderia dar minha opinio, 
e dizer que isso  uma droga?"

Ele deu um aperto no ombro dela e riu. Ele olhou pela doca, 
e viu uma figura familiar, e cutucou Scully. "L vem o Romeo" 
ele provocou.

Scully observou enquanto Mulder pulava pelos buracos entre 
as madeiras, pouco capaz de segurar os dois sacos inchados 
de papel nas mos dele.

"Oh, no" Scully gemeu. "Ele fez alguma coisa..."

Zeke ficou de p, mas se inclinou para sussurrar na orelha 
dela. "Nah. Ele s est contente por poder voltar para algum 
que ele ama..."

E Zeke correu para ajudar o Romeo.

* * * * * * * *

Sirene do Mar
22:00 horas

O trio ficou sentado no deck, cervejas na mo. Um balde de 
gua estava perto, cheio de restos de gelos.

Mulder tinha insistido numa comemorao adiantada do Quatro 
de Julho. Por Zeke, tudo bem. E Scully deu boas vindas 
pela distrao na conversa dela com Zeke.

Para o alvio de Scully, Mulder no mostrou interesse nos 
arquivos dos pistoleiros. Evitao sempre foi uma boa 
terapia. Ento, eles jantaram uma comida gostosa, pegaram 
algumas bebidas fermentadas, e acenderam seus fogos de 
artifcio.

Agora eles tinham relaxado, as lnguas soltas pelo lcool. 
Zeke estava aproveitando a oportunidade para oferecer aos 
agentes alguns conselhos - Scully, dolorosamente atenta de 
seus significados, e Mulder, felizmente ignorante.

"... e eu tenho que advertir vocs dois. Aprendi algumas 
coisas sendo economista. Acho que ainda estamos na fase 
da 'Febre do luxo' deste novo mundo. Sobreviventes esto 
se recuperando do choque e esto percebendo que dinheiro 
no  mais objeto. Literalmente. Eles vo correr para 
concessionrias BMW, Cadillac, quebrando tudo, e dormindo 
em manses, vivendo como Donalds Trumps, sem eletricidade, 
e telefone."

"Mas isso no vai durar. Carros precisam de gasolina, postos 
de eletricidade, e visitas regulares de caminhes tanque. A 
comida que foi deixada nos mercados ser levada ou apodrecer. 
Nas prximas semanas, a sobrevivncia vai ser prioridade, 
separando aqueles que podem usar suas inteligncias e sim, 
fora muscular daqueles que no so inteligentes."

"Depois que essa fase da febre passar, s a sobrevivncia 
vai valer. A sociedade vai retroceder. E voc, minha querida 
Dana, ser um valioso artigo. No s porque voc  uma 
mulher jovem, bonita, saudvel, mas porque voc  mdica."

Mulder saltou dentro "Scully pode cuidar de si" ele disse... 
orgulhoso, mas com um pouco de pronncia lenta, induzida 
pelo lcool.

"Tenho certeza que ela pode. Mas est na hora de usar 
aquela memria seletiva do treinamento do FBI, amigos. 
No existe lei e ordem na Amrica, e no haver por muito 
tempo, eu posso imaginar. Vai ser tempo dos pioneiros, 
do Oeste Selvagem. No deixem que suas idias sejam suas 
quedas."

Os grilos de vero gorjearam. A gua esbofeteou contra o 
barco. E Mulder arrotou.

Scully levou isso como sugesto. " isso a, meninos. Meu 
banho me chama. Boa noite."

Ela apertou o ombro de Mulder e ento, para surpresa de 
seu parceiro, ela foi para Zeke, se inclinou e beijou-o na 
bochecha. Ela virou, tropeando ligeiramente, e com cuidado 
desceu os degraus para baixo no barco.

A mandbula de Mulder ainda estava boquiaberta enquanto Zeke 
unia as mos atrs da nuca, sorrindo de orelha a orelha.

* * * * * * * *

23:00 horas

Os homens estavam comeando a adormecer. Finalmente, Zeke 
ficou de p e bateu na perna de Mulder.

"Acho que est na hora de voc descer pro seu quarto. Dana 
est esperando..."

Mulder estalou em ateno. Zeke riu.

"Mulder, meu garoto... no que eu me importe com sua companhia, 
mas tenho certeza que voc  bem inteligente para saber o 
que voc deveria estar fazendo neste momento..."

Mulder ficou de p, depressa, segurando a cadeira para se 
equilibrar. Ele acenou com a cabea. Scully deveria estar 
na cama a essa altura... er... fora da banheira... Ele 
resmungou um boa noite para Zeke, e desceu os degraus.

Zeke observou enquanto a forma de Mulder sumia de viso.

"Cuide bem dela, meu amigo." ele sussurrou.

* * * * * * * *

Pelas docas

Ao longe, eles esperaram. E observaram as luzes amarelas 
enquanto elas subiam e desciam sobre a gua.

A hora deles logo chegaria.

Fim de Last 13



LAST ONE STANDING

* * * * * * *
CAPTULO QUATORZE
* * * * * * *

Pense no tempo - e em todo aquele retrospecto
Pense no hoje, e nas idades que continuaro daqui em diante.
Voc achou que voc no continuaria?
Voc temeu que o futuro no fosse nada para voc?
Que o hoje nada ?
Que o passado no  nada?
Se o futuro no  nada, eles com certeza no so nada tambm.
Pensar que o sol subiu no leste - que os homens e mulheres 
eram flexveis, reais, vivos
Pensar que voc e eu no vimos, sentimos, pensamos e nem 
agentamos nossa parte.
Mas hoje, ns estamos aqui agora, e agentamos a nossa parte 
sim.

- Walt Whitman "Think of Time"

* *

"Este  o fim..."

- The Doors

* * * * * * * * *

Docas de Alexandria
3 de julho
23:05 horas

Robert Barker esteve esperando por este momento toda sua 
vida. Ele tinha sido marcado a uma idade precoce.

No passado, em 1967, depois que a sua me Agnes tivesse sido 
espancada por Freddy Lamprey no banco de trs do seu Mustang 
65, o querido velho pai imediatamente tomou a rota varonil 
se alistando nos Fuzileiros e indo para o Vietn. A pobre 
Agnes foi deixada sozinha para lidar com a *verdade* e as *conseqncias*. Por isso, *Bob* Barker  um nome importuno. 
Pois Agnes Barker amou aquele espetculo de jogo.

E Freddy Lamprey realmente teve uma primeira semana ruim no 
pas. Cinco dias depois de aterrissar ele estava sentado em 
uma casamata, saturado em gua, quando alguma criana vietcongue 
veio correndo, granadas e explosivos amarradas sobre o corpo 
inteiro. Nem mesmo houve o suficiente de Freddy Lamprey para 
enviar pra casa numa caixa de sapato.

Assim, aos dez anos de idade, Bobby Barker estava carente no 
departamento da figura paternal. E Agnes estava determinada 
a fazer algo sobre isto. Alm do mais, ela estava realmente 
ansiosa para tirar Bobby do apartamento pois assim ela poderia 
ter algum tipo de vida social.

A resposta foi os Escoteiros da Amrica. O minuto que Agnes 
ouviu falar do grupo local, ela arrastou Bobby para a sede 
da agremiao e sumiu.

E foi assim onde Bobby Barker conheceu o lder da tropa, 
Richard Specter. E Richard deu a Bobby *muita* ateno. Ele 
o levou aos filmes de John Wayne. Eles brincaram juntos de 
soldados da tropa de choque do Exrcito. Richard era um 
*camarada* real.

E Agnes no levou em conta quando Bobby lhe falou sobre a 
viagem de campo, do Quatro de Julho, que Richard tinha 
planejado. Diabos. Ela estava contente para ter o pirralho 
fora do cabelo dela, de modo que ela poderia festar. Alm 
disso, Bobby sempre meio que a assustou. Ele tinha um modo 
muito arrepiante de encar-la... todo silencioso como... 
quando ela o enviou para o quarto dele por ser malcriado. 
E ele gostou de rasgar as cabeas dos seus G.I Joes.

Richard tinha falado para Bobby que ele era 'especial'. 
Assim Bobby fez tudo que Richard pediu. Sentiu-se curioso, 
mas realmente no ofendido. E Richard lhe falou que era o 
pequeno segredo deles, ento ele nunca mencionou. Nem mesmo 
quando ele envelheceu mais e Richard j no o chamava. E nem 
mesmo quando ele foi preso aos treze anos por roubar o 
velho Pontiac da senhora Simmons, que era uma porcaria, 
se qualquer um se preocupasse em saber. A transmisso 
sempre escapava.

Uma coisa que ele aprendeu de Richard: esteja sempre preparado. 
E ele se preparou para este momento nas docas de Alexandria. 
Anos de jogos de guerra e treinamento neonazista o tinham 
construdo.

E, ontem  noite, O Homem Sinistro tinha lhe falado s o 
que fazer. "Voc  especial, Bobby", ele sussurrou.

Bob Barker sorriu. Ele tinha um segredo novo.

Ele olhou nos cmplices, Hector Ramirez e Tony Washington. 
Ele odiava a pele impura deles, mas o que havia para um 
cara fazer com tais recursos limitados? Use-os para conseguir 
o que voc quer e depois os golpeie. Assim, por agora, 
eles eram um Esquadro Anti-Mod regular. Barker era Pete, 
Washington era Linc, e Hector - que gostava de se vestir 
a rigor como um broto Latino e gingar no Sudeste de D.C. 
- ele era Julie, embora bem menos quente e certamente no 
to loiro quanto o broto na TV. E no to tentador como a 
cabea vermelha no barco.

Barker fez Washington e Ramirez conferirem as armas e ele 
revisou o plano com eles uma ltima vez antes que passassem 
a ao.

Oh, os dedos estavam coando.

* * * * * * *

A Sirene do Mar
23:08 horas

Mulder abriu a porta da cabine em silncio. Ou pelo menos 
ele tentou abrir. At mesmo que a suave mar do Rio Potomac 
fosse capaz de fazer o cho subir e descer, dificultando 
ele de achar e abrir de maneira adequada a maaneta da 
porta. Claro que as cervejas no ajudaram em nada.

Ele estremeceu enquanto passava pela entrada. Ele olhou, 
esperando ver uma carranca de Scully, mas ficou aliviado 
ao ver que ela estava imvel, deitada na cama. Ela devia 
estar muito cansada.

Um lampio de querosene estava preso  mesa, ao lado da 
cama. Era uma concesso que eles tinham feito para economizar 
combustvel no barco. Sua luz lanava sombras pela figura 
dormente na cama.

Scully estava sobre as cobertas, enrolada como uma bola, 
mostrando que estava sentindo a falta de ar condicionado 
na cabine.

Mulder ficou contente em observ-la por alguns momentos, 
feliz s com o fato de que ela estava aqui, com ele. Ele 
tentou no sentir desapontamento por no ter pego ela ainda 
na banheira... mas ele notou o pijama dela. Ela estava 
usando um short, e uma das camisas velhas de esportes 
dele. E Mulder sorriu.

Ento, decidindo que seria melhor no invadir a privacidade 
de Scully, ele foi em direo s mochilas deles, que tinham 
sido colocadas no sof. Ele queria olhar para o arquivo que 
os Pistoleiros tinham deixado em seu apartamento, e achou que 
agora era uma hora boa para ler, como qualquer outra hora.

"Mulder", Scully falou, o assustando.

"Eu sinto muito. No queria te acordar..." Mulder murmurou.

"Eu no estava dormindo."

Scully se sentou na cama e aumentou um pouco a luz. Ela 
correu uma mo pelo cabelo, e piscou para ver o que Mulder 
estava fazendo.

Ele no tinha certeza do que ela queria. "Eu s vou pegar 
umas coisas aqui, Scully, e j vou sair..." ele comeou a 
pegar o pacote com o arquivo.

Mas Scully no o deixou sair to fcil.

"Mulder, est tarde. O arquivo pode esperar at amanh."

"Mas..."

Ela estava implorando com o olhar. O que estava acontecendo 
aqui?

Ele foi at a cama, e se ajoelhou. Ele ergueu a mo para 
tirar o cabelo dela pra trs, para poder ver o rosto dela. 
A contuso ainda estava l, com alguma cor, como ia ficar 
antes de melhorar.

"Voc est se sentindo bem?"

"O banho foi bom... mas est um pouco quente aqui..."

" uma pena que no podemos usar o ar condicionado..." mas 
ento ele pensou numa coisa. Pulando, ele correu pelo quarto. 
O olhar confuso de Scully o seguiu. Ele foi pra trs do bar, 
e abriu o pequeno congelador.

Depois de vrios momentos, e barulhos, ele voltou pra cama 
com um copo enorme, e uma toalha de mo. Ele segurou o copo 
e ela podia ver que ele estava cheio de cubos de gelo.

Sem fazer cerimnia, ele colocou metade dos cubos na toalha 
e fechou as pontas. Ento, ele se estatelou na cama ao lado 
de Scully. Ele ergueu o pacote improvisado de gelo at o lado 
do rosto dela.

"Isso deve ajudar... e ns vamos aproveitar e tentar fazer 
esse inchao abaixar um pouco."

"Obrigada, Mulder."

Ela tinha erguido a prpria mo para deixar a de Mulder 
livre, mas ele no deixou.

"Pode deixar comigo..."

Ele ficou um pouco surpreso quando ela consentiu.

Depois de alguns momentos de silncio, Scully resmungou. 
"Espero que voc no se importe por eu ter pego uma de 
suas camisas emprestada. No tive chance de apanhar muita 
coisa do meu apartamento..."

"Sem problema. Tenho certeza que minha camisa est muito 
mais contente com este arranjo" ele brincou. "Mas, s pra 
voc saber, eu peguei algumas coisas suas enquanto estava 
no seu apartamento ontem... pensei em te pegar de surpresa 
amanh. Est tudo na bolsa sobre a minha..."

Scully tentou no deixar os olhos molharem. Mulder ficou 
contente quando viu a expresso grata dela. As palavras 
no eram necessrias.

Enquanto Mulder erguia a toalha para conferir o progresso 
do gelo, a manga dele subiu, revelando a bandagem perto do 
ombro dele. Como ela no tinha notado isso antes? Scully 
carranqueou e levou a mo para isso. Ele deu de ombros e 
colocou de novo o pacote de gelo no rosto dela.

Ela estreitou os olhos, preocupada. "O que aconteceu com 
seu brao, Mulder?"

Ele deu de ombros de novo. "Os rumores de que os novos 
nova-iorquinos so rudes so verdadeiros..."

Scully rodou os olhos, aborrecida, mas aceitou a falta de 
explicao dele. Mais uma vez ele estava minimizando algum 
evento mortal que ela no gostaria realmente de saber os 
detalhes.

"Voc pode me contar o que aconteceu com voc, Scully?"

Ela tremeu ligeiramente.

"No quero falar sobre isso hoje  noite... eu quero..."

"Voc tem certeza que est se sentindo bem?"

Ela colocou a mo sobre a dele. "Eu estou agora. O resto 
pode esperar. Hoje  noite, vamos deixar o 'agora' ser o 
'agora'. Podemos negociar com o resto amanh... okay?"

Mulder viu que o que ela estava dizendo estava em seus 
olhos. " isso que eu preciso fazer esta noite, Mulder" 
ele acenou com a cabea, em acordo, e deixou o assunto 
pra l.

Quinze minutos depois, o gelo estava quase derretido, e 
Scully, quase dormindo. Mulder tirou a toalha do rosto 
dela, usando a ponta seca para secar, suavemente, as 
pequenas gotas de gua na bochecha dela. Mais uma vez, 
ele quis saber o que tinha acontecido com ela. O que ela 
tinha feito enquanto ele e Zeke estavam tentando voltar 
para D.C.?

Relutante, ele saiu da cama, abaixou a luz e colocou a 
toalha sobre a pia do bar para secar. Ele voltou para 
Scully, para a cama. Era muito convidativo, mas ele sabia 
que havia uma cama perfeitamente boa na cabine vizinha.

Ele se virou para partir...

"Acho que seria melhor para ns dois se voc ficasse." 
Scully falou.

"Voc tem certeza, Scully?" Mas enquanto perguntava, ele 
j estava voltando pra cama. Seu corpo traa suas palavras. 
Ele precisava estar com ela tanto quanto ela precisava 
estar com ele. Ela s estava sendo honesta sobre isso.

Scully acenou com a cabea. "Sim... por favor."

Ele ficou ao lado da cama enquanto tirava a camisa e cala 
jeans. Ele deitou ao lado dela, de costas. Ela estava virada 
de lado, de cara para a parede... longe dele.

Ele sabia que ela queria dizer alguma coisa, mas tinha medo... 
ela se virou para o outro lado para poder falar sem ver o 
rosto dele. Os olhos dele.

"Do que  que voc tem tanto medo, Scully?" Mulder perguntou 
enquanto comeava a correr a mo sobre as costas dela, fazendo 
pequenos crculos de conforto.

A voz dele - aquele tipo de voz que um homem tenta fazer 
quando sussurra - ajudou ela a encontrar a prpria voz.

"Pensei que nunca te acharia... pensei que estava sozinha..."

A mo dele parou. Mulder se apoiou adiante e beijou-lhe o 
ombro. "Ns nunca mais vamos nos separar de novo, Scully. 
Eu prometo."

Mulder continuou esfregando as costas dela, at que a 
respirao de Scully ficou regular, como em sono. Ele 
retirou o cabelo dela, para poder ver-lhe o rosto... e 
seu corao parou.

Havia um inchao forte, vermelho, na parte de trs do 
pescoo dela. Justamente onde o implante tinha sido 
colocado debaixo da pele.

"Scully? O q..." ele comeou, mas ela j estava dormindo, 
e ele no teve coragem de acord-la.

Era por isso que ela estava to relutante em ver os arquivos? 
Por que ela no queria falar sobre nada, a no ser o presente? 
Ela podia ser to teimosa... Porm, com esta descoberta, as 
coisas iam mudar pela manh.

Ele deslizou a mo sobre o brao dela, at pegar-lhe os 
dedos, e entrela-los com os dele. Com a conexo renovada, 
ele exalou uma longa respirao e fechou os olhos, buscando 
sono.

* * * * *

Alguns minutos depois, quando ela tinha certeza de que ele 
estava dormindo, Scully abriu os olhos. Ento Mulder achou... 
ela sabia que no havia como escapar da conversa pela manh. 
Mulder iria insistir. Por um lado, ela temia isso... mas por 
outro, ela estava dando boas vindas. A pior parte de tudo 
era no ter certeza... e Mulder compartilharia este fardo 
com ela, aliviando seu peso, enquanto eles tentavam encontrar 
uma resposta juntos.

Sem descanso, ela deitou de costas, para mais perto de 
Mulder. Suas mos ainda estavam unidas, e ela as colocou 
sobre seu estmago. Ainda adormecido, Mulder rolou adiante 
com um suspiro, descansando a cabea sobre o ombro dela.

Ela fechou os olhos mais uma vez... esperando que os 
sonhos a poupassem pelo menos durante uma noite.

* * * * *

Ele estava passeando pacificamente pelas filas de milho 
balanadas pelo vento quando ele a ouviu.

"Voc fez bem, Zeke... mas ainda h uma ltima parede que 
voc tem que escalar..."

Zeke girou ao redor, esperando ver a velha mulher... mas ela 
no estava l. Ele continuou andando e estava alcanando a 
estrada de pedras quando veio o grito...

"Acorde, Ezekiel Polk! Agora! O perigo est aqui!"

* * * * *

Eles remaram a minscula embarcao, em silncio, para o 
barco... amaldioando as precaues do homem velho. Ele 
tinha movido o barco grande longe da doca antes de virar... 
baixando as ncoras muitas jardas do objeto slido mais 
prximo.

S fez a misso deles mais complicado. E realmente ps 
Barker de mal humor.

At que Barker agarrasse o cabo da escada de mo  popa do 
barco, os seus comandos j estariam esfalfados. *Da prxima 
vez traga alguns idiotas que no sejam viciados*, ele 
trovejou pra si mesmo.

Ao sinal de Barker, eles agarraram as armas e comearam a 
escalar.


* * * * *

Era a primeira vez que Mulder tinha estado aqui com ela. 
Nebraska. Casa de Hemmingford... ou um nome parecido com 
esse.

Mulder caminhou para ela, as mos estendidas. Mas quando 
ela tinha acabado de segurar, ela podia ouvir Me Abigail 
convocando...

"Fox! Dana! Fiquem Alertas! Ele est vindo agora!"

* * * * *

Zeke rolou pra fora da cama, e comeou a correr. *Nada mal 
para um velho* ele falou pra si mesmo. Ele agarrou a arma 
mais prxima - uma arma de fogo - e se apoiou ao lado da 
porta.

Com cuidado... lentamente... ele abriu a porta o mnimo 
possvel.

Algum estava no deck.... e com certeza no eram seus 
amigos do FBI.

"Vocs, seus punks, pediram por isso... venham e recebam 
o que pediram..." Zeke rosnou, humilde, enquanto saa em 
silncio da cabine dele, indo para o arco. Seu nico 
pensamento era: alcanar Mulder e Dana antes que seus 
convidados no convidados fizessem isso.

* * * * * *

Barker j tinha entendido quem estava onde. Ele estudou as luzes enquanto eles viravam de tempo em tempo. O homem mais jovem e a mulher estavam qui, pra baixo...
Ele acenou para Ramirez no arredar o p da entrada do corredor 
enquanto ele e Washington avanavam  cabine mestre.

* * * * * *

Mulder e Scully estavam de p, quase pegando as armas, 
quando a porta estourou aberta de repente.

Barker descarregou a espingarda dele no teto, borrifando 
todo mundo com madeira.

"Parados!"

Mulder pisou na frente de Scully... ficando entre ela e a 
espingarda que era empunhada pelo luntico.

Washington, que estava observando toda a festa, pulava, 
excitado, e se lanou adiante, e elevando o rifle sobre a 
cabea, bateu a coronha da arma contra o lado esquerdo da 
cabea de Mulder.

"Ele disse PARADO, seu idiota!"

"Mulder!" Scully ofegou enquanto ele se apoiava contra ela. 
Ela o agarrou, e ele conseguiu ficar de p de alguma maneira... 
ficando consciente por pura determinao. Scully usou a mo 
dela para tentar tirar um pouco do sangue do rosto dele.

"O que vocs querem?" Scully exigiu.

Barker riu primeiro. Ento, Washington viu a sugesto dele 
e entrou no meio da conversa.

"Ns queremos voc" Barker olhou de lado, lambendo os 
lbios de maneira obscena enquanto a despia com os olhos. 
Ele agarrou o prprio saco para dar mais efeito. Quando ela 
no reagiu, no se agachou com medo, ele fez carranca e 
apontou a espingarda para Mulder. "E no precisamos dele..."

Enquanto Barker apertava a arma, se preparando para atirar... 
enquanto Scully puxava Mulder para mais perto dela, tentando 
e esperando proteg-lo...

Havia uma comoo do lado de fora - Ramirez!

Os sons de uma briga.

Barker foi em direo  porta - frustrado com a interrupo. 
Ele acenou para Washington.

"Traga eles pra c... vai ser mais fcil fazer isso aqui 
fora. Ns podemos empurr-los no mar depois..."

Washington fez como foi dito, agrupando os dois agentes, 
Empurrando-os pela porta, atrs de Barker.

Scully no podia fazer nada. No enquanto ela tinha que 
apoiar Mulder... mas talvez Zeke estivesse bem...

Aquela esperana foi jogada longe quando eles chegaram no 
deck.

Ramirez tinha atirado Zeke no cho... a arma dele tinha 
deslizado pelo deck, e agora estava debaixo de uma cadeira.

Antes que o caos resolvesse, Mulder sussurrou depressa na 
orelha de Scully. "Siga meus passos, Scully..."

Ela respondeu com aquele aceno particular que ela sabia que 
s ele conseguia ver. Aquele aceno mnimo da cabea. *O que 
quer que seja, Mulder,  melhor ser bom*, ela rezou.

Antes mesmo que quaisquer dos invasores pudessem respirar... 
enquanto a guarda deles ainda estava baixa... Mulder caiu ao 
cho com um alto - e falso - gemido.

E antes que Washington pudesse reagir, Mulder rolou em cheio 
contra as pernas dele, derrubando-o sobre o deck, de maneira 
que a arma dele caiu do outro lado.

Scully estava num instante sobre a arma e a apontou para 
Barker...

Barker, como todo *bravo* lder tende a fazer quando a bosta 
cai no ventilador, correu. Ele mergulhou a estibordo no 
deck quando ela atirou...

Mulder fixou Washington no cho e estava a ponto de dar um 
soco no queixo dele quando o miservel arrancou uma faca do 
cinto...

Zeke viu Ramirez se preparando para atirar em Scully, e a 
chamou...

Scully girou ao redor a tempo de bater Ramirez em cheio. O 
trax dele explodiu com sangue misturado com carne e ele 
caiu no deck com um baque audvel...

Um a menos.

Mulder bloqueou a facada de Washington e usou o prprio 
peso para contra-atacar... ento virou os braos... e Mulder 
finalmente tremeu com esforo... mas a faca mergulhou dentro 
do peito de Washington, cortando a aorta dele...

Dois estavam fora da equao. O que sobrava...

Barker espiou pelo deck... e viu a mulher... ela estava de 
costas pra ele... olhando para o homem que tinha matado 
Washington... ela no podia v-lo enquanto ele se aproximava 
atrs dela... Diabos. Se ele no conseguisse pegar ela pra 
ele... ningum a teria...

Zeke viu o que estava acontecendo. Ele poderia ver os olhos 
de Barker e no teve dvida sobre as intenes do bastardo. 
Com um estouro sbito de energia, cheio de raiva, ele gritou, 
"No!" e se lanou sobre Scully.

* * * *

Depois, Mulder olharia para este momento e juraria que isso 
durou horas. Mas, na verdade, aconteceu num piscar de olhos.

A espingarda de Barker atirou uma exploso ensurdecedora de 
p e fogo.

Zeke se jogou sobre Scully, e a fora do impulso dele jogou 
os dois sobre a grade, e nas guas l embaixo.

Barker rugiu, se congratulando. Ele tinha conseguido matar 
dois pssaros com uma pedrada! Quem poderia saber? s vezes, 
estes estpidos ditados fazem sentido!

Mas a coragem de Zeke tinha comprado para Mulder um momento 
precioso de tempo. Ele mergulhou para a arma que ainda estava 
debaixo da espreguiadeira. Barker se virou ao movimento 
sbito de Mulder e tentou ajeitar a espingarda, se preparando 
para atirar e ganhar pra si o barco.

Mulder agarrou a arma nas mos e rolou ao mesmo tempo em 
que Barker atirou de novo, despedaando a espreguiadeira. 
Mulder terminou de rolar e ficou num joelho, elevando a arma 
enquanto Barker carregava a dele.

Mas Barker foi lento demais. Ele tinha encontrado um oponente 
perfeito, e estava pronto para ser vencido. Mulder atirou. 
E num estouro de fumaa picante, e fascas, a chama voou 
diretamente no olho direito de Barker.

O grito de Barker foi cortado de repente quando seu corpo 
comeou a ter espasmos, ainda de p. E o corpo virou e caiu 
sobre o rio.

O Homem Sinistro no tinha dito nada sobre isto! Mais nenhum 
segredo para Bobby Barker.

"Scully!" Mulder gritou enquanto corria para o lado do barco, 
e olhava para as guas.

Tudo que ele podia ver eram as ondulaes causadas pela 
introduo do corpo de Barker l embaixo.

No havia nenhum sinal de Scully ou Zeke.

Xxxxxxxxxx



LAST ONE STANDING

* * * * * * * * * * * * * *
CAPTULO QUINZE
* * * * * * * * * * * * * *

"Meu Capito no responde, seus lbios esto plidos, e, 
Meu Pai, ele no tem nenhum pulso, o navio est ancorado, 
so e salvo, sua viagem terminou e est concluda - Da 
viagem medrosa, o navio  vencedor, e entra vitorioso: 
Exulta! Toquem os Sinos! Mas eu, com passos tristes, 
caminho pelo deck onde meu capito est deitado, cado, 
frio, e morto."

- Walt Whitman

* * * * * * * * *

Nos filmes e nos romances, voc sabe como as coisas devem 
acontecer.

Quando o mocinho ou seu fiel parceiro parece estar mortalmente 
ferido, voc tem uma cena de morte. Um propsito  encontrado. 
Mos so seguradas. A msica cresce. Amizade, respeito e amor 
- coisas como estas - so afirmadas.

 uma regra escrita. Ou pelo menos eu tenho certeza de que 
est escrito em algum lugar.

Ento, seguindo a melhor das tradies gravadas em celulides, 
existe a vingana pela justia. Um show a ser mostrado. Meio 
dia. Gary Cooper limpa a cidade. O sol brilha novamente. O 
heri se regozija na vitria ganha a duras penas. Seu melhor amigo/namorada <o que melhor se encaixar aqui> ... no morreu 
em vo.

*Meu* amigo merecia muito mais do que isso.

Como oficial de execuo da lei, eu sei que morte na vida 
real no  to bonita, e nem  limpa. E ao contrrio da 
lenda de Hollywood, no existe romance nem chamas de glria 
envolvidas. E os finais sem soluo permanecem sem soluo.

Mesmo assim, eu ainda tenho esperana.

Fico de p, no barco, procurando pelas guas escuras por 
algum sinal de Scully e de Zeke.

Qualquer coisa.

Nada.

A gua estava surpreendentemente fria quando eu mergulhei. 
O mergulho lavou o suor da minha pele, e lavou o sangue da 
minha face, mas no tocou o queimar dentro do meu intestino.

Subi  tona logo aps eles. Meus companheiros eram uma 
dupla desajeitada, com membros espirrados, mas apenas uma 
tosse molhada na gua.

Nadei e agarrei uma camisa. Eu podia ver, sem olhar, que 
seu usurio no era o que estava lutando... tossindo.

Oh, Zeke. Voc me perdoaria pelo breve momento de alegria 
que senti quando eu vi que era voc? Que era Scully que 
estava viva, tossindo, e lutando? Que era ela que estava 
mantendo o seu corpo na superfcie da gua? Voc me perdoaria?

Eu sei que voc entende. Na verdade, voc provavelmente 
ficaria desapontado comigo se eu no tivesse sentido isso. 
(Eu acho que voc inventou e patenteou o detector de conversa 
fiada, Zeke. Voc viu cada uma das minhas pretenses... e 
eu prometo que vou cuidar da maior delas. Eu vou contar pra 
ela...).

No havia tempo ou fora para palavras enquanto Scully e eu 
o arrastamos para o barco. Te puxamos a bordo.

Scully no estava com foras para executar respirao boca 
a boca - ela tinha engolido muita gua do rio, tentando te 
manter na superfcie - mas ela tentou mesmo assim.

Eu a assisti. Separado. Aturdido. Sem me mover.

No era pra acontecer assim, Zeke.

No sei quanto tempo ela tentou, mas eu finalmente acordei 
e a parei, minhas mos nos ombros dela... "Mesmo que voc 
conseguisse, Scully... no temos hospital... nenhuma unidade 
de trauma para chamar..."

Ela finalmente viu o enorme buraco no lado do corpo. O furo 
em nossos coraes. (E havia algo mais nos olhos dela. Algo 
que no entendi e nunca vi antes. Mas depois eu pergunto o 
que era isso).

Mas veja bem, Zeke, eu exijo uma satisfao.  meu direito, 
droga. Mas a Bruxa M do Potomac est morta. No consigo 
fitar voc enquanto eu o afago em cmara lenta.

Maldio.

S espero que voc tenha ficado contente com o Ato Final que 
fizemos para voc. De alguma maneira, acho que voc gostou.

Sua Sirene do Mar parecia entender e concordar enquanto ns 
a prendamos no Potomac. E ela criou, de boa vontade, as 
chamas que ns colocamos.

Voc mereceu um enterro viking, amigo. Voc trouxe ela de 
volta pra mim, embora ns dois sabemos que nenhum homem a 
merece.

E, de todas as perdas sofridas, eu acho... eu acho que  
isso que mais machuca.

E eu vejo isto nos olhos *dela*, tambm. Por causa do que 
voc era.

Obrigado, amigo.

Mas... o que foi deixado para Scully e eu enfrentarmos? 
Sozinhos? De alguma maneira, acho que o seu caminho poderia 
ter sido o mais fcil.

Adeus, Ezekiel Polk.

* * * * * *

Norte de Winchester, Virgnia
5 de julho

Mulder fechou o dirio depois da primeira anotao, colocando 
a caneta na prxima pgina em branco. Ele tinha pego o 
livro ontem, em Alexandria... quando ele e Scully pegaram 
suas coisas para a estrada.

*Scully*. Ele olhou.

Ela estava apoiada contra uma rvore prxima... era um 
carvalho?... olhando para o que poderia ser chamada de 
Interestadual 81. Ela estava se abraando... e mordendo 
o lbio inferior.

Eles quase no falaram nada desde o funeral de Zeke. Por 
um tcito acordo, eles deixaram Alexandria pra trs - e 
tudo mais - o mais rpido possvel.

Depois que eles viram o barco queimando ao sol nascente, 
eles pegaram suas mochilas e foram para a cidade. Pegar 
curativos, remdios e bandagens. Scully cuidou do corte 
na tmpora dele. Pegaram conservas alimentcias e arroz. 
Mais outras coisas para sobrevivncia. Armas e munies 
deixadas pra trs ou que foram esquecidas pelos ladres.

E passaram na concessionria de motocicletas Honda.

Eles escolheram uma moto. Seria mais seguro. Se eles fossem 
destrudos, seriam destrudos juntos. E um deles sempre 
estaria com as mos livres para armar a espingarda. E com 
uma gratificao extra, esta moto aqui tinha espao para 
colocar as mochilas.

Eles ainda tinham que levar pouca coisa, mas eles no 
queriam deixar pra trs nada de seus pertences pessoais, 
j to poucos.

Eles estavam serpenteando a oeste, pela Interestadual 66. 
Enquanto os veculos abandonados dificultaram sua passagem 
em Arlington, poderia ser muito pior (embora o fedor estava 
a nvel 10). A Interestadual 395 estaria sem condies de 
uso. Mas a 66 era uma rodovia de acesso limitado. Assim que 
eles passaram pela Bulevar, na rampa Westmoreland/Washington 
e alm da sada do pedgio para Dulles, o caminho deles foi 
muito mais fcil - era muito menos provvel encontrar algum 
carro morto, mas com algum vivo dentro.

Assim que eles passaram por Fair Oaks, ele na verdade abriu 
o regulador de presso um pouco mais. Eles s reduziram a 
velocidade quando chegaram ao fim da 66 e tiveram que decidir 
se deviam ir ao sul, ou ao norte, pela Interestadual 81.

Eles optaram pela rota do norte, porque tinha sido menos 
habitada antes, e ento poderia ter menos 'perigos' no 
caminho para eles.

Enquanto andavam pela cidade histrica de Winchester, Virgnia, 
ambos tentaram ignorar os sinais de sada que os lembravam 
de BigMac, Eggdays e Cookies no caf da manh. Nada mais de 
Happy Meal, Beanie Babies e Pizza, e nem o sorvete de frutas, 
nem mais KFC - ou como Scully tinha ouvido um policial dizer, 
"Ken-Fucky Chicken". Todo sinal na rodovia era um sino 
soando.

Eles poderiam ter tentado achar um quarto de motel que no 
estava ocupado, mas nenhum deles sugeriu a idia. No. Eles 
nem mesmo discutiram que teriam que encontrar um local para 
acampar naquela noite... em algum lugar na estrada, longe 
dos prdios.

Talvez eles at tivessem falado trs dzias de palavras em 
muitas horas.

Mas agora, enquanto Mulder observava sua parceira, ele podia 
ver que a represa estava a ponto de estourar. O peso no trax 
de Scully tinha alcanado o ponto critico.

Ele ficou de p, escovou a grama da cala para avis-la de 
que ele estava chegando, e andou para trs dela. Ele colocou 
as mos nos ombros dela enquanto Scully continuou fitando, 
sem foco, a distncia  sua frente.

Os portes se abriram com um suspiro.

* *

"Eu fiquei l, e vi enquanto eles mataram Skinner."

* *

Ele apertou os ombros dela suavemente. Ela continuou.

* *

"Minha me estava doente. Ele estava tentando nos ajudar. 
Os guardas nos limites de D.C. abriram fogo contra ele. 
Assim. Sem mais nem menos. Minha me estava no banco de 
trs. Eu vi quando ele tropeou e caiu sobre a grade, no 
rio... e eu fugi."

* *

Ela olhou para o cho, distrada... e escolheu um local, 
e se sentou. Mulder se sentou atrs dela, na grama. Ele 
colocou a mo no joelho dela e escutou.

* *

"De algum jeito ns conseguimos voltar para Annapolis. Para 
a casa dela. Eu no me lembro das estradas... eu apenas 
dirigi. Ela... minha me... no sabia o que estava fazendo. 
Ela me bateu quando tentei tir-la do carro." ela esfregou 
a bochecha. "Mame nunca me bateu... era sempre Ahab que 
cuidava das surras. Mas ela no sabia o que estava fazendo..."

"Eu fui bruta com ela... ela no me deu escolha. Tive que 
lev-la pra dentro, mas no conseguiria subir a escada. 
Tive que coloc-la no sof."

"Continuei esperando... rezando para que a febre dela 
baixasse. Assim ns teramos tempo para falar. Ela estaria 
coerente. Eu poderia contar as coisas pra ela..."

"Ela morreu e eu acho que ela nem sabia quem eu era..."

* *

Scully comeou a puxar a grama nas mos... inconsciente, 
jogando pedacinhos pro lado, enquanto falava.

* *

"Eu a enterrei no jardim dos fundos. E ento, entrei. Sbado 
de tarde, na mesa da cozinha. Eu vi a lata de biscoitos de 
chocolate que ela tinha feito naquele fim de semana... para 
mim... e para voc tambm. Era como se eles fossem o ltimo 
pedao real que eu tinha dela. Ela os fez. E eu no podia 
suportar a idia de que eles seriam desperdiados. Que eu 
poderia perder esta ltima conexo com ela... ento, eu comi 
todos eles."

"Fiquei doente naquela noite. No sei se foi a overdose de 
biscoito ou choque..."

"A luz acabou na manh seguinte. Fiquei presa dentro de casa, 
com as portas trancadas. No consegui encontrar ningum pelo 
celular. No pude te localizar... eu no sabia onde voc 
estava... se voc ainda estava doente ou... eu s no sabia."

* *

Ela se mexeu para se apoiar contra as pernas de Mulder.

* *

"Fiquei escutando nos outros dias enquanto os sons comeavam 
a parar. Sem carros, sem motos. O ltimo barulho de que me 
lembro claramente foi o som de dois tiros na casa vizinha. 
Sra. Clemens tinha morrido... muito doente, mas o Sr. Clemens 
no. Eles estavam casados por 54 anos... decidi arriscar e 
fui espiar a janela na casa deles. Acho que o Sr. Clemens 
no queria ser deixado pra trs."

* *

Scully estendeu a mo pra trs, e encontrou a mo de Mulder... 
dando um aperto pequeno antes de soltar.

* *

"No podia ficar naquele bairro. A nica coisa que sobrou em 
mim era a esperana de que voc ainda estava vivo. Ento, 
deixei um bilhete na casa da minha me, para voc, e voltei 
para D.C.."

"Dirigi at onde pude, mas logo a rota 50 estava intransitvel. 
Muitos carros, com muitos motoristas mortos. Comecei a andar. 
Estava ficando escuro... e eu ouvi barulhos. Barulhos humanos. 
Nada amigveis."

"A nica escolha que eu tive foi rastejar no banco de trs 
de uma Caravan, e dividir o banco com a famlia Harper - 
eles tinham etiquetas personalizadas - enquanto eu esperava 
o pequeno grupo de baderneiros passar."

* *

Mulder estremeceu. Mas se achou sortudo por ela no ter 
contado os detalhes completos da cripta da famlia Harper.

Scully respirou fundo, limpando as narinas, se lembrando 
de tudo.

* *

"De manh, eu continuei andando at que encontrei uma 
bicicleta de dez marchas... eu no andava de bicicleta h 
o que? 15 anos? mas  verdade. Voc no esquece. Voltei 
para a rota 50 e corri... at que no fui to mal assim."

"Cheguei no meu apartamento no fim da tarde. O prdio no 
estava to ruim. Acho que a maioria dos meus vizinhos 
saram de D.C. quando as coisas ficaram ruins. Qualquer 
que seja o motivo, eu estava contente por estar num local 
conhecido."

* *

Ela se abraou mais forte... segurando as prprias costelas.

* *

"Tudo estava bem at a manh seguinte. Eu tive uma dor de 
cabea, e baixei minha guarda."

"Estava tentando dormir no sof quando ouvi eles quebrando 
a porta de vidro. No demorou muito para eles virem para o 
meu corredor. Passos pesados... um... dois... trs homens, 
pelas minhas contas."

"Fui estpida e deixei minha arma na cozinha... quando 
pulei para peg-la, a porta foi arrombada, batendo do lado 
de dentro."

"Foi quase cmico. Aparece um cara enorme, vestido em roupa 
cqui verde, como se fosse um membro do grupo Stallone, 
estava l, com uma cara... ele estava to surpreso por me 
ver ali, quanto eu a ele."

"Ficamos nos olhando por um momento... ento, me joguei pra 
cozinha, mas ele foi mais rpido. Ele me agarrou pela cintura, 
e me levou para o corredor, gritando para os amigos dele."

"Mas os dois *amigos* dele estavam tendo um tipo de briga 
no corredor... algo sobre um aparelho de som, e quem tinha 
visto o som primeiro..."

"Enquanto o Sr. Cqui me carregava para o corredor, ouvimos 
um som de espingarda... e ento, o homem com a cara cheia 
de acne estava de p, l, com a espingarda dele, olhando 
para o bandido nmero trs, que agora tinha perdido metade 
da cabea dele."

"O Sr. Acne olhou e deu de ombros. 'Ele ia nos roubar, cara', 
ele explicou. Infelizmente, no demorou muito para eles 
voltarem a ateno para mim. Mas, felizmente, a ateno 
deles se transformou numa briga por 'propriedade'."

* *

A voz de Scully assobiou a ltima palavra. Ela apertou os 
olhos com a memria.

* *

"Enquanto eles lutaram, eu tentei voltar pra cozinha... 
pegar minha arma... mas um deles me agarrou. Acho que era 
o que queria ser Rambo. Ele bateu na minha cara, e eu ca 
contra a parede. Mas ele voltou a lutar com o Cara de Pizza. 
Acho que ele pensou que eu estava vencida. Ha."

* *

Mulder sorriu. Ele com certeza saberia que no era esse o 
caso...

* *

"Ento eu consegui pegar minha arma. Dois tiros no corredor, 
e eles estavam correndo... tranquei a porta, e empurrei 
minha mesa contra ela e ento ca no sof para poder me 
recuperar."

"Eu sabia que ns s estvamos num cessar fogo. De jeito 
nenhum eles iam me deixar sozinha. Eles iriam esperar 
algumas horas... talvez at quando escurecesse... e eles 
(ou talvez apenas um...) faria o ataque final."

"Eu queria sair imediatamente, mas sabia que meu rosto 
estava sangrando, e eu precisava dar uma olhada para ver 
como estava... ver se eu poderia colocar um curativo ou 
algo assim. Mas, quando eu me levantei do sof, a sala 
comeou a girar. Ainda estou um pouco em dvida do que 
aconteceu nos minutos seguintes, mas eu consegui chegar 
ao banheiro. Havia sangue nas minhas mos, mas eu no 
podia entender de onde estava vindo. Minha cabea estava 
pulsando..."

"Ento eu olhei para o espelho, e vi o que era..."

* *

Mulder enrijeceu. A voz de Scully ficou suave.

* *

"Tive um sangramento. E no foi do soco que levei... eu 
sabia disso. Mas no havia tempo... ento eu me limpei da 
melhor maneira que pude."

"Ento peguei tudo que consegui pegar em dois minutos, e 
fui para o seu apartamento, esperando que aqueles dois 
burros ainda estavam ocupados lutando um com o outro para 
notar que eu tinha fugido do prdio."

"E eu acho que deu certo, porque aqui estamos ns..." 

* *

Mulder soltou o flego que estava prendendo. Ele estava 
tentando no deixar sua imaginao correr como louca - mas 
isso era impossvel de se fazer, normalmente.

"Scully..."

Scully virou para ficar de frente pra ele. O olhar dela 
estava quieto.

"Mulder... respondendo sua pergunta - sim. Eu tive mais 
dois sangramentos desde ento. Como antes."

"Mas... mas", ele gaguejou, e agarrou a mo dela.

"Fiquei com medo de te contar" ela passou a outra mo sobre 
o cabelo dele... e descansou sobre o rosto dele. "Mas Zeke 
me lembrou de quanto eu preciso da sua fora neste momento... 
e como eu no posso mais esconder nada de voc..."

Ela baixou a mo quando se lembrou de Zeke.

"Mas voc tem certeza disso, Scully? Como poderia ser o 
cncer? Como poderia acontecer to de repente?" Mulder 
tremeu a cabea. "Talvez tenha sido por causa do soco que 
voc levou..."

"Mulder, acho que podemos assumir, com certeza, de que 
tudo que estava controlando ou monitorando o chip no 
est mais funcionando. O chip falhou, e agora meu corpo 
est rejeitando ele. Sei que voc notou o inchao no meu 
pescoo..."

Mulder suspirou e acenou com a cabea. Negar no iria 
ajud-los agora. "Ento, o que ns vamos fazer agora?"

Scully encarou seu parceiro. Ela olhou o rosto, e depois 
as mos unidas. Ele disse 'ns'. Zeke estava certo, claro. 
Sobre tudo.

"Acho que devemos manter esta direo, para o oeste. Para 
Nebraska." ela respondeu.

"Eu estava falando... sobre o chip." Mulder insistiu.

"Eu sei o que voc quis dizer. Mas acho que o nico lugar 
onde vamos encontrar alguma resposta  l. Com Me Abigail."

Pronto. Ela disse. Ela mencionou o nome da mulher. Ela 
estava dando um pulo de f. Acreditando e confiando em 
algum que ela ainda tinha que se encontrar - isso se a 
mulher realmente existisse.

Mulder se sentou e embrulhou Scully em seus braos, 
descansando o queixo sobre a cabea dela.

"Ento, digo para comearmos logo. No temos tempo para 
desperdiar."

Scully soltou-se dele. Ainda havia uma coisa para contar 
pra ele. Dizer tudo de uma vez.

"Mulder, tem uma coisa que voc precisa saber. Zeke nunca 
teve chance pra te contar..."

"O que ?"

"Zeke estava morrendo. Ele tinha Cncer Pancretico. Zero 
chance de sobrevivncia."

Mulder ficou atordoado. Por que o velho no tinha dito nada? 
Ele olhou para Scully, e viu dor nos olhos dela. Era o mesmo 
olhar que ela deu no barco, depois da tentativa de salv-lo 
do afogamento tinha falhado.

Ele entendeu agora. Ele entendeu tudo. A insistncia de 
Zeke em ajud-lo a encontrar Scully. Todos os conselhos. 
A unio entre Scully e Zeke.

Zeke tinha se sacrificado por eles. De boa vontade.

Mas a histria que ele compartilhou com Scully terminaria 
de maneira diferente. Disso ele no poderia ter nenhuma 
dvida.

Ele ficou de p e ofereceu a mo para sua parceira.

Com palavras silenciosas, eles juntaram suas coisas sobre 
a moto, e saram pela estrada.

* * * * *

Eles no perceberam as nuvens escuras de tempestade que 
assomaram o oeste.

* * * * *



LAST ONE STANDING
* * * * *

* * * * *
CAPTULO DEZESSEIS
* * * * * 

Ligue-se ao cu
E agente firme, a noite chegou
Agente seu fardo terrestre
Voc apenas comeou."

- Amy Ray "Secure Yourself"

* * * * *

Wheeling, West Virgnia
Estrada Federal
4 de julho

Roscoe P. Buntz se sentou no meio da estrada e escarafunchou 
o nariz.

Ele parou, por um momento, os seus intensos esforos de 
escavao para um estalido rapidinho na direita e um restante 
persistente  esquerda, para uma boa medida.

Nope. Por uma vez, no havia ningum por perto para fazer 
um comentrio sobre a sua falta de modos em pblico. E se 
voc no puder apoquentar seus amigos pois no tem ningum 
l em casa, pode muito bem escarafunchar seu nariz.

No que Roscoe j tivesse muitos amigos. Ou qualquer um, 
quanto ao assunto. Ele era um homenzinho engraado - tinha 
sido um menininho engraado - com orelhas gigantescas e 
dentes salientes, e uma testa profundamente enrugada com 
s uma sobrancelha longa, furiosa e selvagem, exibida 
fortemente sobre ambos os olhos. Se John Hersey estivesse 
por a para comentar, ele teria dito que 'algum poderia 
imaginar que teria havido uma leve tendncia escondida e 
corroda entre os antepassados dele', e dizer que os 
antepassados no eram de muitas geraes remotas.

Roscoe cavou de volta no nariz com gosto renovado. A raa 
humana pode ter declinado, mas as alergias dele no. E 
aquela maldita sinusite, sempre gotejando meleca em rombos 
violentos do nariz.

"Sim!" ele clamou quando o ltimo filo da me foi habilmente 
removido e descartado. Ele respirou fundo. Sem mais obstruo 
ou puxes nos pelinhos internos da narina.

Enquanto massageava o nariz de volta no prprio alinhamento, 
ele deu uma olhada e percebeu que no havia ningum l 
para compartilhar neste momento de triunfo. Com um suspiro 
desapontado, se agachou e descansou o queixo no punho enrolado, 
o cotovelo descansando num joelho.

Wheeling nunca tinha sido uma cidade bonita. At mesmo em 
um dia ensolarado, havia uma aparncia de neblina ao redor... 
que provavelmente era constante em qualquer cidade mineira 
do leste, mas Roscoe P. Buntz nunca tinha estado em qualquer 
outro lugar, assim ele pensou que era algo que todo mundo 
experimentava todos os dias, em todos os lugares, pela 
totalidade das suas vidas miserveis.

Ele nasceu em Wheeling, cresceu em Wheeling, e assistiu 
todo mundo morrer em Wheeling. Claro, mais do seu interesse, 
os pais includos, tinham morrido h muito tempo. E o seu 
pessoal, por bem, nunca tiveram outra criana... algo sobre 
'Roscoe  razo suficiente para abstinncia' - o que quer 
que isso fosse.

Ele suspirou de novo, desta vez com mais energia simplesmente 
para o efeito melodramtico. Ele estava supremamente entediado. 
Wheeling *sempre* foi enfadonha, mas pelo menos tinha havido 
carros e trens, e fumaa das chamins e turistas. Depois 
que todo mundo 'passou' - pois a me sempre disse que as 
pessoas mortas tinham 'passado', como elas tivessem um 
clculo biliar ou algo assim - ele tinha feito uma lista. 
Mas, ele passou por isto muito rpido.

Ele passou o primeiro e segundo dia no Fostoria Glass 
Outlet, onde o pai trabalhou durante tantos anos. Tinha 
sido uma meca para turistas.

Roscoe entrou armado com um taco de beisebol.

As vises e sons de batidas, em arco, tinindo como cristal, 
era bonito. Como uma cachoeira espinhosa. Fragmentos de Rubi 
Vermelho, Cristal Claro, Azul Cobalto, Verde Oliva, e Amarelo 
Argnio cobriam o cho, alguns deles rachando nas pisadas dos 
seus velhos tnis Converse. Ele quebrou, estalou e estourou 
enquanto caminhava durante os prximos trs dias.

Ele bateu home runs por Stemware e Plates no primeiro dia. 
O segundo foi dedicado a aqueles pequenos animais de vidro 
engraados... e aquelas coisas estranhas que deviam ser 
bandejas e vasos de cinza.

O sobrevivente exclusivo do massacre tinha sido um pequeno 
coelho de vidro. Roscoe avistou a tempo de suspender o 
balano. Era ambarino com uma sugesto de laranja, de chama, 
ao redor das pontas de suas orelhas longas, frgeis. Roscoe 
sorriu. O fez lembrar de Peter Rabbit. Ele sempre amou aquela 
histria... embora a Sra. Buntz sempre fizesse questo de 
lembrar ao seu filho exatamente o que acontecia aos menininhos 
que no prestavam ateno s mes. Ele teve pesadelos de 
ser cozido em uma torta durante anos.

Roscoe apanhou o coelho e levou para fora. Ele colocou, oh 
to cuidadosamente, no degrau dianteiro antes de voltar para 
dentro, para jogar innings extras.

Ele bateu ento, sem ordem particular, Five & Dime do Sr. 
Verbeck (onde tudo valia mais que uma moeda de dez centavos), 
ferragens de Roman & Filhos (que mesmo agora tinha aquele 
odor adesivo de serragem e leo), a Do Drop Inn, e o Emprio 
Hallmark de Mary Sue Bonner-Mitchell. Muitos Bebs Beanie 
foram destripados, queimados, e espancados entre os floridos 
cartes 'Sinto Muito Sobre Sua Perda'. Pelotas de itsy bitsy 
teenie weenie beanie sangravam livremente pelo cho atapetado, 
de cor malva.

Ontem, Roscoe e o seu companheiro coelho se mudaram para o 
infame Big Boy do Elby, onde a Sra. Buntz serviu s mesas 
- uma ocupao prpria para ela pois parecia que ela estava 
sempre servindo algum ou algo, ou assim ela disse. Entretanto, 
de novo, *todo mundo* em Wheeling, West Virgnia, estava 
esperando por algo. Algo melhor.

Ele teve alguns minutos de maldade l, lanando cardpios 
gordurosos e soltando as tampas nos aucareiros... at que 
percebeu que no haveria ningum ao redor para *acidentalmente* 
esvaziar o acar no caf deles. E onde est a diverso nisso?

Finalmente, ele ps o coelho numa mesa e rastejou sobre o 
assento de vinil, ainda dando uma olhada auto-conscientemente 
quando o material fraco contra as calas jeans peidou em 
glria - como assentos de vinil sempre fazem em lugares 
pblicos - e dormiu.

E foi quando aconteceu.

Quando o Homem Sinistro, com os olhos vermelhos, veio.

"Rooooooosssss-coe...." ele chamou, a voz melada em doura 
- mas uma falsa doura, como Doce de Lo.

Roscoe tentou se encolher debaixo da mesa, com a velha goma 
de mascar usada e ervilhas verdes secas a muito esquecidas, 
mas o Homem o achou de qualquer maneira. Ele se sentou no 
banco pela mesa e esperou por Roscoe espiar a cabea feia 
sobre a borda cromada.

O Homem Sinistro apontou ao coelho de Roscoe e isto comeou 
a saltar e chocalhar contra a mesa, pois parecia que o 
Homem enviou um parafuso de eletricidade.

Roscoe tremeu, tambm.

O Homem Sinistro sorriu. "Voc sabe, Roscoe, meu garoto, voc 
deveria ter mais cuidado onde voc coloca esse coelhinho. 
Voc no gostaria que ningum pegasse..."

O coelho fez um poof! Roscoe clamou.

Ento estava na mo do Homem.

"Voc no gostaria que ningum... o quebrae." O Homem arrancou 
a cabea com um estalido rpido do dedo polegar.

Roscoe gemeu, "No!"

O Homem sorriu um sorriso tranado. "L, l, Roscoe. Est 
tudo bem."

O coelho apareceu, completamente intato, justo onde Roscoe 
colocou originalmente. Roscoe agarrou, querendo proteger.

O Homem Sinistro alcanou e cobriu as mos tremendo de 
Roscoe com as suas prprias. Ele fitou diretamente nos 
olhos do homem, de aparncia engraada.

"Eu s quis advertir voc. Eu nunca feriria voc ou seu 
coelho. Eu sou seu amigo. Mas h outros... Bem, outras 
pessoas que no so to legais. Eles levaro seu coelho 
de voc e mataro num minuto de Nova Iorque."

Roscoe no tinha nenhuma idia quanto tempo era um minuto 
de Nova Iorque, mas no podia ser bom. No da maneira que 
o Homem Sinistro tinha dito.

"Quem quer ferir meu coelho?" Roscoe perguntou numa voz 
pequenina.

"Um homem e uma mulher."

"Mas, no h mais ningum aqui", Roscoe observou.

"Eu estou aqui, no estou?" O Homem Sinistro respondeu.

Roscoe acenou com a cabea lentamente.

"E *eles* esto a caminho agora mesmo. At mesmo enquanto 
falamos. Eu vim aqui porque eu quis te advertir..." o Homem 
Sinistro entonou, to suavemente quanto uma poro bem 
elaborada de sorvete feito em casa.

"O.... o que eu posso fazer?" Roscoe implorou. "Voc pode 
me ajudar?"

"Claro! Claro, Roscoe, meu garoto. Tudo que voc tem que 
fazer  *uma* coisa para mim..."

Roscoe engoliu com dificuldade. S uma coisa. Isso no 
deveria ser to ruim. Alm do que, salvaria o coelho dele.

"Me diga o que fazer!"

O Homem Sinistro apoiou de volta no assento enquanto 
entrelaava os dedos juntos e lhes deu um estalo vigoroso.

"Primeiro, Roscoe, voc precisar ir pegar a arma do seu 
papai..."

* * * * * *

E agora, Roscoe P. Buntz tinha que sentar e esperar. Sentar, 
esperar e escarafunchar o nariz, o coelho pelo lado e o 
rifle do papai pelo colo.

* * * * * *

5 de julho

Eles seguiram ao norte, na Interestadual 81, para o oeste, 
pela Interestadual 70, e um pouco na Interestadual 68. Pelas 
montanhas retumbantes de Maryland e em West Virgnia. As 
cidades eram poucas e distantes entre si. A maioria tinha 
sido muito escassamente povoada no seu apogeu, o que no 
foi tantos anos atrs.

Eles andaram ao longo da ladeira ngreme, em Morgantown... 
alis, uma rea de fiscalizao de velocidade. O Rio Cheat 
ainda flua. Os edifcios permaneciam parados. Mas agora as 
fbricas estavam caladas.

Mulder abafou o zumbido da moto, durante algum tempo, colocando 
uma fita cassete no toca-fitas da moto... a msica tocava 
diretamente nos capacetes deles, s interrompido quando um 
deles falava para o outro pelos microfones do capacete. Mas 
a conversa era difcil quando voc estava batendo ao longo 
da rodovia e, depois de um pouco, a msica, tambm, ficava 
mais baixo.

O ambiente silencioso os tornou muito inibidos de todo barulho 
que eles faziam.

Alm disso, eles precisavam manter os ouvidos to abertos 
quanto possvel para qualquer sugesto de perigo.

Quando ela se cansou, Scully se contentou em embrulhar os 
braos ao redor da cintura de Mulder e apoiar adiante para 
descansar contra as costas dele.

No seria muito tempo antes que eles alcanassem Wheeling, 
West Virgnia. Mulder insistiu que eles parassem l durante 
a noite.

* * * * * *

Wheeling
5 de julho

E Roscoe P. Buntz ainda esperava. E um corvo preto observava.

* * * * * *

Interestadual 70 a leste de Wheeling
5 de julho
15:00 horas

A viagem de motocicleta pela Virgnia estava sendo deprimente, 
apesar de sua natureza pitoresca. Haviam muitas lembranas 
de como eles eram pequenos, e solitrios. Eles passaram por 
dzias de carros, alguns abandonados, alguns usados como 
criptas. Felizmente, estas no eram as estradas principais. 
Isso estava no tipo de cidade onde as pessoas tinham ficado 
quietas, para batalharem contra a doena. Eles no fugiram 
para outros pastos.

A Interestadual 79 os levou de volta para a I-70, para o 
norte, mais uma vez. Para Wheeling, West Virgnia.

Mulder comeou a ficar ansioso quando comeou a ver as placas 
avisando que faltavam 30 milhas para Wheeling. Scully estava 
confusa com a excitao dele - ambos estavam to cansados... 
pelo menos ela estava... mas Mulder, ao que parecia, tinha 
encontrado alguma fonte da juventude.

Mas as perguntas dele foram respondidas quando eles finalmente 
pararam.

Eles estavam de p, no alto da estrada, olhando para baixo, 
para a cidade... e para um marco muito alto em particular.

"Mulder! Foi por *isso* que tivemos que passar por Wheeling? 
Sinto muito, mas me recuso a acreditar que o Big Boy do Elby 
seja a descendncia ilegtima de Elvis. Ora, pra comear, 
ele tem trinta ps de altura e o Rei tinha o que? Seis ps? 
 geneticamente impossvel. E o que Elvis diria sobre tudo 
isso?"

Os olhos de Mulder estavam mornos quando ele sorriu, e deu 
de ombros.

"Na verdade, Scully, s achei que este seria um bom lugar 
para parar e descansar durante a noite. Achei que poderamos 
encontrar um motel que esteja decente. Alm disso, precisamos 
pegar gasolina. Nosso gigantesco amigo aqui  apenas um bnus 
extra" ele respondeu, e sorriu para a enorme figura que 
segurava um obsceno e enorme hambrguer sobre uma bandeja, 
l no alto.

Scully mudou o olhar dela entre Mulder e o BurgerBoy. Ela 
suspirou. Ela estava muito cansada, e dormir num lugar 
fechado, num cho slido, seria bem-vindo. Ela estava com 
um comeo de dor de cabea e podia sentir a dor crescendo 
atrs do olho esquerdo.

Ela tremeu a cabea e fechou os olhos com fora por um 
momento, esperando parar com a dor. Ento, olhou de volta 
para Mulder, que ainda estava admirando o novo amigo 
monoltico dele.

"Tudo bem, Mulder. Vamos descer a estrada, ento..." Scully 
anunciou e foi em direo  moto.

Mulder voltou-se pra ela, e estava a ponto de fazer um 
comentrio triunfante, mas mordeu a lngua quando viu como 
os ombros de Scully estavam cados. Quando ela esfregou a 
ponta do nariz, ele sabia que alguma coisa estava errada.

E ele estava do lado dela em menos de um segundo.

Mulder colocou uma mo sobre o ombro dela, e a virou pra 
ele. "O que foi?"

"Nad..." ela comeou. Mas parou e fechou os olhos, se 
lembrando de Zeke e de seu conselho. Ela abriu os olhos, e 
viu o olhar preocupado de Mulder.

"Estou comeando a ter uma dor de cabea... e provavelmente 
 uma boa idia que voc decidiu parar aqui."

Mulder acenou com a cabea. Ele no podia fazer muita coisa. 
E optou por tirar o cabelo do rosto dela, colocando algumas 
mechas atrs da orelha pequena. E ele sorriu.

"Que foi?" Scully perguntou.

Ele continuou passando as mos pelo cabelo dela. "Voc est 
com o cabelo na forma do capacete..."

Brincando, Scully tirou a mo dele, olhando com olhos 
exasperados, mas divertidos. "Bem, engraadinho, voc vai 
se dar mal se no me levar para aquela cidade e me arrumar 
uma aspirina, imediatamente."

Mulder a ajudou a subir sobre a moto, e ento montou na 
frente dela.

Alguns momentos depois, eles estavam indo na direo da 
prxima sada para Wheeling.

* * * * * * *

Roscoe P. Buntz estava comeando a adormecer quando ele 
ouviu... ou o barulho zumbindo era s parte do sonho dele? 
Seu corpo empurrou quando ele voltou a conscincia... e 
naquele momento, o rifle empurrou com ele, a coronha do 
rifle balanando amplamente para o lado dele...

E pousando em cheio no pequeno coelho de vidro. Que quebrou 
no impacto.

"Nooooo!" Ele gritou....

Ele ficou de p, encarando em horror o que tinha acontecido...

O barulho zumbindo estava ficando mais prximo...

Roscoe P. Buntz no estava atento que ele estava deixando o 
rifle cair ao cho...

* * * * * * * *

*Pare, Dana! Pare!* A voz na cabea dela gritou. Scully 
apertou as duas mos na cabea, a dor ameaando rachar o 
crnio dela em dois. Quando ela cobriu os olhos, ela sentiu 
uma umidade sobre o lbio superior. Ela no precisou olhar 
para a mo para saber que era sangue.

*DANA! Voc tem que parar agora! Existe morte  sua frente!*

Scully apertou os ombros de Mulder com muita fora quando 
sentiu que ia desmaiar... caindo...

"Scully?" Mulder convocou.

Com o ltimo pingo de energia que ela conseguiu reunir, 
Scully chorou...

"Pare, Mulder!"

Mulder parou de repente, e estava quase desmontando, tentando 
segurar sua parceira toda coxa, quando ele ouviu...

* * * * * * * *

O rifle bateu o cho duro e descarregou com um rugido 
ensurdecedor. O som ecoou, para cima e para baixo, na rua 
esvaziada.

Roscoe saltou e encarou a arma. Ele tinha cometido um grande 
erro. Ele no podia mais ouvir a motocicleta. O Homem Sinistro, 
com o sorriso mau, ia ficar chateado.

Havia s uma coisa para fazer. Ele agarrou o rifle e correu 
rua abaixo...

* * * * * * * *

"Scully! Fala comigo!" Mulder implorou, mas Scully estava 
inconsciente.

Quando ele usou as mos nuas para tirar o sangue do rosto 
dela, algo gritou em sua cabea.

*Saia da, Fox! Ele est vindo! Voc tem que sair agora!*

Mulder estremeceu. A voz estava gritando dentro da cabea 
dele.

*AGORA!*

Ele se virou e olhou rua abaixo ao mesmo tempo em que um 
homem louco apareceu, saindo da esquina a duas quadras. 
No havia dvidas do que o homem tinha nas mos dele.

No haviam nenhum lugar pra ir. Ele no podia levar Scully 
para algum lugar seguro a tempo. Ele montou na moto atrs 
dela, equilibrando-a entre seus braos e pernas...

Ele ligou a moto ao mesmo tempo em que Roscoe caiu sobre um 
joelho, e fez pontaria...

Mulder j tinha preparado o regulador de presso e pronto 
para chutar a moto numa corrida. A roda traseira danou 
enquanto eles saam em alta velocidade...

Ao mesmo tempo em que Roscoe P. Buntz atirou.

A bala rasgou o ar bem onde o ombro direito de Mulder estava 
apenas uma frao de segundos antes... o movimento da moto o 
salvou...

Mulder se curvou sobre Scully e a moto, reduzindo a velocidade 
um pouco enquanto ele se preparava para virar de repente na 
prxima esquina...

Roscoe apontou mais uma vez...

E atirou...

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LAST ONE STANDING

* * * * * * * * * * * *
CAPTULO DEZESSETE
* * * * * * * * * * * *

Dia ensolarado
Perseguindo as nuvens l fora.
No meu caminho para onde o ar  doce
Voc poderia me dizer como eu posso
Como eu posso ir at a Vila Ssamo?

- Cano-tema da Vila Ssamo

* * * * * *

Em algum lugar

Aos trinta e cinco anos de idade, Roberta Parks tinha 
entendido o seu lugar exato no mundo. O seu apartamento.

Fechada dentro do seu prprio pequeno espao de quatro 
paredes, Roberta no pensou muito no mundo exterior - que 
era justo, desde que o mundo de fora raramente deu muita 
considerao para Roberta.

A sua atividade comercial, baseado em casa, estava progredindo 
bastante para financiar a sua vida domstica. O salrio 
da Acme entrava diretamente na conta corrente do Citibank, 
por depsito direto. Ela pagava as contas, cabo, fatura 
do carto de crdito, e tudo mais, usando a Internet ou a 
encantadoramente conveniente 'Conta-por-telefone'. Para 
as necessidades da vida, havia as Tele-Mercearia, Pizza 
Hut e Tele-Txi. Se ela quisesse ver filmes recentes, 
Pay-Per-View estava pronta e esperando pela sua ordem. 
Todas as semanas ela encomendava um livro novo da 
Booknook.com.

Houve s trs lugares que, na ocasio, a acenou a aventurar-se 
fora: a loja 7-11 do bairro, quando ela precisou de uma 
proviso de emergncia de Coca-Cola e cigarros; a Agncia 
Postal, quando ela teve que remeter pacotes a clientes; e, 
o restaurante Persa minsculo rua abaixo, que no entregava 
seus churrasquinhos de dar gua na boca.

O telefone era pouco mais que um instrumento para navegar 
na Internet. Sem famlia. Nenhum amigo da vida real. Apenas 
uma conexo de 56k e uma rede de amigos cibernticos, que 
ela s conhecia atravs de apelidos.

Mas Capito Tripps tinha posto uma sria restrio no estilo 
dela.

Ela notou, pela primeira vez, que havia um problema quando 
o nmero de pedidos das Facas Ginsu caiu verticalmente. 
Depois os Indicadores Laser deram um mergulho, seguido 
depressa pelo Veg-O-Matics. E a verdade comeou a despontar 
em Roberta Parks.

Algo no estava certo em Acmeville.

Ento ela viu os informes nos newsgroups da Internet. No 
princpio, era apenas a declarao aloucada habitual sobre 
conspiraes do governo pelas rotinas habituais e spams. 
Mas dentro de dias, o pessoal *normal* nos grupos regulares 
estavam repicando com as opinies em concordncia. E depois, 
um por um, as pessoas deixaram de postar ao mesmo tempo... 
havia silncio no ciberespao e ningum ficou para gritar.

E ento, a Internet simplesmente deixou de existir. E Roberta 
nem mesmo podia conseguir um sinal de discar na sua linha 
telefnica. Ou um programa na televiso diferente das reprises 
de 'Heris do Hogan', que a estao Fox local passou durante 
vinte e quatro horas por dia - o que esteve tudo bem durante 
as primeiras cinco horas, desde que ela amou aquele sargento 
que passava gritando 'Eu no vejo nada! Eu no ouo nada!', 
mas cansou rapidamente.

As tosses que ela esteve ouvindo no exterior, no corredor 
do apartamento, sumiram aos poucos. Ela j no ouvia o 
baque retumbante dos estreos dos carros fora da janela 
dela. E a eletricidade finalmente se foi.

Ento, ela finalmente arriscou-se pra fora. A falta de 
eletricidade  a me da emigrao.

Ela estava bem quando passou o 7-11. A agncia postal estava 
prxima. E, em seguida, o restaurante de churrasquinho na 
esquina. Ela parou, dando pontaps no meio-fio. Ela no 
estava muito segura onde ir ou o que fazer. Ela raramente 
tinha se aventurado assim distante quando as coisas tinham 
sido *normais*. Entretanto, *normalmente* ela estaria num 
suor de pnico por agora, sem paredes a separar do zumbido 
de massas ocupadas da humanidade.

Nope. Isso no era um problema hoje.

Ela ergueu a mo direita para obscurecer os olhos do sol 
luminoso enquanto olhava as ruas largas, para cima e para 
baixo.

A luz brilhante efetivamente purificava as faces dos mortos. 
Roberta estava muito alegre que ela no tinha usado culos 
de sol. Deste modo, os mortos pareciam como aquelas pessoas 
no filme 'The Day After' - *depois* que as bombas caram e 
o diretor decidiu representar a radiao por super exposio 
ou muita luz no filme. E era um conforto a Roberta ver isto 
como um filme.

Seria muito fcil voltar para o apartamento e se fechar 
dentro, mas ela sabia que isso no era muito prtico. Ela 
tinha falta de gua e comida e, mais importante, Virgnia 
Slims. E o hbito dirio de dois pacotes estava elevando-se 
ameaador na sua cabea de novo.

Ela olhou para o banco do nibus pela rua. O corpo apodrecendo 
de um homem fitou inexpressivamente - ou teria fitado 
inexpressivamente se seus olhos ainda estivessem intatos - 
seu traje de corrida azul claro agitando no vento quente.

"Muito tofu e exerccio, huh, amigo?" Ela gritou... e ento 
tossiu um bom tempo, depois de ter esquecido que ela no 
tinha usado as cordas vocais em mais de duas semanas, e 
que 40 cigarros por dia puseram uma limitao em gritar.

Ela comeou a rir. Ela riu to violento que chorou e teve 
que se sentar no meio-fio. Ela encarou a sarjeta e observou 
as pequenas formigas, pretas e vermelhas, metendo-se com o 
que era da sua conta no pavimento quebradio.

"Viu? Eu no acho que fumar seja to ruim para sua sade, 
afinal", ela exclamou s criaturas, que propriamente a 
ignoraram, simplesmente caminhando ao redor dos ps dela 
quando eles bloquearam o caminho deles.

Ela observou de novo e tentou decidir o prximo movimento. 
Ela se decidiu depressa.

"Antes de mais nada, primeiro as coisas", ela murmurou e 
foi em direo ao 7-11. Por uma vez ela poderia fumar em 
pblico e ningum seria uma cadela a respeito disso.

* * * * * * * *

Duas horas e dez cigarros depois, Roberta estava em p no 
exterior de um pequeno motel. Engraado, ela nunca notou 
isto antes quando ela dirigiu ao longo desta rua. Mas voc 
nunca nota lugares como o Motel Sete Estrelas de seu carro.

Ela no estava segura o que a fez parar... mas ela tinha 
certeza que os plos na parte de trs do pescoo estavam 
em ateno completa.

Algo no estava certo.

E ento o seu mundo auto-suficiente foi estilhaado atravs 
de um som.

O grito de dor de uma criana.

* * * * * * * * *

Wheeling, West Virgnia

Ele ficou de p e fitava em terror e choque. Os dedos 
dobrados, em aflio. O que ele tinha feito? Como ele 
tinha falhado outra vez? Talvez tudo isto era s um sonho 
ruim?

Mas, no. A evidncia deitava prostrado aos ps dele.

No havia nada que fazer. Era insensato correr. No havia 
nenhum lugar para correr.

Assim ele simplesmente se desmoronou nos joelhos e esperou 
o seu destino ao lado do corpo quebrado do seu amigo fiel.

E ento o Homem Sinistro estava nele, vindo de parte alguma 
- onde o mal sempre parece originar - para agarr-lo pelo 
pescoo e o erguer do cho de cascalho. Os saltos das botas 
do Homem Sinistro acabou com os restos do pequeno coelho de 
vidro com um rudo de triturao.

E Roscoe P. Buntz fitou a Morte na cara. Os tendes no pescoo 
dele rangiam e ameaavam estalar. Os intestinos e a bexiga 
desfraldaram e soltaram numa pressa quente, que correu pelas 
pernas.

Ele soube o que Peter Rabbit sentiu quando apanhado pelo Sr. 
MacGregor... ele fez 'tharn' como aqueles coelhos naquele 
outro livro de coelho...

Roscoe tinha fracassado a misso simples e estava a ponto de 
pagar. Torta de Roscoe de Luxo.

Os olhos do Homem Sinistro arderam vermelho e o calor da mo 
dele queimou o pescoo de Roscoe. Chifres comearam a brotar 
da cabea dele, enrolando atrs do contorno do couro cabeludo... 
O pescoo engrossou em uma massa musculosa se estorcendo de 
raiva e msculo. O peito se expandiu com um uivo... E Roscoe 
poderia sentir os punhais da unha do Homem crescendo na carne 
do pescoo dele.

"Seu tolo! Seu retardado!" O Homem Sinistro gritou - e ento 
ele inclinou a cabea para trs e cacarejou com risada.

E ento ele surpreendeu Roscoe, ou teria se j no tivesse 
libertado, o fixando suavemente pra baixo e libertando o seu 
aperto frreo.

Roscoe caiu ao cho, ofegando.

"Eu... Eu... sinto muito..." Roscoe estalou.

O Homem Sinistro se levantou sobre ele, as mos nos quadris. 
"Roscoe, Roscoe, Roscoe. Estou to desapontado. Por que eu 
sempre pensei que voc poderia completar um trabalho simples?"

Roscoe olhou. Havia um jeito que ele poderia se desculpar 
e sair disto com s uma surra?

"Eu no sei o que aconteceu..." ele comeou.

Um rpido pontap nas costelas terminou o pensamento de 
Roscoe.

"Uma vez um tolo, sempre um tolo. No h nenhuma utilidade 
para voc agora... e eu tenho trabalho para fazer." O Homem 
Sinistro ergueu Roscoe pela nuca do pescoo, de forma que 
ele agora descansava nos joelhos dele.

"Por... favor..." Roscoe gaguejou.

Num instante, um coelho de vidro ambarino apareceu na mo 
do Homem Sinistro. Estava mais uma vez inteiro... mas no 
era nenhum presente desta vez.

Roscoe mal teve tempo para gritar quando o Homem Sinistro 
impeliu as orelhas do coelho, afiadas como navalha, na 
rbita ocular esquerda dele. O corpo de Roscoe ainda estava convulsionando quando o Homem Sinistro estendeu a figura 
de vidro e impeliu no olho direito de Roscoe com um squish 
alto. Ele ps no cho e torceu o coelho em crculos apertados 
at Roscoe P. Buntz no existir mais.

Ele deixou o corpo do homem morto cair ao cho com um baque 
indistinto.

Os olhos estreitaram quando ele olhou ao oeste.

Ele teria outra chance - Logo.

* * * * * * * *

St. Clairsville, Ohio
17:30 horas

Ele ficou de p, fitando, entorpecido e chocado. Os dedos 
dobrados, em descrena.

At este momento, no havia chance de pensar que isso tinha 
acontecido uma hora antes, mas agora, o vo deles tinha 
parado - mesmo que por alguns momentos.

Que diabos tinha acontecido em Wheeling?

Ele tinha *ouvido* e *sentido* a coisa toda.

Mulder fechou os olhos e tremeu a cabea, tentando clarear 
seus pensamentos.

Num momento, estava tudo bem.

No outro, todo o inferno veio sobre eles.

Scully clamando em dor, apertando ele, quase caindo da 
moto. Ele tinha parado... e visto o sangue no rosto dela. 
Mas antes que ele pudesse agir para ajud-la, ele ouviu a 
voz dentro da cabea dele, gritando. Era a voz da mulher 
velha.

Um homem louco correndo com um rifle rua abaixo... ele 
tinha atirado. Mulder segurou Scully com toda sua fora 
enquanto eles saam, acelerados, num ngulo precrio. 
Ele sabia que as costas deles eram alvos fceis para o 
pistoleiro... e ele s esperava poder estar protegendo 
Scully completamente, e quando a bala o atingisse, que 
ele pudesse manter a moto controlada tempo suficiente 
para lev-la para algum lugar seguro.

Havia uma esquina  frente... mais uns poucos metros para 
segurana...

Ele ouviu o prximo tiro ao mesmo tempo em que sentiu o ar 
quente vindo direto pra ele... mas... ento... aconteceu.

Era como se algum tivesse agarrado tudo - moto e eles - 
e os tirou do caminho. Mulder at sentiu o calor da mo. 
E ele viu, simplesmente, a bala parar no meio do ar.

No. Isso era impossvel.

Mas foi o que aconteceu.

Mas antes que ele pudesse pensar no ponto psicolgico e 
filosfico disso, Mulder ouviu um sussurro fraco no cho 
atrs dele.

Mulder se virou para olhar. Nada. Deve ter sido sua imaginao. 
Ele pensou que Scully tinha comeado a se mexer.

Ele parou o vo deles a umas vinte milhas a oeste de Wheeling. 
No havia muita coisa por aqui, mas os dois postos de gasolina 
e a pequena loja de convenincia seria o bastante. Comida, 
gasolina, e um abrigo relativamente seguro era do que eles 
precisavam.

Mulder tinha colocado Scully na grama atrs da loja, debaixo 
da sombra agradvel de uma rvore. Escondida da interestadual. 
Ele limpou o rosto dela com gua. A camisa dela era uma causa 
perdida, mas ele iria esperar ela acordar antes de tentar 
resolver este problema.

Agora, ele se agachou ao lado dela e vigiou. O pulso dela 
estava forte. A respirao estava funda e calma, embora as 
pequenas narinas dela nunca se moveram. Scully sempre dormia 
de boca aberta. Seus lbios estavam ligeiramente separados 
e ele sabia que se ele abaixasse um pouco, poderia sentir 
o calor da respirao dela no rosto.

"Scully, est na hora de vir pra festa" ele sussurrou 
enquanto passava o polegar pelas costas da mo dela.

* * * * * * * *

Dana Scully encarou a mulher velha que estava sentada na 
raqutica cadeira, na raqutica varanda. Ela girou, 
procurando por Mulder.

"Ele no est aqui agora, criana" Me Abigail falou.

"O que est acontecendo? Por que eu estou aqui?" Scully 
sussurrou.

Me Abigail usou um dedo dobrado para puxar Scully para 
mais perto dela. Ela agarrou a mo de Scully. Scully podia 
sentir as juntas grossas e cheias de artrite na mo da 
mulher. Mas, mesmo parecendo frgil, ela podia sentir a 
fora do aperto da velha mulher.

"Dana, voc s vai ficar aqui por um minuto. Ele est 
esperando por voc, ento no vou te manter aqui. Ele 
precisa de voc. Vocs dois tm uma estrada difcil pra 
percorrer... mas vai ser ainda mais difcil pra ele. Voc 
j acredita. Ele ainda no. Mas ele vai, s porque ele 
acredita em voc.

"Eu no enten..." Scully comeou.

"Mas voc vai, Dana. Voc vai. Mas voc tem que se lembrar 
do que eu disse. Voc tem que agarrar  sua f. No vamos 
conversar durante algum tempo... voc precisa da sua fora 
para viajar, e  perigoso eu te chamar aqui neste momento. 
Mas eu vou continuar falando com Fox... mas acho que ele 
no vai gostar muito disso."

Scully sorriu. Me Abigail tinha razo. Mulder no estava 
preparado e nem pronto para se apresentado  sua prpria 
sara ardente.

Ento Me Abigail colocou a palma da mo com firmeza sobre 
a testa de Scully. Ela fechou os olhos para rezar...

"Deus... eu sei. Por favor, mantenha esta criana segura. 
Ajude-a a fazer o que precisa ser feito... e eu farei a Sua 
vontade..."

Ela abriu os olhos e se ajeitou na cadeira. Ela acenou com 
a bengala para Scully, que estava muda.

"V agora, criana. Ele est esperando por voc, e ele no 
 muito paciente. Eu te verei em breve. At l... Ele vai 
estar mandando um pouco de ajuda..."

E Scully se virou, relutante, e os campos verdes comearam 
a sumir, se transformando em...

* * * * * * * *

Campos verdes. Mas que inferno?

"Scully?"

Finalmente ela abriu os olhos completamente. Era Mulder. 
E eles estavam rodeados por grama verde, e rvores.

"O que aconteceu?" Scully conseguiu falar antes de comear 
a tossir.

Mulder pegou uma garrafa de gua e segurou contra os lbios 
dela, ajudando-a a tomar alguns goles.

"Chega... obrigada" ela falou, afastando a garrafa. E olhou 
para Mulder. "O que aconteceu?"

Mulder sentou no cho, feliz em parar de vigi-la, e poder 
relaxar um pouco.

"Tivemos problemas em Wheeling. Tinha um maluco l com um 
rifle. Voc agarrou sua cabea, que estava doendo, e seu 
nariz comeou a sangrar, e ento voc desmaiou. O cara 
comeou a atirar, eu te joguei sobre a moto, e ns samos 
de l at chegarmos aqui..."

"E onde  aqui, Mulder?"

"Ohio. Umas vinte milhas a oeste de Wheeling."

Scully o encarou por um momento, estreitando os olhos, 
pensando. Mulder podia sentir a prpria verso Scully do 
soro da verdade, e que estava sendo usado nele.

"Voc no se esqueceu de nada, Mulder?"

Ele no respondeu.

"Eu *ouvi* algum na minha cabea... ela estava nos avisando. 
Eu *sabia* que tnhamos que parar. Acho que voc ouviu isso 
tambm."

Mulder olhou para o cu. As nuvens a oeste estavam tingidas 
de cinza, verdes e escuras enquanto o sol caa no horizonte. 
Ele ficou de p, tirando a grama e sujeira da cala.

"Est ficando tarde, e ns podemos falar sobre isso depois. 
Neste momento eu preciso encontrar um lugar para ficarmos 
hoje  noite. Parece que vai cair uma tempestade. Voc vai 
ficar bem aqui sozinha?"

Scully suspirou e acenou com a cabea. Ela queria discutir 
o que aconteceu mas era insensato for-lo a falar agora.

Enquanto Mulder andava para a loja, ela rolou de lado e 
observou o horizonte.

Mulder estava certo. Uma tempestade estava vindo na direo 
deles.

E se Scully tivesse olhado para o outro lado, ela teria 
visto outra coisa vindo diretamente em sua direo...

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LAST ONE STANDING

* * * * * *
CAPTULO DEZOITO
* * * * * *

"One, two, three o'clock, four o'clock rock  
Five, six, seven o'clock, eight o'clock rock  
Nine, ten, eleven o'clock, twelve o'clock rock  
We're gonna rock around the clock tonight."
  
- Bill Haley & The Comets
* * * * * *

Algum dia
Barstow, Califrnia

Tempo  uma constante universal.

H Howdy Doody Time, Miller Time, Daylight Savings Time, A 
Hora da Sua Vida, Freqncia de Liberao das Cpsulas do 
Tempo, Hard Times, estes "Dy-No-Mite" Good Times, Revista 
Time, Hang Time, Um de cada vez (no ser confundido com Um 
Dia de Cada Vez com a corajosa Valerie Bertinelli), Nenhum 
Tempo Como O Presente, e o Homem de todos os Tempos: John 
Cameron Swayze.

Todos os quais no significam absolutamente nada se voc 
estiver sozinho.

Pois somente companhia transmite o sentido para tempo. Quando 
voc est sozinho, por que diabos voc precisa de um relgio? 
Para ter certeza que voc acorda a tempo de seu cochilo para 
assistir o episdio novo de "Pronto, Firme, Cozinheiro?". Se 
no h ningum por a para soltar uma meleca voadora se voc 
come seu Wheaties, s seis da manh ou s trs da tarde, 
enquanto voc assiste Oprah, ento por que diabos voc deveria 
se preocupar?

A solido toca depressa em s dois reflexos: prazer e dor. 
Nada mais. Nada de "obrigaes" ou "deveres". Apenas comer, 
beber, dormir, coar essas coceiras onde quer que voc 
queira, manusear o remoto, usar tudo que voc quer, jogar 
jogos de computador at s 3 da manh.... *fazer* tudo que 
voc quiser. Evitar dor na perseguio do prazer e a 
sobrevivncia bsica sem interveno externa.

Para Roberta Parks, os ltimos cinco anos do incessante 
tique-taque do relgio tinha sido s uma coisa: uma 
inconvenincia. A agncia postal abria s 8:30 da manh e 
fechava s 5:00 da tarde. O restaurante de churrasquinho 
estava aberto das 11:00 da manh s 10:00 da noite. A 
"visita mensal" de sua "Tia Martha" vinha a cada 29 dias... 
com regularidade e preciso. Oh, agradea aos cus por 7-11 
e sua divergncia do significado original de seu nome. Ela 
poderia conseguir o Virgnia Slims ("Ultra Lights, por favor") 
a qualquer hora do dia ou da noite. Era a chave  sobrevivncia 
dela. Aniversrios vieram e foram com nada alm de uma nota 
do DMV a cada poucos anos, quando estava na hora da renovao 
da sua licena. Feriados s eram notveis porque nesses dias 
a agncia postal estava fechada.

Mas, em outro lugar, o tempo continuou batendo e fazendo 
tique-taque. E tempo  o que traz mudana.

At mesmo para Roberta Parks.

Ela encarou o panorama ao redor. O deserto da Califrnia 
no era convidativo em julho. Trazia a mente frases como 
"Isca de Urubu" e "Galinha Tostada Extra".

Ela deixou de pedalar a bicicleta  crista da ltima colina 
na Interestadual 15, em Barstow, debaixo da sombra bem-vinda 
de um viaduto. Foi aqui, enquanto o suor queimava as costas 
no calor seco, que ela teve que tomar uma deciso.

Ela deveria ir ao sudeste, na I-40, ou continuar a nordeste, 
na I-15? Qual seria melhor: deserto ligeiramente montanhoso 
ou deserto mais que ligeiramente montanhoso?

Roberta encarou, pra baixo, o pacote atrs dela. Estava 
mexendo de novo. Obviamente queria algo dela. Ela suspirou.

Barstow tinha sido um fracasso completo... embora uma  mo. 
Embora estivesse completamente deserto - afinal de contas, 
quem no seu juzo perfeito, depois de sobreviver esta 
pestilncia, ia de fato *querer* ficar l? - ela foi capaz 
de apanhar alguns muito necessrios suprimentos. Como gua 
e leite em p.

O pacote amarrado num carrinho de criana  parte de trs 
da bicicleta deixou sair uma choradeira. Roberta desmontou 
do assento e, satisfeita que a engenhoca no tombaria, andou 
para trs para inspecionar o seu passageiro.

Ela parou para estirar os msculos doloridos. Sentada a um 
computador todo o dia, diariamente durante anos, no a tinha 
preparado para o ciclismo, pela Passagem de Cajon, ontem. 
Com uma carga em reboque. Com sorte, o passeio de hoje de 
41 milhas, de Victorville para Barstow, tinha sido um passeio 
muito mais fcil. Uma vez que ela estalou o pescoo e as 
costas nos seus devidos lugares, ela se apoiou na carga.

Ela lentamente ergueu a jaqueta de fibra sinttica, que ela 
adaptou sobre o carrinho de criana como um protetor solar.

O menininho saltando em baixo ficou bastante contente ao 
v-lo e ele estendeu as mos para ela, lhe implorando que 
o apanhasse. O cabelo loiro avermelhado estava engessado 
ao crnio, e as fofas bochechas, de dois anos de idade (ela 
s poderia imaginar sua idade), estavam avermelhadas pelo 
calor, mas ele ainda estava sorrindo pra ela.

"Eu primeiro", ele chorou.

Ela observou. Pela posio do sol, parecia ser aproximadamente 
11:00 da manh. A criana devia estar com fome, tambm. E, 
pelo nariz queimado pelo sol, ela pegou uma brisa de qualquer 
outra coisa. Uma mudana de fralda estava em ordem. Intestinos 
de bebs no esperam, cara.

Yep. Tempo tinha alcanado Roberta Parks.

Junto com obrigao e dever.

* * * * *

St. Clairsville, Ohio
5 de julho
18:00 horas

Ele estava observando a mulher e o homem da sombra das 
rvores. Durante seus trs anos na fora policial, ele 
ficou muito bom em ler as pessoas e estes dois no eram 
exceo. A mulher estava doente. O homem estava amuando. 
Ento, mesmo que eles fossem obviamente uma equipe, e se 
gostavam, algo tinha se colocado entre eles.

O que poderia ajudar ou impedir sua misso.

Mas ainda assim, ele estava muito contente em ver estas 
duas pessoas. Ele esperava pela sua chegada.

Ele no tinha visto ningum desde que sua prpria famlia 
morreu, tossindo e sufocando dentro da casa de dois andares 
na rodovia 27. Mas os sonhos que ele teve lhe contaram sobre 
este homem e sua mulher.
 
Ele estava preparado para fazer o que tinha que fazer. Este 
era seu novo dever. E dever significava tudo pra ele.

Ele viu sua oportunidade quando o homem se afastou da mulher 
e entrou no prdio mais prximo. A mulher no tinha nenhuma 
arma.

Ele saiu das sombras, e foi direto para seu alvo.

* * *

Scully estava vagando em algum lugar entre a vigilncia e 
os sonhos... o mundo real se tornando uma mistura nebulosa 
de tons cinzas e verdes.

Ento, quando ela ouviu os passos, o sussurrar da grama 
atrs dela, ela no se mexeu. Ela estava cansada e no 
estava a fim de falar com um Mulder emburradinho.

Mas agora ela estava mais atenta. E poderia ouvi-lo parar 
atrs dela, a respirao dele rpida demais. Ele devia ter 
encontrado alguma coisa dentro do prdio, ou talvez ele 
estivesse ferido, e ela no notou antes...

Scully podia sentir o calor do corpo dele quando ele se 
sentou no cho ao seu lado. Talvez ela devesse dizer 
alguma coisa, ter certeza de que ele estava bem.

Mas ele se apoiou sobre ela, e colocou o nariz frio e 
molhado na orelha dela...

"Scully!" Mulder gritou em algum lugar distante, muito longe 
do que estava lhe dando uma verso molhada de um 'narigudo'.

Scully abriu os olhos de repente, e gelou.

Mulder estava perto do prdio, as mos para a frente, as 
palmas abertas como se para parar o tempo... ou ele estava 
pedindo para ela no se mexer?

Ela moveu os olhos para a esquerda, tentando ver quem ou o 
que estava pairando sobre ela.

Ela podia ver plo preto... e mais claro... e que respondia 
a pergunta se era 'animal, vegetal ou mineral', a menos que 
fosse, por algum milagre, um antigo cantalupo cabeludo que 
ela encontrou uma vez - duas vezes, na verdade - dentro 
da geladeira de Mulder.

Mulder estava tenso, frustrado. Ele estava com a arma nas 
mos, e queria atirar, mas havia o risco de atingir Scully 
ao invs do alvo dele.

Scully lentamente, muito lentamente, ergueu a cabea... s 
para ser atacada por uma lngua muito grande e muito molhada, 
que depressa lambeu todo seu rosto.

A lngua foi acompanhada por uma onda cambaleante de um 
forte hlito canino.

Ela gemeu enquanto rolava de costas e elevou os braos 
para afastar o ataque baboso.

"Pra!" ela no conseguiu impedir o riso, enquanto tentava 
conseguir respirar.

Ento, to depressa quanto comeou, o 'ataque' cessou. O 
enorme cachorro se moveu, insinuando-se debaixo do brao 
dela, descansando a cabea sobre a barriga dela. Ele suspirou, 
contente.

Mulder se aproximou com cuidado.

"Ei, Scully. Voc nunca me deixou fazer isso."

Scully olhou pra baixo e encarou o cachorro, que agora ela 
podia ver que era algum tipo de mistura de Pastor alemo. Ela 
coou o plo sobre a cabea, e olhou de volta pra Mulder.

"Voc nunca pediu, Mulder..."

O cachorro virou a cabea para encarar Mulder, que gelou. 
Scully, ainda cautelosa, j que no sabia quanto tempo seu 
lao com o 'Fido' duraria, bateu de leve na cabea do animal, 
e falou suavemente.

"Est tudo bem, garoto... ele  meu... parceiro."

O cachorro olhou pra ela, e lhe deu um olhar de pena. Pelo 
menos foi como ela entendeu isso.

Mulder continuou se aproximando e lentamente caiu de joelhos 
ao lado no-canino de Scully.

"Voc tem certeza de que ele  ele?, Scully?"

O cachorro bufou e se levantou. E os agentes arregalaram 
os olhos enquanto encaravam a evidncia.

"Tudo bem" Mulder concedeu. "Isso responde a pergunta."

"Ento, voc tem um nome, amigo?" Scully murmurou enquanto 
passava as mos ao redor da coleira. Ela ouviu o barulho de 
placas e sabia que tinha acertado em cheio.

O cachorro foi bem paciente com ela enquanto Scully empurrava 
a cabea dele pro lado, para ela poder ler as placas.

Uma expresso divertida passou no rosto dela.

"O que ?" Mulder perguntou, tentando se apoiar sobre o 
ombro dela para poder ver tambm.

O cachorro escolheu aquele momento para se deitar, colocando 
a cabea sobre a coxa de Scully. Ela ficou passando a mo 
pelo plo dele enquanto se virava para Mulder.

"Bem.... nosso... aham... grande e largo e ignmino amigo 
peludo se chama..."

"Tem que ser muito bom para voc usar uma palavra de quatro 
slabas para descrev-lo, Scully" Mulder falou.

E como sempre, Scully o ignorou.

...Fluffy."

Fluffy elevou a cabea ligeiramente ao ouvir o seu nome. 
Mulder estremeceu.

"Eu sinto a sua dor, garoto. Ns vamos arrumar outro nome, 
certo?" Mulder comiserou e coou as orelhas do co.

"Mas, o que  mais interessante, Mulder" Scully continuou. 
"Ele , ou foi, um co policial."

Mas antes que eles pudessem falar sobre isso, as nuvens 
escuras que estavam ao longe chegaram, e o trio foi atingido 
com gotas frias, do tamanho de pedras.

Mulder ajudou Scully a ficar de p, rpido, e se assegurou 
de que ela conseguia ficar assim. Ele agarrou a manta dela, 
e jogou por cima dos ombros pequenos, para que ela pudesse 
se proteger da chuva. Ento, ele pegou o pacote dela, e no 
confiando na fora dela, ele passou o brao ao redor da 
cintura de Scully e eles andaram rapidamente para o prdio, 
com Fluffy na cola deles.

* * * * *

Em algum lugar em Nevada

O homem era mais que uma ninharia preocupada. Ele achou 
que tinha se preparado para toda contingncia. Que ele 
tinha tudo sob controle. O seu controle.

A tripulao esqueltica que ele agrupou era toda a nata 
da colheita especial. Todos eles 'capachos'. Nenhum pensador 
solista no grupo.

Houve um aguaceiro de atividade imediatamente a sua chegada, 
mas as coisas estavam nivelando e todo mundo estava 
desenvolvendo uma rotina.

Mas havia uma coisa que ele tinha negligenciado. Os dois 
pacotes do seu hbito dirio rapidamente esvaziou as suas 
reservas... e no era como ele estivesse prximo a um 7-11, 
onde ele pudesse agarrar mais algumas caixas de papelo. E 
usar o "emplastro" no era uma opo.

Ele deu uma longa baforada no Morley e lentamente exalou.

Seria um tempo para uma breve viagem de campo.

* * * * *

Barstow, Califrnia

Roberta Parks se instalou durante a noite com a sua nova responsabilidade. Os msculos da sua perna gritando tinham 
insistido numa interrupo, assim eles no arredaram o p 
durante o dia. Ela poderia decidir a rota da viagem pela 
manh.

* * * * *

St. Clairsville, Ohio
6 de julho
07:00 horas

Mulder chutou a motocicleta pela quinta vez. Quando algo se 
quebra, todo mundo sabe que um rpido pontap faz qualquer 
mquina quebrada funcionar. Ou quebra o seu p.

"Droga!" Mulder xingou o objeto inanimado. Ele girou, e voltou 
para a moto antes de espi-la. Ajoelhando-se, ele tentou se 
convencer que sabia o que estava fazendo.

Fluffy saiu do escritrio do posto de gasolina e olhou para 
ele com cuidado. Scully estava logo atrs do cachorro.

"Qual o problema, Mulder?"

Mulder ficou quieto por um momento. Ento, depois de respirar 
fundo, ele ficou de p e deu de ombros.

"No tenho certeza. A moto no d a partida. Tem gasolina 
o suficiente, mas... o motor no liga.

"Deixa eu dar uma olhada" Scully se ofereceu.

Ela se ajoelhou ao lado da moto e comeou a examinar vrios 
arames e mangueiras. Mulder ficou de p, olhando por cima 
do ombro dela, os braos cruzados numa atitude que dizia 
'tpico dela achar que pode fazer algo que eu no posso.'

"Bem", ela falou. "Aqui est o problema."

"E qual ?" Mulder perguntou.

Ela apontou uma parte que Mulder no podia identificar. 
"No tem leo. Tem um buraco no reservatrio... acho que 
secamos o que tinha a. Voc sentiu cheiro de queimado?"

Mulder pendurou a cabea em desgosto. "Eu no estava 
prestando ateno, Scully. At te trazer pra c..."

Scully o cortou colocando a mo no brao dele. Ela podia 
entender o motivo de Mulder no ter notado isso. Ele estava 
preocupado com ela. E o 'buraco' deve ter sido causado por 
uma bala.

"Acho que no podemos fazer nada para consertar isso..."

"No, Mulder. Acho que precisamos encontrar outros meios 
de transporte..."

Mulder lentamente olhou ao redor. Nada. Nem uma chance de 
ter uma concessionria Honda ou Harley  mo ou na esquina.

"E eu acho..." Scully continuou, "Que nossos meios alternativos 
envolvem nossos ps - pelo menos at encontrarmos uma cidade 
grande em algum lugar."

"Voc tem certeza de que agenta, Scully?" Mulder olhou 
para ela da cabea aos ps. Ela estava contundida e toda 
rasgada. O cabelo estava amarrado num rabo de cavalo. O 
rosto estava plido. O descanso da noite ajudou - embora 
todo o escritrio cheirasse como plo de cachorro molhado, 
graas a Fluffy. Mas, eles ficaram mornos e secos, e no 
tiveram surpresas. A chuva durou at a meia noite, antes 
de ir embora.

De manh, a terra tinha aquele cheiro fresco que sempre 
aparecia depois de uma boa chuva. E agora ele podia ver 
que Scully tinha um novo brilho nos olhos. Ele suspeitava 
que o sbito aparecimento de Fluffy na vida deles tinha 
causado esta mudana. Cachorros tinham essa habilidade.

"Eu estou bem, Mulder. De verdade. E ns precisamos ir 
andando."

Mulder acenou com a cabea. Era perigoso ficar num lugar 
por muito tempo, principalmente nestes dias.

"Ento, viao canela" ele concordou. "Alm disso, ser 
mais fcil para Fluffy. Teria sido bem difcil mant-lo 
sobre a moto."

Scully piscou e olhou ao redor. "Falando de Fluffy... 
Mulder, voc viu para onde ele foi?"

"Pra algum lugar onde ningum sabe o nome dele?" Mulder 
aventurou enquanto olhava ao redor.

Scully foi na direo do escritrio e depois iriam para a 
loja de convenincia, onde ela iria preparar um caf da 
manh. "Talvez ele tenha voltado l pra dentro..."

"Se aquele cachorro comeu minha comida..." Mulder murmurou 
enquanto ia atrs dela.

Alguns momentos depois, quando ele saiu do escritrio para a
loja, ele bateu de frente em Scully. A nica reao dela foi
apontar para um corredor.

"Acho que sabemos como 'Fluffy' recebeu esse nome" ela 
meditou.

O cachorro peludo estava no meio do corredor, as duas patas 
ladeando um enorme jarro de plstico diante dele. Ele tinha 
rodo do lado, e estava enfiando o nariz na boca do jarro. 
E ele estava coberto com meleca branca e pegajosa... que era 
conhecida como 'Fluff - Marshmallow'.

Fluffy ergueu a cabea para encarar os humanos. A lngua 
ficava um pouco presa enquanto ele ficava abrindo e fechando freneticamente a boca numa tentativa para tentar retirar a 
goma de seus dentes e gengivas. As patas estavam cobertas... 
alis, ele todo estava coberto daquela goma.

Finalmente, Scully decidiu que ela precisava fazer alguma 
coisa antes que o cachorro ficasse doente.

"Fluffy!" ela gritou, pedindo emprestado um tom de voz do 
livro de broncas de sua me. Ela pairou sobre ele e luziu. 
Ela apontou para a porta.

"Pra fora. Agora. Ns vamos te limpar. Agora."

Fluffy, que estava bem contente at agora, fez a nica 
coisa que podia fazer. Ele se agachou. E arriscou olhar 
para Mulder, mas o homem no ofereceu nenhuma ajuda ou 
apoio. Ele somente deu de ombros.

Enquanto Fluffy saa dali, Scully voltou-se para Mulder... 
que cometeu o erro fatal de rir.

"L fora tem um tanque e tem gua, espertinho. E aqui est 
o xampu de beb." ela pegou uma pequena garrafa com lquido 
dourado e jogou pra ele, que pegou com mos desajeitadas.

"V. Lavar. Agora."

Mulder nem tentou discutir. Mas era bom ver Scully mandona 
assim de novo. Ele se virou e saiu.

Scully olhou para o cho, vendo a baguna. Pelo menos ela 
no teria que limpar isso. Havia algo positivo no fim do 
mundo.

Ela passou alguns minutos enrolando as bolsas de dormir 
deles e amarrando tudo. Ento ela pegou uma caixa de 
pedaos de torta e algumas garrafas de suco de laranja do 
freezer morto. No era nada goumert, mas hoje estas tortas 
de morango seria o caf da manh dos campees.

Scully sorriu. A torta era de uma variedade sem creme. 
Muito bom. Ela tinha raiva daquelas tortas multicoloridas, 
com cremes sem gosto.

Ela levou o caf da manh para fora, e sentou-se debaixo 
de uma rvore, onde ela poderia ver Mulder e Fluffy sem 
eles a notarem.

O banho no ia bem. Bem, seria perfeito se fosse Mulder 
quem precisava ficar limpo. Finalmente, Mulder agarrou o 
focinho do cachorro e sussurrou algo pra ele. Scully no 
podia ouvir o que era mas... o que quer que tenha sido, 
parecia ter dado certo. Fluffy era o modelo perfeito para 
o pster de cooperao.

Ela abriu uma das garrafas de suco e tomou um gole. O gosto 
era bom, mesmo morno. Ela ainda tinha um pouco de dor de 
cabea de ontem, mas pelo menos no teve mais sangramento.

E ela notou, de repente, que no tinha sonhado mais. Ela 
duvidou que Mulder tinha sonhado tambm... ele tinha dormido 
como uma pedra, aconchegado contra ela.

Ela suspirou. Scully no achava que os sonhos ficariam longe 
deles. Mas ela estava grata pela noite de paz que teve.

Mas, enquanto Mulder terminava o banho, e Fluffy se 
agitava para se secar, ela no podia deixar de tremer com 
a sensao de que eles estavam sendo observados.

E Dana Scully estava certa.

* * * * * *

O corvo preto voou para os cus com um grande tremular de 
suas asas. Ele foi para o oeste, seguindo pela Interestadual 
70.

* * * * * * * * *


LAST ONE STANDING

* * * * * * * * *
CAPTULO DEZENOVE
* * * * * * * * *

Oh, estou sentindo agora
Me sinto to desnecessrio
Este  o tipo
Este  o tipo de coisas
Para te fazer sentir como voc
Quer fazer algo srdido
Como resduo de algum molho de galinha
Em sua camisa branca
Completamente defronte aqui ns vamos
Use seus braos e os ps
Sirva-se de uma pincelada de molho, voc est bem na marca
Agite seus braos
E seus ps comeam a chutar
Ento voc sabe do seu comportamento de bom covarde 

- "Seja o Bom Covarde" Rufus Thomas 

* * * * *

Ludlow, Califrnia
14:00 horas

Quando ela era uma menininha, Roberta teve muitos sonhos. 
No princpio, ela estava determinada a ser uma astronauta. 
Ento "Emergncia!" pousou na televiso e, graas a Johnny 
Gage, ela tinha certeza que queria ser uma paramdica. O 
ano seguinte, ela estava destinada a ser igual a Sra. Dean 
e ser uma professora da quinta srie. Pouco tempo depois, 
ela anunciou orgulhosamente que se tornaria a primeira 
mulher Presidente dos Estados Unidos.

Roberta estava de p na Interestadual 40 e olhou, para baixo, 
ao seu minsculo encargo.

"Voc sabe o que, garoto? Por tudo que sei, eu *sou* o 
Presidente agora! Voc quer ser o Vice-presidente?" Ela riu.

Fazia muito tempo desde que ela tinha sonhado com qualquer 
coisa diferente de ganhar bastante dinheiro das vendas da 
Internet, para se aposentar numa cabana remota, em Montana.

Mas agora... ela estava tendo outros sonhos. E estes sonhos 
no envolviam contas bancrias ou a saudao de dignitrios 
estrangeiros.

Estes sonhos a acompanhavam de noite e a assombravam durante 
o dia.

Pequeno Moises, de modo algum parecia ser incomodado 
por eles. Ela sabia que o nome da criana no era de fato 
Moises - ela leu o nome verdadeiro dele na bolsa de fralda 
que ela encontrou no motel - mas ela preferiu este apelido. 
Afinal de contas, ela o salvou dos juncos proverbiais... 
mesmo se eles *eram* s um par de falsas samambaias no vaso.

Estava na hora para acampar. O sol estava comeando a se 
pr. Ela empurrou a bicicleta e o carrinho de criana para 
um pequeno afloramento de pedra... lhes daria alguma cobertura 
e esconderia qualquer luz da fogueira do acampamento. O fogo 
era conveniente para manter animais selvagens  distncia.

Muito ruim que o fogo no repeliria os sonhos, tambm.

* * * * * * * *

<<Os soldados de lata e Nixon esto vindo
Ns somos finalmente reconhecidos
Este vero eu ouo o tambor tocando
Quatro mortos em Ohio
Abaixe-se que os soldados esto nos reduzindo
Deveria ter sido h muito tempo
E se voc a conheceu e a encontrou morta no cho
Como voc pode correr quando souber.>>

- "OHIO" Crosby, Stills, Nash, & Young

* * * * * * * * *

Oeste de Dayton, Ohio
8 de julho
17:00 horas

Existem muitas coisas na vida de um cachorro que superam a 
sensao de ter o nariz pro ar, com as orelhas se agitando 
num vento de 70 km/h. Fluffy estava no cu dos cachorros, 
os olhos fechados, as orelhas voando ao vento.

Com certeza isso dava de dez a zero nos dois dias anteriores, 
onde suas patas quase ficaram corrodas de tanto andar no 
asfalto. Bem, com exceo de insetos que batiam em sua 
cabea de vez em quando. Ele podia seguir a sugesto de 
Scully e ficar atrs do pra-brisa, mas isso no era to 
divertido.

Ele virou a cabea ligeiramente e deixou ela subir e descer 
ao vento, como uma asa de avio.

* * * * * * * *

Scully observou Fluffy enquanto ele apoiava o pescoo por 
cima do pra-brisa do assento do carona na moto. Ela estava 
tentada a fazer o mesmo, ou pelo menos jogar um brao ao 
vento, mas um brao dela estava passada ao redor do cachorro 
para impedi-lo de ser jogado pra fora da moto - Mulder 
gostava de virar as curvas bem inclinado ao cho - e a 
outra mo estava pronta para usar a arma, caso fosse 
necessrio.

Esta parte da Interestadual 70 estava relativamente deserta 
e Mulder estava tirando vantagem do fato.

Ela olhou para ele. Mulder parecia estar adorando o passeio. 
Alis, ela tambm. Eles tinham andado por dois dias, desde
St. Clairsville para Cambridge. Mulder e Fluffy poderiam 
ter chegado  pequena cidade muito mais rpido se no 
tivessem mantido um passo leve para o benefcio dela.

Mas ela no estava se queixando do tratamento mimado deles 
para com ela. Scully tinha desejado, por dentro, que eles 
pudessem ir mesmo mais lento. Seu corpo precisava de mais 
tempo para se recuperar dos eventos da ltima semana.

E ento, eles acertaram na loto em Cambridge. Mulder achou 
uma concessionria de motos que tinha motos com bancos 
carona. O problema de transporte estava resolvido. Scully 
ficou mais do que contente em dividir um assento com Fluffy, 
e lidar com plo de cachorro no rosto dela, contanto que 
isso significasse que eles no andariam mais. Ela j tinha 
gasto as solas de seu tnis.

Mas o andar deu para eles chance de discutir, finalmente, 
sobre algumas coisas. Como o que os Pistoleiros Solitrios 
tinham encontrado.... os documentos que ela pegou no 
apartamento de Mulder.

Enquanto os documentos no mostravam nenhuma evidncia 
concreta, todos os caminhos pareciam apontar para um nico 
homem: O miservel e filho da me - Canceroso. Foi ela quem 
chegou a esta concluso, e estava muito orgulhosa disso.

Os comunicados oficiais faziam vrias, mas vagas referncias 
ao leo negro... o que tinha levado os Pistoleiros a acreditar 
que Mulder era imune  pestilncia. A exposio dele na 
Rssia e a vacina que ele recebeu depois no parecia ter 
sido fortuita, afinal de contas.

Mas ela era o enorme ponto de interrogao. Scully no 
tinha idia a que ela foi exposta durante seu desaparecimento 
de trs meses, ou o verdadeiro propsito do chip no pescoo 
dela. Ser que a falha do chip traria o cncer de volta? 
Ela estava quase certa que sim. E ela falou sobre isso com 
Mulder, assim como tinha prometido para Zeke.

Mulder at que aceitou bem. Era como se as palavras dessem 
para ele algo tangvel para ele lutar. Uma misso que lhe 
dava foras para agentar todas as outras devastaes que 
tinham acontecido.

Mas ela no falou uma coisa... o medo dentro dela... de 
que o chip a fazia imune  peste. E se o chip estava ruim... 
quanto tempo demoraria at ela pegar isso? Ser que o vrus, 
ou o que quer que tenha causado a doena, ainda estava por 
a? Ser que tinha uma 'longa vida', como o da hepatite, ou 
isso era mais como o da AIDS... que no podia viver muito 
tempo fora de seu anfitrio? Ela prestou ateno em toda 
coceira na garganta, ou vontade de espirrar.

Ela queria dividir isso com Mulder, mas ela precisava de 
algum tipo de prova antes de cruzar esta ponte. J era 
ruim o suficiente que os sangramentos e dores de cabea 
tinham voltado. Afinal de contas, tudo fervia para um 
objetivo: eles tinham que encontrar uma maneira para 
reativar o chip. E logo.

"Scully", Mulder gritou sobre o barulho do motor e do 
vento.

Ela olhou para ele, desavisada de que ele a chamou vrias 
vezes. Ele reduziu a velocidade da moto e apontou para os 
cus no oeste.

Nuvens verdes, ferventes e pretas cobriam o horizonte. 
Agora que eles estavam parados, ela tambm podia sentir 
o vento frio que vinha do oeste.

Eles estavam indo na direo da tempestade. Uma tempestade 
brava. Uma tempestade do vero do meio-oeste. Aquela sombra 
de verde normalmente significava alguma coisa... tornados. 
E no havia nenhum meteorologista por perto exibindo seu 
radar Doppler.

"Precisamos achar abrigo, e logo" Mulder notou.

At mesmo Fluffy parecia nervoso enquanto olhava para os 
dois humanos dele, para uma soluo.

"Onde ns estamos, Mulder?" Scully perguntou. Ela estava 
muito ocupada com os prprios pensamentos para prestar 
ateno a isso.

"Estamos 25 milhas depois de Dayton, mas faltam apenas 
outras para Richmon, Indiana. Provavelmente  melhor ir 
para l."

"Richmond ento... vamos indo."

Mulder acenou com a cabea, e eles saram depressa, direto 
para a ameaa. s vezes, atacar era melhor do que retirar, 
embora Scully odiasse a idia de que eles iam se arriscar 
contra um evento meteorolgico. Como George Bush - ou foi 
a Lady of Church? - teria dito: "Isso no  prudente."

Ela agarrou o pescoo de Fluffy e se enfiou no assento do 
carona enquanto eles iam para o corao da escurido.
 
* * * * * * *

Ludlow, Califrnia

Roberta se levantava numa rodovia deserta, o sol do meio-dia 
batendo no crnio, grelhando o crebro dela. O calor subia 
do pavimento em ondas. A terra na margem da estrada chiava 
e crepitava.

A voz soou de novo no ouvido dela, "Continue andando, Roberta. 
Traga esse pequeno pra mim... voc pode descansar aqui."

A voz era velha e amvel. Gentil. Ela tinha ouvido isto 
antes. Ela quis obedecer.

Mas ela no podia se mexer.

Porque  frente ela poderia ver os sinais malignos. As 
silhuetas de homens pendurados em cruzes, as carcaas 
deixadas para secar e mumificar no sol de assar. O prprio 
Forno de Cozedura Fcil da natureza.

As faces dos homens estavam contorcidas pela mscara da 
morte. Mandbulas penduravam abertas, globos oculares 
recuaram pra trs nas suas covas. Cabelo em tufos irregulares, 
nos couros cabeludos, sopravam de um lado pro outro no 
vento. Os dedos foram amoldados como garras. Longo, negro, 
e delgado.

Sobre eles centenas, milhares de pssaros enchiam os cus. 
Pssaros pretos, grandes, com garras afiadas como navalha. 
Os gritos subiram at que o barulho era ensurdecedor.

Ento a metade da massa rodando pousou na estrada diante 
dela.

"No por aqui, no por aqui!" Eles escarneceram em um tom 
montono, agudo.

Eles comearam a marchar para ela, polegada por polegada, 
movendo as cabeas de lado a lado para revelar os olhos 
amarelo-avermelhados.

Ela tentou recuar, mas os ps estavam congelados no lugar. 
Os pssaros cacarejaram. Mas o foco deles estava alm dela. 
Eles no estavam atrs *dela*...

Eles estavam atrs de Moises.

"No por aqui!"

E ento Roberta estava coberta por eles. Ela poderia cheirar 
a decadncia nas asas e bicos enquanto eles agarravam-se 
sobre ela, rasgando a carne dela.

Ela gritou e os bateu para longe com seus punhos em sangue, 
mas eles continuaram vindo. Ela poderia v-los se aproximarem 
do carrinho de criana de Moises.

"Voc tem que continuar ANDANDO!" A voz da mulher velha estava 
de volta.

Os pssaros ouviram, tambm, e gritaram em dor, as asas batendo 
contra o ar.

Roberta se livrou e correu para Moises.

Mas, logo antes que ela pudesse alcanar a criana, uma mo 
a empurrou por trs e ela estatelou-se pelo cho.

O homem sinistro, com os olhos vermelhos queimados, se 
levantou sobre ela exibindo um sorriso trapaceiro.

"Eles disseram, 'NO por aqui!'"

E enquanto ele avanava para ela, Roberta fechou os olhos e 
gritou...

* * * * * * * *

Roberta se sentou, suor vertendo pelo rosto e costas. Tinha 
sido um sonho. O mesmo sonho como a noite anterior... e a 
noite antes disso. Ela examinou as mos para ter certeza. 
No havia nenhum sangue. Nenhum ferimento.

Ela rolou para Moises, que estava ligeiramente encasulado, 
num rolo de mantas, ao lado dela.

Moises dormia o sono inocente dos bebs. Ela escovou o cabelo 
da testa dele antes de inclinar-se para trs, para relaxar e 
pegar a respirao dela.

"Continue andando", ela murmurou debaixo da respirao.

Ela baqueou sobre as costas em frustrao. Chance frtil que 
ela ia dormir agora.


* * * * *

Richmond, Indiana
17:15 horas

Uma das piores coisas sobre tornados  que voc nunca sabe 
exatamente quando ou onde os malditos funis vo tocar o cho. 
Se voc estiver olhando para o oeste, ele vai te pegar no 
leste. Se voc estiver olhando pra trs, ele vai pousar em 
cima da sua cabea.

O granizo desceu ao mesmo tempo em que eles pegaram a rampa 
da sada 156A. Mulder e Scully estava um pouco protegidos 
por causa do capacete, mas o pobre Fluffy estava sendo 
atingido pelas pedras. Scully o puxou contra ela, e tentou 
proteg-lo com o prprio corpo enquanto Mulder os levava 
para o primeiro prdio forte que pudesse achar.

A Hospedaria de Rodeway com certeza no seria escolhida. 
Aquele motel em particular foi construdo pelo porco que 
fez a casa de palha.

E o Motel Seis no era nada melhor. O porquinho das madeiras 
fez aquele prdio ali.

Mas, ento, Mulder viu o restaurante Cracker Barrel. E 
no foi devido ao po de sal ou o assado de panela. Ele 
se lembrou de uma caracterstica familiar de todos os 
restaurantes Crackers... eles tinham uma enorme lareira 
de pedra. No era to bom quanto um abrigo debaixo da terra, 
mas eles no tinham tempo para procurar um. Tudo que ele 
podia fazer era rezar para que a lareira fosse realmente 
de pedra, e no uma imitao, com uma fachada falsa, 
patenteada, de Bob Villa.

Quando eles viraram na rua que levava ao restaurante, os 
cus se abriram e a chuva fria caiu.

A queda sbita da presso baromtrica era quase audvel.

Mulder os levou pela rua de pedras, e reduziu a velocidade 
um segundo antes de chegar ao local. Estava fechado e deserto. 
E as portas, obviamente trancadas. E agora no era hora para 
tentar abrir a fechadura.

"Segura a, Scully!" Mulder gritou enquanto abria o regulador 
de presso e aumentava a velocidade da moto, direto nas 
portas duplas da frente.

Scully abraou Fluffy com muita fora, e fez exatamente o 
que Mulder tinha mandado.

As portas se quebraram num estrondo de lascas de madeira e 
chuva de vidro. A moto inclinou e o pra-brisa de Scully se 
quebrou enquanto batia nas sobras das portas. Mulder apertou 
os freios to forte que eles se inclinaram pra frente.

A moto parou bem no meio da ala de exibio de udio-livros. 
A fita "Os Homens so de Marte, as Mulheres so de Vnus" 
despencou da estante e caiu bem em cima do capacete de Mulder.

Fluffy no esperou por um convite de evacuao e saiu como 
um tiro, antes que seus companheiros pudessem reagir.

"Fluffy!" Mulder gritou enquanto o cachorro corria para 
dentro do restaurante, direto para a cozinha.

Mas no havia tempo para se preocupar com Fluffy. Mulder 
saiu da moto e se jogou sobre Scully. Ele no esperou para 
ver se ela ainda estava inteira. Jogando os escombros para 
longe de seu caminho, ele simplesmente a escavou nos braos 
e foi em direo  lareira de pedra.

Do lado de fora, o vento gritava, e tinha se tornado um 
zumbido contnuo.

Mulder lanou Scully sobre o forno, dentro da lareira, 
enquanto mergulhava sobre ela. Ele ouviu um grunhido suave 
dela quando ele pousou ao seu lado, e ficou contente ao 
saber que ela tinha sobrevivido  invaso. Ele a envolveu 
com o prprio corpo e esperava que estivessem seguros ali.

Quando a escurido os envolveu, era impossvel pensar, 
imagine falar ou ser ouvido.
As venezianas foram arrancadas e as janelas foram retiradas.

Mulder esperava que Fluffy estivesse bem. Ele esperava que 
as pedras fossem de verdade. E ele esperava no estar sufocando 
Scully.

O teto levantou e caiu, vigas chocando ao cho.

Mulder podia jurar que ele viu uma das mesas voando pra eles, 
as quinas letais... procurando os agentes de alguma maneira, 
como se tivessem ficado vivas.

Ele rezou para no ver nenhuma vaca voando, ou bruxas de 
bicicletas...

Enquanto o mundo se acabava, as mos de Mulder procuraram 
o rosto de Scully. Ele foi pego de surpresa ao ver que o 
rosto dela estava abaixo da orelha dele... ele no tinha 
notado as respiraes contra o prprio rosto. At agora.

Ela estava morna. Desperta e atenta. Ela se mexeu debaixo 
dele, at que estivessem cara a cara.

Uma mesa grande de madeira bateu contra a chamin.

E Mulder e Scully fizeram a nica coisa que qualquer homem 
e mulher normais fariam no momento em que estivessem diante 
da morte iminente...

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LAST ONE STANDING

* * * * * * * *
CAPTULO VINTE
* * * * * * * * *

Eu sinto movimento do tempo tempestuoso 
pronto para comear 
Oua o trovo 
No v perder sua cabea 
Arranque o telhado e fique na cama... 

...A umidade est subindo 
O barmetro est ficando baixo 
De acordo com todas as fontes, 
A rua  o lugar para ir 
Pois hoje  noite pela primeira vez 
Quase meio passado 
Pela primeira vez na histria 
Est comeando a chover homens.

- "It's Raining Men" (Est Chovendo Homens) Two Tons Of Fun 
(aka [tambm conhecido como]: The Weather Girls) 

* * * * * *

31 milhas a Leste de Ludlow, Califrnia

Era igual o sonho. O pesadelo.

Roberta estava de p na Interestadual 40, montada na bicicleta, 
e encarou o horizonte rochoso, estril, ao leste.

Havia cruzes. Muitas delas. E ela tinha certeza que elas no 
estavam vazias. Elas no eram anncios para alguma igreja e 
no eram marcadores para batidas de carro fatais. No a menos 
que uma frota de nibus de excurso tivesse batido l.

O sonho tinha sido uma premonio. O mal deitava  frente. 
E no havia nenhum modo que ela iria adiante. Tinha que ser 
de outro jeito... um caminho mais seguro ao redor.

Ela arrancou o seu Mapa de Bolso Rand-McNally e folheou a 
pgina certa. Havia a resposta dela... s algumas milhas 
de volta para o oeste. Ela at mesmo se lembrava da sada 
seca, empoeirada.

Rota 127... ou pelo menos ela achou que era 127. Era difcil 
dizer. O que fosse, conduzia ao norte, para a Interestadual 
15... "Os 15" como todo mundo chamava ao Sul, na Califrnia. 
O caminho do norte para Meca. Eles iriam voltar  sada.

Ela olhou sobre o ombro para inspecionar Moises. Ele estava 
dormindo pacificamente. Ela suspirou e limpou algumas mechas 
suadas do cabelo castanho, do seu rosto. Ela estava realmente 
contente que a criana era muito jovem para entender o que 
estava acontecendo.

E ela estava determinada a lev-lo  mulher velha em Nebraska. 
De alguma maneira, ela sabia que tudo ficaria em ordem quando 
eles chegassem l.

Ela ps os ps nos pedais e fez uma reviravolta.

Eles foram em direo  Las Vegas.

* * * * * *

Richmond, Indiana
8 de julho

Existem algumas coisas que vo alm do inevitvel.

Uma bola jogada l de cima da Torre de Pisa para uma queda 
livre at bater no cho... Stanley achando o Dr. Livingston, 
Flocos Krispies estalando, crepitando e estourando, Bartles 
sentado na varada com Jaymes, e um ponto no fim de cada 
orao.

Talvez fosse a incerteza dolorosa da sade de Scully. 
Talvez fosse o vento feroz que ainda os ameaava peg-los 
e espalh-los pelos quatro cantos de Indiana, e vrios 
outros estados do Meio Oeste. Ou poderia ser a adrenalina 
batendo dentro deles, encarando a morte mais uma vez... e, 
talvez, fosse uma maneira para se distanciar disso brevemente. 
A necessidade para apenas confirmar que ambos estavam vivos, 
e como se sentiam cercados por tanta destruio.

Nenhum deles tinha certeza de quem foi que comeou, mas 
nenhum deles perguntou, analisou ou lamentou quando isso 
aconteceu. Isto era esperado acontecer.

Enquanto o vento uivava, seus lbios se encontraram.

O vento furioso ao redor deles estava cheio de cremes, sal, 
batedeiras, pratos, garfos e enquanto isso,

Mulder e Scully se beijaram.

A chapa de metal sobre a abertura do cano da chamin se 
levantou, e suspirou contra a presso do ar.

E os ouvidos de Mulder batiam com cada pulsar de sangue 
enquanto os dedos de Scully se enfiavam no cabelo e pescoo 
dele... e ela at mesmo deu um rugido enfraquecido quando 
a boca dela o devorou.

Se eles fossem morrer, este era o jeito certo. Mulder estava 
positivamente certo sobre isso.

Ele no tinha como saber quanto tempo durou. Mas, eventualmente, 
respirar se tornou uma necessidade.

E quando eles se afastaram, ofegantes, o rugir do vento 
parou. O vento parou.

Os nicos sons eram a batida fixa de uma chuva fria e os 
gemidos dodos do edifcio destrudo que os cercava.

Eles ainda estavam vivos.

Outro raio iluminou a rea enquanto Mulder olhava para 
baixo, para sua parceira.

Ele tirou o cabelo do rosto dela ternamente, deixando os 
dedos se arrastarem at o queixo dela. Ento, sem uma 
palavra, ele se esticou e olhou pra cima, pela abertura 
do forno, e espiou.

Era seguro sarem agora.

Ele rolou pra fora de Scully, e saiu, oferecendo a mo 
para ajud-la. Ela deslizou na abertura, estremecendo 
algumas vezes com o movimento.

Quando ficou de p, as mos de Mulder moveram sobre ela, 
checando para ver se havia algum ferimento. E o tempo 
todo Scully o observou, fazendo a mesma coisa.

Eles tiveram algumas novas contuses e novos cortes... e 
suas roupas estavam com um pouco de cinzas, e molhadas, 
mas ambos estavam inteiros.

Finalmente, Mulder colocou as mos sobre os ombros dela, 
e olhou pra Scully com um sorriso.

"Eu j te disse, Scully, que Cracker Barrel  minha parada 
favorita na estrada?"

Elevando uma sobrancelha, e sorrindo, Scully respondeu. 
"No. Mas eu posso ver que tem l os seus charmes..."

Ela ergueu as mos para o rosto dele, e olhou fixamente 
para Mulder... e fechou os olhos quando os lbios deles 
se encontraram...

E o silncio dourado foi perfurado por um frentico, mas 
distante latido.

"Fluffy!" Scully exclamou.

Ambos foram na direo do que uma vez foi a cozinha. Estava 
um desastre.

Vidro e pedra estavam espalhados pelo cho, enquanto eles 
andavam por cima de tudo, at de vigas cadas, at chegarem 
na cozinha.

Fluffy continuou latindo, mas o som estava amortecido.

"Ns estamos chegando, garoto" Mulder falou. Ele apontou 
para uma porta de ao... que ao que parecia, era o 
frigorfico.

Eles trabalharam depressa e comearam a remover os escombros 
da frente da porta. Alguns minutos depois, Mulder lanou de 
lado o ltimo impedimento, e abriu a porta.

Fluffy saltou prontamente para fora e pulou sobre Mulder, 
as enormes patas batendo contra o trax do surpreso agente, 
o rabo dele balanando a cem milhas por minuto.

Era bvio que o cachorro estava inteiro.

Scully olhou para a porta com um olhar divertido. "Por que 
no pensamos em vir pra c?" ela perguntou.

Mulder se livrou de Fluffy - o que significava que o cachorro 
estava livre para atacar Scully - e espiou o pequeno quarto 
de ao. Yep. Scully tinha razo. O cachorro foi mais esperto 
que ele de novo... mas...

"No sei no, Scully... o nosso lugar teve seus pontos 
altos" ele falou na voz mais sugestiva possvel.

Scully, muito para o choque dele, o agarrou pelo colarinho 
e o puxou para dentro do cmodo, "Vem c, federal."

Mulder estava completamente preparado para executar qualquer 
servio que Scully queria que ele fizesse, tendo um co 
como testemunha ou no.

E ficou extremamente desapontado quando Scully soltou 
a roupa dele, e comeou a mexer no prprio cabelo.

"Bem, pelo menos aqui est seco... e eu estou cansada de 
chuva, Mulder. E estou pronta pra ir pra cama."

Ok. Ela tinha razo. E eles com certeza estavam menos que 
higinicos no momento. Algumas coisas podiam esperar. Sono 
no.

Eles procuraram at que abriram enormes caixas de papelo 
para poder fazer tapetes no cho. Mulder voltou para a 
moto, e ficou contente ao ver que, mesmo que ela estivesse 
presa, a maioria de seus pertences ainda estavam inteiras 
nas 'bolsas' laterais. Ele tirou os pacotes, e voltou para 
Scully.

Depois de uma rpida e modesta troca de roupa molhada, 
eles se acalmaram, e deitaram.

Exceto que, desta vez, Scully estava embrulhada com firmeza 
nos braos de Mulder.

E Fluffy estava bem contente para se esgueirar e ficar 
debaixo do brao de Scully.

E quando eles estavam quase dormindo, Mulder fez questo 
de deixar bem claro para ele, "No se acostume com esse 
lugar a, cachorro. Eu tenho outros planos."

Fluffy grunhiu e foi dormir.

* * * * * *

Agora amigos risonhos zombam das lgrimas que eu no posso 
esconder Assim eu sorrio e digo "quando uma adorvel paixo morre, 
fumaa entra em seus olhos Fumaa entra em seus olhos, Fumaa entra em seus olhos- "Smoke Gets In Your Eyes" por Otto Harbach e Jerome Kern* * * * *

Em algum lugar em Nevada

Ele caminhava pelo longo corredor, passando por cada luz 
branca-amarelada... balizas colocadas exatamente  distncia 
de vinte ps e oito ps do cho. Estavam ordenadas e limpas... 
exatamente como ele tinha planejado esta operao inteira.

Ele olhou para o relgio. S mais quatorze horas. Ele precisava 
descansar primeiro... ento poderia concentrar na primeira 
excurso ao exterior desde o "evento principal". Os planos 
estavam estabelecidos, os mapas tirados, a rota escolhida.

Estava na hora para dar uma espiada ao que eles... a operao 
que ele forjou. E se acontecer, por acaso, deles passarem por 
um 7-11 ou uma loja Costco, com vrias dzias de caixas de 
papelo de Morleys... bem ento, assim seja.

Ele acendeu outro cigarro enquanto virava o ltimo canto 
antes do seu escritrio... e parou arrefecido.

O soldado que foi designado para permanecer de guarda sobre 
o seu domnio desapareceu. A porta estava entreaberta. 

Ele se aproximou da porta, cauteloso. Ele sabia que no 
havia nenhum modo que o guarda tivesse entrado, ou que o 
homem treinado teria deixado, de boa vontade, o seu posto. 
Mas, intrusos do exterior eram uma impossibilidade, no 
eram? Afinal de contas, ele mesmo tinha projetado o sistema 
de alta segurana.

Ele s parou ao lado do umbral da porta e escutou, induzindo 
o corao a reduzir a velocidade da sua batida alta dentro 
do trax.

"Bem. No fique de p a... entre", a voz de um homem convocou risonhamente... de modo convidativo.

O homem deu uma baforada no cigarro esquecido e empurrou a 
porta aberta. Ele deixou a mo direita no bolso, agarrando 
o ao da sua Walther PPK confortavelmente, o dedo dentro do 
gatilho. Ele no tinha sobrevivido tanto tempo sendo estpido.

E enquanto a porta balanava pra dentro, ele viu a visita 
pela nvoa de fumaa j presente.

O homem sinistro estava sentado atrs da escrivaninha do 
fumante, os ps nas botas descansando sobre relatrios, 
mapas e mata-borro. Ele exibia um sorriso.

"Desculpe sobre a baguna", o Homem Sinistro disse enquanto 
gesticulava para o canto. O guarda deitava no cho em um 
monto sangrento, os olhos queimados, a cavidade do trax 
uma ferida gigantesca. "Ele no parecia querer entender que 
eu queria v-lo."

O fumante tentou no estremecer. Ele encarou o Homem Sinistro, 
tentando formular um plano... algo que ele normalmente executava 
muito.

"Quem  voc?" ele calmamente perguntou. Ele tinha visto morte 
pior que isto.

"Oh! Desculpe meus modos. Randall Flagg  o nome... mas 
eu entendo que voc foi enganado por mim algumas vezes. 
Irnico, no ?"

"O que exatamente  que voc quer?"

"Eu? Nada. Nada. Mas, eu tenho algo que eu sei que voc 
desejar..."

"Duvido muito", o fumante respondeu com o desafio habitual.

"No seja to rpido para me dispensar, Jimmy Boy... esse 
** seu nome verdadeiro, no ?"

"Jimmy Boy" bajulou. Ningum. NINGUM sabia isso.

"Oh! Eu esqueci", Flagg fez tsc tsc. "Voc no usou esse em 
mais de quarenta anos... o ltimo nome que voc usou foi 
Charles Spender, no foi? Assim. Charlie. Voc est escutando 
agora?"

"Sim." A voz de Spender era baixa e sufocada. O cigarro ficou 
sujo. Ele derrubou ao cho e pisou nisto, inalando pra fora.

"Bom. Muito bom. Uma deciso sbia. Quase to sbio quanto 
sua deciso para largar desse pacote de Morleys em seu bolso."

Spender ficou aturdido ao achar que a sua Walther PPK tinha 
desaparecido. Em vez do conforto do ao mortal na pele, ele 
sentiu o celofane familiar embalando um pesado pacote novo 
de cigarros. Ele puxou o pacote depressa do bolso e encarou 
em descrena. Os intestinos apertaram uma prega, num fator 
de dez, quando comeou a despontar nele quem estava diante 
dele... o que *ele* prprio tinha soltado.

Randall Flagg no prestou nenhuma ateno  surpresa de 
Spender e continuou a sua fala.

"Primeiro me deixe entregar algumas notcias ruins... Uns 
certos dois agentes do FBI sobreviveram sua pequena pestilncia. 
Claro que voc sabia que isso aconteceria, no sabia? E eles 
suspeitam que voc est vivo e indubitavelmente gostaro de 
vir atrs de voc... mas talvez estas so as notcias boas?

"Eu diria que voc necessita de alguma influncia quando eles aparecerem... algo para te ajudar que seja feito com eles de 
uma vez por todas... ou te permitir us-los como voc bem 
quiser... esse seu plano original era para a mulher, no era?

"Eu gostaria de saber o que essa influncia poderia ser..." 
A voz de Flagg dissipou-se com uma alegre cano particular, 
que mostrou que ele sabia que segurava a carta de trunfo 
neste jogo.

"Obviamente voc sabe..." Spender tentou manter uma face de 
pedra. Ele tentou.

"Eu entendo que voc est a ponto de fazer uma pequena disputa 
de cigarro... hbito srdido sustenta esse cncer..." Flagg 
apontou ao toco queimando sem chama no cho.

"E se eu estiver?" Spender clareou a garganta, ele poderia 
sentir a blis na parte de trs da garganta, o estmago 
estava virando... e ele sabia quem estava causando isto. Inconscientemente, a mo esquerda cavou no bolso do terno 
 procura de um Certs.

"Sugiro que voc venha aqui", Flagg apontou ao mapa na 
escrivaninha de Spender. "H uma mulher que est viajando 
com uma criana que no  dela. Ela o chama de Moises... mas 
esse no  o nome verdadeiro dele... como voc, huh? Eu 
*providenciei* de modo que eles passaro aqui..."

"Quem  a criana?" Spender blefou com o seu melhor tom 
desinteressado.

"Voc tem certeza que quer saber?"

Os olhos de Spender estreitaram. "Qual  seu preo?"

Flagg riu. "Preo? Voc se vendeu a muito tempo atrs... 
Voc j est possudo. Venha aqui e faa o que eu digo. 
Voc conseguir o que voc quer e, ao mesmo tempo, estar 
removendo um espinho potencial do meu lado... me libertando 
de uma amolao desagradvel. Eu chamaria isto uma transao 
justa."

"Qual  o nome da criana?"

* * * * * *

Richmond, Indiana

Mulder encarou a estrada diante dele. Estava escura, mas 
o horizonte para o oeste ainda tinha algumas faixas de luz.

Ele estremeceu no vento frio. E enquanto apertava o casaco 
que usava, ele foi atingido por trs. Antes de poder girar 
e ver o que o atingiu, ele foi batido de lado a lado por 
duas longas e infinitas filas de pessoas andando por ele. 
Ele estava apanhado entre as duas filas.

Ele tentou falar com elas, mas elas estavam cegas... e no 
escutavam. Elas marchavam num passo infinitamente lento 
para o oeste. Seus rostos plidos estavam sem vida... olhos 
escuros com bordas vermelhas. As roupas delas eram pretas...

Era uma procisso funerria.

Mulder comeou a correr, procurando desesperadamente uma 
abertura nas filas para.... sair. Ele correu por milhas, 
incapaz de parar, pois quando ele fazia isso, as pessoas 
o empurravam pra frente.

Ele lutou o tempo todo, mas a mar de pessoas o empurrava. 
At que, finalmente, exausto, ele se ajoelhou e enterrou 
o rosto nas mos.

"Levante-se, Fox!" Me Abigail chorou.

Mulder olhou e viu que no estava mais entre as filas, na 
estrada escura. Ele estava num campo verde, cercado por 
luz morna do sol.

Ele cambaleou, procurando por Me Abigail.

"Onde voc est?" ele chamou enquanto girava ao redor.

"Aqui mesmo, criana", ela chamou suavemente.

Mulder se virou e de repente, ela estava diante dele, de 
p, com a bengala na mo, presa  terra.

"O que est acontecendo?"

Ela ergueu a bengala e o p. " um aviso, filho. Um despertar 
para voc... dizendo que existem mentiras  sua frente."

"Eu no entendo..."

"Voc e Dana tm que continuar andando. Vocs no devem 
parar por nada nem ningum... voc entende esta velha 
mulher?" os olhos dela eram cristalinos.

"Eu no sei..."

"Lembre-se destas palavras. Ningum. Voc no pra para 
ningum. Ele pode aparecer na forma de um beb desamparado... 
de uma criana... ou um velho aleijado, com dor... mas  
tudo mentira.  a armadilha dele. Ele conhece a sua fraqueza. 
Voc no pra para ningum at me encontrar. Fui bem clara?"

Mulder acenou com a cabea, mudo. Que diabos estava acontecendo?

"Se voc no me escutar, filho... vai ser a vida de Dana 
que vai ter que pagar, e o que ela ama..."

"Eu entendo!" Mulder gritou... Me Abigail, de repente, 
sabia a fraqueza dele tambm.

"Lembre-se..." a voz dela enfraqueceu.

* * * * * *

E Mulder acordou de repente.

Enquanto Scully e Fluffy dormiam pacificamente.

* * * * * *

Em algum lugar em Nevada

Charles Spender esperou por uma resposta a sua pergunta.O Homem Sinistro sorriu, um sorriso fedorento, e respondeu..."O nome da criana  Matthew Scully."

* * * * *


LAST ONE STANDING
Mabtng <mabtng@mindspring.com>

* * * * * * * *
CAPTULO VINTE E UM
* * * * * * * *

Leste de Indianpolis, Indiana
10 de julho
14:00 horas

Mulder esquadrinhou a cidade pequena  frente.

As coisas estavam indo relativamente bem nos dois ltimos 
dias. Eles saram de Richmond ontem de manh. A cidade 
tinha sido demolida. Tbuas, tijolos, papel, e escombros 
domsticos cobriam o cho e eles tiveram que andar com todo 
cuidado para evitar o ferimento que uma queda sbita poderia 
causar.

Scully sugeriu para que eles fossem pela Rodovia 40 ao 
invs da Interestadual 70. A rodovia 40, comparada  
interestadual, dava muitas voltas, mas a interestadual 
era quase deserta, enquanto a rodovia tinha vrias cidades 
pequenas ao redor dela. Cidades pequenas que poderiam 
garantir suprimentos caso eles precisassem de transporte 
ou mais alguma coisa.

O rastro de destruio terminou apenas a algumas milhas 
a oeste de Richmond. Enquanto eles olhavam pra trs, para 
o rastro de destruio, parecia que um enorme aspirador 
de p tinha chupado a cidade, e devolvido tudo num monte 
de bola de cabelo.

Eles encontraram as motos Schwinn naquela noite, enquanto 
andavam por mais outra cidadezinha fantasma. No havia 
muito o que fazer em relao a Fluffy at que eles 
encontrassem outra loja de motos. At l, eles concordaram 
em andar devagar com as motos para que o cachorro pudesse 
acompanh-los.

At que no foi ruim. A rodovia era asfaltada, e Fluffy 
parecia estar gostando do exerccio, fingindo persegui-los, 
latindo e mordendo, de brincadeira, os ps deles.

Mas at mesmo Fluffy ficou quieto quando eles chegaram nas 
primeiras construes da cidade. No havia sinal de vida, 
mas era sempre melhor ser cauteloso. Fluffy ergueu o nariz 
contra o vento... e cheirou morte. Tremendo a cabea, ele 
bufou algumas vezes para se livrar do cheiro.

"O que voc acha de encontrarmos uma loja, pegarmos algumas 
coisas, e dar o fora daqui antes de parar para comer alguma 
coisa? Estou comeando a ficar com fome." Mulder perguntou.

Scully estava cansada, mas ela acenou com a cabea em acordo. 
Ela preferia limitar as paradas deles  estrada aberta, 
tambm.

Eles andaram lentamente pela cidade sobre as motos, procurando 
um supermercado. Quando finalmente encontram um mercado 
local, era bvio que no estavam com sorte. O lugar tinha 
sido saqueado... provavelmente durante o pnico inicial 
da pestilncia. Tudo que sobrou foram algumas batatas 
velhas, e algumas latas amassadas de tomates e ervilhas. 
E arriscar botulismo a esta altura do campeonato no era 
algo que eles queriam fazer.

Eles continuaram andando, decepcionados, mas as coisas 
comearam a melhorar um pouco depois quando uma lanchonete 
Rosehill apareceu diante deles. Eles pararam suas motos 
na frente do estabelecimento e foram com cuidado para a 
porta.

A porta de tela estava fechada, mas a porta de dentro estava 
destrancada. Mulder espiou dentro da janela, para checar a 
situao. As paredes do local estavam cobertas com antigos 
calendrios com fotos dos novos modelos de carro de 1955  
at anncio de seguros. Mulder levou isso como um bom sinal, 
j que ele acreditava que a grandeza de qualquer lanchonete 
estava relacionada com o nmero de calendrios e cardpios 
obsoletos que tinham expostos.

A fascinao do lugar s foi arruinada por uma coisa...

"Parece que tem um homem morto l dentro... mas tudo parece 
calmo. Quer entrar?"

Scully respirou, e acenou com a cabea. Mulder abriu a porta 
e eles entraram, mas Fluffy deitou e se recusou a entrar. 
Mulder ficou confuso com isso, mas encolheu os ombros. 
Ele caminhou para uma janela lateral e abriu, esperando 
que a brisa limpasse o ar mofado, e ento ele foi para a 
cozinha. Scully ficou quieta, e olhou para o homem morto.

Harvey "Hec" Shannon estava sentado na sua mesa de sempre. 
A mesa em que ele se sentava para tomar caf da manh e 
jantar - pois era assim que eles chamavam o almoo aqui - 
todos os dias, menos sbado. Ele ficou viciado ao toucinho 
da lanchonete, e a carne de boi cremosa, por mais de quinze 
anos.

Hec nunca foi inteligente... ele tinha dificuldade at mesmo 
para pensar... mas ele sempre deu duro na garagem do Billy. 
E ele gostava de ficar no caf, com a sensao de pertencer a 
algum lugar. Se ele ficasse doente ou perdesse uma refeio,  
algum da lanchonete sempre verificava para ver se ele estava 
bem. Isso era legal, pois ele no tinha mais ningum neste 
mundo.

Assim, quando a pestilncia chegou e todo mundo comeou a 
cair como moscas, Hec, com seu nariz pingando, e o trax 
doendo, foi para o nico lugar em que poderia achar que um 
caf ajudaria.. ele esperou ali, na mesa dele, leno cheio 
de meleca na mo, querendo saber se a dona da lanchonete 
iria voltar e dar uma carne de boi pra ele.

E ele esperou at sufocar e cair sobre a mesa de frmica, o 
nariz grande e vermelho apertado contra o cardpio laminado 
amarelo que estava sobre a mesa.

Scully encarou o homem morto. Ele era magro, meio velho, e 
no havia muito odor. Ele estava sentado ali, sem incomodar 
ningum. Ela passou por muitos corpos desde que este pesadelo 
comeou, mas poucos tinham evocados sentimentos de condolncia 
nela.

Talvez fosse a maneira como o velho homem estava sentado 
to paciente na mesa. Talvez fosse porque ele morreu obviamente 
sozinho. O que quer que fosse, fez com que ela pegasse uma 
toalha de mesa quadriculada, e cobrisse o corpo. Um pequeno 
toque de bondade para algum que tinha morrido h muitos 
dias.

Mulder estava entrando na cozinha quando Scully fez isso. 
Ele parou na entrada, e observou, em silncio, no querendo 
perturb-la. Quando ela terminou, mais outro momento de 
silncio, em respeito ao homem... ele pigarreou, e ela 
olhou pra ele.

"Acho que acertamos na loteria de novo aqui... vem c, e 
me diz o que voc acha" ele falou, acenando com a mo.

Scully o seguiu, tentando ignorar a estranha separao que 
ela estava sentindo agora. No era dolorosa, mas ela no 
estava se sentindo atenta, e no tinha certeza do motivo.

Eles olharam as prateleiras e encontraram coisas teis... 
arroz, feijes secos, algumas latas de milho e outras de 
pssegos, alguns biscoitos e alguns Spam - que s seria 
usado numa medonha emergncia, de acordo com Mulder.

Ele encontrou uma lista telefnica da rea de Indianpolis 
e procuraram o endereo de uma concessionria de motos. 
Uma delas tinha que ter um transporte para eles, e seu mais 
novo amigo peludo.

Eles agarraram seus suprimentos e voltaram para as motos, 
mas quando eles chegaram perto das mquinas, e estavam 
prontos para montar, Fluffy comeou a circular Scully, 
choramingando e lamentando.

"Qual o problema, garoto? Est na hora de irmos..." Scully 
urgiu.

Mas Fluffy no desistiu. Enquanto ela se sentava, o cachorro 
mordeu a perna da cala dela, os dentes embutidos com 
firmeza no pano da cala jeans dela.

"Solta isso, Fluffy" Mulder exigiu, enquanto Scully tentava 
soltar a perna.

Fluffy no se movia. Quando Mulder desmontou, e foi na 
direo dele, Fluffy soltou um resmungo baixo. Ele continuou 
puxando Scully at que ela finalmente desmontou tambm.

Scully olhou para Mulder, alarmada. "O que est acontecendo, 
Mulder? Ele est doente?"

Mulder tentou se mover furtivamente para cima e agarrar 
Fluffy pela coleira, mas o cachorro pulou. Ele soltou 
Scully e se jogou sobre a moto dela. Ele bateu de cheio 
na moto.

"Fluffy!" Mulder gritou. Agora no era hora pro cachorro 
ter um acesso de raiva. Mulder fez um escndalo ao ir para 
a moto e comeou a pegar as coisas que tinha sido espalhadas 
pela queda. "Maldito cachorro." Mulder murmurou.

"Mulder?" Scully resmungou alguns momentos depois...

Mas ele no olhou.

Ento Fluffy latiu com insistncia.

E Mulder se virou a tempo de ver os olhos de Scully rolarem 
para trs da cabea enquanto ela caa no cho, sangue 
vertendo do nariz.

"Scully!" Mulder estava ao lado dela num instante, procurando 
o pulso, escutando a respirao dela. Ela estava viva, mas 
inconsciente. Ele virou-a de lado, para impedir que sufocasse 
no prprio sangue.

Fluffy lamentou suavemente, se recusando a deixar o lado 
dela. Ele descansou a cabea sobre o quadril de Scully, 
e olhou para Mulder, e com olhos tristes e suplicantes, 
implorou para que ele fizesse alguma coisa.

E de repente Mulder entendeu tudo.

"Voc sabia que isso estava a ponto de acontecer, no , 
garoto? Foi por isso que voc no deixou Scully andar 
na moto dela... voc sabia que ela poderia se ferir."

Fluffy s continuou encarando-o, triste.

Mas tudo fazia um estranho sentido, parecido com um arquivo 
X. Haviam cachorros que podiam antecipar ataques epilticos 
de seus donos antes que acontecessem... e havia uma certa 
crena de que os cachorros poderiam apanhar mudanas no 
campo eltrico de um humano ou que eles poderiam cheirar 
estas mudanas. O que quer que fosse, parecia que Fluffy 
estava em sincronia com Scully, e o chip no pescoo dela.

O sol estava forte, e suor comeou a descer pelo rosto de 
Mulder.

"Vamos lev-la pra dentro", Mulder disse, grato por ter um 
ser vivo capaz de ouvi-lo, mesmo que no pudesse entend-lo completamente. Ele ergueu Scully em seus braos, e a levou 
para o caf.

Ele passou pelo salo e pela cozinha, indo para o escritrio 
atrs do prdio. Ele deitou Scully no sof de vinil laranja, 
tendo o cuidado de deit-la de lado. Ele correu pra cozinha, 
e agarrou alguns panos, e voltou correndo para o lado dela, 
colocando dois panos debaixo da cabea dela, para pegar o 
sangue. Ele conferiu o pulso e respirao, mais uma vez. 
Ainda pareciam fortes.

Ento ele ouviu Fluffy latindo l fora.

"Eu volto logo, Scully" ele sussurrou enquanto dava um 
beijo na testa dela. Ele correu para fora, na direo das 
motos.

Fluffy estava andando de um lado para o outro na rua, 
parecendo olhar para o fim da estrada. O cachorro parou 
de andar quando sentiu a presena de Mulder. Seus olhos 
ainda estavam colados no horizonte, quando ele comeou a 
rosnar.

Mulder piscou e tentou ver o que estava incomodando Fluffy, 
mas ele no podia ver nada. Ele olhou para o cachorro. E 
olhou para as motos. E olhou para a estrada de novo.

Fluffy latiu com urgncia... de novo.

Mulder decidiu que poderia ser prudente atender ao aviso 
de seu amigo. Afinal de contas, animais tinham sentidos 
mais aguados do que os humanos. Ele agarrou a moto e levou 
para o caf. Ento ele voltou para pegar a moto de Scully. 
Ele ergueu a moto do cho e a escondeu antes de voltar 
para a rua e pegar as coisas espalhadas.

Fluffy rosnou. Mulder observou. Ele no podia ver o que 
estava vindo, mas agora podia ver o sol batendo contra algo 
de metal, pois isso brilhou enquanto vinha pela rodovia... 
um carro. Parecia estar a umas trs milhas. Mulder agarrou 
o resto das coisas e correu para o caf.

"Fluffy!" ele gritou, e o cachorro entrou, depois de fazer 
seu trabalho.

Frentico, Mulder correu para tirar tudo da vista, empurrando 
as motos para dentro da cozinha, enquanto Fluffy corria de 
volta para o escritrio, para ficar com Scully.

Mulder podia ouvir o carro enquanto ele se aproximava deles. 
Quando ele se lanou contra a porta da frente para tranc-la, 
Mulder rezou que quem quer que estivesse vindo, continuasse 
sua viagem, e no parasse ali.

* * * * *

Kelso, Califrnia
Em alguma hora

Era uma vez, no a muitos anos atrs, em uma terra muito, 
muito distante, Roberta Parks teve um trabalho no mundo 
exterior. No s um ir-trabalhar-apoquentar-seus-ouvidos-
num-sossegado-dia de pagamento do trabalho, mas um 
*significante* trabalho. Ela tinha esperado cada turno... 
sabendo que ela faria uma diferena.

E a manteve bastante atarefada e mais que satisfeita o 
suficiente, que ela esqueceu de notar que ela no tinha 
nenhuma vida alm disto.

Assim, quando ela foi forada a deixar para trs, ela deixou 
para trs a vida dela. Junto com as emoes e propsito.

Emoes no seriam de muita utilidade agora para ela, por 
algum tempo. Pois a nica que ela sentia, a que se movia 
furtivamente nela em momentos silenciosos, era tristeza. 
Uma dor vazia, de doer o peito, que freqentemente rastejou 
no apartamento dela s 2 da manh quando ela se deitava na 
cama, encarando o teto, muito atenta do espao desocupado 
na sua cama, de tamanho majestoso.

No que Roberta vivia muito em sexo, ou a falta disto... 
no era uma necessidade real para cumprir na vida e ela 
nunca entendeu esses que tratavam isto como tal. Diferente 
da procriao, era um *desejo*, no uma *necessidade*. Mas, 
ela achava que intimidade... companhia era uma necessidade. 
A vida era bastante insensata sem isto. Como a prpria vida 
dela.

Ela consideraria o seu rosto no espelho do banheiro, salpicado 
de gua, querendo saber que componente vital estava faltando. 
O cabelo castanho longo no estava ruim... os estilistas 
amavam, de qualquer maneira. Os olhos azuis estavam fundos 
e redondos... todos seus traos pareciam bons individualmente. 
Mas, de alguma maneira, quando eles eram somados tudo junto, 
faltava algo de alguma maneira. Como uma sopa de vegetais 
caseira, que voc mourejou s durante todo o dia, para no 
fim achar que est faltando algum tempero desconhecido ou 
erva... talvez uma folha de louro ou algum Tempero Especial 
Emeril.

Ningum alguma vez a chamou de feia... mas ningum alguma 
vez lhe falou que ela era bonita.

Quando ela teve um trabalho externo, em que ela freqentemente 
entrava em contato com criancinhas... ela sempre fez questo 
de falar para as meninas que elas eram bonitas. E ela estava 
sendo sempre sincera. Ocorreu-lhe, mesmo ento, que ela 
teria sentido mais confiante sobre a sua aparncia se tivesse 
sido afirmado, s uma vez, por uma fonte externa. Se, s uma 
vez, algum tivesse se preocupado o suficiente com ela para 
ver que ela tinha um pouco de beleza interior ou exterior.

Assim, antes do Capito Tripps, Roberta tinha se resignado 
quase ao fato que ela nunca se casaria... nunca teria filhos... 
que ficaria tudo bem quando ela tivesse um trabalho com real 
propsito. Mas sorveu quando no aconteceu.

Mas as coisas tinham mudado agora, no tinham? Ela tinha um 
propsito novo. Pequeno Moises. No momento, a criana estava 
rastejando ao redor, dentro da barraca de filhote de cachorro, 
brincando de esconde-esconde com o saco de dormir dela.

O riso rouco dele era um de maravilha despreocupada enquanto 
ele puxava o saco de novo sobre a cabea e Roberta arrancava 
fora com um adorno.

Moses nunca mais chorou pela mame dele... mas ele 
constantemente precisava tocar Roberta. Quando eles no 
estavam na bicicleta, ele sempre precisava estar dentro 
do alcance fcil dela. Ele no era "caloroso", ele apenas 
precisava da confiana do contato.

Ela estava contente... aliviada... para dar.

Ela se lembrava muito bem, de toda a cena do quarto de motel 
onde ela o achou... e estremeceu. Ela tinha visto coisas 
ruins antes, mas aquela cena estava no topo da lista.

Roberta deu um gole longo da sua garrafa de gua e esfregou 
a boca com a parte de trs da mo empoeirada. Esta rea 
tinha um nome muito apropriado. O Playground do Diabo.

Ela aprendeu depressa que viajar entre 11 da manh e 4 da 
tarde, nesta regio, era virtualmente impossvel - a menos 
que voc fosse um comilo para insolao. Nope. Era muito 
mais sbio pr-se a caminho antes do amanhecer, ento parar 
e levantar um pequeno acampamento na sombra durante o apogeu 
destas horas de sol.

Assim, ela encontrou uma salincia rochosa alm dos limites 
de Kelso, onde ela poderia montar a barraca. Aqui eles 
estariam protegidos do pior do sol e os ventos quentes. 
Claro, ela teve o cuidado para conferir a rea por qualquer 
habitante selvagem que poderia ter tido o mesmo pensamento... 
ela odiava cobras.

Moses comeou a se acalmar da brincadeira, os olhos comeando 
a cair, assim ela o colocou no canto do saco de dormir e 
esperou ele cochilar, para que ela pudesse cuidar um pouco 
do seu prprio interesse.Uma vez que a criana estava adormecida, ela abriu a mochila 
e removeu a arma Glock 9mm e um pequeno equipamento de 
limpeza de arma. Era uma boa idia ter certeza que no 
tinha apanhado areia ou saibro durante as viagens no 
deserto.

Ela no podia livrar-se do sentimento que ela precisaria 
da arma logo. E o seu propsito novo exigia que ela 
estivesse pronta.

Ento ela ouviu. O baque, baque de rotores...

* * * * *Indiana

Apareceu como um globo de fogo do inferno. Fumando e rugindo 
com a raiva que s um supercompressor poderia prover. Um 
Ford deuce cup 1932 dourado, completo, com chamas pintadas 
pelos lados. A barbatana de tubaro na capota anunciava seu 
dono em letras chamejantes: O Garoto.

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Mulder abaixou atrs do balco dianteiro, onde ele poderia 
ficar escondido mas ainda ver as janelas da frente.

Ele esperava que este cara apenas atravessasse, mas no 
houve tal sorte. O Ford reduziu a velocidade, seu motor 
ainda rosnando e crepitando ruidosamente.

Finalmente, veio a uma parada sbita diretamente em frente 
ao caf. Mulder amaldioou debaixo da respirao.

Ento O Garoto saiu do carro. E ele era a ltima coisa que 
Mulder esperava.

Ele, por um motivo, era um rebelde com Coors. Uma lata 
aberta estava colada  mo esquerda dele.

O cabelo estava empilhado alto e coberto em sebo todo o 
caminho para o rabo de pato fora de moda. As calas jeans 
estavam to apertadas que voc poderia contar que ele foi 
circuncidado. As botas pretas tinham saltos to alto que 
voc poderia dizer que ele teve um complexo de insuficincia 
de altura. A jaqueta de couro estava coberta em zperes, 
e o nome foi blasonado em bordado caprichoso na parte de 
trs... e trs ps de coelhos oscilavam da roupa.

O Garoto estirou e deixou sair um arroto alto. Durou tempo 
suficiente que ele poderia ter consumido o alfabeto inteiro 
se tivesse tentado. E ele teve muito cuidado para no 
derramar uma gota da sua preciosa bebida fermentada.

Mas os olhos de Mulder estavam colados s duas pistolas 
que riscavam a cintura dele. Cada coldre tinha uma .45, 
que oscilava de um quadril.

O Garoto cambaleou alguns ps do seu veculo precioso e 
parou, inclinando nos calcanhares enquanto abria e sacava 
a sua 'cobra' com a mo direita. Com a esquerda, ele tomou 
outro gole de Coors. Ento comeou a mijar.

Ele comeou a dar risada enquanto observava o fluxo. Com 
um talento artstico entortado, ele girou os quadris, 
ajustou a pontaria e comeou a soletrar a bebida favorita 
no pavimento quente, descolorido.

"C... O... O... R... Sssssssss", ele assobiou enquanto o 
fluxo reduzia a algumas ltimas goteiras de pontuao. 
"Coors pra dentro e Coors pra fora", ele gargarejou enquanto 
tomava outro trago longo. "Nem precisou da sacudida 
necessria", ele comentou confiante, enquanto parava o 
seu 'negcio'.

Ento O Garoto balanou para descansar contra o tronco do 
carro, estando atento para no arranhar ou entalhar qualquer 
coisa. Ele olhou a rua para cima e para baixo, como se 
estivesse tentando tomar uma deciso. Ento ele sacou uma 
das armas e comeou a girar ao redor do dedo.

Finalmente, O Garoto acertou num objetivo. As janelas de 
vidro do caf.

As balas voaram, estilhaando vidro e ricocheteando em 
frmica e ao cromado enquanto Mulder esquivava e rastejava, 
de barriga, o caminho de volta para Scully.

Quando chegou ao escritrio, ele fechou a porta firmemente 
e respirou fundo. Ele arriscou uma olhada rpida pelo olho 
mgico da porta - isto deveria ter sido onde eles contavam 
o dinheiro  noite. At agora, O Garoto estava ficando do 
lado de fora. Pelo menos as balas tinham deixado de voar.

Mulder retrocedeu para inspecionar Scully. Ele achou, sem 
dvida, que o fogo de artilharia teria acordado ela. Mas 
ela no tinha se mexido. Fluffy sentava com submisso 
ao lado, o queixo no brao dela... dando uma 
lambida ocasional no rosto dela na esperana de que ela acordaria e o 
espantaria.

Mulder se ajoelhou ao lado dela e notou que a respirao 
tinha ficado igual, e a hemorragia parou.
Talvez agora ela s 
precisasse dormir.

Ento ele percebeu que as coisas tinham ficado muito quietas 
do lado de fora. E quietude no significava boa coisa. Ele 
se levantou e andou  porta...

* * * * *

O Garoto estava cansado de no ter nenhum alvo real. Fazia 
pelo menos dois dias desde aquele estpido "dbil mental", 
no Alabama, chamar seu Ford um "gatinho-mvel". Ele deu umas 
boas cem jardas de frente antes que ele atirasse. O acertou 
em cheio na parte de trs da cabea. E os miolos pareceram 
iguais a excremento... de forma que era verdade dizer, afinal 
de contas. Ento O Garoto e o seu Ford fizeram uma pequena 
triturao sobre a carcaa, da Porcaria dos Miolos. O traseiro 
dele era agora uma parte permanente do pavimento, no estado 
mais miservel da Confederao.

Ele esteve dirigindo por a desde ento, procurando mais 
Coors e mais alvos. E esta cidade no parecia que ia ajudar 
qualquer causa. At que ele espiou o caf...

Ele andou a passos largos at a porta da frente. Estava 
fechado, exceto aquele "no h nenhum problema" quando ele 
ergueu as botas e deu um pontap rpido. A porta balanou 
pra trs, contra a parede, com um estrondo.

O Garoto tinha esperado por alguma companhia ao vivo enquanto inspecionava o lugar. Nope. S um cara morto numa mesa. Um 
cara morto numa mesa com um lenol quadriculado sobre ele. 
Ou talvez o cara no estivesse realmente morto... talvez 
ele estava escondido...

O Garoto sacou as armas e abriu fogo. Os primeiros dois tiros 
atingiram o Homem do Lenol... ento ele virou as armas no 
resto do lugar. Balas voaram pela cozinha, ricochetearam 
nas panelas e frigideiras... um se dirigiu diretamente 
pela porta do escritrio...

O Garoto estava a ponto de ir  cozinha quando ele pegou 
movimento no canto do olho. Ele girou para descarregar 
ambas as armas, mas os martelos caram em cmaras gastas 
com dois trincos abafados.

Os olhos do Garoto alargaram em horror quando o Homem do 
Lenol ondulou, o pano se levantando da mesa.

"Oh, Droga!" O Garoto murmurou... o homem estava morto mas 
ele no estava... Ele era um zumbi ou algum monstro - que 
no era assim difcil de imaginar nestes dias... os mortos 
esperando se levantar e reivindicar os poucos filhos-da-me 
afortunados que enganaram o Capito Tripps.

O Garoto fugiu para a porta, puxando as chaves do carro do 
seu cinto...

"Droga, droga, droga...." ele gaguejou enquanto saltava pra 
dentro e colocava em marcha... partindo numa nuvem de fumaa 
e borracha queimada.

* * * * *

O vento passando pela janela lateral comeou a diminuir e a 
toalha de mesa sobre Hec Shannon veio a descansar, deixando 
o homem mais uma vez em paz.

* * * * *

Mulder encarou o buraco de bala a apenas duas polegadas de 
sua cabea, e tentou no pensar no que quase aconteceu. Ele 
no tinha idia do que tinha assustado o garoto... mas ele 
no ia olhar os dentes do cavalo dado.

"Mulder?" Scully se mexeu e Fluffy latiu suavemente.

Ele se virou e encontrou Scully tentando se sentar.

"O que aconteceu e por que eu estou neste horrvel sof 
laranja?" ela ofegou enquanto esfregava as tmporas.

Mulder riu, aliviado, e voltou ao lado dela.

"Eu te digo amanh de manh, Scully" e ele a pegou de surpresa, 
dando-lhe um rpido beijo nos lbios. "Vamos tentar arrumar 
um jantar e ento dormir um pouco... acho que minhas pernas 
no vo agentar mais nenhuma viagem hoje."

E assim eles jantaram na lanchonete e ficaram ali durante a 
noite.

* * * * * *

Kelso, Califrnia
Em alguma hora

Charles Spender nunca, realmente, gostou de andar em 
helicpteros. Eles esbofeteavam em crculos, perto bastante 
do cho, que se voc no tivesse muito cuidado, estaria 
vomitando seus intestinos dentro de minutos.

Ele e a sua equipe estiveram circulando a rea de Kelso 
durante uns vinte minutos quando ele, finalmente, avistou 
o que eles buscavam. A barraca verde foi escondida 
cuidadosamente debaixo de um afloramento rochoso.

"L!" ele falou para o piloto. Os homens atrs se prepararam 
para pousar.

Alguns minutos depois, eles estavam no cho e os homens 
foram distribudos... era s uma questo de tempo.

Spender permaneceu na frente do helicptero, inalando o 
cigarro recentemente adquirido.

Ele daria mais um minuto...

* * * * *

Roberta encarou pelos binculos o homem que, obviamente, 
tomava conta. Os homens tinham cercado o acampamento e 
estavam muito perto da pequena caverna onde ela levou 
Moises aos primeiros sons do helicptero. No havia qualquer 
outro lugar para eles irem.

Ela estudou o homem abaixo...

Roberta sempre esteve atenta do certo e do errado. Ela s 
no teve que pensar muito nisto durante os ltimos anos. 
Mas as regras ainda estavam exaltadas no crebro dela.

Havia graus variados de injustia. Como as fases da lua. 
Uma lua minguante injusta era quando voc conseguia sua 
manteiga de amendoim em vez de chocolate. No era muito 
ruim... e voc poderia comer a evidncia. Um quarto de 
lua era quando voc mentia sobre por que sua lio de 
casa no estava pronta. Uma meia lua seria se mover 
furtivamente na cozinha e usar a Frigideira Calphalon 
Santo Sacro de sua me e arruinar, queimando com gordura... 
e ter que pagar por aquela transgresso particular. Trs 
quartos seria roubar ou saquear um banco. E uma lua cheia 
seria assassinato.

Ela s precisou olhar uma vez nos olhos deste homem para 
saber que ele tinha visto muitas luas cheias pelo tempo dele.

"Roberta Parks!" O homem gritou. " insensato procurar e 
esconder. Ns sabemos que voc est aqui. Se voc sair agora, 
voc e a criana no sero feridos. Se voc no fizer... 
voc morrer hoje."

Como diabos ele sabia o nome dela? Roberta encarou os homens 
armados. Eles eram organizados. Eram uma unidade. Eles fediam 
"assunto do governo". Tipo operaes especiais. Ela no teve 
nenhuma dvida que o homem estava dizendo a verdade. Eles a 
matariam em uma batida do corao. E eles teriam o equipamento 
para ach-la facilmente. A Glock no era preo para as armas 
deles. No havia parte alguma para correr. Era s uma questo 
de tempo.

Ela ficou de p, ainda segurando Moises, e saiu do seu lugar 
escondido.

Ela poderia ouvir as armas caindo sobre eles.

"Suspendam fogo!" Spender comandou. "Um movimento sbio, 
Senhorita Parks. Ou eu deveria dizer... *Oficial* Parks?"

"Eu conheo voc?" Roberta respondeu, calma, apertando 
Moises.

"No. Mas eu sei tudo sobre voc e sua ilustre carreira. 
Voc est longe de casa, no ?"

"Obrigada por sua preocupao", Roberta proferiu.

"Ento, Oficial Parks. Ns fazemos isto do modo fcil... ou 
do modo difcil?" Spender falou suavemente entre inaladas 
no seu cigarro.

Roberta o encarou, de repente percebendo, pela primeira vez, 
que ela no tinha fumado um cigarro em mais de cinco dias... 
e vendo pela primeira vez como era um hbito feio.

"Eu nunca fui pessoa para aceitar do modo fcil", ela 
respondeu.

"Muito bem ento..." Spender jogou o cigarro ao cho e 
acenou com a cabea aos seus homens.

Eles apressaram em Roberta e tomaram a arma antes que ela 
pudesse alcanar. Ela os combateu por Moises, mas haviam 
muitos deles. Um dos capangas se cansou da luta e bateu a 
coronha do rifle na tmpora direita dela. Ela cambaleou mas 
no caiu... mas eles tinham levado Moises.

Um dos homens entregou Moises para Spender... Roberta se 
lanou para ele, mas os outros homens a seguraram para trs. 
Moises gritou e lamentou, chutando com os seus pzinhos, 
arqueando as costas para longe de Spender.

"Seu filho da me... Moises!" Roberta gritou.

"Agora, agora. Ambos sabemos que o nome dele no  'Moises', 
no sabemos?  Matthew. Matthew Scully."

Os olhos de Roberta estreitaram com dio. "Se voc perturbar 
um fio na cabea dele..." ela disse com violncia.

"O que? O que voc far, Oficial Parks?" Spender riu. "Nada."

Spender deu Matthew, contorcendo-se, a um dos homens e andou 
a passos largos para Roberta.

Ele ergueu a arma e apertou  cabea dela, direto entre os 
olhos.

"O que voc far?" ele sorriu maliciosamente outra vez.

Roberta respirou firme, mas recusou a fechar os olhos... 
ela no lhe daria a satisfao.

Spender apertou o gatilho...

* * * * * *

Indiana
22:00 horas

Mulder se sentou de repente, no escuro, fazendo Scully pular 
sentada, surpresa.

A boca dele se movia, em choque...

"Roberta?" ele virou para Scully, que ainda estava aturdida 
para falar.

"Scully... Matthew est vivo!"

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Fim do Captulo Vinte e um


LAST ONE STANDING
Mabtng <mabtng@mindspring.com>

* * * * * *
CAPTULO VINTE E DOIS
* * * * * *

"Ele o embrulhar nos braos
Para te falar que voc foi um menino bom
Ele reacender todos os sonhos
Que te levou a destruir toda vida
Ele alcanar profundamente no buraco, para curar sua alma 
encolhendo
Mas no haver uma nica coisa que voc possa fazer
Ele  um deus, ele  um homem, ele  um fantasma, ele  um guru
Eles esto sussurrando o nome dele por esta terra desaparecendo
Mas escondido no casaco est uma mo direita vermelha

Voc o ver em seus pesadelos
Voc o ver em seus sonhos
Ele no aparecer em parte alguma
Mas ele no  o que ele parece
Voc o ver em sua cabea, na tela da televiso,
Ei amigo, eu estou querendo que voc v embora
Ele  um fantasma, ele  um deus, ele  um homem, ele  um guru
Voc  uma pessoa microscpica no plano catastrfico dele
Projetado e dirigido pela sua mo direita vermelha"

- "Red Right Hand" (Mo direita vermelha)

* * * * * *

Rollin's World Bike
Indianpolis, Indiana
11 de julho

 verdade o que os professores te ensinam nos primeiros 
dias de Evidncia I. Cada vez que voc entra num cmodo, 
voc deixa pra trs uma parte sua, e voc leva alguma coisa 
daquele cmodo quando sai. Mas o criminoso (ou cmplice 
cauteloso) sabe minimizar isso. Ele pode no eliminar tudo 
completamente, mas ele pode fazer o seu passado mais 
invisvel. E este esforo s diz mais coisas sobre ele. 
Mostra que ele  metdico para o futuro, tentando esconder 
seu passado.

E o fato de que quando um homem no esconde seus rastros, 
tambm revela sua natureza. Ele  descuidado, talvez 
arrogante. Ele quer deixar a marca dele para anunciar 
sua presena para todo mundo "Eu estive aqui!" Ele  um 
cachorro urinando ao redor de seu territrio.

Mulder ficou perito em ler assinaturas humanas.

Enquanto ele andava pela concessionria de motos, no foi 
impossvel notar que ele no foi o primeiro cliente desde 
a peste. E j que ele e Scully fizeram um hbito classificar 
os inquilinos anteriores a eles, onde quer que parassem - 
suas sobrevivncias dependiam disso - ele comeou a lista 
de conferncia.

Comeou com o mtodo de entrada: um tiro de espingarda, s 
para se exibir, na janela da frente. O sujeito era impaciente 
e descuidado. Ele no ligava se tivesse algum escutando.

Sinal de perigo definido.

Ele notou o equipamento de primeiros socorros no cho, e seu 
contedo. Sobras de esparadrapo e um par de meia estavam ali. 
O sujeito devia estar usando botas novas... e provavelmente 
pelo local da meia furada... tinha bolhas.

Ento ele passou para os restos de comida. Isto lhe contaria 
muitas coisas.

A quantidade e colocao dos restos poderia lhe dizer quantas 
pessoas tinham comido ali. Parecia que foram quatro.

Os artigos de comida eram especficos e a preparao deles 
foram outra pista. Eles comeram atum em leo, ou preferiram 
o outro tipo de atum? Eles escolheram Jif ou Peter Pan? Eles 
usaram garfo ou colher? E eles se incomodaram em cozinhar, 
ou comeram a comida fria, direto da lata?

A baguna aqui s disse para Mulder que todos os ocupantes 
eram homens. E a combinao de comidas s lhe confirmava 
isso.

Era problema na certa. E eles comeram feijes assados ao 
molho de churrasco, bolachas, manteiga de amendoim Skippy, 
extra crocante, e Twinkies. Cerveja Budweiser lavou a 
comida abaixo da garganta. Yeap. Com certeza eram homens.

As sobras dos feijes assados tinham gotejado ao cho, 
cado enquanto os sujeitos comeram direto das latas - e o 
grau de umidade indicava que eles estavam aqui de 24 a 48 
horas atrs. A bolacha foi enfiada direto na manteiga de 
amendoim, deixando pra trs restos de biscoito. E as latas 
de cerveja tinham sido esmagadas contra a testa de algum.

Ento havia o odor forte num canto, onde os homens tinham 
feito um concurso de pontaria numa Honda. Deve ter sido 
uma competio e tanto.

E se haviam dvidas sobre a natureza destes homens, isso 
foi dissipado depressa quando Mulder encontrou as caixas 
vazias de munio de Winchester .38 e espingarda Remington.

Mulder estava contente por ter deixado Scully l fora, 
enquanto ele procurava uma moto. Ela j tinha muito com 
que se preocupar sem ver e cheirar esta nojeira. Ora, ele 
tambm. Os seus sonhos insistiam para que eles ficassem 
longe de todo contato humano... e ainda tinha o fato de 
que ele revelou seu sonho ontem  noite, sobre o sobrinho 
de Scully. Mas agora, ele no queria pensar em seus sonhos, 
e no que eles poderiam significar ou no... se eles fossem 
verdade. Ele tinha assuntos mais urgentes para resolver.

Scully estava sentada na sombra de uma rvore do outro lado 
da rua, e Fluffy estava muito contente em ficar l com ela. 
Eles estavam razoavelmente escondidos, mas Mulder teria se 
sentido melhor se ele soubesse onde estavam estes homens... 
ser que estavam espreitando nos cantos?

Rapidamente ele escolheu a moto certa e saiu dali.

* * * * *

Scully tinha certeza de que ia ficar louca.

No era o tipo de certeza que voc tem quando voc volta 
pra casa, depois de fazer compras, e voc sabe que comprou 
o leite, embora no possa ach-lo. Ou quando voc pede seu 
bife no ponto, mas a garonete traz o bife bem passado.

No. Era uma certeza confirmvel. Do tipo que voc tem quando 
sai para uma viagem, e sabe que voc tem que ter desligado 
o fogo. Ou quando voc vai pra cama e sabe que fechou a 
porta da frente.

Voc *sabe* porque voc voltou e conferiu isto pelo menos 
trs vezes. E ento voltou e conferiu s para ter certeza 
de que voc conferiu certinho.

E Scully tinha conferido seu estado mental pelo menos umas 
quatro vezes agora.

*Scully, Matthew est vivo!*

Quatro palavras. Uma expresso vocal entusiasmada. Admissvel 
em quase qualquer tribunal. Quatro palavras que seguram uma 
cruel esperana.

Tinha sido bvio que Mulder lamentou a sbita exploso dele.

E agora, no que ela devia acreditar? Se eles tivessem discutido 
- e eles no discutiram - eles estavam indo para o oeste, s 
por causa dos sonhos. Sonhos compartilhados. Sonhos no qual 
uma mulher afro-americana, to velha quanto Matusalm, estava 
dando alertas para eles... avisos que salvaram suas vidas 
vrias vezes. E agora que Scully tinha parado de ter os sonhos, 
agora que as antenas de Mulder ainda estavam sincronizadas...

A viso dele de Matthew era verdade?

E se fosse? Onde estava seu sobrinho? Ser que o irmo dela, 
Bill, e sua esposa ainda estavam vivos? Dentro do corao, 
Scully sabia a resposta: no. Mas onde, neste mundo enorme, 
ela poderia comear a procurar Matthew? E quem era a tal de 
'Roberta', que estava com ele?

Scully esfregou as mos sobre o rosto. Era demais. Ela j 
tinha se resignado ao fato de que toda sua famlia morreu. 
E, de um jeito esquisito, tinha sido mais fcil assim. 
Doloroso, mas assim ela poderia focalizar s nela e Mulder. 
Mas, se Matthew estava vivo... isso mudava tudo.

A melhor coisa para fazer em face a uma tragdia e caos  
se manter ocupado. Assim voc no pensa no que est acontecendo 
de verdade. Era isso que ela fazia nas cenas de crime mais 
medonhas. Focalizar na tarefa  mo... e quando terminar, 
encontre outra tarefa. Contanto que voc no pare, voc 
no sente.

Ocupada. Fique bem ocupada para no pensar na famlia, 
Skinner, nos Pistoleiros, Zeke... corpos mortos em todos 
os lugares. Ela no tinha que pensar sobre o que aconteceu 
na lareira em Richmond... como Mulder a beijou e ela o 
beijou de volta.

Ela no tinha que pensar no chip em seu pescoo.

Tudo que eles tinham que pensar era em chegar a Nebraska... 
e para Me Abigail. Um passo de cada vez.

Mas as notcias sobre Matthew jogou tudo pela janela.

E tudo que ela queria fazer era se enrolar como uma bola e 
puxar o cobertor sobre sua cabea. Ela estava to cansada. 
Tudo ao seu redor estava caindo sobre ela.

Fluffy estava ao lado dela, e se balanou, as placas dele 
tinindo como um fraco pandeiro sem ritmo. Ento ele se 
sentou e comeou a se coar. E morder.

O barulho da coceira foi o suficiente para chamar a ateno 
de Scully. Ela se inclinou, e esticou a mo para coar 
atrs das orelhas dele. Fluffy inclinou a cabea, feliz, e 
deixou sair um barulho gutural que pareceu muito com um 
'Ohhhh, yeahhh..'. Algumas coceiras depois, Scully sentiu 
algo pequeno e duro na pele do cachorro. Ela ergueu uma 
das orelhas dele e olhou, encontrando o culpado depressa.

"Oh... droga, Fluffy. Vamos ter que te dar um banho contra 
pulga ou algo assim, no ?"

Fluffy somente lamentou. A palavra 'banho' no evocava 
imagens agradveis. Da ltima vez em que Scully disse a 
palavra 'banho', ele terminou numa luta com Mulder. E 
Mulder tinha ameaado ele num lugar de uma maneira que 
Scully, a moa gentil, no pudesse ouvir. Mulder tinha 
dito algo sobre 'fixar'... e mesmo que Fluffy no tivesse 
certeza do que significava a palavra 'fixar', ele sabia 
que no poderia ser nada bom.

"Scully!" Mulder chamou pela rua.

Eles olharam e viram Mulder empurrando uma moto com o banco 
do carona do lado, saindo do fim da concessionria. Parecia 
que eles estavam de volta s boas.

Scully ficou de p, esfregando as mos sobre a cala jeans.

Estava na hora para voltar  I-70 e ir para Illinois.

Ela poderia se ocupar com algo. E pensaria depois sobre os 
problemas com as pulgas.

* * * * * *

Em algum lugar em Nevada
Em algum hora

Numa frao de segundo, Charles Spender teve uma viso.

Uma viso de estar coberto no fofo p de beb Johnson, 
segurando um tubo ondulado de ungento de Desitin, com 
vrias presilhas Huggies rasgadas, presas aos antebraos, 
e uma mancha molhada suspeita na frente da camisa, de 
quando ele esqueceu de esquivar-se  direita, embora estando 
cercado por meus homens das operaes especiais, armados 
das pernas aos molares e vestidos em preto.

E isto  o que salvou a vida de Roberta Parks. No ltimo 
segundo possvel, Spender virou o pulso  direita. A bala 
explodiu, passando a orelha esquerda dela e continuou seu 
caminho at que se aconchegou em algumas pedras alm.

Os homens empurraram ela e Matthew no helicptero... e agora, 
aqui estava ela sentada.

O quarto no foi destinado para ser confortvel. As paredes 
eram um concreto frio. O cho, concreto duro. O teto mantinha 
duas luzes fluorescentes, que tinham aquele zumbido incessante 
misturadas com a oscilao ocasional e imprevisvel.

As luzes lanavam um brilho branco-amarelado repugnante em 
tudo no quarto. E tudo consistia em Roberta, Matthew, duas 
camas com lenis brancos e cobertores do exrcito, uma 
cadeira de escritrio de metal... definitivamente sobra da 
Segunda Guerra Mundial, e uma mesa-redonda pequena. O quarto 
no foi projetado para crianas pequenas. Como estes homens 
pensaram que algum com dois anos de idade dormiria, de fato, 
em uma cama estava alm dela.

Roberta colocou depressa os colches finos no cho, fazendo 
uma rea de cama grande onde ela poderia dormir sem se 
preocupar sobre Matthew rolar pra fora da cama.

Um banheiro pequeno fora do quarto principal oferecia um 
mnimo de privacidade. Um vaso, uma pia pequena, e uma baia 
de chuveiro sem cortina... muito como um vestirio da escola secundria... e com o mesmo cheiro.

Ela no tinha nenhum modo de saber, com certeza, quanto tempo 
eles estavam aqui. No havia nenhuma janela... e alm disso, 
ela era positiva que eles estavam vrios pavimentos debaixo 
da terra. E ela perdeu a sucesso de quantas refeies tinha 
sido servido depois da dcima refeio.

Ela viu muito pouco do homem... o lder desde a chegada 
deles. Um guarda diferente trazia cada refeio. Ela ficou 
surpresa quando eles honraram os pedidos dela por refeies 
prprias para Matthew. Eles at mesmo trouxeram um pouco de 
papel e marcadores mgicos para a criana desenhar. E um 
guarda at mesmo trouxe uma bola de tnis... e ela realmente 
quis saber onde ele tinha achado *isso*. Mas ela suspeitou 
que esses gestos eram mais um caso deles no quererem ter 
que escutar as lamrias e gritos de Matthew, em lugar de 
qualquer inclinao humanitria.

Por alguma razo, eles queriam Matthew em boa condio. E 
eles s a estavam mantendo, em parte, porque ela o mantinha 
feliz.

Era duro compor exatamente *por que* Matthew era to 
importante, mas ela colocou o seu treino de detetive para 
um bom uso e escutou alguns murmrios no primeiro dia. Algo 
sobre um homem e uma mulher, que estariam vindo. Pedaos e 
partes sobre uma experincia, e que a mulher era vital. E 
que Matthew era a garantia de sucesso deles.

E Roberta j tinha reunido dois e dois e imaginou que a 
chegada destas duas pessoas seria a sua morte. E possivelmente 
de Matthew, tambm.

Matthew, da sua parte, adaptou bastante bem para os seus 
arredores novos. Claro, ele provavelmente estava exttico 
por estar fora do calor. Ele passou o tempo tentando fazer 
uma barraca de uma das armaes da cama, usando as mantas. 
Uma vez que isso foi conseguido, "Esconde-esconde" foi muito 
popular por um dia e meio. Agora, ele parecia contente de 
levar o papel e marcadores na barraca dele e desenhar... 
emergindo quando ele tivesse uma obra-prima nova para dar 
a Roberta. Ela no tinha absolutamente nenhuma maldita pista 
o que o mais recente quadro dele devia representar, mas ela 
fazia um magnfico espetculo de elogio e acenava com a 
cabea enquanto ele estava, aparentemente, tentando explicar 
isto a ela... o rosto completamente srio enquanto apontava 
a cada bolha girando e balbuciava incoerentemente.

Ela no estava certa, mas ela achou que ele disse algo 
sobre um cachorro fofo.

* * * * *

Em algum lugar em Illinois 

O jovem amaldioou enquanto removia a sua brilhante bota 
nova do Exrcito. O que ele estivera pensando quando 
livrou-se do seu velho par Converse? A bolha maldita tinha 
estourado e estava escoando agora, por toda parte, nas 
meias novas. Enquanto colocava alguns esparadrapos novos, 
ele examinou os seus companheiros. Todos eles estavam 
esperando ele emitir um comando. Eles sabiam que estavam 
em algum tipo de misso. Uma misso de reembolso que s 
ele sabia. Uma misso que queimava quente no intestino, 
o comendo por dentro.

Se este jovem, alguma vez, tivesse prestado ateno na 
escola, ele poderia ter aprendido que vingana  um prato 
melhor servido frio. No que ele teria compreendido a lio 
- ele provavelmente teria pensado que voc deveria prender 
seu inimigo no congelador Kenmore da famlia - mas, poderia 
t-lo ajudado a calcular a situao atual um pouquinho 
melhor.

Em primeiro lugar, ele se cercou com os piores idiotas. 
Verdadeiros clones de dois amigos da sua velha cidade 
natal. Os velhos, atualmente e para sempre *mortos*, 
amigos da cidade natal. E estes caras novos tinham dedos 
de gatilho quentes e sarnentos, como ele.

Les Campana, que atualmente esperava o momento propcio 
praticando a sua gama de peido, era uma extravagncia 
da Guarda Nacional, com uma mente tacanha. Ele estava 
determinado que eles reunissem tantas donas quanto possvel, 
para o prprio harm particular da gangue do barulho. 
Quase compreensvel ao homem quando ele considerou que 
era improvvel que qualquer mulher livre no mundo, com 
at mesmo uma ona de substncia no crebro, nunca mesmo, 
consideraria o pensamento de falar com Campana... a parte 
de trs da cabea dele era suspeitosamente vincada, quase 
cncava, como se o crebro no estivesse totalmente  altura 
dos acontecimentos. O nariz era to virado para cima que 
ele estava a risco de se afogar sempre que chovia... e as 
costas e a uma polegada do pescoo grosso eram to cabeludas, 
que os Poodles no bairro teriam cimes.

O jovem entrou em contato com Campana em Ohio... Campana, 
aparentemente, rompeu fileiras com um grupo de Soldados 
Nacionais, que estavam comeando o prprio "harm"... e 
Campana no se ajustou. Eles estiveram viajando desde ento, 
apanhando Watts e Krieger no caminho. E de alguma maneira, 
ele, o mais jovem, tinha terminado como lder.

Assim, pelas suas ordens, eles estavam sentados agora, 
acampados em Illinois. Esperando. A coleta do harm teria 
que esperar um pouco. Ele tinha negcio inacabado e pretendia 
cuidar disto logo.

Ele tinha visto o homem. O homem que o humilhou. Havia uma 
mulher agora com ele... na estrada. Seguindo a Interestadual 
70. Dirigindo direto para Illinois.

Ido diretamente para ele e o seu acampamento.

Timmy Hoffman, antigamente de Greenwich, Connecticut, sorriu. 
Estava na hora para recriar aquele som "splat" da sua mocidade. 
E talvez Campana pudesse comear o harm dele. Dois pssaros 
com uma pedrada.

Ele sorriu.

* * * * * *
Vandalia, Illinois
12 de julho
09:00 horas

Scully encarou a rodovia enquanto Mulder terminava de embalar 
as coisas deles na moto.

Eles passaram a noite em Vandalia, tambm conhecida como o 
meio do nada, e no em St. Louis, como planejado. O trnsito 
ao redor de Indianpolis estava pesado, e os levou para 
mais longe do que eles tinham calculado.

O plano atual deles - porque planos eram muito importantes 
para sanidade a esta altura - era passar em St. Louis hoje 
e encontrar gua o suficiente... para limpar todos eles.

Ela bateu no brao esquerdo dela. Malditas pulgas. Fluffy 
tinha conseguido infestar todo mundo em menos de um dia. 
Ela viu Mulder coar e bater o prprio corpo durante a 
noite. Eles tiveram que quebrar o novo hbitos deles de 
dormirem juntos por causa disso. Eles estavam sarnentos.

Mas ela ficou com saudade do contato.

Mulder fechou o saco, e assobiou para Fluffy, que veio 
saltando, ansioso pela brisa da estrada. Scully respondeu 
tambm, muito para surpresa de Mulder.

Ela caminhou corajosamente at ele, puxou seu rosto para 
ela e lhe deu um beijo nos lbios.

"Por que isso?" ele gaguejou.

"Por nada. Por tudo. Senti sua falta ontem  noite" ela 
respondeu e subiu ao lado da moto antes que ele pudesse 
agir.

"Vamos achar essa gua!" Mulder exclamou enquanto saltava 
sobre a moto.

Fluffy empinou sobre Scully, que soltou um 'ooomph!' ao 
impacto, e eles foram embora.

Indo diretamente para Timmy Hoffman e companhia.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX


LAST ONE STANDING
Mabtng <mabtng@mindspring.com>

* * * * * *
CAPTULO VINTE E TRS
* * * * * *

"Ele-ah parece como-ah um homem."

- Senhorita Swan "Mad TV"

* * * * * *

Montes Cahokia
Illinois
Interestadual 70
12 de julho
10:30 horas

"Krieger, vamos com isso", Timmy Hoffman vociferou sobre 
o seu rdio CB.

"Yeah, estou aqui", a voz de Krieger crepitou de volta.

"Algum sinal deles?" Hoffman perguntou.

"Nope. Eu no vi nada", veio a resposta.

"Bem, mantenha seus olhos abertos e me deixe saber o minuto 
que voc os vir..." Hoffman ordenou.

Hoffman apoiou de volta contra o montculo gramneo. Ele 
tamborilou os dedos contra a coronha da sua M-16... a que 
ele tinha apropriado dos materiais da Guarda Nacional de 
Campana. Ele cavou os calcanhares da bota no cho macio.

Os grandes montculos de terra, coberta de verde, subiam 
sobre ele, mas ele ignorou o silencioso mistrio deles. 
Ele no poderia ter se preocupado menos se estivessem 
enterradas uma ou mil pessoas velhas l. Ele nunca ouviu 
falar dos malditos montculos na sua vida, e no estava a 
ponto de comear a leitura desses sinais tursticos  mo 
agora. No quando havia coisas mais importantes  mo.

Eles tinham um plano, mas esperar pela presa o estava matando. 
Krieger estava sentado no trevo, na I-70 com o retorno 255. 
Ele avistaria o homem e a mulher, chamaria Hoffman e seguiria 
atrs depois que eles passassem ao oeste. Ento, quando 
eles passassem os Montes Cahokia, todo o inferno fugiria. 
Hoffman sorriu. O dueto nunca saberia o que os atingiu. 
Hoffman, Campana, e Watts os atingiriam dos lados... Krieger 
da parte traseira. Com alguma sorte, o homem seria torrado 
depressa - Hoffman planejava esvaziar um clipe cheio no 
corpo fedorento e assistir a carcaa dele danar - e a 
mulher seria deles para usar um bocadinho.

Ele s tinha que esperar.

* * *

Interestadual 70

"Mulder, eu no estou brincando! Pra agora!" Scully gritou 
sobre o barulho da moto enquanto arranhava o pescoo com uma 
mo e tentava manobrar a perna e pata dolorosa que cavavam 
no colo dela, com a outra. O cachorro estava inquieto nas 
ltimas cinco milhas, lamentando, enfiando a cara no rosto 
dela, e tentando pular do veculo em movimento.

Mulder suspirou e parou logo antes da sada  esquerda para 
a I-225.

"Eu estava esperando chegar aos Montes Cahokia. Voc sabia 
que eles tm um mistrio antigo... quem os construiu, qual 
era o significado deles... reas maravilhosas para fazer um 
piquenique..." Mulder comeou.

"Vou te dar um mistrio antigo, Mulder" Scully murmurou 
enquanto levantava o cachorro do colo dela, e saltava do 
carona da moto. Ela coou e esfregou os braos e pernas, 
esperando matar algumas dzias de pulgas, desesperadamente. 
Ento ela se virou para Fluffy.

"E *voc* ... qual  o seu problema?"

Fluffy choramingou. Ele olhou para a direo dos Montes 
Cahokia. Ento olhou para a I-255, para o sul. Ele tremeu 
a cabea e latiu. Parecia que estava sentindo alguma dor.

Scully percebeu que havia alguma coisa errada, e se sentiu 
culpada por gritar com ele. Talvez ele estivesse doente...

"Fluffy?" ela foi para ele...

E com um latido que mais parecia um gemido, Fluffy saiu 
correndo. Scully correu atrs dele, mas parou depois de 
alguns passos. Ela nunca pegaria o cachorro. E logo Fluffy 
estava indo pela sada para a I-255.

"Suba, Scully!" Mulder falou e moveu para a moto. Ele ligou 
o motor e ela subiu a bordo.

Sem hesitao, eles foram atrs de Fluffy.

* * *

"Droga!" Krieger gritou quando bateu o cho com o dedo 
indicador gordo, peludo. Quatro latas de cerveja vazias 
caram estrondosamente do colo enquanto ele esticava para 
o microfone do seu CB. Hoffman ia ficar regiamente irritado.

* * *

Quando o rdio veio a vida, o corao de Hoffman surgiu na 
garganta. O jogo estava a ponto de comear.

"Krieger para base, Krieger para base!"

Hoffman teclou o microfone. "O que est acontecendo?" Ele 
exigiu.

"Eles foram pro outro caminho! Eles esto indo pela 255..."

Hoffman ficou calado, o sangue batendo nas tmporas.

"Voc ouviu, Hoffman? O que voc quer que eu faa?" Krieger 
soou assustado. Ele tinha certeza que Hoffman o culparia.

"Siga-os. NO os deixe te ver. Ns estaremos logo atrs de 
voc. Voc entendeu?" Hoffman mordeu cada palavra.

"10-4", Krieger respondeu, com uma falsa animao militar.

Hoffman bateu a coronha da sua M-16 no cho. Ele ficou de 
p e gritou aos seus dois companheiros.

"Agarre seus equipamentos, meninos. H uma mudana nos 
planos. Ns estamos levando este espetculo na estrada."

Os trs homens agarraram os pacotes e armas, e foram em 
direo s motos.

* * *

Krieger tropeou nele mesmo enquanto tentava apanhar o seu 
equipamento e pegar  motocicleta. Estava muito tarde para 
lamentar aquele pacote de seis de Bud. Hoffman j ia ter o 
seu traseiro, e o homem e a mulher estavam escapando mais 
adiante. Ele precisava se apressar.

Ele saltou na moto, virou a chave e chutou a vida, o pneu 
traseiro deslizando enquanto ele ia embora.

Mas o julgamento - o pouco que ele naturalmente possua - 
estava prejudicado. Ele ia um pouco rpido. A curva sobre 
a I-255 era um pouco ngreme. E ele tinha muito pouca 
experincia com freios de motocicleta.

Com muito pouca presso ele conseguiu trancar a roda 
dianteira e ento ele estava voando pelo ar, de b**da 
pro ar. A ltima coisa que Krieger viu foi o guardrail 
logo antes da sua cara bater a sessenta milhas por hora.

O pescoo estalou como um osso de galinha do Mercado 
Boston enquanto ele sacudia sobre a grade e, pra baixo 
no dique.

E os esquilos, guaxinins, corvos, e cachorros selvagens 
alegraram. Um smorgasbord1 regular do Buf da Cidade Natal.

* * *

Interestadual 255

Quase cinco milhas depois, eles alcanaram Fluffy. O cachorro 
estava sem flego, mas se sentava ao lado da estrada, como 
se querendo saber 'por que diabos vocs demoraram tanto'?. 
Claro que teria ajudado muito se o cachorro tivesse ficado 
na estrada durante a perseguio, e no cortando entre os 
campos enquanto Mulder e Scully o perseguiam pela estrada.

Scully chegou perto dele antes.

"Por que voc fez isso, garoto?" ela exigiu, mas manteve a 
voz suave, e se ajoelhou ao lado dele.

Fluffy respondeu lambendo o rosto dela.

"Bem, o que vamos fazer agora?" Mulder perguntou, as mos 
nos quadris.

"No sei. Pra onde vai esta estrada?"

Mulder voltou para a moto, e tirou o mapa do pacote dele. 
"Bem... talvez tenha sido melhor estarmos aqui. I-25 vai 
para a I-270 e vai nos levar pelo sul at St. Louis antes 
de voltarmos para a I-70. Podemos continuar daqui. Deve 
ter menos carros..."

Scully coou o pescoo de Fluffy. "Eu queria saber por que 
voc fez isso, cara peluda" ela murmurou. "Mulder, sinto 
muito por no podermos ver os Montes Cahokia."

Mulder deu de ombros, tentando cobrir sua decepo. "Talvez, 
da prxima vez, Scully. Eles ainda vo estar com seus 
segredos."

O trio escalou de volta sobre a moto, e continuaram na 255.

* * *

Hoffman e o seu bando mal reconheceram o corpo quebrado de 
Krieger. Se qualquer coisa, Hoffman ficou chateado que ele 
perdeu o seu vigia do homem e da mulher. E ele ficou 
aborrecido que Krieger tinha destrudo uma motocicleta 
perfeitamente boa. "Estpido."

A demora ia custar a eles.


* * *

Trevo da I-270 com a Interestadual 44
13:00 horas

Mulder encarou a baguna na frente deles. A ponte da 270, 
que passava sobre a Interestadual 44 era um mar de carros 
parados e queimados. No tinha como passar.

"Olha l, Mulder", Scully apontou ao nordeste. Um cogumelo 
enorme, de fumaa preta, e leo, enchia o cu. Algumas 
lambidas de fogo poderiam ser vistas sobre as rvores e 
colinas rochosas.

"Acho que precisamos ir para o oeste daqui... no que 
tenhamos muita escolha" Mulder declarou. " um pouco fora 
da nossa rota, mas podemos cortar pelo norte depois."

Scully acenou com a cabea, concordando. Nos dias de hoje, 
sem bombeiros, a nica arma deles contra o fogo era a 
distncia. "Vamos indo. No me sinto bem aqui."

Eles entraram pela rodovia para a rampa da interestadual 44.

E nunca perceberam o corvo preto que estava empoleirado sobre 
a grade da ponte.

Assistindo e esperando.

* * *

St. Clair, Missouri
16:30 horas

Era uma baliza daquelas tipo de trnsito "Mostre-me somente 
o Estado do Missouri". Um tributo para o mais brega kitsch2
turstico  margem da estrada. Um santurio para o que tinha 
sido uma vez as duas retumbantes alamedas da Rota 66.

Veja! Um Arco. Era reduzido de acordo com o modelo matriz do 
leste. E esta homenagem de Eero Saarinen era o Portal ao 
West Side do Motel Arco.

Suas luzes de non tinham sido extinguidas muito antes da 
Supergripe... queimando lentamente de "Motel Arco" para 
"Motel Aco" para "Asco" antes de algum dizer "Sade", e 
puxar a tomada. Mas enquanto seu papel como guardio de 
transeuntes cansados tinha cessado, o dono ainda residia 
l, impedindo o pequeno chal/cabana se quebrar na esperana 
que os arcos, algum dia, retribuiriam o favor pblico.
Mulder estava  frente de seu tempo. No havia jeito dele 
resistir  essa chamada. Era destino. Assim como foi destino 
eles encontrarem o dinossauro verde, enorme, feito de gesso, 
do posto de gasolina Sinclair h algumas milhas mais cedo.

Esta terra foi feita para Mulder.

"Confie em mim, Scully" ele sorriu enquanto os levava para 
a estrada e parava debaixo do arco.

Fluffy, impaciente, pulou do banco do carona e se sacudiu, 
e depois se sentou para dar uma boa coada no plo.

Scully queria fazer o mesmo. Demorou um dia e meio para eles 
chegarem aqui em St. Louis. Os engarrafamentos da I-270 at 
Pacific City foi um inferno. Mas as coisas ficarem melhores 
depois e, agora, at mesmo as pulgas dela estavam pulando 
com impacincia.

"Mulder, a nica maneira de ganhar qualquer coisa aqui  
encontrar um pouco de gua. Alis, muita gua..."

"No perca a f, mulher" ele respondeu. "Tenho uma sensao 
de que voc vai estar cantando elogios para mim" ele somou, 
enigmtico.

Mulder foi para a construo nomeada 'escritrio'. Ele olhou 
pela janela. Ningum em casa. Bom sinal. A porta estava 
fechada, mas nada que o carto de crdito dele no pudesse 
vencer. Pelo menos o plstico tinha algum uso. Mulder colocou 
a carteira de volta no bolso. Era bobagem estar levando a 
carteira de couro por a, mas velhos hbitos so difceis 
de se perder. Ele entrou na cabana.

No haviam sinais de nada. Uma mesa, um sof, uma cama de 
casal. Tudo parecia limpo. Tudo bem, estava um pouco mofado, 
mas no haviam doenas espreitando ao redor.

Ele foi para a janela e olhou para fora. Bingo! Ele ganhou 
na loteria! Scully iria adorar!

Ele foi para a bomba de gua. E ali havia uma banheira 
jacuzzi gigantesca. Tudo conectado a uma fonte de gua 
quente subterrnea, que infestam a regio. No era preciso 
eletricidade.

Mulder saiu pela porta dos fundos e comeou a trabalhar.

* * *

Trevo da I-70 com a I-44

Ser o seguidor  um tempo que consome profisso. Eles tiveram 
que conferir toda sada por sinais da presa deles. Por enquanto, 
nada. Mas agora... agora eles tinham encontrado um obstculo 
insupervel. Um mar de carros e caminhes.

Onde eles tinham ido?

Hoffman e os homens procuraram por pistas. Ele viu a fumaa 
escura no horizonte e imaginou que o homem nunca teria ido 
naquele caminho. O que deixaria o Oeste... na I-44.

O trio voltou nas motos e tomaram o rumo.

* * *

Motel Arco
17:00 horas

Era incrvel como cinqenta libras de cachorro podia se 
tornar um objeto imvel quando a palavra 'banho' era dita. 
Quando pernas duras estavam plantadas com firmeza contra a 
terra de cho.

Mulder tinha agarrado Fluffy pela coleira, e agora a faixa 
de couro estava quase pra fora das orelhas do cachorro. 
Fluffy tinha abaixado a cabea, e estava com o traseiro no 
alto.

Mulder mudou a ttica e tentou passar os braos ao redor 
do cachorro e peg-lo, mas Fluffy rodou, deitou de costas, 
batendo as pernas, bloqueando todo movimento de Mulder.

Finalmente, depois de assistir esta charada, Scully estava 
'por aqui'. Ela andou com calma para o pacote que tinha 
guardado, e voltou para a bomba de gua. E segurando o 
pacote no alto, ela chamou, numa voz doce. ", Flu-ffyyyyy...."

Os machos pararam de lutar e a observaram.

Scully mexeu o pacote de 'Fluf' lentamente, para o cachorro 
ver. Fluffy choramingou e oscilou. Ele sabia que no podia 
resistir ao poder do marshmallow. Ele saiu de debaixo de 
Mulder e pulou para Scully, deixando Mulder na lama.

"Fluffy, senta", Scully ordenou, e o cachorro obedeceu. 
"Voc s vai ganhar isso se voc se comportar direitinho" 
ela ralhou. Ela colocou o pacote de lado e se ocupou com 
o sabo e a gua.

Mulder no teve escolha a no ser esperar. Scully tinha 
proibido os dois de entrarem na cabana at que todas as 
pulgas estivessem empurrando margaridas, ou seja, mortinhas. 
Isso significava mais banho, e as roupas lavadas.

Quinze minutos depois, Fluffy estava limpo, brilhante, e 
Scully estava dando 'Fluf' pra ele com uma colher, para 
mant-lo limpo. Mulder se aproximou, finalmente, lama 
caindo dos cotovelos.

"O que voc vai me dar se eu tomar um banho?" ele fez 
beicinho.

"Comece a encher a banheira, que eu vou pensar em alguma 
coisa, Garoto-Lama" Scully respondeu. "E tire essas roupas. 
Vamos colocar nossas coisas de molho, enquanto ficamos de 
molho na banheira."

*Ns?* Mulder pensou. Por acaso ela disse ns?

* * *

19:00 horas

No final, eles decidiram lavar as roupas antes de tomar 
banho. Enquanto Scully conseguia limpar a roupa, Mulder 
voltou ao posto Sinclair - o que tinha o dinossauro 'manero', 
- e tinha retirado com um sifo o resto da gasolina que 
havia ali. Seria bom para o outro dia. Ele conferiu o leo 
e mais outra coisa (graas ao aviso de Scully) e no perdeu 
tempo em aproveitar os servios completos do posto.

Quando ele voltou, jantar tinha se tornado uma necessidade, 
antes do banho. Ento, enquanto Mulder esfregava sua camisa 
cheia de graxa que usava, Scully pegou um atum enlatado, 
bolachas e manteiga de amendoim. Eles comeram juntos enquanto 
acionavam a bomba, enchendo a banheira com gua quente da 
fonte.

Quando a banheira estava cheia, Mulder levou Fluffy para a 
cabana. Ele deixou a porta dos fundos aberta, mas trancou 
a porta de tela. Quando voltou, Scully tinha tirado a roupa 
e j estava na banheira. Ainda bem que o sol tinha comeado 
a se pr... isso significava que o corpo de Scully estaria 
sombreado e escondido pela gua e pela sombra... e que o 
rubor de Mulder estava escondido tambm.

"Vire-se, e no olhe, Scully" Mulder falou enquanto comeava 
a tirar a cala jeans. Ela riu e se virou.

Segundos depois ela poderia ouvi-lo entrando na gua, com 
um longo "ahhhhhh", saindo dos lbios dele enquanto a gua 
quente envolvia sua pele.

"Voc pode se virar agora", ele sorriu.

E l estavam eles. Cara a cara. Nus. Scully ficou surpresa 
quando percebeu que no estava envergonhada. Ela estava bem 
 vontade, na verdade. Claro que a gua maravilhosamente 
calma era um fator a ser lembrado. Ela decidiu no analisar. 
Ela deixou a cabea cair contra a beirada da banheira e 
fechou os olhos, deixando o corpo relaxar e flutuar, esperando 
que a dor de cabea que a incomodou o dia todo fosse embora 
junto com a sujeira. Mulder fez o mesmo. A gua era o cu.

Eles conversaram sobre coisas inofensivas... como era bom 
estar limpo... onde eles poderiam ir amanh... e, muito 
lentamente, a conversa virou.

"Mulder, posso te contar um segredo?"

"Ooooh. Fale, amiguinha." Mulder era todo ouvidos.

"Nada no. Deixa pra l." ela resistiu.

"Scully! Voc sabe que eu adoro segredos. Especialmente 
os seus" Mulder insistiu.

"Tenho saudades do meu ritual de sbado  noite" ela 
murmurou.

"Por acaso isso envolve penas e couro?"

"Tenho saudades de ficar na banheira, e depois deitar no 
sof para ver televiso" ela murmurou, os dedos brincando 
sobre a superfcie da gua."

"Voc gostava de ver o que? Senhorita Swan ou Stuart?"

"Na verdade..."

"Continue..." Mulder picou.

"Eu gostava de Walker, aquele que fala sacanagem."

"O que? Que  isso, Scully! Voc? De jeito nenhum!"

"Pode apostar."

"Ento me fala uma frase, federal."

"De jeito nenhum, Mulder."

"Ou voc fala, ou voc sai desta banheira agora mesmo" 
Mulder sorriu, malicioso. Era um duplo desafio. Ele sabia 
que Scully no podia desistir. "Fale ou ande..." ele cantou.

Ela ergueu o queixo, um pouco de gua caindo dele.

Mulder estava preparado para peg-la de jeito. As palavras 
estavam prontas nos lbios, implorando para serem soltas 
quando...

"Eu sou seu videocassete, ento venha aqui e deslize sua 
fita na minha abertura" ela sussurrou, a voz gutural e 
escoando sexo.

Mulder sufocou.

"Eu quero pegar o seu taco e afundar a bola oito no buraco do 
canto." ela deixou as palavras ricochetearem de sua lngua.

O queixo de Mulder caiu, os olhos envidraados.

"Traga essa sua arma assim eu posso alisar o seu cano" ela 
continuou, impiedosa.

Oh, Je-sus. Dana Scully estava falando de maneira malcriada 
e o estava excitando. Se ele soubesse disso... ele teria 
se vestido a rigor para isso h muito tempo atrs.

"Eu tenho montes gmeos e preciso de um explorador..."

A cabea de Mulder deslizou lentamente debaixo da gua quente. 
Ento ele subiu de novo, deixando a gua sair da boca aberta.

Scully o observou... sem vergonha. Ela o estava desafiando. 
<O que voc pode fazer, moo?>

"Um... esse. Eu tenho um bolinho de amor... e quero que voc 
verta sua concha de chocolate sobre minha casquinha de sorvete 
at que fique duro como pedra..." ele gaguejou.

"Hein?"

"Voc sabe, Scully. Concha mgica. Aquele chocolate que 
voc coloca sobre o sorvete e deixa o chocolate duro..."

Olhar fixo, em branco. Isso foi tudo que ele recebeu.

"Duro, Scully."

Hora de outra ttica.

"Ei, Scully", ele comeou enquanto avanava lentamente para 
ela. Ela estreitou os olhos enquanto o observava.

"Olha o que eu posso fazer!" ele exclamou, batendo as mos 
sonoramente sobre a gua, espirrando direto no rosto dela.

Quando ela no respondeu, mas apenas ficou sentada, gua 
caindo do cabelo e rosto, Mulder fez uma expresso de 
"Oops!" com os lbios.

"Isso foi muito adulto de sua parte Mulder" ela disse, calma. 
"E eu aqui pensando que voc ia me dizer que estava a fim 
que eu continuasse no humor.." ela parou de falar enquanto 
erguia a sobrancelha.

Mulder engoliu em seco. "Eu sinto muito, Scully. Por favor, 
no deixe que meu comportamento infantil pare o que voc 
ia fazer..." a voz dele era rouca. Ela no ia mais longe 
do que aquilo... ia?

Scully saiu de onde estava e foi para ele. Ela parecia uma 
gata na ronda... se ela no estivesse numa banheira enorme 
cheia de gua, e se o cabelo dela no estivesse molhado e 
se gatos tivessem lbios como os dela... mas a pele dela 
estava brilhando.

Ele chupou uma respirao quando ela se aproximou, sua 
respirao contra o rosto dele. Mulder ficou congelado 
enquanto ela arrastava um dedo sobre a testa, nariz e o 
lbio superior dele. A outra mo deslizava sobre o brao 
de Mulder... at o ombro... e pescoo... e agora estava 
no cabelo.

"Olha o que eu posso fazer" ela ronronou logo antes de se 
aproximar e...

Enfiar com fora a cabea dele debaixo da gua.

A batalha comeou. Mulder saiu da gua, de repente, e Scully 
perdeu o apoio. Mulder se lanou sobre ela. Logo os dois 
estavam lutando e espirrando gua, at que Mulder a agarrou 
por trs, apertando os braos ao redor da cintura dela.

E de repente, eles ficaram muito atentos do estado de nudez 
em que estavam. Seus coraes batiam fortes, e ambos ofegavam 
da 'briga'. Mulder a puxou mais perto, deixando o queixo 
dele descansar sobre o ombro dela. E a beijou suavemente 
no pescoo. Scully suspirou.

Ela moveu as mos pelo brao dele, acariciando. Mulder 
respondeu soltando-a, e virando-a para ficar de frente 
pra ele, as mos ainda na cintura fina, a dela descansando 
sobre o peito dele.

Ele abaixou a cabea, e ela elevou a dela, e eles se beijaram, 
e o mundo deixou de existir. Mulder percebeu, vagamente, 
que eles deviam ter se movido, pois agora ele estava de 
costas contra a parede. Com um movimento sbito, Mulder 
os virou, e agora Scully  que estava contra a parede da 
banheira... melhor apoio para ele.

Enquanto Mulder abaixava para adorar o pescoo dela, Scully 
passou uma perna ao redor do quadril dele.

"Oh, Deus, Scully... voc no sabe o que est fazendo comigo." 
ele gemeu.

Ela sorriu. "Acho que tenho uma vaga idia" ela sussurrou 
contra o cabelo dele e o puxou mais perto. A gua batia 
para todos os lados da banheira, contra eles, subindo e 
descendo eles com seu ritmo.

Quando Mulder localizou a clavcula dela com a lngua, 
Scully perdeu o controle e agitou os braos contra a gua.

E isso causou a introduo de uma varivel desconhecida.

Fluffy no podia mais agentar. O homem e a mulher estavam 
se divertindo na gua e ele estava preso. Com um pulo 
animado, ele estourou pela tela, rasgando tudo da porta.

Vrios pulos e dois degraus depois ele estava planando pelo 
ar...

"Oh, Mulder..." Scully suspirou... e ento ela estava tentando 
respirar quando um enorme e peludo objeto pousou no centro 
da banheira, quase os tirando pra fora depois que uma onda 
os atingiu como uma enorme mar.

Fluffy estava entre eles quando Mulder e Scully recuperaram 
seu apoio e sentidos. O latido feliz dele foi coberto 
ligeiramente pelo som das patas batendo na gua enquanto 
ele nadava ao redor do casal com uma enorme alegria.

"Fluffy!" Mulder rugiu e atacou.

Claro que Fluffy pensou que tudo isso era um inocente jogo 
e brincou ainda mais enquanto Mulder tentava agarr-lo e 
tir-lo dali. Ele finalmente conseguiu pegar a coleira de 
Fluffy e se virou, triunfante, para Scully... s para ver 
que ela estava fora da banheira, se enrolando numa toalha.

Fluffy aproveitou a distrao para lamber o rosto de Mulder, 
fazendo at barulho. Mas Mulder no tirava os olhos de Scully, 
que voltava para dentro da cabana.

Enquanto ela fechava a porta, Mulder rosnou para Fluffy, 
"Cachorro... voc vai dormir na varanda esta noite."

* * *

Les Campana gemeu. Ele assistiu a cena da banheira pelo seu 
equipamento infravermelho... e havia muitos infravermelhos 
ocorrendo l pra baixo. E ele simplesmente *sabia* que o 
homem estava agora, naquela cabana, montando a *sua* cadela. 
Muito ruim que o seu culos de proteo no era forte bastante 
para ler as imagens deles atravs das paredes da cabana...

Ele quis atacar violentamente a maldita cabana e retalhar 
os dois, mas Hoffman insistiu que eles esperassem at de 
manh. Primeira luz, ele disse. Quando eles abaixassem a 
guarda.

Ele enviou Campana na linha de rvores da colina escarpada, 
que dava vista ao Motel Arco. Ele vigiaria primeiro. Ele no 
entraria em nenhuma ao a menos que descoberto. Hoffman 
tinha algum plano traado para matar o homem cara a cara.... 
mas era mortal a Campana.

Ele j tinha iado duas vezes e sabia que estaria fazendo 
vrias vezes mais antes de Watts assumir a vigilncia.

Ele decidiu deixar de ficar bravo e se viciar em mais 
algumas das suas prprias fantasias... envolvendo todas 
as muitas coisas que ele tinha planejado para a prostituta 
ruiva abaixo.

E ele sabia que o Homem Sinistro nos seus sonhos supriria 
que algumas idias *ele* mesmo no tinha pensado... tudo 
em nome da diverso.

* * *

O quarto estava iluminado apenas por uma vela. Mulder entrou 
na cabana, com Fluffy atrs dele.

Scully j estava na cama, de costas pra eles. Mulder arrastou 
Fluffy para o pequeno banheiro e fechou a porta.

Ele rastejou na cama e sentou-se ao lado dela. "Scully?" ele
sussurrou.

"Estou acordada, Mulder" ela abriu os olhos. Mulder estava 
inseguro de como proceder.

"Eu estou... eu sinto muito pelo que fiz l fora" ele murmurou, 
a cabea curvada.

Scully se sentou de repente. "Deus, Mulder, No! No diga 
isso!"

"Mas eu pensei..." Mulder estava confuso.

Ela colocou os dedos sobre os lbios dele. "No. Eu quero 
que isso acontea. Ns dois queremos. Mas acho que no 
posso fazer isso agora... e foi at bom que Fluffy tivesse 
entrado naquela hora."

At mesmo na luz fraca ela podia ver que Mulder ainda estava 
indo para as concluses erradas.

"Foi bom estar com voc l fora... se esquecendo de tudo 
por alguns momentos... mas mesmo sendo muito bom, o fato 
 que minha mente est disposta, mas meu corpo no  capaz..."

Mulder deslizou a mo pelo lenol e entrelaou os dedos 
com os dela. "Achei que voc estava se sentindo bem hoje... 
tem alguma coisa que voc no est me contando?"

"No, Mulder. Eu *estava" me sentindo bem. Eu estou - no 
tive mais sangramentos, j que eu sei que voc vai perguntar. 
Mas mesmo sendo muito bom voc assim comigo... meu corpo no 
vai responder da maneira que eu quero" ela explicou, esperando 
que ele entendesse.

Mulder elevou as sobrancelhas. "Voc s est cansada, Scully. 
Ns teremos bastante tempo para isso." ele acariciou o cabelo 
dela, e a puxou contra seu peito, envolvendo-a nos braos.

Lentamente, eles deitaram contra os travesseiros.

"Voc sabe que eu preciso achar meu sobrinho, no ?" a voz 
dela era pequena. Hesitante.

"Scully, foi s um sonho..."

"Foi mesmo, Mulder? Foi? Acho que foi real. Baseado em nossas 
experincias nas ltimas semanas, acho que voc sabe que  
real, tambm. E eu acho que voc ter mais destes sonhos..."

"Com mais informao sobre Matthew?" Mulder terminou.

"Sim", Scully sufocou.

Mulder a puxou para mais perto dele, e beijou o topo da 
cabea ruiva. "Eu tambm espero isso, Scully. Por voc."

Scully fechou os olhos ao ouvir estas palavras, seu corao 
doendo para as coisas que queria... Matthew, tempo, descanso... 
e a maioria de tudo: Mulder."

Enquanto ela dormia, Mulder continuou acariciando os braos 
e estmago dela, a acalmando.

"Logo, Scully" ele pensou. "Logo ns teremos as suas respostas."

Mulder sabia que no iria mais dormir naquela noite.

O que foi uma infelicidade... Me Abigail esperou e esperou. 
Ela rezou para que "Fox" viesse encontr-la... ela precisava 
avis-lo.

* * *

13 de julho
06:15 horas

Quando Scully acordou, ela ainda estava nos braos de Mulder. 
Ele estava fitando pra baixo, para ela, com um sorriso enorme.

"Voc dormiu alguma coisa?" ela perguntou.

"Descansei o suficiente" foi a resposta dele. "Mas agora, eu 
preciso visitar aquela rvore l fora" ele sorriu maliciosamente 
enquanto beijava a testa dela, antes de deslizar da cama e 
vestir uma cala jeans.

Scully olhou a bonita bundinha dele saindo pela porta dos 
fundos antes de fazer qualquer movimento. Ento ela ouviu 
Fluffy arranhando a porta. "Acho que outra pessoa tambm 
precisa sair." ela murmurou enquanto cruzava o quarto, 
coando a cabea. "Estes malditos homens podem sair e usar 
uma rvore... queria ver se eles tivessem que agachar apenas 
uma vez..."

Fluffy estava mais do que grato ao ser libertado de sua 
priso. Ele saltou sobre Scully, dando seu sincero obrigado.

"Fora, Fluffy! Nossa! Voc est com um bafo... Aqui, vamos 
te levar pra fora..." ela foi para a porta dos fundos quando 
aconteceu.

O mundo se abriu num granizo de fogo de tiros.

* * *

Mulder tinha acabado de fazer o que queria, e estava voltando 
para a cabana quando aconteceu.

Foi o segundo tiro da M-16 de Hoffman que atingiu a perna 
de Mulder. Ele caiu no cho, e rolou para trs da banheira, 
grato pela cobertura.

Ele olhou e viu o sangue saindo da batata da perna. Ele j 
tinha sofrido coisas piores. A bala tinha atingido de lado. 
Ele no achava que tinha algum osso quebrado, o que era bom, 
mas ele estava perdendo muito sangue, o que era ruim.

Ele tentou espiar pela beirada da banheira para ver onde 
estava o atirador, mas uma chuva de balas o forou a ficar 
escondido. Maldio. Era a hora errada de ser pego sem a 
arma.

"Mulder!" Scully gritou da entrada.

Ele podia v-la... ela estava ajoelhada, usando o batente 
como cobertura.

"Eu estou bem! Fique a dentro!"

Uma chuva de balas caiu em ambas as direes. Scully pensou 
depressa que isso significava que tinha pelo menos dois 
atiradores. Talvez ela poderia jogar a arma para ele... 
caso contrrio, ele era um pato na mira.

Mas o ngulo estava errado. Ela no podia lanar a arma pra 
ele e Mulder no podia ir para uma posio melhor sem se 
transformar num alvo fcil.

Ento Fluffy entrou na equao. Com um estalo rpido de suas 
mandbulas, ele agarrou a arma da mo de Scully. Antes que 
ela pudesse agarr-lo pela coleira, ele voou, saindo pela 
varanda dos fundos e pousando perto da banheira.

Scully tentou dar cobertura, atirando pelo menos oito vezes.

Hoffman atirou de repente, mas Fluffy era muito rpido. Dentro 
de dois segundos ele estava ao lado de Mulder, e lhe entregou 
a arma.

"Fluffy, eu tiro de volta toda ameaa que fiz. Bom garoto!" 
Mulder ficou entusiasmado e beijou a cabea do cachorro.

* * *

Enquanto a ateno de Scully foi desviada para Mulder, Les 
Campana estava rastejando at a porta da frente da cabana. 
Ele arriscou uma olhada pela janela e sorriu. L estava ela, 
dando cobertura atrs da armao da porta, usando nada mais 
que uma camiseta longa. Ele estava ficando mais duro pelos 
segundos, o pnis se contraindo e coando em antecipao. 
Talvez ele no teria que esperar at depois. Ele poderia se 
mover furtivamente na cabana, agarrar a cadela, e conseguir 
uma "batida, bam, tome isso, senhora", antes que Hoffman e 
Watts tivessem percebido.

Ela disparou da porta dos fundos para Hoffman.

Yup. Ele poderia esperar at que ela esvaziasse a arma e 
tivesse que recarregar. Isso seria a chance dele para entrar 
correndo e cair nela.

Ele no teve que esperar muito tempo. Ela disparou mais dois 
tiros e ento ele ouviu o clique indicador enquanto travava 
de volta... Ele estourou pela porta, a espingarda pronta.
1 Uma mistura diferente de muitos pratos escandinavos, 
quentes e frios, que so organizados de forma que voc 
pode se servir com o tanto que voc queira e so comidos 
ao comeo de uma refeio ou como a parte principal disto. 
A mesa de smorgasbord seria carregada com salmo assado 
fresco, saladas, fruta de arenque picada, queijo, po e 
sobremesas. (Fonte: Cambridge - Dicionrio Internacional 
de ingls)

2 Obras de arte ou objetos decorativos rejeitados que so 
feios, tolos ou inteis. (Fonte: Cambridge - Dicionrio 
Internacional de ingls)


LAST ONE STANDING
De: mabtng <mabtng@mindspring.com>

* * * * *
CAPTULO VINTE E QUATRO
* * * * *

"Todo mundo sempre fala sobre quem est por cima.
No cruze nosso caminho pois voc vai ser pisado.
Ns nem temos que dar qualquer folga para qualquer pessoa.
E se voc tentar nos controlar
ns vamos voltar.
E voc sabe que ns somos
Valentes
Valentes"

- Maurice Starr "Valentes"

* * * * *

Motel Arco
06:25 horas

Scully girou e ficou abaixada quando Campana entrou pela 
porta da frente. Ela tinha comeado a colocar um novo clip 
de balas na arma...

O tiro de espingarda foi ensurdecedor dentro do pequeno 
quarto. Gesso caiu em pedaos grossos.

"Solta a arma, cadela!" Campana rugiu. As mos de Scully 
continuaram a deslizar lentamente o clip pra dentro da arma. 
"Solta agora ou eu estouro a sua cabea!" Campana se aproximou 
dela.

Scully colocou a arma no cho e ficou de p, as mos sobre 
os ombros, os cotovelos ligeiramente curvados... do jeito 
que aprendeu na Academia. Este homem era um psictico... e 
suas intenes eram bem evidentes, a julgar pela evidncia 
na cala dele. A nica chance que ela teria era traz-lo 
para mais perto dela.

"Voc  uma cadela bem inteligente, no ?" Campana zombou. 
"Vire-se e coloque suas mos na parede." Scully concordou. 
"Abra as pernas..." Scully obedeceu mas tremeu por dentro 
ao ouvir as palavras.

Campana estava com a arma na base do crnio dela, enquanto 
com a outra mo gorda ele executava a falsa revista. Ele 
beliscou os seios dela e desfrutou quando ergueu sua camisa, 
e tocou a virilha dela. Scully tentou no vomitar.

"Eu tenho algo especial para colocar aqui dentro" ele 
assobiou na orelha dela. "Algo que seu namorado morto l 
fora nunca vai poder te dar..."

O sangue de Scully ferveu, mas ela se forou a rir de Campana. 
"O que? Esse seu pau fino como lpis?"

Ela conseguiu o que queria. Campana usou a mo esquerda 
para bater a cabea dela contra a parede. Scully ficou 
meio tonta, mas antes que ele pudesse colocar a arma 
contra a cabea dela de novo, ela se empurrou pra fora 
da parede, girando o corpo e lanando o brao esquerdo 
ao redor... prendendo a arma debaixo do brao.

Campana apertou o gatilho e a arma atirou... mas era 
tarde demais... o tiro foi para a parede... e ele 
estava preso numa batalha de vida ou morte com Scully, 
enquanto lutavam para controlar a arma.

* *

Fluffy pensou que proteger Mulder era seu dever primrio. 
Mulder estava ferido, ao ar livre, enquanto Scully estava 
mais segura dentro da cabana. Mas depois que ele ouviu o 
tiro da espingarda l dentro, suas prioridades mudaram.

"Scully!" Mulder gritou.

No havia nenhuma resposta.

Fluffy podia ver que Mulder lutava para ficar de p... 
tentando chegar na cabana, mas as balas voavam ao redor 
deles, e a perna ferida nunca o deixaria se mover rpido 
o bastante. Fluffy sabia o que fazer. Ele correu.

Watts saiu de trs da rvore para atirar no cachorro. E 
Mulder viu sua chance. Ele deu trs tiros, atingindo Watts 
no brao e no trax. Watts caiu, morto. Mulder deu mais 
trs tiros enquanto Hoffman abria fogo. gua saa dos buracos 
da banheira.

Fluffy tinha parado debaixo da varanda. Agora ele podia 
ouvir a luta dentro da cabana. Uma luta em toda sua capacidade.

Quando Hoffman comeou a atirar, Mulder elevou a arma e 
disparou cegamente na direo de Hoffman. "Corre, Fluffy!" 
ele gritou.

Fluffy no hesitou. Ele pulou sobre a varanda e voou para 
a porta.

Quando Hoffman comeou a atirar no cachorro, Mulder se arriscou. 
Ele sabia que no podia ficar atrs da banheira. Ele estava 
quase sem balas, e seria questo de tempo... e dois tiros... 
antes de ficar sem munio. Ele precisava se mover. Enganar 
Hoffman. Enquanto a ateno do homem estavam em Fluffy, 
Mulder rolou da banheira para a pilha de madeira a dez ps 
atrs dele. A pilha estava perto da linha das rvores.

Esperanosamente, Hoffman no notaria e isso daria uma 
oportunidade para Mulder. Ento, ele poderia entrar para 
ajudar Scully.

* *

Scully lutou com Campana, o brao esquerdo ainda embrulhado 
no cano da espingarda. Ele no tinha como deslizar o cano 
para armar a espingarda... e no podia atirar at fazer isso.

Campana elevou o p esquerdo e chutou Scully no quadril. Ela 
grunhiu e tropeou, mas manteve o aperto parcial com a mo 
esquerda. Mas Campana viu a oportunidade, e com a mo livre, 
ele moveu o cano. Forte.

Scully clamou de dor e raiva quando o cano apertou a teia 
de pele entre o polegar e o indicador, rasgando tudo. Quando 
Campana atirou, ela conseguiu segurar a espingarda debaixo 
do brao de novo. O tiro destruiu a aquarela cnica do motel 
sobre a cama. Mas o cano estava quente debaixo da pele dela.

Com raiva renovada, ela esmurrou direto no nariz de Campana, 
e foi recompensada com um rudo de osso quebrando. Campana 
levou as mos para o nariz, e Scully agarrou a espingarda 
com as duas mos e puxou. Campana lutou contra o puxo... e 
a guerra terminou quando a arma deslizou das mos deles, 
e foi para o cho.

Ambos gelaram por um momento. Ento Scully mergulhou para 
a prpria arma enquanto Campana ia para a dele. Ela pegou 
a arma e preparou. Campana pegou a espingarda e a preparou. 
Scully estava fazendo pontaria...

E fitando o cano da espingarda de Campana.

"Cadela."

O tempo parou. Sangue pingava do nariz quebrado de Campana. 
Tudo que Scully podia ouvir era sua prpria batida do corao, 
sua prpria respirao.

No espao de um piscar de olhos, Campana comeou a apertar o 
gatilho...

*Oh, Mulder... Deus....*

...e ento uma locomotiva gigantesca de pele embarrilou pela 
porta e voou para Campana.

O homem tentou elevar a arma para seu novo objetivo, mas 
Fluffy j estava sobre ele. A espingarda voou pelo quarto. 
Scully abaixou quando a arma bateu contra a parede com tanta 
fora, que at atirou.

Agora Campana estava gritando. Fluffy tinha cado sobre o 
homem, que estava deitado no cho... e estava rasgando as 
bolas de Campana. Sangue vertia pela cala, e os gritos 
dele ficaram cada vez mais agudos. Ele comeou a bater na 
cabea de Fluffy.

No havia nada que Scully poderia fazer... ou desejasse fazer 
para salvar Campana. Agora, era homem contra cachorro. Mas 
Campana puxou uma faca do cinto...

"Fluffy!" ela gritou quando ele desceu a faca sobre o cachorro, 
pegando-o na perna.

* *

Hoffman piscou enquanto pensava na situao. Watts estava 
morto. E ele tinha ouvido pelo menos dois tiros de espingarda 
dentro da cabana. Aquele filho da me do Campana... ele 
deveria saber que o cara no ia seguir os planos.

Isso deixava ele e o homem que ele tinha vindo matar. Ele 
levantou a cabea e escutou. Nenhum som atrs da banheira. 
Talvez um dos tiros tenha acertado o homem, que poderia estar 
morto ou morrendo. Droga! Isso no era bom. O ponto mais 
importante aqui era ver o idiota morrer.

Hoffman balanou de um lado para outro. Ele mastigou os 
lbios... como seu irmo Vern tinha feito antes de roubar 
o dinheiro da cerveja do pai deles... e ele se lembrou de 
como aquilo acabou. Ele deveria conferir? Ainda nenhum som.

"Ah, que se dane" Hoffman murmurou. Ele deixou o focinho 
da sua M-16 conduzi-lo para fora das rvores, em campo 
aberto. Ele rastejou at a banheira... Polegada por 
polegada, ele andou na ponta dos ps, se antecipando ao 
olhar do corpo sangrento do homem. Seus dedos se contraram, 
e suor caa por seu rosto, por cima do nariz. Quando ele 
estava quase atrs da banheira, ele parou e respirou fundo.

Ento, ele saltou, abrindo fogo com a M-16.

Grama voou, lama espirrou, e pingos de gua quente voaram... 
mas nada de sangue. Nada de corpo. O homem tinha sumido.

"Mas onde?..." Hoffman estava descrente.

"Procurando por mim?" 

Hoffman girou, pronto para atirar... mas ele estava atrasado. 
Mulder deu os dois ltimos tiros direto no peito do bandido, 
que caiu pra trs, lentamente, os olhos arregalados em 
descrena.

Seu ltimo pensamento era que ele deveria ter ficado em 
Greenwich.

* *

Descuidada com a prpria segurana, Scully mergulhou sobre 
o brao de Campana antes dele poder atacar de novo. Os trs 
comearam a rolar numa confuso de braos e pernas. Com 
Scully no caminho, Fluffy tinha soltado o aperto em Campana 
e o homem aproveitou isso para colocar a faca mais perto 
do trax de Scully.

Fluffy levou a nica opo que sobrou. O que o treinador 
dele, seu K-9, lhe ensinou a fazer. Ao mesmo tempo em que 
a faca picou a camisa de Scully, ao mesmo tempo em que 
penetrou na pele dela, Fluffy se lanou e seus dentes 
grandes e forte mandbula afundaram no seu objetivo.

Campana sentiu o aperto forte na garganta, mas no havia 
nada que pudesse fazer. Agindo por puro reflexo, ele soltou 
a faca para tentar livrar a garganta do ataque. Ele sentiu 
a carne sendo rasgada... o ar tinha ido embora... sangue 
comeou a sair em golfadas sobre seu rosto e tudo mais a 
trs ps de distncia quando a veia jugular dele estourou, 
aberta.

Ele tentou falar, mas s emitiu um gargarejo espumoso e 
cor-de-rosa luminoso. Seus olhos se incharam quando a 
morte o atingiu no pomo de Ado. Seus braos e pernas se 
contraram uma vez... duas... e ento pararam.

Les Campana estava morto.

De joelhos, Scully olhou para o corpo de Campana. Nem 
precisava tentar verificar o pulso na cartida do homem... 
o local tinha sumido. E mesmo que ela soubesse que ele no 
ia bancar um dos personagens de algum filme do dia das 
bruxas, ressuscitando, ela seguiu seu treinamento e jogou 
a faca longe, fora do alcance dos dedos frios e mortos.

Ela olhou para Fluffy. Seu focinho estava coberto de sangue 
e ele estava tentando lamber a ferida de faca em sua perna 
da frente, esquerda. Fluffy iria ficar bem.

Ela precisava ir para Mulder. Scully agarrou a arma dela, 
e se levantou, se firmando contra a cama quando ficou 
tonta. Ela estava vagamente atenta da prpria condio 
e aparncia. Ela escutou ao redor enquanto recuperava 
seu equilbrio. Tudo quieto do lado de fora.

Com cuidado, ela foi para a entrada, com Fluffy ao seu 
lado. Ela olhou pela porta de tela. Nada.

Ela elevou a arma e lentamente abriu a porta de tela... 
e saiu na parte de trs, na varanda.

E viu uma perna de cala azul, saindo detrs da banheira.

"Mulder!"

Ela correu pelos degraus e pela grama.

* *

No segundo entre os dois tiros, Mulder tinha reconhecido 
o punk que estava matando. O garoto punk. Um garoto de 
Greenwich. O que invadiu a casa da me de Mulder. Com 
dezoito ou dezenove anos.

E agora ele estava brincando com M-16s.

E Mulder percebeu o motivo do tiroteio. Vingana.

Enquanto Hoffman morria na sua frente, Mulder caiu contra 
a pilha de madeira. A adrenalina estava indo embora, e ele 
comeou a sentir os efeitos da perda de sangue. A perna 
estava com cimbra. Ele caiu ao cho com um gemido sufocado. 
Enquanto seu rosto tocava a terra orvalhada, ele queria 
se levantar... ele precisava encontrar Scully. Mas seu 
corpo no queria colaborar. Ele arranhou a terra com dedo, 
esperando avanar lentamente para mais perto da cabana.

"Mulder!"

Ele olhou a tempo de ver imagens com Scully coberta 
de sangue, e Fluffy correndo at ele. Um pesadelo que 
aparentemente tinha se tornado realidade. "Scully!" 
ele gemeu.

E ento desmaiou.

* * 

E acordou numa varanda, bem na frente de Me Abigail.

"Ento... voc decidiu fazer uma visita para esta velha 
mulher" a face escura dela o observou da cabea aos ps.

"O q..." Mulder estalou enquanto se sentava. Ele no estava 
aqui.

"No se preocupe" ela sorriu, apontando pra cima. "Ele vai 
te mandar de volta logo, logo. Mas ns precisamos falar... 
e aproveitar esta chance." ela bateu na cadeira ao lado 
dela, e Mulder se sentou nela. "Voc tem evitado a Ele" 
ela declarou.

"Quem?"

"Quem? Deus, ora! Voc no sabe que quando Ele quiser sua 
ateno, Ele vai t-la? Mesmo se Ele tiver que te bater 
com um cajado na cabea?" ela ergueu a bengala e bateu 
suavemente na cabea dele. "Eu tentei te avisar sobre aquele 
menino, Timmy Hoffman."

"Era esse o nome dele" Mulder falou mais para si do que 
para ela.

"Mas voc no veio me encontrar. No cometa este erro de 
novo, Fox" Me Abigail continuou.

Mas Mulder estava em seu prprio mundo... "Timmy Hoffman", 
ele repetiu.

Me Abigail sabia o que ele estava pensando. "Fox. Acorde. 
Aquele menino era uma semente escura muito antes de voc 
conhec-lo. Havia o mau dentro dele, e quem sabe quantas 
pessoas ele teria assassinado? Voc s fez o que tinha que 
fazer? Se proteger, e proteger a sua mulher."

Mulder arregalou os olhos ao ouvir as palavras. "No deixe 
Scully te ouvir falando assim" ele riu, imaginando a reao 
de sua parceira.

Me Abigail riu e tremeu a cabea. Depois de um sculo de 
vida, ela ainda no podia entender a relao evoluda entre 
as mulheres e os homens. E sobre amor e abnegao?

"Mas, criana, ns temos negcio para ver." De repente ela 
ficou mortalmente sria. "Eu sei onde est o garotinho..."

Mulder saltou  revelao. "Matthew? Onde ele est?"

"No corao do acampamento de seu inimigo..." ela advertiu.

"Onde est ele? Quem est prendendo Matthew?" Mulder estava 
furioso.

"Ele tem muitos nomes... mas eu sei que ele fuma muito..." 
ela disse com desgosto, como se o tabaco estivesse em sua 
prpria boca.

Mulder sentiu um peso no estmago. Ele apertou os punhos. 
Ele devia ter sabido. "Aquilo filho da me... me fala onde 
ele est" isto era uma ordem, e no um pedido.

Me Abigail endureceu a face, mas no estava insensvel. 
Ela olhou direto nos olhos dele, sem piscar. "Ainda no. 
Voc no est pronto."

Mulder estava sufocando a raiva de volta...

"Voc vai continuar a me ver. Fique no seu caminho atual... 
sul e oeste. Vocs trs precisam descansar para o que ainda 
vir."

"E o que est vindo?" Mulder insistiu.

"Oh, cala a boca! Como Dana no fica louca com voc e suas 
perguntas..." ela olhou para o cu. "Eu sei, Deus." Ela 
fechou os olhos, em paz. "Pacincia. Isso  o que todos 
ns precisamos, criana. Voc segue essa estrada. Voc 
vai saber onde parar... voc ver o sinal. Vocs vo ficar 
l, e descansar uma quinzena... voc entendeu, certo?"

Mulder acenou com a cabea, mas no tinha desistido ainda. 
"Mas onde est Matthew? Eu tenho que contar para Scully..."

"No" Me Abigail foi firme. "Voc tem que me ver primeiro, 
em carne enrugada e osso. Ento voc estar pronto. Matthew 
no vai se machucar durante este perodo."

"Como eu posso aceitar isso? S pela f?" Mulder brigou.

"Bem, por enquanto sim" ela respondeu. "Voc est aqui, 
comigo, falando, no est? Se voc acredita de verdade 
que Matthew est vivo... como voc pensa que descobriu? 
Ele te contou. S como Ele est te contando o que voc 
tem que fazer para se preparar... ento, voc aceita 
tudo junto, ou rejeita tudo. Voc no pode ser das duas 
maneiras. E se voc no acredita que Matthew est vivo... 
que diferena a demora vai fazer?"

Mulder no pde responder.

"S mais uma coisa, Fox. O caminho vai comear  direita. 
Seu novo amigo... ele est indo bem?"

Mulder sorriu. "Ento olhe na ferida da perna dele... 
pergunte-se por que ele sobreviveu  peste. Por que alguns 
sobreviveram?"

"Eu no entendo..."

"Voc vai entender quando falar com sua mu...Dana. Lembre 
de tudo que eu disse... e andem rpido hoje!" a voz dela 
enfraqueceu.

* *

"Mulder..." uma voz o chamou.

Mulder acordou vendo o cu. Ele ainda estava deitado na 
grama, as pernas sobre alguns travesseiros... e o mais 
importante, Scully estava refrescando o rosto dele com 
um pano mido.

"Scully", Mulder sorriu sonhadoramente.

Ela pairou sobre ele, as linhas de preocupao no rosto 
diminuindo lentamente enquanto ela sorria com alvio.

"Voc me preocupou... voc deveria ter acordado h muito 
mais tempo" ela falou, com a voz rouca de tanto esperar, 
e de fadiga.

Mulder estava ficando mais alerta, atento a seus ambientes. 
Scully estava sentada a seu lado, uma mo segurando o pano 
e a outra sobre o peito dele. *Hmmmm. Isso  bom* ele 
pensou. S que isso tudo estava sendo prejudicado pela 
dor em sua perna. Ele ergueu a cabea para dar uma olhada. 
Sua cala estava cortada at o joelho, a ferida com curativo.

"Quanto tempo eu apaguei?"

Scully suspirou. "Uma hora, Mulder... eu fiquei preocupada
por voc ter tido ferimentos internos e eu no podia 
ach-los..." a voz diminuiu. No era necessrio refazer 
essa cena. "Como voc se sente?"

"Com sede" ele coaxou.

Scully lhe deu uma pequena garrafa de gua, ajudando-o a 
erguer a cabea para tomar um gole.

"Estou me sentindo bem, Scully. Bem, minha perna di, e 
estou um pouco fraco... mas fora isso, est tudo bem. Sem 
batida na cabea e sem ferimento interno."

Scully se sentou sobre os ps, e esfregou as mos sobre o 
rosto. Mulder podia v-la agora... e o que viu dela, o 
deixou assustado. A camisa que ela usava estava coberta 
de sangue... e havia sangue na testa, assim como algumas 
contuses e inchaos. E s agora ele viu a mo esquerda 
embrulhada com gaze.

"Scully! Voc est bem?" Mulder se apoiou sobre os cotovelos, 
e ficou surpreso por no ter ficado atordoado...

"Eu vou ficar bem, Mulder. A maioria disso aqui no  meu..."

"A maioria?"

"Eu cortei minha mo e minha testa, mas estou bem melhor 
do que o cara da cabana..."

Mulder elevou uma sobrancelha, questionando-a.

"Ele est morto", Scully continuou. "Fluffy o matou.... 
eu acho que posso dizer que Fluffy salvou os nossos pescoos 
hoje."

Mulder acenou com a cabea. "Onde ele est?"

Ela apontou e Mulder olhou ao lado esquerdo. Fluffy estava 
apoiado sobre um p, mantendo viglia.

"O que aconteceu com a perna dele?" ele perguntou, apontando 
para o curativo na pata da frente e esquerda de Fluffy.

"Ele foi cortado por uma faca. Eu o limpei melhor que pude... 
mas o machucado dele tinha que levar pontos... e o seu 
tambm... precisamos achar um hospital ou uma clnica..."

"Ns podemos fazer isso..."

Scully olhou para o cu... ela estava pensando. Ser que 
ela deveria falar? Mulder podia l-la como um livro.

"Que foi? Tem mais?  alguma coisa sobre Fluffy?"

"Fluffy est bem, srio. Mas eu achei uma coisa, e no 
tenho certeza do que fazer a respeito disso..."

Mulder se lembrou do sonho que teve, com detalhes chocantes. 
"Voc encontrou alguma coisa na perna dele..."

O queixo de Scully caiu. Como ele sabia?

Mulder nem esperou ela perguntar. "Eu falei com Me Abigail 
enquanto eu estava.... fora... ela me perguntou como ou por 
que Fluffy sobreviveu  peste. Ela me disse para olhar na 
perna dele... o que voc achou, Scully?"

Scully apertou a mo dele e engoliu em seco.

"Uma tatuagem. Letras e nmeros..."

"Um nmero de srie militar?"

"No, Mulder. J vimos nmeros como os dele antes. Catlogo 
de seres humanos... e as letras... elas parecem cdigo de 
DNA..."

Mulder olhou de Scully para Fluffy, sentindo o estmago se 
enrolar.

Que diabos estava acontecendo aqui?

"Scully... ns precisamos dar o fora daqui. Mas antes, 
precisamos olhar os corpos destes homens. Agora."


fim de last 24

LAST ONE STANDING
De: mabtng <mabtng@mindspring.com>

* * * * * *
CAPTULO VINTE E CINCO
* * * * *

No h nada a ver com as aes infrutferas da escurido, 
a no ser exp-los. Para isto  at mesmo vergonhoso 
mencionar o que o desobediente fez em segredo. Mas tudo 
exposto pela luz fica visvel, pois  a luz que faz tudo 
visvel.

- Efsios 5:11-14

* * * * *

Nevada
Em alguma hora

Um verdadeiro segredo  muito como refluxo cido. Uma vez 
que entra em seu corpo, avana pela sua garganta e fica 
em seu intestino, irritando e aferventando, constantemente 
querendo rastejar em vaivm, queimando seu caminho  ponta 
de sua lngua.

Mas l no h nenhum alvio para acalmar o refluxo secreto. E engraado como soletrar "secreto"  to prximo a "segredo"... como em esvair-se. Pois  o que um segredo quer fazer.

Charles Spender engoliu os sucos queimando nesta garganta. 
No fumar era bom para o estmago. Ele encarou o deserto 
ao redor. O complexo subterrneo era bem escondido. Voc 
poderia caminhar em cima disto e nunca saber, a menos que 
voc soubesse o que procurar.

Ele tinha feito um bom trabalho e estava bastante orgulhoso 
desse fato. Mas, havia amargura nesse orgulho. Ningum mais 
sabia tudo aquilo que ele tinha feito. Os passos que ele 
deu. Todos os sacrifcios que ele fez em nome de salvar a 
humanidade.

Ele foi feliz em ter a previso para fazer os seus prprios 
planos. Ele sabia que havia uma alta probabilidade por uma 
falha na segurana deles. E ele foi o nico a planejar essa 
contingncia. Quando a falha aconteceu, ele estava pronto. 
Os outros no estavam. E eles, apressadamente, traaram 
planos... planos que cruzariam propsitos com o seu prprio. 
E esses planos tinham sido egostas. Nada bom para a humanidade.

Assim, ele deu os prprios passos. E agora ele estava em p 
no deserto, sozinho com o seu sacrifcio. Que bem havia no 
sacrifcio se ningum soubesse sobre isto? Spender derrubou 
o cigarro e pisou no cho seco.

A abundncia ardente na garganta inchou de novo. Ele alcanou 
no bolso pelo rolo de anticido, tirou trs tabletes e os 
comeu na boca. Eles eram de hortel. Ele riu pra si mesmo. 
Eles foram capazes de pr um homem na lua, mas no puderam 
fazer um simples tablete anticido, que no deixasse resduos 
por toda parte na sua boca. Ele fez careta quando engoliu. 
Logo, o medicamento faria seu trabalho e socaria os sintomas 
do refluxo por uma hora ou duas.

E logo, ele estaria cara a cara com as duas pessoas que 
poderiam compreender a magnitude do que ele tinha feito. 
Certo, uma vez que ele os tivesse na sua custdia, eles 
nunca teriam a oportunidade para compartilhar esta verdade 
com qualquer outro... mas isso no importava. Ele s queria 
a satisfao de ver a compreenso deles. Ele queria ver os 
rostos deles quando eles aprendessem a verdade.

Pois segredos e mentiras, tudo conduz eventualmente  verdade.

* * *

Em algum lugar

Correndo ao longo da rodovia a mais de cem milhas por hora, 
Roberta sentia como se ela estivesse tentando chupar o mundo 
inteiro na cabea por um canudinho. Maldita viso de tnel.

*Um mil, dois mil. Mantenha sua distncia.*

Concentrada nas duas luzes traseiras de um Volkswagen Jetta 
roubado. Um utilizado num roubo armado.

*Respire. Mova seus olhos da direita e esquerda. Respire.*

Tudo que ela poderia ouvir era a crepitao de vozes no 
rdio e o rugido cansado do motor da sua Crown Vic. Ela 
estava conduzindo a sua sirene com muita destreza.

A perseguio comeou a reduzir a velocidade muito pouco 
quando o Jetta pegou uma rampa de sada da interestadual.

"2 Adam Baker, ele est pegando a sada de Manchester... se 
dirigindo ao norte..."

"10-4, 2 Adam Baker, o suspeito est se dirigindo ao norte, 
na Manchester..."

O motorista do Jetta roubado socou o minuto que ele fez o 
canto. Roberta seguiu o exemplo, pedindo que os seus freios 
ainda estivessem l.

"Ele ainda est se dirigindo ao norte, passando Pinecrest 
Rd... percorrendo a alta velocidade", Roberta transmitiu, 
orgulhosa de si mesma por se lembrar de no alimentar nenhum 
potencial processo da justia, declarando a velocidade atual 
deles. Ela estava muito contente que era o meio da noite, o 
que significava pouco a nenhum perigo de trfego.

Ela continuou olhando no espelho retrovisor, esperando ver 
as luzes vermelhas e azuis, que indicariam que ela tinha 
algum apoio. Nada ainda.

Quando eles chegaram a prxima interseo, o motorista do 
Jetta freou bruscamente e tentou uma curva a esquerda, mas 
as rodas trancaram, o ngulo estava todo errado. Roberta 
pisou nos prprios freios, tentando impedir a coliso 
iminente. Os pneus gritaram e queimaram, a traseira do 
carro suspendeu.

O Jetta explodiu em uma chuva de metal e vidro enquanto a 
lateral do passageiro batia um poste de luz. O motorista, 
atordoado, mas muito burro ao reconhecer melhor, pulou do 
carro e correu.

"Ele est 10-50, na Randall e Manchester... ele est se 
dirigindo entre os apartamentos no lado ocidental... Estou 
a p, em perseguio!"

Roberta estacionou e saltou do carro - bem, ela conseguiu 
to rpido quanto uma pessoa pode usando um apertado colete 
de Kevlar e um zilho de libras de equipamento e munies 
em seu cinto Sam Brown - e deu perseguio.

Enquanto o suspeito saltava uma cerca baixa, ela viu o objeto 
escuro na mo do suspeito... parecia uma 9mm. "2 Adam Baker, 
o suspeito est possivelmente 10-32!"

"10-4, 2 Adam Baker, ateno todas as unidades, o suspeito 
pode estar 10-32", despacho respondeu.

O corao de Roberta estava batendo, os pulmes gritando 
por ar enquanto ela saltava a cerca.

Ela parou e escutou. No havia nenhum som. Estava escuro 
aqui entre os prdios de apartamentos, longe das luzes da 
rua. Ela sacou a arma e se aproximou do canto ocidental do 
primeiro edifcio, cuidadosamente. Ela espiou ao redor do 
canto depressa. Nenhum sinal de movimento. S quatro ou 
cinco lixeiras e uma cerca de madeira de dez ps. Um beco 
sem sada entre os edifcios. O suspeito tinha que estar l.

Uma porta atrs dela abriu com um estrondo alto e ela balanou 
ao redor, preparada a disparar... s para vir cara a cara 
com quatro crianas. Eles se amontoaram na parte externa 
para ver o que era toda a comoo.

"Entrem pra dentro agora!" Roberta assobiou num sussurro 
enquanto retrocedia para a ruela do beco sem sada. Ela 
manteve um olho na porta para ter certeza que fechou quando 
as crianas voltaram pra dentro.

A melhor coisa a fazer seria esperar por auxlio... esperar 
por K-9. Ela estava preparada para fazer isso.

Entretanto aconteceu. A porta traseira do edifcio, pela 
ruela, abriu e uma mulher idosa caminhou pra fora, carregando 
o seu saco de lixo. A mulher j estava virando a esquina 
na ruela.

"Pare!" Roberta gritou enquanto se lanava detrs da sua 
cobertura. A mulher parou, os olhos arregalados. Ela derrubou 
o saco e correu de volta, para trs do edifcio, mas j 
era muito tarde. O suspeito viu a sua oportunidade. Roberta 
estava fora ao ar livre.

O suspeito pulou detrs de uma das lixeiras e elevou a arma.

Roberta tinha s uma chance. Ela abaixou-se ao cho e abriu 
fogo exatamente quando o suspeito apertou o gatilho. O tiro 
dele passou selvagem sobre a cabea dela. O tiro dela atingiu 
sua marca, e o suspeito foi abatido. Gargarejando as ltimas 
respiraes dele.

Roberta se levantou em pernas flexveis e caminhou para o 
homem ao cho. Ela chutou a arma dele para a cerca. Ela o 
algemou e o rodou sobre as costas. Ento ela agarrou o 
rdio porttil para pedir uma ambulncia.

E foi quando ela o viu. Uma das criancinhas. Uma criancinha 
que no tinha escutado o comando dela. Uma criancinha 
curiosa que esticou o pescoo e espiou onde ele no devia. 
S a tempo para o suspeito, ao acaso, acert-lo em cheio 
no trax.

"Oh, Jesus", Roberta sussurrou.

"2 Adam Baker, eu preciso de mdicos! Tiros disparados, o 
suspeito abatido, e um civil ao cho! Mdicos!" Roberta 
gritou no rdio enquanto corria, as pernas aparentemente 
atoladas em areia movedia at que ela alcanou o lado da 
criana.

Havia sangue em todos os lugares. Escuro, irreconcilivel, 
escarnecedor sangue. Manchava o algodo azul da camiseta 
Pokeman da criana. O buraco da bala pousava certeiro no 
meio da cabea do Pikachu.

Roberta rasgou a camisa aberta e ps a cabea no peito, 
molhado de sangue, da criana. O sangue saa em borbotes 
da ferida como gua de uma mangueira. Ela no podia detectar 
nenhuma respirao... no havia nenhuma batida do corao.

At agora, vrias pessoas tinham insinuado-se pra fora dos 
edifcios... inclusive os amigos da criana. Uma lamria 
dolorosa elevou quando uma mulher, vestida em um roupo e 
bobs, correu pra fora. A me. Ela caiu ao cho ao lado da 
cabea do seu beb.

"Marvin!" Ela gritou.

Roberta comeou a massagem cardio-respiratria. Quando as 
mos deslizaram no sangue, ela os moveu de volta e tentou 
outra vez. Quando a boca sangrenta da criana encheu a sua 
prpria ela cuspiu fora e manteve o andamento.

"Um mil..."

Os vizinhos poderiam ver que Roberta estava tentando salvar 
o menino... eles seguraram a me ligeiramente.

Onde estavam as malditas sirenes?

Mais sangue verteu do trax da criana. Do trax do pequeno 
Marvin. Roberta freneticamente tentou colher o sangue e 
repor dentro do trax dele. No funcionou.

Os olhos de Marvin estavam vtreos e escuros. Ningum estava 
em casa. Esperana tinha deixado o edifcio vrios minutos 
atrs. Mas Roberta recusou se render... at mesmo quando as 
testemunhas ao redor dela viram a verdade. Ela insistiu.

Um homem perto viu o suspeito morto e correu para o corpo.

"Seu filho-da-me!" E ele comeou a sua prpria verso da 
justia vigilante, chutando no homem jogado no cho. Os 
baques sombrios ecoaram pela ruela e um silncio veio de 
todas as testemunhas.

"Um mil..."

"Seu desgraado.. voc o matou." Baque. Baque.

"Trs mil..."

Roberta no podia fazer nada sobre o homem, embora ele fosse 
agora a sua responsabilidade. Ela olhou suplicantemente 
para dois dos espectadores. Eles poderiam ouvir as sirenes. 
Eles acenaram com a cabea a ela e correram para conter o 
amigo deles antes que os outros policiais chegassem na cena.

"Respire, droga!" Roberta ofegou.

Ento mos enluvadas a estavam apartando... para longe... 
algum estava pegando a arma do coldre dela... a conduzindo 
 ambulncia... lavando o rosto, as mos, enxaguando a boca 
dela com soluo salina e gua oxigenada. Ela sufocou e 
tossiu no lquido.

Mais sirenes.

E em cima de tudo, Roberta poderia ouvir a me... poderia 
ver o dedo apontado dela... "Voc fez isto!  sua culpa!"

Mos a guiaram no carro policial. Ela virou para encarar 
o motorista... o sargento dela. O que deveria ter sido o 
sargento dela...

A face do Homem Sinistro sorriu de volta para ela, os dentes 
brancos refletindo as luzes amareladas da rua. Os olhos 
vermelhos rasgaram por ela.

"Algum leva um segredo", ele salmeou. "Algum leva um 
segredo!"

Ela se empurrou pra trs contra a porta, manuseando  
maaneta, tentando sair... sem proveito.

O Homem Sinistro elevou uma mo e traou a bochecha dela 
com um dedo sangrento.

"E eu sei agora, tambm, Roberta", ele sorriu.

* * *

"No!" Roberta gritou enquanto sentava na cama, suor correndo 
pelo rosto.

Matthew sentou, despertado pela comoo. Ele comeou a 
chorar. Roberta alcanou e o agarrou, o segurou perto, 
esfregando o suor do beb at que ele soluou para acalmar.

Ela escutou como a respirao dele igualou. Desse modo ela 
no tinha que pensar a respeito como a sua prpria respirao 
ainda estava cansada e o corao ainda corria.

Desse modo ela no tinha que se lembrar do seu segredo.

* * * * *

Interestadual 44
13 de julho
11:00 horas

Nem sempre os mortos revelam seus segredos.

Scully no tinha certeza do que esperava achar, mas ela 
achava que encontraria alguma coisa. Talvez algo como um 
enorme sinal de non apontando dramaticamente para uma 
marca suspeita em todos os trs corpos. Um sinal que 
dizia: "A verdade est aqui."

Ao invs, eles no descobriram nada. Zip. Necas. Campana 
era o mais velho para ter uma cicatriz de vacina da varola... 
e era minscula. No haviam cicatrizes suspeitas em seus 
pescoos, nem meia-lua em suas costas.

Ela sempre apoiou Mulder em suas teorias, mas no fim, isso 
era tudo o que elas eram. Teorias. Suposies.

Eles sabiam, da prpria pesquisa anterior que Scully fez, 
que as vacinaes de varola foram feitas no passado para 
catalogar as pessoas... mas e sobre aquelas crianas que 
nasceram depois de 1977, quando a ltima vtima de varola 
morreu, e a doena foi declarada erradicada pouco tempo 
depois? Crianas nascidas depois desta data no foram 
vacinadas.

Ento, se os sonhos cheios de sugestes de Me Abigail 
fossem precisos, e houvesse mais do que mera imunidade 
natural, como foi feito? Ser que alguma substncia foi 
introduzida na comida da cadeia? No... No poderia ser 
isso, porque os sobreviventes que foram achados em 
diversos lugares teriam comido da mesma fonte, o que  
difcil. Quase impossvel.

Talvez fosse introduzido por uma comida especfica, uma 
que nem todo mundo comia ou bebia. Talvez estivesse nas 
barras de chocolate de Willy Wonka ou em cada milionsimo 
Twinkie... ou poderia estar no resduo no saco do Doritos...

No havia como saber. Tudo que eles podiam fazer era tentar 
adivinhar. Alguns - incluindo ela mesma, Mulder e Fluffy - 
tinham sido separados e etiquetados como sobreviventes. E 
alguns estavam do 'lado sortudo' do acaso. E sem o traje 
completo dela para fazer a autopsia, no havia como dizer 
qual era a categoria que Hoffman e seus amigos pertenciam.

Ela embrulhou os trs corpos em lenis brancos e os deixou 
pra trs, na pilha de madeira do Motel Arco. No havia 
ferramenta para enterr-los. Ela fez o exame a pedido de 
Mulder, mas havia um limite  pacincia dela no que dizia 
respeito  sade dele. Isso era mais importante do que 
qualquer outra coisa. Ela precisava levar Mulder para 
longe do campo de batalha, e para um lugar com equipamento 
mdico de verdade.

Ento, uma hora depois, l estava ela tentando manobrar a 
moto ao redor dos buracos, enquanto eles iam pela 
Interestadual 44. At chegaram ao Motel Arco, eles passaram 
por poucas cidades... e devido ao tamanho delas.... no 
parecia que elas tinham hospital.

Scully estava ficando cada vez mais ansiosa a cada milha. 
A ferida de Mulder precisava ser limpa num ambiente mais 
higinico do que ela estava entre a sujeira e rvores do 
motel. E eles precisavam achar antibiticos... o curativo 
temporrio que ela aplicou no era o suficiente. Para 
surpresa dela, Mulder demorou uns bons trinta minutos antes 
dele notar exatamente o que ela usou para estancar o sangue 
na perna dele...

* * *

"Oh, meu Deus, Scully... voc usou... eu nem consigo dizer..."

"Absorvente higinico, Mulder."

"E o que so essas coisas voando?"

"Elas so chamadas 'asas', Mulder..."

"Oh. Meu. Deus." Ele nem podia mais olhar. "Por favor, 
Scully. Se de repente eu ficar com vontade de depilar 
minhas pernas e comear a ter mudana de humor... atire 
em mim."

"Acho que foi exatamente isso que nos levou a esta situao..."

Scully notou que ele no ousou tocar mais no curativo de 
novo. Isso de um homem que nunca deixava um curativo no 
lugar por mais de cinco minutos em toda sua vida. Ela 
guardou essa observao  mo para danos futuros.

* * *

Agora era Mulder que estava sentado no banco extra da moto, 
com Fluffy em seu colo. Ambos os machos estavam fingindo que 
seus machucados no doam - exceto quando eles batiam num 
calombo da estrada. Ento, ambos faziam careta, ou, melhor, 
Mulder fazia careta, e Fluffy bufava. E o rosto de Mulder 
ficava vrias sombras mais branca que o normal.

Scully continuou procurando um sinal azul de Hospital, na 
margem da estrada, mas no achou nada, e um deles, dizendo 
'Esconderijo de Jesse James - Como visto na televiso', 
chamou a ateno de Mulder que queria que ela parasse para 
eles visitarem!

Depois de dirigir por mais de uma hora, ela viu algo que 
lhe deu esperana. Um sinal para a cidade de Rolla, casa da 
Universidade de Missouri. Tinha que ter um hospital l... 
mas o mais provvel seria uma clnica de emergncia bem 
equipada. Ficava apenas a seis milhas dali.

Assim que ela saiu da estrada, no parecia muita coisa. A 
cidade comeava com uma sapataria no meio de parte nenhuma. 
Mas quando eles entraram na curva, a civilizao estava 
diante deles. Ela os levou para a subida ngreme da sada. 
Ela seguiu o sinal azul de hospital, passando por vrios 
outros.

Scully olhou o grande prdio da igreja catlica de St. 
Patrick enquanto eles subiam a colina e seguiam pela 
estrada sinuosa... e ela parou de repente quando viu algo 
novo.

Mulder e Fluffy sentaram, atentos. Mulder estava plido 
e um pouco fraco, mas ele queria ver o motivo deles terem 
parado. E seus olhos se gelaram na viso.

Ele sabia que tinha achado seu Santo Graal. Me Abigail 
estava certa. Este era o sinal dele. Era aqui que eles 
tinham que ficar e descansar.

"No posso acreditar nisso, Mulder. Voc est vendo isso?"

Mulder sorriu e acenou com a cabea enquanto encarava o 
sinal milagroso. Uma dramtica, embora reduzida criao 
de Stonehenge. Pedras colocadas ali como cortesia de 
alguns estudantes diligentes da universidade local.

"Luuu-cy, ns estamos em casa!  aqui que Me Abigail quer 
que fiquemos, Scully."

Ela deu para seu parceiro um olhar preocupado, e ento rodou 
os olhos quando viu o sorriso bobo.

"Oh, Deus... vamos achar o hospital" ela resmungou enquanto 
soltava os freios e continuava a seguir pela estrada.

* * *

Municpio de Phelps - Hospital Regional

Scully empurrou as portas de sensores, e que agora no 
funcionavam mais, tentando entrar na sala de emergncia.

"Precisa de ajuda?" Mulder falou, do assento dele ao lado 
da moto. Fluffy latiu.

Scully tremeu a cabea - como se algum deles pudesse fazer 
melhor. Mais alguns empurres, e ela estava dentro.

E quase sufocou no ar velho e morto. Estava escuro. Ela 
puxou a lanterna do bolso e foi em frente.

Suor desceu pela nuca enquanto ela pisava sobre os corpos 
de duas enfermeiras. As roupas delas estavam marrons, 
devido aos fluidos.

Ela respirou pela boca. Tudo estava quieto demais aqui 
dentro. Ela passou pelo balco das enfermeiras. Um homem 
num jaleco branco estava atrs do balco, com a cara sobre 
o teclado. As teclas estavam marcando o rosto dele, seus 
olhos estavam abertos, mas pretos com sangue. Sua garganta 
estava inchada, como uma jibia que comeu um cavalo.

Scully correu dali. Ela saltou quando pensou ter visto 
algo se mover  esquerda. Era uma das cortinas que foram 
movimentadas pelo vento, certo? L estava de novo, desta 
vez do outro lado.

Droga. Eu tenho que dar o fora daqui.

Para todos os lugares que ela olhava, haviam pessoas mortas. 
Elas tinham vindo aqui procurando ajuda, mas o hospital 
virou a tumba deles.

Droga. Corra!

Ela correu para o balco das enfermeiras e comeou a agarrar 
um monte de coisas.

E o tempo todo, ela no conseguia se livrar da sensao de 
que os mortos a estavam observando.

* * *

Rolla, Missouri
821 E. Rua dos Pinheiros
12:45 horas

A casa era exatamente o que eles precisavam. A enorme placa 
de "Vende-se" era um bom comeo. No tinha ningum morando 
quando a febre atacou. Isso significava sem corpos mortos 
esperando l dentro. Scully at achou uma janela destrancada. 
Ela rastejou pra dentro da casa, e logo estava abrindo a 
porta da frente para ajudar Mulder a entrar.

A moblia era escassa. Um sof velho, mas decente. Uma mesa 
de centro de carvalho. Uma poltrona reclinvel, que imitava 
couro. Isso era o bastante.

Assim que ela colocou Mulder no sof, Scully correu de um 
lado para o outro da moto para a casa, pegando todas as suas 
coisas. Ento ela levou a moto para os fundos da casa, longe 
da vista.

Ento, ela comeou a trabalhar.

"Como esto as coisas?" Mulder perguntou, fazendo o mximo 
para no olhar para sua prpria perna enquanto ela trabalhava.

"J vi coisa pior, Mulder."

"Sim. Mas algum deles estava vivo?"

"Voc estava, Mulder. Voc deve estar se sentindo melhor 
se j pode reclamar tanto assim..."

"Ow!" Mulder uivou enquanto ela vertia uma mistura de 
perxido e gua hidrogenada na ferida.

Fluffy ficou num canto, tremendo um pouco. Ele sabia que 
seria o prximo na agenda de trabalho da Dra. Scully.

"Eu sei que di, mas fique contente por termos encontrado 
os remdios. Caso contrrio eu poderia ter que recorrer 
aos mtodos dos dias de 'Jesse James....'"

"Ser que eu quero saber, Scully?"

"Bem, se voc levasse um tiro, seria de uma bala velha e 
cheia de leo, e se voc quisesse ter certeza de que a 
ferida ficasse limpa... voc molhava um pano ou leno com 
lcool, e ento enfiava tudo dentro da ferida, e..."

"Sinto muito por ter perguntando." Mulder gemeu ao pensamento.

Scully cobriu a ferida limpa com um ungento de Betadona e 
ento fez o curativo, com cuidado.

Mulder se comportou enquanto Scully montava a IV, pendurando 
uma bolsa de D5 & 1/2 e uma bolsa de antibitico. Ele quase 
no estremeceu enquanto ela inseria a agulha da IV em seu 
brao. Ela fixou o tubo.

A bolsa de antibitico estava vazia em trinta minutos, e 
ela trocou depressa para outra soluo. Hora de re-hidratar 
Mulder.


Uma hora depois, Mulder estava se sentindo muito melhor. 
E agora o esgotamento estava pegando ela. Scully quase no 
podia manter os olhos abertos. Ela deu pontos na perna de 
Fluffy e ele estava dormindo, feliz, ao lado do sof.

Scully conferiu o pulso de Mulder e, satisfeita de que ele 
no estava mais em choque, ela removeu a IV.

Mulder a observou enquanto ela tentava limpar o lixo mdico 
do cho.

"Scully... por que voc no d um tempo? Descansa um pouco?"

"No posso, Mulder. Tenho que fazer algumas coisas... preciso 
achar um mercado, pegar algumas latas de comida..."

Mas Mulder podia ver as sobrancelhas dela franzidas.

"Voc est com dor de cabea, no ?"

"Eu estou bem, Mulder", ela suspirou.

"Ento, t tudo bem. Mas pelo menos venha at aqui para que 
eu possa cuidar do seu corte." ele observou, apertando a 
prpria sobrancelha.

Ela cedeu, lhe dando a Betadona e uma bandagem enquanto ela 
se sentava ao lado do quadril dele. Mulder tirou o curativo 
da testa dela, e tremeu - no era de se admirar que ela 
estava com dor de cabea. Ele tocou a ferida com a Betadona 
e com cuidado colocou um novo curativo.

"Bom como novo, Scully", ele murmurou enquanto se apoiava 
para beij-la sobre o machucado.

Mas Scully j estava dormindo.

Mulder sorriu enquanto puxava ela contra ele, at que ambos 
estavam reclinados. Ele passou o brao dela sobre o trax 
dele.

Ela poderia explorar a cidade amanh.

* * *

E o corvo preto circulou a pequena cidade, mantendo sua 
vigilncia.

* * *
Fim de Last 25

LAST ONE STANDING
Mabtng <mabtng@mindspring.com>

* * * * * *
CAPTULO VINTE E SEIS
* * * * * *

"...uma pequena cantiga
Sobre Jack e Diane,
Duas crianas americanas crescendo
Na rea central..."

- John Cougar Mellencamp

* * * * * *

Rolla, Missouri
Algum dia

No havia nenhuma palavra que poderia fazer justia  
experincia que era Super WalMart numa cidade pequena.

Lou Ella Tyson vivia pelas tardes de domingo na WalMart. 
Primeira coisa no domingo pela manh, ela tirava o seu 
corpo de 312 libras - era um problema glandular, voc 
sabe - pra fora da cama. Ento ela cutucava o marido, 
Jim, para acordar. Em seguida, ela marchava no corredor 
e despertava as quatro crianas.

Depois de sufocarem-se com pilhas de panquecas na Terra 
da Sra. O'Lakes e Butterworth, e ao lado de uma libra de 
toucinho banhado por Tang, a famlia Tyson iria porta 
a fora para o servio de domingo... mas no antes que 
Lou Ella lanasse o assado de panela no forno.

Trs horas depois, o assado de panela e batatas estavam 
na mesa para o Jantar de Domingo, que normalmente envolvia, 
pelo menos, duas brigas entre as crianas...

* * *

"A Sra. Peabody disse que Jesus me ama mais que a voc!"

"Nuh-uh! Maaaa-nheeee!"

"Ama, tambm!"

"Jeremy! Deixe de escarnecer sua irm. O que a Sra. Peabody 
disse que te deu essa idia?"

"Ela disse que 'Jesus ama as crianas *pequenas*' e Sarah 
no  pequena. Ela  um traseiro de banha!"

"Maaa-nheee!"

"Jeremy! V para o seu quarto!"

"Traseiro de banha, traseiro de banha, traseiro..."

Bofetada. Fim de discusso.

* * *

Uma vez que os pratos estavam arrumados e as crianas 
estavam fora atormentando os vizinhos, e Jim estava mofando 
no seu reclinvel, no gabinete de estudo, controle remoto 
Krazy colado  mo direita, Lou Ella teve a sua chance 
para escapar.

Ela ergueu o seu corpo "ossudo" na caminhonete e foi em 
direo  Meca.

Era um verdadeiro mistrio por que nenhum antroplogo 
cultural jamais montou um estudo de campo no absurdo do 
Domingo, na Super WalMart. Documentos poderiam ter sido 
escritos, discutidos, feito descobertas. Teria sido fcil 
de montar a cortina do observador em algum lugar... como, 
digamos, atrs do nmero volumoso dos Pacotes Familiares 
da Charmin.

Ao contrrio da opinio de todo homem, havia um mtodo e 
ordem aos domingos no Mundo da Wally. E Lou Ella sempre 
teve um plano de ataque e sempre sabia o seu lugar na 
ordem social.

Comeava nas volumosas portas corredias da frente. No 
depsito de carrinhos. Apenas as mulheres, com crianas 
pequenas em reboque, eram permitidas os carros especiais 
com o cinto de segurana azul. Pegar um quando voc no 
tinha nenhuma criana seria um pecado. Olhares fixos e 
sussurros te seguiriam ao longo da loja.

Lou Ella lutou com cada carrinho no Dia do Senhor, xingando 
e resfolegando at que ela conseguiu livrar um carrinho 
no-especial da malha de rodas e cestas. Invariavelmente, 
ela conseguiu o carrinho com uma roda que girava em volta 
no lugar, e rangeu e protestou ao longo de cada corredor, 
atraindo risos silenciosos de toda criana que ela passou. 
Ela viu isto como um fardo especial que ela tinha que 
agentar.

O prximo movimento dependia completamente em qual extremidade 
da loja ela entrava, determinado, claro, pelo lugar que ela 
estacionou. Se entrasse na extremidade sul, ela esbarrava 
com sade e seo de beleza primeiro. Ela pegaria o xampu 
de morango Suave, alguma Preparao H, um pouco de Icy Heet 
para Jim, e todas as "coisas femininas" das quais ela 
precisava. Voc no gostaria de colidir com qualquer um que 
voc conhecia nesta "seo particular", assim ela ocupou-se 
do seu negcio aqui rapidamente.

Em seguida foi pelos brinquedos, vdeos e eletrnica... 
olhando o combinado de TV e VCR que ela queria que Jim 
comprasse para o quarto deles. Isto conduziu s pinturas 
e ento os materiais automotivos, passando a loja de pneu 
e o canto das artes. Voltando  direita, a conduziu alm 
do recanto de camping/pesca/caa, alm dos linhos, toalhas 
e travesseiros...

Prxima parada, a seo central. Roupas para a famlia 
inteira. Este era um dia que ela era livre para pegar todos 
aqueles objetos femininos, que no se deve mencionar. Ela 
sempre teve cuidado para no chamar ateno ali... nenhuma 
razo para deixar algum ver o tamanho do seu suti Playtex 
e calcinhas. Ela comprimiu esses cuidadosamente na cesta, 
debaixo da blusa que no precisava mas apanhou de qualquer 
maneira, para cobrir as coisas privadas no carrinho.

Uma vez terminado com a roupa, ela andou, passando o 
departamento de artigos de uso domstico. Ela tendia a 
reduzir a velocidade aqui, contemplando, saudosa, aos 
microondas e abajures, os liqidificadores e as frigideiras 
anti-aderentes. Ento bom senso a superaria e ela passaria 
para a compra importante.

Ela entrou na seo de supermercado. Isto  onde toda a 
socializao acontecia. Entre os ovos e o Corn Flakes, 
a alface e as coxas de galinha. Lou Ella sempre poderia 
contar com vrias reunies improvisadas do comit da 
igreja, discusses, e vrias milhas de fofoca aqui. Todo 
o verdadeiro negcio das mulheres da cidade era conduzido 
prximo s comidas congeladas. No doa que a seo de 
comidas congeladas tambm era onde a Sra. Donna Raymond, 
empregada de confiana da WalMart durante doze anos, sempre 
montava a sua mesa de amostras de comida nos domingos. 
Minsculos palitinhos coloridos sustentavam maravilhas tais
como pizza torrada, asas de galinha BBQ, cubos de queijo, 
e o salame da semana. As senhoras do Comit da Nata da 
Segunda Alameda da Igreja Batista sempre foram muito bem 
alimentadas durante as suas reunies.

Lou Ella sempre teve cuidado para se limitar a quatro palitos 
de guloseimas em pblico. Ela tinha que manter a fachada do 
seu problema glandular. Alm disso, ela sabia que poderia 
ir para casa e acabar com aquela bolsa de Lays e a caixa de 
chocolate Hostless Donettes, que ela tinha no carro. 

Mas, neste, o seu ltimo dia de glria de WalMart, Lou Ella 
no tinha vontade de fofocar. Ela nem tinha vontade de 
almejar o T-Fal. A famlia inteira, Lou Ella inclusive, 
tinha a gripe. Jim e as crianas estavam todos acamados. 
A cidade inteira estava caindo como moscas. Lou Ella s 
queria um pouco de Robitussin. Ela apanhou a garrafa, 
tamanho famlia, do lquido vermelho e foi ao posto de 
sada. Mas ningum estava l. A loja estava virtualmente 
deserta.

Ela esfregou a sobrancelha suada logo antes que uma tosse, 
de arrancar as tripas, gargarejasse de dentro dela, a 
forando a se agachar. Muco escuro pegou na garganta e 
ela tentou clarear. Ela no podia respirar. O trax 
esfalfado inchou, o corao gritou. Ela cambaleou para 
a porta, ainda apertando o Robitussin. Ela chegou no 
depsito de carrinho antes de cair ao cho. Morta e azul 
antes que ela batesse o cho.

E Lou Ella Tyson ficou deitada l. Ningum teve a energia 
ou inclinao para mover o corpo dela.

* * *

Rolla, Missouri
15 de julho

Scully tentou no tropear sobre a mulher inchada que estava 
deitada na entrada, no meio de seu caminho. Com certeza 
estragaria este momento.

Ela tinha esperado quase quarenta e oito horas por esta 
chance - a de finalmente sair da casa, longe de Mulder e 
de Fluffy. Ambos os machos estavam fazendo o impossvel 
para deix-la louca. O primeiro dia no foi to ruim assim. 
Ela estava preocupada com os ferimentos deles... e todos 
eles estavam cansados demais para procurarem problemas.

Mas ontem... ontem ambos estavam bem o bastante para comearem 
a reclamar. Mulder ficava querendo, a toda hora, que suas 
almofadas fossem ajeitadas, afofadas. Scully suspeitou que 
ele s gostava da viso quando ela tinha que apoiar nele 
para fazer isso. Ele estava sendo intolerante e gemendo 
sobre ter saudades de cubos de gelos. Ela quis sugerir 
que ele desse um pulinho e voasse at a Antrtica... mas 
mordeu a lngua. Ambos estiveram l, se queimaram com gelo 
e ela definitivamente no queria viver esta experincia 
de novo.

E Fluffy... Fluffy. O danado do cachorro no conseguia 
se decidir se queria ficar dentro ou fora. Scully estava 
indo para a porta a cada cinco minutos.

E a quase toda hora ela tinha que ajudar Mulder a ir ao 
banheiro, do outro lado da rua. Tudo bem - ela no podia 
culp-lo. Todo aquele lquido na IV no podia ficar dentro 
dele por muito tempo. Mas cada viagem significava outro 
round das mos de Mulder saindo dos ombros dela, para 
outras partes do corpo de Scully. Ela at que poderia 
desfrutar disso se um deles fosse capaz de continuar e 
terminar isso... mas agora, no adiantava. Mas pelo menos 
ela estava grata pelo banheiro - caso contrrio, ela 
estaria ajudando Mulder a ir at uma rvore.

Hoje  noite, eles planejavam ir para o segundo andar. 
Mulder jurou que poderia agentar os degraus... e ambos 
queriam dormir numa cama, desesperadamente. Seria um desafio.

Esta manh, Scully se sentiu ligeiramente enrgica, e ela 
tinha uma desculpa para sair de casa. Eles precisavam de 
comida, e de outras coisas. Nem Mulder poderia discutir com 
ela... eles estavam com apenas algumas latas de comida. E 
eles precisariam de lenis para a enorme cama nua do quarto. 
Mas ele ficou certo de que ela estava armada at os dentes 
antes de sair. E fixou um tempo. Duas horas. E nem um 
minuto alm disso, seno ele e Fluffy estariam se arrastando 
pela cidade, atrs dela.

Mulder sugeriu que ela desse uma olhada na pickup do vizinho. 
Se ela pudesse achar as chaves, seria muito mais fcil trazer 
tudo de volta. Ela gostou dessa sugesto. As ruas estavam 
limpas aqui. Felizmente, Rolla era uma tpica cidadezinha, 
e ela encontrou as chaves penduradas na ignio.

Scully entrou na loja e seu queixo quase caiu. Tudo bem, o 
cheiro era horrvel, graas s carnes apodrecendo, e sees 
de produtos perecveis... mas ainda era, de longe, a maior 
loja que ela esteve durante um ms. E parecia que a loja 
tinha sido poupada de baderneiros.

O cheiro estava comeando a atingi-la, e ela ficou aliviada 
ao ver a seo de Beleza e Sade,  sua esquerda. Ela seguiu 
direto para a estante de Vick-Vaporub e pegou um pote. Ela 
enfiou o dedo, e tirou uma grande poro, passando debaixo 
do nariz. E respirou fundo o mentol. Muito melhor.

Scully carranqueou. A mo dela estava melhorando, o corte 
entre os dedos comeando a melhorar, mas era horrvel manter 
um curativo ali. Ela foi pelo corredor, e encontrou um 
curativo. Ela moldou ao redor da mo, e pegou um carrinho 
de compras. Estava na hora de trabalhar.

* * *

Oitenta minutos e quatro carrinhos de compra depois, Scully 
estava fora da loja, encarando a pickup. Ela conferiu tudo: 
Saltines e Ritz; latas de atum, carne de porco & feijes, 
ervilhas, batatas, Lingias de Viena, pimenta-malagueta e 
vrios outros produtos de carne; Cheez-Hum (o prazer culpado 
dela); Sementes de girassol para Mulder; Alpo para Fluffy; 
alguns sacos de batatas fritas; Gales de gua; um pouco 
de leite em p e uma garrafa de vinho. Era bom para comida.

Drogas que ela pegou na farmcia, incluindo Perdocan para 
suas crescentes e eternas dores de cabea. Ela escondeu 
isso... Mulder no precisava saber. Ele tinha Tylenol que 
ela pegou do hospital, para a perna dele.

Ela ficou muito contente em pegar sabonete e sabo para 
lavar roupas. E enquanto estava na seo de Sade e Beleza, 
ela pegou uma bengala ajustvel para Mulder. Ele iria 
precisar. Nada mais de ficar com aquela mo boba sobre ela.

Na seo de Caa e Camping ela descobriu uma mina de ouro. 
Facas, bolsas de dormir novas, uma barraca para dois, um 
pouco de munio para as armas deles e outras surpresas 
que ela planejou mostrar pra Mulder quando fosse o momento 
certo. Hoje  noite eles comeriam como a realeza.

Ela pegou algumas roupas para substituir a deles. Eles 
no poderiam ganhar um concurso de moda, mas pelo menos 
estariam mais limpos. Ah, e ela pegou travesseiros. E 
lenis. Ela no tinha se esquecido dos lenis. O de 
luxo, liso, acetinado.

Com um aceno de satisfao, ela pulou para dentro da pickup... 
e gelou quando um tiro de dor martelou em seu crnio. Ela 
se apoiou no volante, descansando a cabea enquanto tentava 
respirar.

*Agora no, droga!* ela cantou pra si mesmo.

* * *

Scully no tinha certeza de quanto tempo esteve desmaiada, 
mas era bvio que ela teria que trocar de camisa antes de 
voltar pra casa. Toda a frente de sua roupa estava coberta 
de sangue. Ela conferiu o nariz, e ficou aliviada por ver 
que tinha parado o sangramento.

Ela saiu do banco do motorista e foi para onde estavam as 
roupas novas. Levou um momento para ela perceber que sua 
mo tinha deixado rastros sangrentos no metal.

*Droga.*

Ela agarrou uma camisa nova e arrancou as etiquetas. Ento 
ela tirou a blusa, amassando e tentou remover o sangue do 
rosto e braos. Ento ela esfregou o lado do caminho. No 
final, no estava totalmente limpo, mas tambm no era 
bvio. E ela duvidava que Mulder fosse passar Luminol nisso, 
e tentar descobrir rastros de sangue. Talvez chovesse, e 
a gua lavasse toda a evidncia. Pensamento tendencioso.

Ela vestiu a camisa nova, rezando para que Mulder no 
notasse a diferena. Se ele fizesse algum comentrio, ela 
simplesmente diria que queria usar uma camisa limpa. Ele 
poderia aceitar isso.

Ainda fraca, ela agarrou uma lata de suco V-8. Quente. No 
estava particularmente gostoso, mas ela bebeu tudo. Parecia 
ajudar.

Mais uma vez, ela subiu na pickup. Porm, desta vez, ela 
foi capaz de retornar pra casa.

* * *

16 de julho marcou o dia em que Mulder descobriu o milho. 
Ou melhor, ele notou que a casa vizinha tinha um campo nos 
fundos, e uma plantao. Os tomates estavam muito maduros, 
apodrecendo... menos o milho. Espigas de milho... espigas 
de milho assadas na grelha.

Scully deixou as espigas cozinhando enquanto Mulder a 
ensinava como fazer as espigas, comendo suas sementes de 
girassol. Ele tinha algum tipo de competio consigo mesmo, 
tentando quebrar o recorde de distncia sobre cuspir as 
cascas. Ela riu. Fluffy ocasionalmente somava um latido 
de aprovao. E o jantar deles foi maravilhoso.

Eles tinham achado um Ford utilitrio na concessionria 
da cidade e ambos aceitaram deixar a moto e a pickup de 
lado. As estradas que eles ainda iriam enfrentar seriam 
difceis, e nenhum deles apreciava a idia de dirigir 
pelo Sudoeste sem ar condicionado.

E haveria bastante espao para todas as coisas que pegaram, 
e ainda teriam uma rea para dormir, caso necessrio. O 
Expedition estava agora na frente da casa, pronto para 
uma fuga rpida caso a necessidade aparecesse.

A perna de Mulder estava melhorando muito bem, e ele estava 
andando com a bengala facilmente. Ele poderia nem precisar 
dela dali a um ou dois dias. E Fluffy andava como se nunca 
tivesse sido ferido. Era bom ter boas notcias.

Ento, Scully estava muito alegre mesmo quando Mulder no 
comentou sobre o rosto plido dela, ou sobre a energia 
forada. Ela esperava que ele no tivesse notado. Mas ela 
estava se sentindo melhor hoje. Ela s esperava que a 
sensao durasse mais tempo.

Nenhum deles notou o pssaro preto que olhava para eles do 
carvalho no jardim do vizinho.

* * *

20 de julho

Scully estava tendo dificuldade para dormir. Ela estava 
cansada, e sua cabea doa, mas ela tinha muitas coisas 
na mente. Ela ia fazer uma grande surpresa para Mulder 
amanh. A perna dele estava muito melhor, e ela tinha 
certeza de que ele iria gostar do evento.

Mulder estava de bruos, seu brao esquerdo drapejado 
sobre a cintura dela, fingindo dormir... mas ela no foi 
enganada. Mulder nunca respirava com o nariz enquanto 
dormia. Dormindo, a boca dele abria, parecendo um suspiro 
de prazer. Alm disso, a perna esquerda dele se insinuava, 
enrolando-se na perna esquerda dela. Fluffy estava roncando 
no cho do quarto, perto da cama.

Ela no ouviu o som, mas cheirou. Homens. Todos os homens 
eram porcos.

"Mulder, eu te amo... mas  melhor que seja Fluffy e 
no voc com o resultado de suas sementes de girassol!"

Mulder gelou. "O que voc disse?"

"Voc me ouviu" ela murmurou, puxando o travesseiro sobre 
a cabea, para poder enterrar o nariz... usar como filtro 
de ar.

"No sei o que fiz" Mulder encarou o topo do travesseiro 
de Scully.

"Eu isss que  meorr ser o fufffiii que cortou o queijo" 
foi a resposta dela.

"O que?" Mulder exclamou enquanto tirava o travesseiro do 
rosto dela.

Scully o encarou, queixo contra o peito, olhos luzindo. 
"Eu disse:  melhor que seja o Fluffy que tenha cortado 
o queijo, Mulder."

"Oooohhhhh, Scully. Voc est me ameaando?" Mulder arreliou.

Ela no respondeu.

Mulder avanou lentamente at estar quase totalmente sobre 
ela, fitando seu rosto. "No acho que foi tudo isso que 
voc disse" ele brincou.

" mesmo?" ela agiu de maneira inocente.

"Hmm-hmm. S para esclarecer as coisas. No fui eu, e no 
foram as sementes de girassol."

"Ainda bem. Ento Fluffy vai ter uma mudana na dieta dele, 
ou ele vai dormir em outro lugar..."

Mulder deu um aceno de acordo. E agora estava fixo numa 
mancha perto da boca dela.

Scully tinha perdido seus pensamentos logo depois de fitar 
os olhos escuros de Mulder...

Uma exploso alta e cheia de vento encheu o ar.

"Fluffy!" ambos gritaram enquanto tentavam cobrir seus 
narizes. Mulder jogou o travesseiro contra o cachorro.

Acordado por causa do travesseiro, Fluffy se levantou, 
bocejou, e andou para fora do quarto, procurando um lugar 
mais quieto para dormir. O homem e a mulher eram barulhentos 
demais!

Mulder olhou de volta para Scully, mas o clima j era. Com 
um sorriso desapontado, ele colocou o cabelo atrs da orelha 
dela, antes de cair na cama, de cara no colcho.

"Mulder. Meu travesseiro est no cho."

Mulder, com extrema economia de movimentos, tirou o prprio 
travesseiro e colocou sobre o rosto dela. Scully somente 
virou a almofada e colocou debaixo da cabea.

Ela encarou o teto.

"Voc sabe, Scully... se eu soubesse que isso faria voc 
falar algumas coisas, eu teria feito isso h muito tempo 
atrs..."

Scully sorriu.

"E s para o registro, federal. Eu tambm te amo."

Scully achou a mo dele e a envolveu, ao mesmo tempo em 
que dormiu.

* * *

21 de julho
Meio-dia

"Ns vamos fazer o que?" Mulder perguntou.

"Ns vamos pescar, Mulder" Scully respondeu enquanto lhe 
dava vara e linha. "Eu prometo que voc vai gostar" ela 
sorriu.

E logo eles estavam sentados nos bancos das Fontes de 
Maramec, seus ps descendo e subindo na gua fria... que 
tambm provou ser um maravilhoso refrigerador para as 
latas de refrigerante, e garrafa de vinho.

Isso era gostoso. O parque ficava a umas dez milhas de 
Rolla e agora era um hotel fazenda, com um pequeno pesqueiro 
de peixes-gato. Para Scully, era perfeito. Ela tinha pescado 
trs peixes enormes, mas Mulder no tinha pego nada, a no 
ser alguns raios de sol. Mas ele no ligava. Era calmo aqui, 
e Scully estava sorrindo. E Fluffy estava brincando ao redor 
dele. O que mais ele poderia pedir?

Scully riu.

"O que foi? O que  to engraado?" Mulder perguntou, 
achando graa.

Ela olhou pra ele, que ficou sem ar ao v-la. Ela estava 
linda.

"Estava me lembrando de uma regra na pesca..."

"E qual ?" ele se apoiou nos cotovelos, vendo o sol brincar 
com o cabelo dela.

"Que a pessoa que pegar menos peixe tem que limpar toda 
a pesca do dia..."

De repente, pegar um peixe era a coisa mais importante na 
vida de Mulder.

* * *

17:30 horas

"Os peixes estavam maravilhosos... voc fez um excelente 
trabalho com todas as tripas, Mulder" Scully caoou dele.

"Eu fiquei contente em continuar uma tradio, Scully" 
ele estava muito satisfeito para reclamar. Ele estava cheio 
de peixe grelhado, delicioso, e inclinado sobre uma manta 
macia debaixo de uma rvore, descansando sua cabea no 
estmago de Scully. Nope. Nada do que reclamar.

"Esta foi uma boa idia" ele falou enquanto puxava a mo 
dela sobre seu peito. Ele fechou os olhos, contente.

Mas no por muito tempo. Scully puxou-lhe o brao, "Mexa-se, 
peixeiro."

Mulder concordou e logo tinha Scully aconchegada contra 
o lado dele. Mas ela no ficou contente com isso. A mo 
dela se movia em crculos lentos e preguiosos sobre o 
trax dele. Ele ronronou. Ento ela ficou mais corajosa 
e rolou at estar quase sobre ele.

Ela comeou com o pescoo dele... beijos suaves. E foi 
para o queixo. Os olhos dele ainda estavam fechados, mas 
sua boca estava sorrindo de prazer. Ambos estavam zumbindo... 
at que ela alcanou seus lbios.

Mulder abriu os olhos e eles pausaram. "Isso  bom. Isso 
 bom mesmo" ele sussurrou. Ela entendeu o que ele estava 
dizendo. Ele sabia que ambos estavam com limitaes fsicas. 
Ia demorar um pouco mais de tempo para curarem. E ela o 
amou por isso. Por entender o que ela precisava neste 
momento.

"Ento, Scully... quer beijar?" ele sorriu, malicioso.

"O que voc acha, Mulder?" ela sorriu.

E foi exatamente isso que eles fizeram.

* * *

26 de julho

"Mulder, eu sei que voc est impaciente, mas ns concordamos 
em partirmos amanh. Me Abigail te disse para esperar at 
l. Certo?" Scully estava na sala de estar, com as mos nos 
quadris.

"Eu sei, eu sei", Mulder concedeu. " que a minha perna 
est quase oitenta por cento boa... e eu preciso de algumas 
respostas." ele apertou o punho sobre o sof.

Scully suspirou. Ela entendia exatamente como Mulder se 
sentia, mas ela estava gostando da estadia deles aqui em 
Rolla. Parecia quase normal, quase uma vida domstica. Do 
tipo que eles nunca foram. Mas estava na hora de mudar... 
Matthew estava em algum lugar l fora. Ela tinha que ach-lo. 
Eles tinham que ach-lo o quanto antes... antes que as dores 
de cabea dela ficassem piores...

"Por que voc e Fluffy no do um ltimo passeio pela cidade? 
Veja se vocs podem achar outra coisa que poderamos precisar 
para nossa viagem."

"Voc tem certeza de que no precisa da minha ajuda aqui, 
Scully?" ele perguntou... mas ela podia ver que ele gostou 
da idia.

"Podem ir. Vocs dois. Eu s preciso acender a grelha... 
e vai demorar pro carvo esquentar. "No se preocupe. Vou 
guardar um pouco at voc voltar." ela os espantou pra fora.

"Ns vamos voltar logo. Vamos, Fluffy." Mulder chamou.

E eles saram.

* * *

Scully tinha empilhado o carvo, e as chamas estavam comeando 
a trabalhar. Agora, ela s precisaria preparar as espigas 
para a grelha e aquecer a gua para poder fazer um Mac&Cheese 
- o macarro que ela gostava.

Ela se agachou para pegar a prateleira da grelha do cho, 
e a dor a bateu como duas toneladas de tijolo, perfurando 
as cavidades do sinus dela, e nos olhos.

Scully agarrou a cabea e cambaleou para a varanda. Ela 
elevou a mo para o nariz enquanto se apoiava numa pilastra. 
Sem sangue. Ainda. Talvez ela no tivesse um sangramento.

Mas o corpo dela estava fraco. Ela olhou pro cu. As nuvens 
andavam rpido, mas no pareciam nuvens de tempestade. Mulder 
deveria ter tempo ainda, e demorar. Ela poderia ir para o 
segundo andar e cochilar um pouco. O jantar no demoraria 
para ficar pronto...

Ela mancou pra dentro e andou pela escada. Scully caiu 
sobre a cama, levando tempo apenas para tirar os tnis 
com os dedos dos ps. Ento ela dormiu.

Do lado de fora, o vento comeou a soprar. Um pssaro 
preto voou tambm.

A churrasqueira, sem a grelha, comeou a tremer e balanar 
com o vento, cada rajada balanando suas finas pernas de 
ferro.

Um vento forte atingiu-a, ao mesmo tempo em que o pssaro 
preto desceu do cu, batendo a churrasqueira com suas garras.

Foi o suficiente.

A churrasqueira caiu de lado, enviando uma chuva de brasas 
ardentes pelo cho. Brasas que flutuaram pelo vento para 
dentro da casa...

Scully continuou dormindo.

* * *

A perna de Mulder estava ficando adormecida, e ele estava 
quase a ponto de voltar pra casa. Ele e Fluffy fizeram uma 
excurso completa pelo centro da cidade, olhando nas lojas 
e at no banco. Eles at encontraram um escritrio regional 
do FBI. Mulder ficou confuso - por que um escritrio do FBI 
em Rolla? - at que ele percebeu que havia um pequeno reator 
nuclear no campos da universidade. Ento fazia sentido.

Ele quis saber que pobre alma tinha sido designada para 
trabalhar neste fim de mundo. Ou talvez os agentes no 
tiveram tanto azar assim... aqui tinha lugares bons para 
pescar, acampar... quem sabe?

Eles estavam checando o ltimo prdio quando Fluffy gelou. 
Ele choramingou e comeou a voltar para a rua. Ele latiu 
para Mulder. Com muita vontade. Ele correu pela rua, e 
ento voltou-se para olhar para Mulder. Era como se ele 
quisesse que Mulder o seguisse.

"O que foi, Fluffy?" Mulder perguntou, tentando no se 
sentir como se estivesse num episdio de 'Lassie'.

Mas Fluffy j estava correndo. Mulder se virou e olhou na 
direo da rua. E ele viu. Fumaa. Grossa, preta, densa. 
Vindo certamente de onde a casa estava situada.

Mulder comeou a correr.

* * *

Scully acordou tossindo. Levou alguns segundos para ela 
perceber o motivo. Fumaa enchia o quarto. Ela lutou para 
levantar a cabea... ainda estava doendo. Ela ficou de p, 
ou tentou, mas percebeu que precisava ficar perto do cho, 
onde o ar poderia estar mais limpo.

Ela caiu sobre o cho, de joelhos, e comeou a rastejar 
para a porta, que ela havia deixado aberta, e por isso a 
fumaa encheu o quarto to depressa. Ela espiou a cabea 
para o corredor, e viu que a fumaa estava mais grossa 
aqui, mas ela no podia ver o fogo...

...at chegar na escada. Ela olhou pra baixo e podia ver 
as chamas chicoteando ao redor da sala de estar, para o 
corredor, e na escada. Ela no tinha muito tempo.

Scully comeou a rastejar pelos degraus. E mantendo os 
olhos na porta da frente.

Seu local para a fuga.

* * *

Do lado de fora, as chamas conseguiram alcanar as casas 
vizinhas, encorajadas por cada telha e tbua. Haviam quatro 
casas em chamas agora.

* * *

Scully estava a meio caminho nos degraus quando pedaos 
do teto comearam a desabar. A pintura nas paredes ficou 
empolada, e estourou, mas ela continuou escorada na parede, 
tentando evitar os escombros que caam.

S mais alguns passos...

*Onde voc est, Mulder?*

* * *

Uma coisa  certa sobre o fogo - nada  verdade sobre os 
sonhos de fogueira - Quando os objetos artificiais comeam 
a queimar, o ar fica 'picante'. A palavra 'picante' foi 
inventada para descrever essa sensao.

O ar vai cobrir sua boca, seus dentes, sua garganta e seus 
pulmes, at sua garganta querer fechar. Voc sente como 
se algum enrolasse suas vias reas com gaze. Um pulmo 
cheio disso faz voc ficar tonto. Dois, acabam com voc.

E ento tem o calor. Voc no precisa tomar a chama do 
fogo para se queimar. O calor ferve o teto e as paredes, 
e o suor tambm te queima, e cozinha sua pele debaixo das 
roupas. Num s flego, sem se queimar de fato, voc tem 
uma queimadura de segundo grau.

 por isso que todos estes filmes dramticos que passam 
na televiso e no cinema, sobre pessoas que entram em 
prdios para salvar as criancinhas... movendo pelos 
corredores... falando... tudo  conversa fiada.

Mas Fluffy no tinha visto muita televiso. Suas quatro 
patas corriam rpido para a casa, deixando Mulder pra trs, 
bem longe.

Ele podia ouvir Mulder gritando, chamando a mulher. Scully. 
Mas Fluffy no conseguia ver movimento dentro da casa. As 
chamas saam pela janela e porta da frente, lambendo as 
beiradas pra cima, a fumaa uma grossa cortina nas janelas 
do segundo andar.

Fluffy no pensou duas vezes enquanto voava pelo beiral 
e saltava pela janela cheia de chamas, para dentro da sala 
de estar.

* * *

"Scully!" Mulder clamou enquanto corria pela rua to rpido 
quanto sua perna permitia. Seus olhos estavam molhados pela 
fumaa que estava no ar. O calor cresceu ao seu redor, 
circulando-o como se ele tivesse derretido sobre o churrasco.

Oh, Deus. Tudo ao seu redor estava ardendo... Scully!

Quase l...

* * *

Scully tinha quase se rendido, ofegando, quando sentiu 
algo puxar sua camisa. O que quer que fosse, era insistente.

Ento, a coisa lambeu seu rosto. Fluffy. Ele podia gui-la 
para fora...

Ela mexeu com as mos at encontrar a coleira do cachorro, 
e agarrou com fora.

Fluffy a puxou e arrastou a ambos para a porta da frente.

Quase l...

Ela sentiu a madeira da porta e se forou a sair do cho, 
tentando ficar de p para poder virar a maaneta da porta. 
Fluffy deu alguns passos pra trs para dar-lhe espao.

O calor j estava queimando atravs das roupas de Scully 
e pelo plo de Fluffy...

Algo no teto gemeu.

Rachou.

E o mundo caiu.

* * *

Mulder protegeu o rosto com o brao enquanto subia a escada 
da frente da casa...

Ele ignorou a dor quando fechou a mo sobre a maaneta quente 
da porta...

"Scully!" ele gritou enquanto abria a porta...

Um estrondo horrvel...

Fascas e escombros voaram pelo ar e algo o bateu direto no 
peito...

E ele estava caindo pra trs...

Caindo pela escada da frente...

E tudo ficou preto...

* * * * * * * *

Fim Last 26

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CONTINUA...

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